Nothing Can Get You Down

24 Capítulo Vinte e Três


Notas iniciais
Olha eu aqui! Prometi que teria capítulo antes depois do São João, não foi? E olha aqui: Tudo bonitinho para vocês!
Queria poder postar com um intervalo menor de tempo, no entanto isso é quase impossível para mim. As vezes eu me canso de dizer seria um prazer me dedicar única e exclusivamente a isso, porém iria acabar morrendo de fome. Desculpe de verdade não atender o desejo de vocês nesse sentido.
Bem, antes que alguém pergunte, o "certo" seria um capítulo de Unknowing Shadows, no entanto, decidi postar por lá apenas quando tiver concluído por aqui. Agora só faltam mais dois capítulos e epílogo, portanto nem iremos demorar tanto assim.
Renata e Lu, melhores beta e pre-readers evár! Obrigada pela paciência, dicas e puxões de orelhas!
Chega de blá-blá-blá e vamos simbora ler!

Acordei com a leve impressão de que tinha acabado de me deitar. E há muito eu não sabia o que era isso; passar mais de sete horas seguidas sem que me acordasse para absolutamente nada. Era estranho, no entanto sentia-me revigorada, como se finalmente tivesse a chance de descansar como deveria.

Logo após levantar da cama e fazer minha rotina matinal – o que incluía aliviar um pouco minha bexiga que estava praticamente estourando – dei uma leve averiguada pela janela e me deparei com uma paisagem bem mais amena do que a noite anterior. Boa parte da neve que tinha prendido o novo carro de Edward derretera, a ponto de fazer com que ele tivesse conseguido retirar seu veículo, que já não se encontrava mais ali. Agora, a brancura gélida no chão ia dando lugar a pequenas poças alagadas no gramado por conta da chuva leve, mas ainda assim, constante. Contudo, havia um traço bem tênue das marcas que o pneu fizera ao sair da entrada de nossa casa; a única prova de que ele estivera mesmo aqui na noite anterior.

Em certo ponto, isso me dava uma sensação de alívio, no entanto, não pude deixar de me sentir ressentida por ele ter saído sem ter falado antes. Não era como se ele não pudesse vir até aqui me acordar e dizer que estava de partida. Afinal, o que poderia ocorrer se isto acontecesse?

Meu próprio coração acelerado foi a resposta que precisei para chegar a conclusão de que era melhor assim.

Com um suspiro, resolvi sair do quarto para acordar meu menino que provavelmente continuava a dormir tranquilo e que provavelmente não fazia ideia do quanto seus pais eram dois tolos confusos. E pelo bem de nosso menino, ambos teríamos que ser bastante cautelosos em qualquer decisão a qual viéssemos tomar de agora em diante. De forma alguma, poderíamos agir como se tudo estivesse perdoado entre nós quando na verdade existiam tantas pendências. Nosso filho já havia sido magoado demais e nunca mais deixaria que ele sofresse por conta das atitudes estúpidas que Edward e eu poderíamos cometer, se acaso nos apressássemos diante de nossa nova situação.

Entretanto, bastou apenas que eu abrisse a porta para que um pedaço de papel dobrado em cima da mesa de canto chamasse minha atenção. Ao pegar o bilhete, reconheci de imediato a letra de Edward, e apenas por conta da inclinação exagerada da grafia, presumi que ele tinha sido rápido ao escrever aquilo:

Desculpe sair às pressas, mas preferi aproveitar que parou de nevar para chegar no hotel. O temporal foi bastante intenso durante a madrugada, o suficiente para que eu consiga retirar o carro sem mais problemas.

Sem contar que isso nos poupa também de darmos algumas explicações, que nenhum de nós está preparado, para Richie. Eu não teria ideia do que lhe dizer se acaso ele acabasse me flagrando dormindo na sala. Talvez seja melhor assim.

Pelo menos por enquanto

Te ligo assim que puder. Amor, Edward. :Fiquei um bom tempo olhando para aquela simples mensagem, sem conseguir esconder o sorriso que involuntariamente surgiu em meus lábios ao ver a última palavra que ele dirigira para mim. Talvez fosse estupidez de minha parte, porém era impossível negar que ainda existiam fortes sentimentos por Edward dentro de mim. Mesmo que houvesse tanto erros de ambas as partes, talvez o amor que sentíamos um pelo outro fosse o suficiente para podermos reedificar nossa vida a dois.

Porém, ainda era um tanto que frustrante não ter tido a oportunidade de finalmente pararmos e conversamos sobre como seria nossa vida de agora em diante. Lógico que compreendia o fato de ele não desejar conversar sobre isso ontem, mas hoje, me sentia cada vez mais ansiosa para que falássemos sobre tudo isso. E o mais importante, mesmo que existisse a chance de voltarmos a ser como antes, havia a questão com nossas crianças, em especial Grace; como poderia lidar se acaso ele nunca chegasse a amar de verdade a nossa filha?

Uma vez que por hora não poderia responder aquela pergunta, resolvi cuidar primeiramente de mais coisas prementes, como acordar o pequeno garoto que a cada dia que se passava, ficava mais preguiçoso para acordar durante a manhã. Assim como eu esperei, Richie fez um pouco de manha até sair da cama, praticamente arrastando o lençol até o toalete.

