Nothing Is Bigger Than Love

4 Capítulo 4 - Sendo o papai


Notas iniciais
Boa leitura!

Lucas

Chegamos ao lugar estranho e sem sal que Zara chamava de boate. Ela estava meio distraída, olhando para todos os lados como se tivesse procurando alguém. Deve ser aquele tal de Arthur que ela falou para o pai, o namoradinho dela. De repente ela olhou para mim de um jeito estranho e me arrastou ate o bar. Essa deve ser a maneira delicada de mandar eu segui-lá.

—Quanto tempo demora a ficar bêbada? –Eu sorri, mas quase arrependi de ter falado aquilo. Vai que ela me mata depois né. –Não quero que comece a me agarrar no meio da boate. –Não quero é que ela me mate depois quando estiver sóbria, porque achou que eu me aproveitei da situação.

—Mesmo bêbada, eu tenho gosto. –E parece que uma ótima mentirosa...

—Sim, o mendigo deveria ser super sexy. –Eu fiz a besteira de rir e levar um tapa no meu braço.

—Com certeza ele era mil vezes melhor que você. E alem disso, não gosto de caras baixinhos. –Eu nem sou tão baixo assim...

—Não sou baixinho! –Ta isso é mentira. Para um homem, eu sou. Mas não posso deixa-lá ganhar a discussão!

—É sim. Mas relaxa a culpa não é sua. Com certeza deve ter algo haver com o uso prolongado de drogas e bebidas alcoólicas que sua mãe teve durante a gestação. Deve ter afetado no seu desenvolvimento e por isso tem problemas com a sua... Hum... Deficiência mental. Deve ser pó isso também que é fraco e magricelo. –Eu arqueei as sobrancelhas, levemente irritado. Caramba, ela realmente ama a minha mãe! –Olha, não precisa me encarar desse jeito. Tem pessoas que já nascem viciadas, a culpa não é sua. –Ok, acho que Zara esta levando o apelido a serio demais.

—Olhe aqui sua pirralha atrevida... –Eu não tenho nenhuma resposta para ela! Que merda, Zara venceu a discussão. Ela pediu doses de vodka, com certeza sorrindo por ter ganhado.

Já que eu perdi, vou mudar de assunto. Quem sabe esquece isso né... Eu abri um sorriso no rosto para perder minha curiosidade de uma vez logo!

—Seu namoradinho não vai ficar com raiva não? –Perguntei imitando os ciúmes que o tal de Arthur iria ter. Zara arqueou as sobrancelhas. Acho que me entendeu mal, eu não sinto ciúmes dela! Merda...

—Não tenho namorado. –Não sei se ela esta mentindo porque não me deve satisfação. Mas beleza.

—Arthur não é seu namorado? –Pergunto para ter certeza.

—Claro que não! Arthur é meu amigo. E pode ter certeza que ele se interessaria mais em você! –Fiz uma careta. –Ele é gay.

As vodkas chegaram e eu fui pegar uma. Mas Zara, sendo egoísta, tomou as duas e engasgou. Eu não sei se o que esta acontecendo é ruim ou não, mas ela ta cm uma mistura de engasgo com riso. Definitivamente eu não sei se devo auda-lá ou rir da cara da garota.

—Não ia dividir não? –Pergunto para não rir.

—Eu pedi para mim, oras. Porque acha que eu iria me importar com... –Vi um sorriso bobo na cara dela. A Zara parecia uma criancinha que acabou de receber um doce e comeu tudo. Serio, isso assusta.

—Zara? Você esta bem? –Sorriu e acenou com a cabeça. Meu deus, eu acho que ela vai babar! Não sou pai e não sei lidar com isso.

—Eu quero outra dose de vodka! –Gritou para o cara de avental igual uma louca dentro de um hospício. –Você é lindo! –Disse meio abobada. Sim, eu sei que sou lindo!

—E você já esta bêbada! –Surgiu uma voz do nada. –Mas tem razão, ele é lindo. –Esse deve ser o Arthur, porque ela o agarrou com um abraço e cambaleou para trás, quase caindo.

—Cuidado! –Ele sussurrou segurando Zara que pareceu não entender nada.

—Lucas... Seu sorriso me lembra a lua. –Ela disse meio embolada. Sua fala estava difícil de entender, soou mais como um “Luchas... Cheu sorrisso me lembrrar loua”. Eu definitivamente estava me divertindo com isso!

—Por quê? –Eu sorri.

—E seus dentes são tão brancos. –Falou como se eu não tivesse feito nenhum comentário. Ela pegou o copo do homem que serviu a vodka e tomou toda em um gole só. Fez uma pausa e pediu a outra. O cara lhe deu a garrafa inteira, para poupar tempo.

—Quer dançar? –Um idiota igualmente bêbado perguntou para ela. Zara fez um sorriso que parecia uma careta e foi andando igual uma mula na direção dele. Eu puxei seu braço, repreendendo-a.

—A garota esta comigo. –Falo em um tom autoritário de “irmão mais velho”.

—Somos infinitos! –A senhorita bêbada gritou igual uma hiena. Depois minha mãe que é a drogada!

—Somos o que? –Perguntei enquanto o Arthur caminhava até a minha direção.

—Ela vai recitar frases de livros que ela leu, então aguente. –Sorriu e foi embora de novo.

—Eu sei que tem pessoas que dizem que essas coisas não acontecem, e que isso serão apenas histórias um dia. Mas agora nós estamos vivos. E nesse momento, eu juro. Nós somos infinitos. –Gritou mais uma vez e me arrastou até a pista de dança. Parecia mais que estava se arrastando no chão e eu a segurando.

