Nothing Is Bigger Than Love
9 Capítulo 9 – O tão esperado casamento
Notas iniciais
Lucas
A estranha azul, novo apelido que resolvei dar a Zara, não falou mais nada desde que ela teve a discussão com o pai, ou sei lá o que Alex for dela. Bem, o casamento é hoje e parece que não dá a mínima para isso. Com certeza não vai.
Ela parece não estar se importando mais em esconder as tatuagens, pois ela colocou um vestido preto, curto e solto e prendeu os cabelos. Quando fez isso, eu vi muitos piercings na orelha dela, o que não me surpreendeu muito. Zara também tem alargadores, muito, muito grandes. Não sei o tamanho, não entendo nada disso. Acho que ela fez isso para provocar Alex.
O que eu não entendo, é como ela consegue ter tantas modificações corporais e continuar delicada. Isso é engraçado. Parece que tudo tem harmonia nela. (Que gay, eu pensei mesmo isso?!)
—Bom dia estressadinha. –Ela só olhou para mim e virou os olhos. Em seguida se jogou na cama. –Acho que ainda esta brava pela briga de ontem.
Desta vez ela nem olhou para mim, apenas levantou seu dedo médio em minha direção.
—Ok então. Pode pelo menos me dizer, como assim Alex não é seu pai? –De repente sinto uma pancada na minha cara, o que deixou uma ardência no meu queixo e sinto gosto de sangue na minha boca. Muito legal receber um soco antes do café da manha. –É, eu acho que não. Sabe, eu acho vocês muito parecidos...
—Vai embora! Saia da merda do meu quarto agora ou então eu te tiro a força! Some daqui. Não entendeu que não quero falar nem com você nem com ninguém? –Zara gritou tão alto que fez um estrondo.
—Já to indo... A propósito, você fica linda de rabo de cavalo. –Eu sorri por conseguir provocá-la.
—Já chega! –Levanta brava e vem em minha direção. Zara me pega pelo braço e me da uns cinco tapas na cara. Essa menina é realmente forte... Deve estar vermelho, tirando o fato que eu não sinto mais meu rosto.
Ela me derruba no chão, não consegui nem entender como e pulou em cima de mim, mas para a minha sorte, Alex chegou bem na hora que ela ia me bater.
—Saia de cima dele Zara! Qual é o seu problema? –Alex grita com ela. Já imagino que vai começar tudo de novo...
—Ah sim, desculpe. Esqueci que ele é mais importante agora. É filho da atual... –Ela zomba, mas da para perceber que estava chateada.
—O que é isso? Quantas tatuagens você tem? –Alex fica confuso, olhando para o braço, perna, para a do tórax que ela fez recentemente. E depois ele olha para os piercings, ou melhor, parte deles. Duvido que ela não tenha nenhum na barriga. Então quando Zara foi em direção ao Alex, como estava de cabelo preso, vi um na nuca.
—Ah, agora esta querendo se fazer de um pai responsável? –Os olhos dela brilharam. –Desculpe, mas é tarde demais para isso. Vá embora, você tem um casamento para ir. –Alex não disse nada em relação a isso, pois sabia que era verdade.
—Lucas, os padrinhos e eu vamos nos reunir para passar a tarde na casa de um amigo meu. –Mudou de assunto e Zara ficou entediada.
—Beleza, e vou.
—E Zara... –Alex começou. –Cintia marcou salão para as duas.
—Não me importa, eu não vou.
—Isso é importante para mim. Quero muito que vá. –Disse quase melancólico. A cara de Zara mostrou que não ia ceder, e ainda se lembra da briga do dia anterior.
—Você deveria dizer isso para alguém que se importe com você. –Ela foi dura com as palavras, e realmente conseguiu atingir Alex, mas ele não discutiu.
—Eu já estou descendo. Só vou pegar meu terno então. –Eu digo e o Alex sai do quarto. –Olha Zara, eu sei que você não quer ir e esta muito brava ou chateada com ele agora...
—Eu não estou...
—Cala a boca e me escuta. Você tem certeza que quer fazer isso? Não ir ao casamento? Então você não vai ver o vestido da minha mãe arruinado nem as flores pretas e deprimentes que vão ter lá graças a você? –Eu não contei a ela que minha mãe conseguiu cancelar a parada do vestido e eu não liguei para o arranjo de flores. Mas eu realmente queria que ela fosse. É ruim ver o Alex assim, e também... A companhia dela não é a pior do mundo. Ou talvez seja.
—Nossa, estou com nojo do que vou falar agora mais... Você tem... você tem... –Ela engasgou. –Razão...
—Eu escutei isso direito? –Sorri sarcástico.
—Não mesmo. –Zara sorriu disfarçadamente. –Aleeeeex! –Gritou.
—Que é? –Gritou de volta do andar de baixo
—Fala para a drogada me esperar, eu vou! –Sorriu. –Ah, não vou perder isso por nada! –Sussurrou apenas para eu ouvir.
Engraçado como ela fica feliz porque acha que vai ver uma desgraça. Enfim, ela desceu as escadas e foi arrumar o cabelo ou fazer essas loucuras que mulheres fazem.