Entre deixá-lo pronto, tomarmos o café da manhã e agasalharmos bem para enfrentar o frio até a ida ao seu colégio nos tomou cerca de uma hora. Precisei ralhar algumas vezes para que ele se apressasse uma vez que a preguiça de estudar tinha se apoderado do meu garoto. Porém, a buzina insistente e barulhenta de um carro lá fora chamou nossa atenção.

Ao resolver ver quem era a pessoa que insistia tanto, fiquei gratamente surpreendida ao ver Angela Webber dentro do veículo, me sorrindo gentilmente como sempre enquanto abaixava o vidro elétrico do seu carro.

– Estava me perguntando se o Richie não queria uma carona com os meninos até a escola. –, sugeriu docemente, enquanto seus filhos gêmeos de alguma forma se esgueiravam entre a janela, acenando freneticamente para meu garoto.

Meu filho me encarou com expectativa, quase quicando no mesmo lugar enquanto aguardava a minha resposta. – Tem certeza? Eu não quero incomodar. – Inquiri, enquanto nos aproximávamos do grande SUV dela.

– De forma alguma, Bella! Você sabe que é um prazer ter o Richie conosco. – ela respondeu, enquanto abria a porta e descia do veículo, – Sem contar que quem sabe tendo seu filho por perto, meus meninos aprendam um pouquinho a como ser dois cavalheiros, huh?

Eu ri, fazendo um pouquinho de cafuné na cabeça dele – Um pouco difícil, levando em consideração a trabalheira que ele me deu agora cedo até que ficasse todo arrumado certo, Richard?

As bochechas dele ganharam um delicado tom de vermelho, enquanto sua expressão ficara adoravelmente enfezada – Para, mãe! Eu não fiz nada, tá bom? E agora, eu posso ir com a Sra. Webber ou não?

– Tem certeza de que não será muito incômodo, Angela? – perguntei, ignorando animosidade do meu filho.

Ela rolou os olhos – É claro que não, Bella. E enquanto o Edward estiver viajando, pode deixar que eu mesma levo-o todos os dias por você. Afinal de contas, eu lembro como é terrível dirigir tendo uma bola de basquete entre você e o volante. – comentou, enquanto esfregava sua palma coberta pelas luvas de frio.

– Como você sabe que o Edward está... viajando? – inquiri, sentindo-me curiosa por aquela informação.

– Ele ligou para a nossa casa meia hora atrás. – Angela informou, enquanto abria a porta traseira do carro por onde Richie entrou rapidamente – Não me leve a mal, mas ele parecia bastante preocupado com seus reflexos ao dirigir.

– É claro que ele está... – resmunguei, sentindo-me mais uma vez alguém completamente dependente daquilo que Edward implicava.

Angela simplesmente sorriu – Homens são todos iguais. Sempre paranoicos, não importa o endereço. – por fim, ela se inclinou para deixar um beijo no meu rosto – Preciso ir antes que acabemos chegando atrasados.

– Obrigada mesmo por mais essa, Angela. – disse-lhe, antes de voltar minha atenção para Richie que já passava o cinto de segurança sobre seu corpo. – Comporte-se, Richard.

Ele fez uma careta antes de dizer – Eu vou sim, mãe.

– Não está esquecendo nada? – perguntei-lhe erguendo uma sobrancelha.

– Tá, eu também te amo, mamãe. – ele retrucou corando novamente enquanto os Brian e Tyler começaram a soltar algumas risadinhas.

Sorri e Angela rolou os olhos antes de voltar até seu carro. – Bem, se precisar de qualquer coisa você tem meu número, certo?

– Sim, eu tenho. – confirmei, cruzando os braços sobre meu peito – E obrigada mais uma vez.

Ela acenou uma ultima vez para mim e partiu, fiquei observando o veículo ali até que eu não pudesse mais vê-lo, quando ele fez a curva no final da rua. Sem ter mais o que fazer ali, voltei para dentro de casa, onde uma pilha de manuscritos precisava ser transpassada para um documento de texto o quanto antes.

Entretanto, devo admitir que tinha sido um tanto complicado me concentrar totalmente naquela tarefa, uma vez que ficava a todo momento repensando nas últimas atitudes de Edward, em especial, ligar para os Webber e pedir aquele favor em meu nome. Não sei qual a razão que o motivou a isso; talvez a lentidão dos meus reflexos ou o receio de que eu pudesse levar algum susto durante o tráfego, contudo não podia deixar de me sentir realmente grata por ele ter pensado nisso.

Apesar de ter que reler algumas frases duas ou três vezes e compará-las com o que eu realmente tinha digitado, meu trabalho tinha fluído relativamente rápido durante aquela manhã. Os únicos momentos em que eu tinha parado foram para ver algumas notícias locais pela própria web e tomar um copo de iogurte, já que eu precisava me alimentar a cada três horas. Por fim, depois de quatro horas de trabalho intenso, eu consegui enviar três capítulos inteiros e já estava prestes a concluir o próximo.

Fiz uma pausa para me movimentar um pouco, já que com gravidez cada vez mais perto do fim, qualquer longo período que permanecesse na mesma posição acabava acarretando em um inchaço geral em minhas pernas. Decidi que uma boa maneira de me mexer um pouco seria ir até o fundo do meu closet e começar a organizar algumas das peças do enxoval da Grace.

