Nothing Is Bigger Than Love
18 Capítulo 18 – Babá em voo internacional
Notas iniciais
Zara
Escutei um barulho irritante do meu telefone. Parecia como uma musica de... Alarme. Hoje é domingo! Não preciso de nenhum...
A viagem!
Como esqueci que era hoje?
Sai da cama desesperada, com o cabelo bagunçado e fui pra sala de estar onde o drogado estava dormindo. Ele parecia estar tendo um sonho maravilhoso, deitado esparramado com a cara amassada e seu cabelo rosa fazendo uma linda combinação com sua cara de menininha. Seria uma pena se alguém o jogasse do sofá... Não, não seria.
—Qual é o seu problema? –Falou sonolento passando a mão na cabeça, onde tinha batido no chão.
—Aeroporto... viajar... Bahamas? –Ele continuou com cara de bosta sem entender nada. –É hoje criatura! Vá se arrumar que teremos longas horas de voo.
—Como assim é hoje?
—É hoje. Quer que eu desenhe? –Virei os olhos. O que as drogas não fazem com as pessoas...
—Você não me disse que era hoje! –Levantou do chão rápido.
—Devo ter esquecido deste detalhe...
—Como assim esqueceu? –Falou frustrado. –Eu nem arrumei minha mala! Como você quer que eu...
—Não tenho tempo pros seus ataques, vou me arrumar.
—Eu tenho que ir ao médico hoje!
—Relaxa, não vai morrer por isso. –Pensei mais uma vez... –E se morrer estará fazendo um favor ao mundo.
—É serio Zara! Eu tenho um problema de... –Foda-se, vou me arrumar. Queria ter ficado mais para saber o que o drogadinho tinha, mas tenho outras prioridades.
Lucas continuou resmungando sozinho. Eu mereço... Vou ter que aguentar dois pesos na viagem que era para ser perfeita. O que eu fiz pra ter que suportar essas criaturas?
Entrei no banheiro e tomei um banho rápido e logo depois prendi o cabelo que já estava desbotado em um rabo de cavalo. Coloquei uma calça de moletom preta e uma regata da mesma cor, estar confortável em um voo de quase nove horas é essencial!
Peguei minha mala e arrastei-a até a cozinha, onde eu peguei uma maçã e esperei Lucas acabar de arrumar suas coisas. Ele desceu com uma mochila rosa que eu emprestei pra ele combinando com o cabelo.
—Não acredito que vai me fazer usar essa bosta. –Resmungou.
—Ah, ficou lindo. –Sorri com deboche. –Combinou com este cabelo.
—O viado do Henrique vai me encher o saco.
—Que fofo! Você se preocupa com o que ele te fala. –Ironizei. –Vocês formam um belo casal.
—Não estamos atrasados? –Virou os olhos.
—Ah sim. O Arthur já chegou.
—Ele que vai cuidar do Rex? –Apenas concordei com a cabeça. Lucas me encarou de uma maneira engraçada e por um momento pensei que ele iria me beijar.
—Que foi? –Arqueei uma sobrancelha.
—Nada. –Segurou minha mão e fomos assim até a porta. Eu definitivamente não entendo os homens.
—Olha... Se quiser ser romântico, não segure minha mão. Carrega a mala que ta pesada.
Pois é.
Sou muito fofa.
Lucas virou os olhos, mas levou minha mala até o carro. Eu entrei no banco da frente enquanto ele guardava as bagagens e fiquei conversando com o Arthur.
—Já viu como os músculos dele aparecem quando ele carrega a mala?
—Você está bêbado? –Sorri. –Aquela baleia não tem músculos nem com vinte anos de academia.
—Sabe, só porque eu não estava no carro... –Lucas entrou indignado. –Não significa que não escuto o que estavam falando sobre mim.
—Falando de você? –Eu sorri de lado. –Não perdemos nosso tempo conversando sobre essa coisa. –Apontei pra ele.
Chegamos ao aeroporto e o Henrique já estava lá reclamando, eu apenas o ignorei enquanto nós fomos fazer o check-in. Fiquei sentada na mala enquanto eles resolviam onde iam ficar no avião. Henrique riu do cabelo de Lucas novamente e dessa vez eu acompanhei ele. Era realmente zoado.
—Está tudo resolvido, só precisamos... –Ele parou e encarou minha testa. –Quem é Lucas e porque tatuou o nome na sua testa?
—Eu sou o Lucas. –Sorriu achando que poderia fazer Henrique sentir ciúmes.