—Você fica tão mais legal bêbada... –Eu ri. É verdade, ela fica mais engraçada. E mais legal ainda vai ser quando ficar sóbria e eu vou poder rir da cara dela para o resto da vida!

—Não estou bêbada! –Gritou e tomou o ultimo gole da garrafa. –Me enganaram! A garrafa não estava cheia! Acabou tão rápido... –Parei um pouco para pensar e finalmente consegui traduzir a fala dela.

—A garrafa estava lacrada Zara. –Disse serio. Então o Arthur se aproximou e falou alguma coisa no ouvido dela. Beijou-lhe a bochecha e sumiu. Zara ficou paralisada olhando para mim, como se ela achasse que fui eu que fiz aquilo!

—Vamos pedir outra! –Foi andando em direção ao bar e caiu no chão. –Por que me empurrou?

—Não te empurrei. Você caiu. –Bloqueei a passagem. –E isso significa que não pode mais beber. –Ela fez uma careta.

—Então, esta é a minha vida. E quero que você saiba que sou feliz e triste ao mesmo tempo, e ainda estou tentando entender como posso ser assim.

De repente ela parou e abriu a boca. E ficou lá. Olhando-me com a cara de pastel. E abaixou um poço e simplesmente me beijou. Tudo bem que não foi exatamente um beijo, mas depois a tapada saiu correndo.

—LIBERDADE! –Gritou e pegou a garrafa vazia em suas mãos e tomou um gole imaginário.

Zara estava prestes a “beber” mais. Eu tirei a garrafa de suas mãos e joguei-as no chão. Arrastei-a, sem brincadeira, arrastei. A garota não tinha condições para andar.

—Vamos para casa agora! –Falei no mesmo tom que Alex usava. –Onde estão as chaves do carro? –Pergunto desesperado. Putz. Deixar as chaves com uma bêbada não é uma boa opção.

—Não sei. –Ela riu. Parecia mais que estava tossindo, mas enfim... A guria é doida mesmo.

—Não tem graça! Onde estão as chaves? –Zara estava muito estranha. Seu cabelo azul estava todo emaranhado e sua maquiagem preta borrada. Tirando o fato que parecia que havia passado perfume de vodka.

—Você é tão lindo... –Já que ela fica romântica bêbada... Vou para o lado emocional. Fiz a cara mais triste que poderia existir.

—Preciso ir para casa. Pode-me dizer onde estão as chaves? –E meu plano funcionou! Eu acho...

—Estão aqui. –Eu já estava me preparando para um discurso de “você não esta em condições para dirigir”. Quando vi que pelo menos bom senso ela tinha. –Mas... Sabe dirigir?

—Sei, por quê? –Isso realmente me surpreendeu. Sequestraram a Zara e colocaram uma menina “fofa” no lugar? É isso?

—Não me sinto bem para dirigir. E... Eu não quero acabar machucando ninguém. –Cadê a garota que me ameaça a dar-me de comida para o tubarão?

—Alguém já te disse que você fica diferente bêbada? –Não pude deixar de comentar isso.

—Sim, mas não estou bêbada! –Parecia intrigada com aquilo. Sim, você esta bêbada.

Guiei-a até o carro enquanto Zara tropeçava a cada passo.

—Há mais coisas no céu e na terra, do que sonha a tua filosofia. –Arqueei as sobrancelhas. –William Shakespeare. –Falou como se fosse obvio.

—Por que você recita frases aleatórias do nada quando esta bêbada?

—Não estou bêbada! –Gritou desafinando a voz. –Mas talvez eu fale isso porque precisa ouvir minhas palavras. Talvez eu não passe de uma sábia. –Não pude evitar rir horrores. Acho que vou engasgar depois dessa.

—Pode ser muitas coisas Zara, mas sábia não é uma de suas características. –Sorri.

—Meu pai vai me matar. –Fez um barulho estranho. Não sei se é: choro, riso ou algo de bêbado mesmo.

—Por quê?

—Minhas tatu... –Nunca acabou a frase. Zara tentou abrir a janela, mas acabou vomitando antes, no vidro. Eu ajudei a abrir e ela vomitou em mim. Na terceira vez acertou a janela.

Zara desmaiou e eu nunca sei o que fazer nessas horas. Tentei chamar pelo seu nome, o que não deu muito certo. Dirigi o mais rápido que pude e chegamos a casa. Estacionei um pouco longe para poder ajuda-lá.

Peguei a jaqueta dela e limpei sua boca. O único problema, é que eu sou demente demais para lembrar-me das tatuagens. Tive uma idéia e apoiei o braço tatuado contra a minha barriga, quase escondendo completamente.

Nunca entendi como ela esconde o piercing, então não vou escondê-lo. Carrego-a até a porta de casa e a equilibro em um braço só enquanto abro a porta de casa. Estava tudo escuro, o que significa que minha mãe e o Alex estavam dormindo.

Subo rapidamente as escadas e apoio ela em meu colchão. Fui ao banheiro para pegar uma toalha para limpar o rosto da Zara melhor.

Tirei a colcha da cama e transportei-a para lá. Quando estava quase soltando a Zara, ela sussurrou:

—Por favor... Não me abandone! –Ok. Já estou ficando assustado.

—Eu estou aqui do lado. –Segurou a minha mão. Seu toque era quente e suave.

—Fique comigo. –Pediu mais uma vez.

—Estou aqui.

E então a Zara bêbada romântica e fofa dormiu. E eu sei que quando ela acordar vai voltar ser a malandra que só resmunga de sempre. E se pensa que a garota me agradecerá... Então não passa de um iludido.

Notas finais
Vejo vocês nos comentários *-*