Só que como eu suspeitava, nem metade dos lençóis, mantas e roupinhas que eu tinha adquirido para a minha filha estavam mais no local que eu havia guardado anteriormente. O mais provável era que Edward tivesse levado tudo para o novo quarto que ele tinha mandado reformar especialmente para a bebezinha que não tardaria mais a chegar a este mundo. Sem saber exatamente a razão por estar apreensiva, decidi voltar ao local que eu não visitara, desde a primeira vez que tinha visto.

Ao chegar e abrir a porta do novo quarto fui acometida novamente por aquela sensação agridoce ao ver toda delicadeza e feminilidade do novo quartinho. Ainda sentia raiva por Edward ter escolhido tão perfeitamente todos os detalhes; desde as cores nas paredes até os móveis que tinha absoluta certeza de que eram os melhores. Aquilo dava a impressão, para quem estava de fora, de que Edward era o mais perfeito exemplo de pai preparado e dedicado: algo que eu tinha lá minhas dúvidas, principalmente quando era direcionado a qualquer coisa que fosse relativa à Grace.

Ainda era um mistério para mim quais as razões verdadeiras que o levaram a ter essa mudança tão radical de pensamentos em relação a essa gestação. Teria sido a conversa com sua tia Esme o suficiente para fazer com que ele mudasse completamente seus conceitos? Ou será que existia um motivo ainda maior para que sua mente finalmente se abrisse e percebesse que ter um bebê especial não era uma sentença negativa, afinal de conta?

Essas eram dúvidas que eu precisava tirar pessoalmente com ele.

Fui até o guarda-roupa branco que havia sido montado no canto e o abri, me deparando com os artigos que eu vinha comprando ao logo dos últimos meses. Não estava tudo organizado da maneira que eu gostaria; na verdade, muitas peças ainda estavam nos embrulhos que vieram das lojas. E devido a isso, comecei a separar todas as roupinhas de tamanho de recém-nascido, com o intuito de levá-las até lavanderia. Despretensiosamente, comecei a organizar também a malinha que levaria para a maternidade, já colocando algumas peças como fraldas, chupetas e duas toalhinhas.

Poderia parecer um pouco cedo, uma vez que ainda tinha um mês inteiro pela frente, mas a verdade era que eu estava ansiosa por ter minha menininha em meus braços. Preparar-me para a chegada dela era como se eu pudesse acalmar um pouco a vontade insana de já tê-la aqui comigo em meus braços.

Depois de um bom tempo perdida entre coisinha para bebês, meu estômago acabou reclamando pela falta de comida. Resolvi fazer um sanduiche natural, uma vez que era algo que não tomaria muito o meu tempo e tampouco iria prejudicar minha saúde, como eu de fato precisava ficar de olho devido ao excesso de sódio. Eu não vinha aferindo minha pressão em casa, mas em todas as consultas que eu fizera ela sempre se apresentava mais alta do que deveria. Era algo que precisava aprender a ser mais responsável, pelo bem de nós duas.

Logo depois de praticamente engolir por inteiro minha refeição, decidi voltar o quanto antes para o meu trabalho. Porém o alerta do meu celular disparou, indicando uma nova mensagem. Peguei o aparelho em cima do balcão e verifiquei que era uma mensagem de Edward, avisando-me que iria pegar nosso filho no colégio. Isso me dava mais ou menos uma hora até que eles chegassem.

Mordi meu lábio enquanto ponderava se deveria trocar de roupa agora e arrumar um pouco o ninho embolado de nós em meu cabelo ou se poderia fazer isso mais tarde. Eu era um tanto rápida digitando, no entanto eu não queria aparecer tão desleixada comigo mesma na frente de Edward. Eu nunca fui um exemplo de beleza e a gravidez não estava contribuindo muito comigo... talvez fosse melhor dar uma rápida conferida no espelho antes de começar qualquer coisa...

De repente, me senti como uma estúpida. Porque eu deveria está preocupada com isso quando havia tantas coisa muito mais importantes? Bufei resignada e forcei-me de volta à frente do laptop, onde me concentrei outra vez na estória melosa de um jovem casal apaixonado, assim como Edward e eu fomos algum dia. Nada poderia ser tão apropriado para o meu estado de espírito naquele momento.

Embora eu não pudesse negar que a cada dez palavras transcritas, eu dava uma conferida no relógio do notebook apenas para saber se ainda faltava muito tempo até que ele chegasse.

Quando a campainha tocou, não pude negar que achei estranha a possibilidade de ser Edward quem estivesse ali me aguardando. Ele ainda tinha as chaves desta casa e era um tanto que ridículo que tivesse que se anunciar sua presença na casa que ele viveu durante boa parte da vida. Dei uma rápida conferida no meu reflexo no espelho que ficava no hall e abri a porta para me deparar com o Richie, de cara emburrada e Edward que parecia estar completamente frustrado.

– Aconteceu alguma coisa? – questionei, enquanto abria passagem para que os dois entrassem.

– Não, só o papai que é um boboca! – meu filho grunhiu, jogando a mala de todo jeito no corredor e partir apressado em direção as escadas.

– Richard! Isso é forma de você falar com o seu pai? – ralhei, completamente chocada com a atitude rebelde dele. – Venha aqui agora e peça desculpas por isso, mocinho!

Como meu filho não deu a mínima para o que eu disse e continuou a pisar firme nos degraus da escada, eu resolvi segui-lo. No entanto, antes mesmo que eu desse dois passos por completo, Edward segurou meu pulso impedindo o meu movimento. – Deixe-o, Bella. Ele tem razão de estar desse jeito.