—Ah sim. Não seria a primeira vez que tatuou nome de amigos gays. –Pior que ele tinha razão. –E essa caveira ficou... Hm.. Bem foda.
—Pare de olhar pra tatuagem dela. –Lucas resmungou com um pouco de... ciúmes? O feitiço virou contra o feiticeiro.
—Parem pombinhos. Vamos pra sala de embarque. –Arrastei os dois até o lugar onde tinha o raio-X.
Lucas foi primeiro tranquilamente. Depois Henrique. E finalmente eu.
Só tinha um problema.
Eu usava metal demais no corpo, e cismaram com a minha cara. Tive que tirar vários deles, e acreditem, foram muitos. O que eles acham que eu poderia fazer? Matar alguém com um brinco?
Se bem que eu já tentei fazer isso... Mas isso é outra historia.
—Onde vocês estão indo? –Perguntei tentando alcançá-los, mas tava meio ocupada colocando meus piercings.
—Vamos comer em algum lugar. –Lucas falou.
—Sim. O viadinho queria ir a um lugar para ele encontrar com o namorado, mas não deu. –Zombou. –Pintou o cabelo de rosa por causa dele?
—Relaxa Henrique, disfarçar que você é gay colocando a culpa nos outros não adianta. Se vocês querem se pegar vão no banheiro. –Sorri quando vi a cara de indignação dos dois.
—Eca. Você é perversa. –Lucas sussurrou enjoado.
—Claro que sou gay. –Henrique ignorou o comentário de Lucas. –Afinal, eu namorei com você.
Filho. Da. Puta.
—Ele tem razão. –Lucas encarou-o com raiva. –Bem, se for olhar por este ponto... Então eu admito, sou gay.
E ai Lucas me beijou. Não qualquer beijo, foi um de tirar o fôlego. Na frente do Henrique. Tudo na frente dele. Que constrangedor... Ah, foda se o Henrique.
Separei-me de Lucas e o encarei. Os olhos castanhos pareciam brilhantes e vitoriosos. Mais tarde dou um soco nele por isso.
—Agora está pegando pessoas por dó? –Arqueou uma sobrancelha.
—Sempre peguei pessoas por pena, afinal, eu namorei com você. –Lucas sorriu de um jeito engraçado.
Não sei se ele percebeu, mas eu falei que fiquei com os DOIS por pena. Tudo bem, temos que dar vantagem pro Lucas que já nasceu viciado, ele não entende tudo que as pessoas falam.
—Você cortou o cabelo? –Perguntei pro Henrique, depois de perceber o cabelo menos bagunçado e mais curto.
—Você gostou? –Sorriu de lado e piscou pra mim.
—Querido, -Falei em um tom sarcástico. –O único corte que vai ficar legal em você, é na garganta.
Lucas riu um pouco e depois ficou serio. Quando Henrique se afastou um pouco, ele falou:
—É impressão minha, ou você trata todo mundo que já gostou, ou que ainda gosta, da maneira mais estúpida possível? –Ui, sinto cheiro de acusação.
—Não trato vocês de maneira estúpida. E alem disso, nunca gostei e não gosto de vocês.
Ele virou os olhos e sentamos em um banco para esperar. Não demorou nem meia hora e a fila já estava se formando para entrarmos no avião.
—Hum... é... Zara, quanto tempo é a duração do voo? –Lucas encostou no meu braço apreensivo.
—Sei lá... Umas nove horas. –Dei de ombros. Entreguei meu passaporte e minha passagem para o segurança checar enquanto respondia a pergunta.
—NOVE HORAS?! –Henrique e Lucas perguntaram juntos.
Eu apenas ignorei e entrei no avião. Lá estava gelado e com um cheiro muito bom. Ai como eu amo viajar!
Nosso lugar era bem localizado, Henrique sentou na janela, eu no meio e Lucas na ponta. Os dois estavam estranhos e eu não entendi o porquê.
—Zara... –Henrique choramingou de uma maneira idiotamente infantil para o tamanho dele. –Eu tenho medo de avião.
Olhei pro outro lado e comecei a rir. Lucas me encarou de uma maneira esquisita, e achei estranho ele não estar rindo também. Um marmanjo playboy vir me dizer que tem medo de avião é hilário. Ele não pode estar falando sério...
—Ei... Zara... –Lucas segurou minha mão. –Eu também tenho medo de avião...
Era só o que me faltava.
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