Fui com Alex e lá na casa do amigo dele, o Josh, os homens só beberam. Eu fiquei observando e acabei dormindo de tédio. Até que a cadeira era confortável... Ou pelo menos mais interessante que aquilo.
Acordaram-me uma hora antes do casamento, ou seja, são seis horas da tarde. Não acredito que dormi tanto. Mentira, eu acredito sim.
Tomei um banho, coloquei o terno e entrei no carro. Eu vou entrar com minha mãe na igreja, já que o meu avô morreu.
Chegamos lá e vi que a decoração era bem humilde, na verdade, não tinha decoração. Era só uma igreja normal. Com algumas flores normais. Muitas pessoas chegaram. Algumas mulheres tinham vestido longo, outros medianos... Pergunto-me o que a Zara estará vestindo. Aff não sei por que me preocupo com isso.
Fiquei distraído por alguns minutos, até eu ver algo. Algo não, alguém. Não consegui conter e senti minha boca abrindo, em sinal de surpresa. A Zara esta... Oh meu Deus. Ela esta muito... Não. Não. Não. Ela não esta bonita. Isso é só imaginação. Essa é a garota que me atacou hoje de manha e me irrita o tempo inteiro...
E ela esta maravilhosa.
Não. Não. Não. Não posso pensar nisso.
Não, não.
Não.
Esta usando um vestido preto (novidade, ela tem algo que não seja preto?) bem justo em cima, com um decote em “coração” uma tira logo abaixo cheia de coisas pontudas, acho que o nome disso é Spike, já ouvi falar desse nome (ai que merda, eu entendo de coisa de mulher) e em baixo o vestido era todo estufado. Era curto, um pouco antes do joelho, mostrando um pedaço da tatuagem de coruja. O sapato era alto e preto, legal, ela vai me zoar porque sou baixo. Estava com uma maquiagem preta, enfim, tudo preto. Seu cabelo azul estava cacheado e uma lateral foi puxado para o lado, deixando-a um pouco... Sexy? Não mesmo! Ela não é...
—Sabe, se deixar a boca aberta tempo de mais, sua baba vai escorrer. –Sua voz sarcástica como sempre chegou. Droga, Zara me viu de novo olhando para ela. Será que estava obvio demais?
—Você esta... –Linda. Maravilhosa. Sexy. –Legal.
—Conte-me uma novidade, tampinha. –Pena que a beleza não faz as pessoas mais gentis.
—E eu? Como estou? –Perguntei rindo. Quem sabe ela me elogia.
—Não esta a bosta de sempre. –Falou normalmente.
—Ah, vou considerar isso um elogio.
—Aham, você esta pior. –Ela riu e achou um lugar para sentar. Outra coisa que percebi: todos os piercings alargadores ou sei lá que ela tem, também eram pretos. Haja paciência para trocar todos. Sentei-me ao lado dela.
—Você gosta de ir a casamentos? –Tento puxar assunto.
—Não, me dão nojo. –Falou de uma maneira estranha, querendo se fazer de durona, mas sei que ela não é tão assim.
—Ah, eu tenho que ir. –Eu disse, mas Zara não se importou.
—Tanto faz. –Deu de ombros.
—Não vai perguntar aonde vou?
—Só se você for a China e nunca mais voltar. Vou precisar saber para nunca ir visitar o país. –Sorriu e eu saio. Como ela conseguia ser tão... Zara.
Começou a cerimônia. Os padrinhos entraram. Não sei quem entrou. Blá blá blá. Quase dormi. Ai foi a vez de a minha mãe entrar. Ela estava com um vestido bordado e estava realmente bonita. Seu cabelo ruivo estava preso em um coque e tinha uma flor ou algo do tipo preso atrás. Estava legal.
Nós entramos e eu ouvi a Zara rindo de mim. Ela estava na primeira fileira. Quando dei a mão da minha mãe a Alex, sentei ao lado de Zara e ela sussurrou:
—Por que entrou com ela?
—Meu avô... Não esta mais entre nós. –Falei da maneira mais sentimental possível, por que eu não sei. Nem cheguei a conhecê-lo.
No meio da cerimônia, a Zara dormiu. Foi engraçado, porque ela acabou encostando-se a um velinho que estava em seu outro lado.
Ela acordou pouco antes dos noivos, casados, sei lá, saírem. Eu achei que ia ter festa, mas não teve. Zara também achava. Pois ficou reclamando alguma coisa de não poder beber.
—Aff, que sem graça. Povo brega. Velhos casados também gostam de festa, mas eles não. Não teve pegadinha. Não teve festa. Não teve mico. POR QUE EU VIM ENTÃO? –Resmungou umas vinte vezes.
—Vem logo Zara. –A puxei. –Temos que levá-los ao aeroporto.
—Eles vão viajar? –gritou. –Sozinhos?
—Lua de mel, idiota. –Falei como se fosse obvio. Quer dizer, é obvio.
—Não. Não mesmo. Ninguém me disse isso. Vou ter de ficar sozinha com você? O que eu fiz para merecer isso? –E então, ela voltou a reclamar.
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