– Nada justifica para que ele te trate dessa forma, Edward! – retruquei prestando um pouco mais de atenção na expressão fatigada dele. – O que foi que houve entre vocês.

Edward suspirou cansado, passando uma das mãos sobre a bagunça em seus cabelos enquanto a outra ele apertava em punho ao lado do corpo. – Eu falhei com ele, Bella. Prometi uma coisa que não terei como cumprir.

Minha testa se franziu em confusão. – Pode ser um pouquinho mais especifico?

– Lembra que ontem eu comentei sobre a possibilidade de irmos para Rockford neste final de semana?

Indignada, cruzei os braços sobre o peito já me preparando para o pior – Nós não tínhamos concordado em nada sobre isso, Edward!

– Sei, mas isso não impediu com que eu comentasse com o Richie. – ele se justificou cabisbaixo, – E bem, ele deve ter criado alguma expectativa com a viagem e agora não poderei mais fazer isso. Preciso ir até a Filadélfia amanhã por conta de alguma burocracia idiota da empresa.

Mordi minha língua para não falar alguma besteira. Às vezes Edward não tinha a mínima noção do valor que certas promessas feitas pelos pais tinham para uma criança na idade do Richie. No entanto, só de olhar para a expressão derrotada dele, sabia que ele já estava se martirizando o suficiente pela besteira que fizera e não precisava que eu o alfinetasse mais por conta disso.

Porém, mesmo que Edward tivesse cometido um erro, nada justificava a atitude mimada do nosso filho. Faltar com respeito ao próprio pai, como se já estivesse no auge de sua adolescência não era um comportamento nada aceitável para alguém que tinha apenas sete anos de idade. O comportamento de Richie era algo inaceitável e de forma alguma poderíamos permitir que ele tratasse qualquer um de nós como boboca, como fizera poucos minutos atrás.

– Você pode esperar um pouquinho aqui em baixo? – perguntei-lhe, gesticulando em direção a sala. – E vou conversar com o Richie.

– Você não vai se alterar, não é? – Ele indagou, arqueando uma das sobrancelhas em minha direção. — Sabe que qualquer coisa pode alterar sua pressão arterial e...

– Bem, eu já passei por coisas bem piores durante essa gravidez e ainda estou aqui.

E assim que essas palavras saíram de minha boca, percebi a idiotice que havia cometido. Automaticamente a expressão de Edward ficou ainda mais devastada com aquilo que eu havia proferido. – Que dizer, foram tantas coisas que aconteceram que... merda! Eu não quis soar desse jeito, afinal, não é como se você fosse culpado por tudo o que aconteceu comigo desde que fiquei grávida, certo? Minha alimentação não foi das melhores e eu poderia ter me exercitado um pouco mais se não fosse tão preguiçosa e...

Ele ergueu as mãos impedindo meu discurso e um meio sorriso apareceu discretamente em seus lábios. – Eu entendi, Bella. Não se preocupe.

Logo depois disso o silêncio se instalou sobre o ambiente. Apesar de continuarmos a nos encarar por longos segundos, nem um de nós ousou quebrar o momento constrangedor que surgiu naquele instante.

Se havia algo que odiava era essa sensação de como se estivesse pisado em ovos, em torno de alguma pessoa. Isso parecia exponencialmente pior quando se travata de alguém que já me conhecia por completo, tanto por dentro quanto por fora, como Edward. A maneira na qual nos encontrávamos ultimamente só poderia ser considerada como estranha... ou melhor dizendo; errada.

Troquei o peso dos meus pés e limpei a garganta. – Desculpe-me de verdade, Edward. Juro que não quis soar dessa forma.

– Bella, – ele murmurou, dando um passo a frente e esticando a mão para colocar uma mecha perdida de meu coque frouxo atrás da minha orelha – eu entendi e não posso culpar você por isso. Tenho que aprender a lidar com todas as merdas que eu cometi nos últimos meses.

Balancei minha cabeça veementemente. – Não, Edward. Não é justo que você tenha que ficar escutando todas as ve-...

Meu discurso foi interrompido por ele colocando sua mão sobre minha boca. Tentei resmungar alguma coisa e isso só fez com que um sorriso pintasse sobre os lábios dele, que balançou a cabeça levemente. – Nós não vamos começar a nossa “discussão de relacionamento” agora, não é? – inquiriu, fazendo aspas no ar com a mão livre.

Meneei negativamente e só assim ele libertou minha boca. A proximidade de nossos corpos fez com que a saudade dominasse cada fibra do meu ser. De repente, me vi tomada por seu cheiro inebriante que me deixou incoerente; como se eu não soubesse ao certo o que fazer a partir de então. Respirei fundo algumas vezes, porém isso em nada estava ajudando meu coração não batesse tão descontrolado em meu peito.

Edward lambeu seus lábios enquanto fitava intensamente a minha boca. Internamente eu pedia para que jogássemos o cuidado ao vento e que ele me beijasse como se este pudesse ser o último beijo de nossas vidas.

No entanto – para minha sorte e completa frustração – ele se afastou de mim com um suspiro pesado. Em seu olhar percebi um misto de desejo e receio.

– Acho melhor você ir lá em cima – ele murmurou com uma voz pesada, que causou arrepios por toda minha coluna. – ou então o Richie vai acabar esquecendo que você está com raiva dele.

– É... – foi tudo o que pateticamente consegui balbuciar, sem conseguir desviar meus olhos dos de Edward.

– E lembre-se: não precisa ficar toda brava para cima dele. Em certa parte ele tem razão.

– Ele precisa de limites, Edward. – falei na medida em que me recordava que deveria estar furiosa com um certo garotinho no andar superior. – Ele precisa aprender que nem sempre tudo é da maneira que ele quer.

Edward assentiu, mas acrescentou. – Tudo bem, mas não se altere tanto, ok?

Rolei os olhos e me dirigi até as escadas – Não, Edward. Juro que não terei nem um acesso de raiva ou coisa parecida.

Ele sorriu abertamente, mostrando o discreto desalinhamento que havia nos dentes inferiores, algo que surpreendentemente o deixava ainda mais charmoso. Meu coração perdeu uma batida e eu quase tropecei no primeiro degrau da escada por não conseguir desviar completamente meu olhar dele. Forcei-me a virar o rosto para a frente e focar em cada passo que dava, tendo em mente que estava carregando um bem precioso demais para ser machucado por conta de minha falta de jeito.

Ao chegar no andar de cima, concentrei-me na atitude que Richie tomara alguns minutos atrás. Enquanto caminhava pelo corredor até a porta do seu quarto, pensei na maneira que iria abordar o meu filho, antes de enchê-lo com um sermão furioso que provavelmente só iria rebelá-lo ainda mais invés de educá-lo como deveria ser. Mentalmente, agradeci por Edward ter me distraído o suficiente lá embaixo para que eu não agisse impulsivamente com meu filho.

Dei duas batidas na porta para somente depois abri-la. A cena que eu vi foi Richie emburrado em cima da cama bagunçada, encarando mal-humorado o caderno da escola. A mochila estava aberta e havia um pequeno amontoado de livros aos pés do criado-mudo e o tênis jogado no meio do carpete. Havia um vinco de concentração em sua testa e um bico em seus lábios: pequenos detalhes que estava costumada a ver quando ele tinha lá suas crises temperamentais.

– Eu preciso falar com você, filho. – afirmei, fechando a porta devagar e colocando as mãos sobre o meu quadril.

Ele simplesmente me ignorou, e virou uma folha do caderno, como se eu não estivesse ali. Não pude deixar de imaginar que meu filho deveria ser a única criança no mundo que se enfurnava nos estudos quando estava irritado.

Aproximei-me da cama e testando um pouco mais da minha paciência, pedi mais uma vez. — Richard, eu quero falar com você agora.

A contragosto, ele virou seu rosto em minha direção. – O que é?

– É assim que você fala comigo? – indaguei, erguendo uma sobrancelha para o seu tom comigo.

Imediatamente, ele se encolheu na cama e me observou de uma forma muito mais educada. – Desculpe... O que foi que aconteceu, mamãe?

– Sou eu quem lhe pergunto isso, Richard: O que foi que seu pai fez para que você o trate daquela forma, huh?

– Ele mentiu pra mim... – ele retrucou, enquanto se levantava para ficar em uma posição sentada na cama

– Qual foi a mentira que ele lhe contou?

Sua voz se inflamou com um pouco do que reconheci ser indignação enquanto ele me respondia — Ele disse que a gente ia passar o fim-de-semana juntos. E agora vai ficar de novo longe da gente.

– E você pelo menos escutou quais os motivos que fizeram com que ele não possa mais fazer isso? – indaguei, vindo me sentar ao lado dele.

A expressão dele ficou mais dura ao me fitar e dizer – Deve ser por causa do trabalho besta dele.

– Besta, boboca... é isso que você está aprendendo na escola? – perguntei seriamente.

– Desculpa, mamãe. – ele retrucou, voltando a desviar o rosto de mim.

Balancei minha cabeça e ergui seu queixo delicadamente — Não é a mim que você deve um pedido de desculpas, Richard; mas sim ao seu pai. — falei o mais calma possível. — Tem ideia do quanto ele está magoado lá embaixo por você tê-lo chamado de algo feio assim.

– Mas eu tava com raiva. – ele se justificou, mas mesmo assim, já percebia o arrependimento nele.

– Só que isso nem sempre resolve tudo, filho. – comentei, agora usado a mão que estava em seu rosto para acarinha-lo um pouco – Esse não é um sentimento que devemos ter pelas pessoas. Principalmente por nossos pais, entende.

– Mas você tem raiva do papai! Vocês tão se separando!

Mordi meu lábio inferior sem saber ao certo como responder a isto. Eram essas perguntas infantis que muitos adultos não sabiam como responder tão rapidamente. Como explicar para alguém tão pequeno toda a complicação que nós, adultos, nos metíamos. Havia tanto a ser conversado com o pai dele ainda, que tal pergunta poderia fazer com que eu acabasse me contradizendo muito em breve.

– Richie, – comecei devagar, sem parar de fitá-lo enquanto falava. – eu não estou me separando do seu pai porque estou com raiva dele. Infelizmente, Edward e eu não estamos mais como éramos antes. O jeito que estávamos vivendo antes, sempre brigando não era legal nem para mim, nem para ele e tampouco para você. Não é por raiva que vamos nos divorciar, mas sim porque não podemos mais ficar juntos.

– E por que não?

– Richard, essa não é a questão aqui, docinho. — disparei a fugir de sua pergunta – Eu vim falar com você porque você precisa pedir desculpas pela forma com que tratou seu pai. Ele está muito triste lá embaixo, achando que você não o ama mais.

Ele não falou nada, apenas voltou a olhar para seu caderno.

– Tudo bem, já que você não quer falar eu vou te deixar aqui, para que você pense bem sobre o que fez. – levantei-me da cama e o observei por mais um momento antes de sair. – Eu espero sinceramente que você vá pedir desculpas para seu pai antes de ele ir embora.

Fechei a porta do quarto e decidi voltar lá para baixo. Meu corpo tremia de ansiedade com a mínima possibilidade de começar a conversa com Edward neste instante. Por mais que ansiasse, não podia negar que estava assustada com o que seria dito por nós. De fato, nem saberia por onde começar; precisaria repetir o quão magoada ele tinha me deixado? Que atualmente, não sabia ao certo se poderia perdoar tudo o que ele havia dito para nossa filha? Se seria capaz de esquecer tudo o que houve entre nós desde que descobrimos na saída do hospital qual era a verdadeira situação de nossa bebê.

Porém, antes mesmo que eu chegasse até a sala, um pequeno borrão veloz passou por mim em direção ao sofá onde Edward averiguava seu celular. Richie jogou-se nos braços do pai, abraçando-o com força enquanto balbuciava um pedido de desculpas contra o pescoço dele.

– Tudo bem, amigão. – ele murmurou, deixando um beijo na fronte de Richie para logo em seguida bagunçar o cabelo do nosso garoto — Eu também não deveria ter prometido algo que eu não poderia cumprir, certo?

A cena trouxe um pequeno sorriso aos meus lábios; talvez eu devesse aprender com meu filho como deixar o passado para trás e aprender que o perdão era uma coisa que deveria ser feita tão espontaneamente quanto o sorriso que ambos trocavam a medida em que se desculpavam por seus erros.

[...]

Edward não pode demorar muito em casa uma vez que seu vôo para a Filadélfia seria bem no início da noite. Então, as duas horas em que ele pode passar em casa, foram gastas exclusivamente com Richie, onde ele ajudou que nosso filho acabasse a lição de casa para logo depois eles irem para o quintal, brincar um pouco na neve que tinha novamente voltado a cair sobre a cidade.

Em momento algum tivemos a oportunidade de ficarmos a sós. Em certa parte, isso foi até bom já que eu que tinha a impressão de que quando iniciássemos a conversa, passaríamos horas a fio até chegamos em um ponto em comum. Ambos precisávamos estar com tempo suficiente livre e sem a presença de Richard por perto. Não fazia ideia de quando essa conversa poderia acontecer, mas torcia de verdade para que ela ocorresse antes do nascimento da Grace.

Depois de tomarmos uma xícara fumegante de chocolate-quente que eu havia preparado, Edward percebeu que já estava na hora de ele ir embora. Provavelmente ele enfrentaria um congestionamento pesado até o hotel e depois passaria por outro ainda pior até chegar ao aeroporto. Não podia negar que queria ficar mais tempo na presença dele, entretanto, sabia que ainda existiam questões pendentes em relação ao repasse do escritório.

Dirigimos os três em direção a varanda, onde Edward tinha parado o carro, exatamente na mesma posição que o dia anterior. Não pude deixar de pensar como aquela imagem era errada; aquele lugar era destinado aos visitantes dessa casa, e não ao morador principal dela.

– Eu preciso ir andando. – Edward murmurou sem muita vontade, enquanto retirava as chaves do bolso do casaco que usava.

– Nós vamos ficar bem, pai. – Richie prometeu, com o seu melhor rostinho de garoto comportado — Eu vou cuidar da mamãe, assim como eu disse pra você.

Edward sorriu, e os dois se cumprimentaram com algum gesto complicado entre mãos que só os homens conseguiam fazer – Eu estou contando com isso, campeão. Se acontecer qualquer coisa, você sabe como ligar para mim não é?

Nosso filho assentiu, – Sei sim, pai. Não se preocupe com a gente. – Isso é impossível para mim, carinha. – ele respondeu, puxando Richie para um abraço antes de se dirigir para mim – Eu vou tentar voltar amanhã mesmo. Quero ver se consigo resolver tudo o mais cedo possível para pegar o primeiro de voo de volta durante a tarde.

– Não se apresse por nossa conta, Edward. Nós vamos ficar bem. – respondi, tentando deixa-lo um pouco menos preocupado.

De repente, Richie se soltou de seu pai e deu um tapa na sua própria testa! – Ih, pai! Eu me esqueci de pegar sua caneta! Deixa eu ir lá em cima pegar rapidinho!

– Richie não precisa fazer isso... – Edward pediu, porém já havia sido muito tarde porque nosso filho com sua mania incorrigível de viver correndo já tinha apressado como um foguete lá para dentro, nos deixando a sós outra vez.

Ficamos nos olhando por um tempo, sem saber ao certo o que dizer um para o outro durante aquele momento. Reuni um pouco de coragem e resolvi dizer qualquer coisa estúpida apenas para ouvi-lo falar outra vez. – Eu espero que você consiga resolver tudo amanhã.

– É, também o que eu espero. – ele respondeu, brincando com o chaveiro entre seus longos – Depois dessa maratona toda acho que precisarei de umas longas férias até que eu queira pensar em trabalho outra vez.

– Sorte a sua. – disse-lhe com sinceridade – Acho que tenho que me apressar para que tudo esteja pronto antes que eu atinja a 38ª semana. Depois disso Grace poderá nascer a qualquer momento e isso com certeza vai me atrapalhar se acaso eu não tenha concluído tudo.

Ele sorriu levemente antes de voltar a falar. – Estou atrasado para lhe dizer isso, mas fiquei muito orgulhoso de você. Parabéns pelo trabalho, bab.. Bella

Senti minhas bochechas queimando enquanto virava meu rosto na direção oposta. – Você sabe, não é grande coisa...

– É claro que é, Bella. Você foi corajosa ao aceitar essa proposta depois de tanto tempo longe do mercado de trabalho. – pelo canto do olho percebi ele trocando o peso de seus pés – Eu me sinto como um imbecil por nunca ter te incentivado a fazer mais nada. Pensei que para você, ser mãe era trabalho o suficiente...

– Eu também me acomodei, Edward. Devia ter voltado a estudar assim que o Richie começou a se tornar independente. – justifiquei, olhando para minhas próprias mãos – Provavelmente, nós teríamos tido uma briga daquelas, mas com toda certeza acabaríamos nos acertando depois.

– Assim como eu espero que seja desta vez. – disse ele firmemente, me deixando sem palavras por alguns segundos. — Bella, eu sei que foram muitos erros de minha parte, porém estou disposto a me redimir por tudo que eu fiz e falei.

Como continuei absolutamente muda, Edward acrescentou dando um passo em minha direção – Será que nesse sábado eu poderia vir até aqui para conversar a sós com você? — ele pediu, virando meu rosto delicadamente para que eu pudesse fita-lo melhor. – Talvez a Rosalie e o Emmett possam ficar de olho no Richie por duas ou três horas enquanto falamos.

A intensidade de seu olhar muito verde ao me pedir aquilo me deixou desnorteada. Não tinha ideia se Edward sabia do poder de persuasão que seus olhos possuíam; eu era incapaz de negar-lhe qualquer coisa quando ele me fitava desta maneira tão quente.

Ainda sem poder ter o dom da palavra, eu simplesmente balancei a cabeça em afirmação ao seu pedido. O gesto dele, em troca foi outro sorriso deslumbrante, que me tirou o pouco de fôlego que ainda tinha.

– Prometo que irei fazer a coisa certa dessa vez, baby. – ele sussurrou ao meu ouvido, deixando um breve beijo no meu pescoço para depois se afastar.

Meus hormônios da gestação chegaram a ponto de ebulição depois disso. Só tive autocontrole para evitar puxá-lo para um beijo porque Richie achou aquele momento para voltar até a varanda, empunhando a Mont Blanc que Edward costumava usar. — Obrigado por me emprestar, papai!

– De nada, campeão. – ele respondeu, afagando uma última vez o cabelo de Richie. – Vou fazer de tudo para voltar amanhã á tarde, ok?

– Tenha uma boa viagem. – finalmente eu consegui dizer, ainda assim com a voz muito trêmula. Limpei a garganta e tentei recompor o meu tom nem que fosse para não passar vergonha – Ligue assim que chegar lá, está bem?

Ele assentiu e se dirigiu para seu carro, nos dando um pequeno aceno antes de entrar no veículo e dar partida no motor. Outra vez eu assisti ele ir embora, só que desta vez já não sentia aquela sensação devastadora de perda, pois sabia que desta vez, ele iria voltar.

Mais cedo ou mais tarde, o meu Edward iria definitivamente voltar.

[...]

O final de semana foi bastante produtivo; pelo menos no quesito referente ao meu trabalho. Consegui adiantar mais alguns capítulos e agora restava um pouco da metade do livro a ser digitado. Se eu continuasse nesse ritmo, em dez dias seria capaz de entregar o manuscrito de volta ao autor e o arquivo completo para a editora. Terminaria o livro com tempo de sobra antes de chegar nos dias previstos para o nascimento de minha filha.

O fato de ter conseguido trabalhar tanto em cima do livro com certeza se deve ao fato de ter ficado praticamente isolada dentro de casa por conta da nevasca que voltou a assolar a região durante o final de semana. A Costa-Leste se transformou em um verdadeiro caos; nos noticiários só se falavam do pedido das autoridades para que a população permanecesse em casa, dos sem-teto que morreram de frio nas ruas e dos aeroportos fechados por tempo indeterminado.

Logicamente, Edward não recebera essa notícia muito bem. Ele resmungou diversas vezes ao telefone, sempre reclamando que ainda não tinha conseguido um voo que o levasse de volta na sexta-feira ou no sábado. Ele chegou ao ponto de cogitar a possibilidade de alugar um carro, embora desistiu facilmente assim que comecei a destacar todos os pontos negativos desta loucura. Só Deus sabia o quão perigosos deveriam estar estes quilômetros de estrada que separavam Illinois da Pensilvânia.

Quando o domingo finalmente chegou, o clima começou a melhorar um pouco, contudo ainda não tão bom o suficiente para liberarem os pousos e decolagens em nenhum dos aeroportos daqui de Chicago. Eu podia sentir sua ansiedade em voltar para perto de nós apenas ao ouvir sua voz no telefone e isso me deixava feliz. Não podia negar que o queria perto de nós o quanto antes e, portanto, me vi procurando alguma informações sobre a liberação das pistas no O´Hare.

Mas mesmo em nossas buscas incessantes, ele só conseguiu um voo noturno para que voltasse para casa. E mesmo com apenas 1h de distância entre as duas cidades, seria impossível que tivéssemos a oportunidade de conversamos. Tinha uma consulta marcada com a Dra Shelton bem cedo na manhã seguinte. Aquele que seria meu último check-up por completo antes da chegada de Grace.

Lógico que estava um pouco frustrada com todo esse empecilho que a nevasca causou em nossa tentativa de reaproximação. Mas tinha que por em mente que ele queria isso tanto quanto eu, portanto não era como se ele fosse desistir a qualquer instante. Nós tínhamos uma semana inteira pela frente: poderíamos muito bem aproveitar algum dia que Richie estivesse na escola para termos esse tempo dedicado aos nossos sentimentos.

E foi pensando dessa forma, sempre positivo, que acordei na manhã de segunda-feira. Enfrentei a maratona que era acordar o meu filho e tomamos o desjejum apressadamente, uma vez que já tinha chamado um táxi para vir nos pegar aqui em casa. Por mais chato que isso fosse, Edward tinha razão em não querer que eu dirigisse por mais tempo; ruas congeladas e reflexos mais lentos não era uma combinação muito boa. Essa corrida teria um preço bem salgado, porém a segurança de meus filhos e a minha própria vinham em primeiro lugar.

Tentei ligar para Edward e lhe informar que eu teria a tarde livre, se acaso ele quisesse conversar, mas o seu telefone só caia na caixa-postal. Liguei para o escritório dele, mas fui atendida de maneira mais fria que o usual por Lauren, que me informou que ele não tinha aparecido por lá ainda. Tentei não ficar decepcionada e tampouco me preocupar, embora isso fosse quase impossível.

O táxi chegou assim que tinha acabado de arrumar a minha bolsa. Entramos na cabine e fui assolada por Richie me pedindo o tempo todo para ir comigo, dizendo-me que queria ver a irmãzinha dele. Foi difícil resistir, principalmente porque ele não parava de acarinhar minha imensa barriga, conseguindo alguns movimentos em resposta de Grace. Mas por fim consegui convence-lo que hospitais não eram lugares para crianças e que em menos de um mês, ele poderia estar com a irmã em seu colo em nossa casa.

Um mês. Esse era o tempo que me restava para ter a minha filha em meus braços.

Deixei-o em seu colégio e de lá o taxista me levou direto para a entrada da parte ambulatorial do Northwestern Memorial. Depois de agradecer e pagar ao motorista, desci do carro e fui direto para a recepção confirmar minha presença tanto para a ultrassonografia quanto para a consulta que teria logo após. A atendnete pegou todos os meus dados e me indicou a sala de espera, onde aguardaria para fazer a minha pesagem e aferição da pressão arterial.

Mas ao entrar naquela sala, meu sangue inteiro pareceu ir direto para o meus pés. Meu coração parou por um segundo de bater e quanto voltou, estava mais acelerado do que o normal, tudo isso por conta do que vi logo ali na minha frente.

Recostado no canto da sala lotada de futuras mamães e parecendo totalmente deslocado por ser o único homem ali dentro, estava Edward. Ele estava vestido casualmente com peças que há muito já não o via usando; um jeans de lavagem clara, uma camisa polo cinza e sua jaqueta de couro bem gasta pelo tempo. Mas existia pequeno detalhe que fez com que eu ficasse ainda mais sem fôlego ao vê-lo: em suas mãos, ele brincava desajeitadamente com a bonequinha de pano mais fofa que eu já tinha visto

Foi inevitável não segurar uma risadinha quando o vi daquela maneira tão deslocada. E o som do meu riso fez com que ele imediatamente levantasse o seu rosto e me abrisse um de seus melhores sorrisos antes de começar a caminhar em minha direção.

Só que ele parecia não se mover rápido o suficiente e por conta disso comecei a caminhar de encontro a ele. Nossos olhares estavam presos um no outro; era como se não existisse mais ninguém ao nosso redor. A única coisa que tinha em mente era que ele estava aqui e agora. Como eu sempre quis.

Quando finalmente ficamos frente a frente, Edward imediatamente me puxou para um abraço apertado, esmagando-me contra o seu peito. Seu rosto se escondeu no vão do meu pescoço e eu não soube identificar se o primeiro soluço que ouvi tinha sido meu ou dele. Provavelmente nenhuma das mulheres ali dentro entendia o que se estava passando entre nós dois, entretanto não me importei nem um pouco com isso. Ter a presença dele nessa altura da gravidez significava muito mais para mim do que todas poderiam cogitar.

Edward se afastou minimamente, apenas para segurar meu rosto entre suas mãos enormes. Sua face estava molhada por lágrima exatamente como estava a minha, porém em todos esses anos em que nos conhecíamos, ele nunca esteve mais lindo. Esse era o homem pelo qual eu me apaixonei desde os 14 anos e que construiu uma vida ao meu lado. Meu peito palpitava de felicidade ao perceber que ele estava de volta para mim. Palavras não precisaram ser ditas; nossos olhos falavam tudo por si só naquele momento; eu via a sinceridade, o arrependimento e o pedido de perdão escrito na expressão dele. Eu não confiava em minha própria voz para lhe responder a qualquer coisa, e portanto fiz a única coisa que podia para lhe garanti que nós ficaríamos bem: com certa dificuldade, fiquei na ponta de meus pés e selei rapidamente nossos lábios.

Um pequeno gesto, mas que nós dois tínhamos consciência da importância dele. Essa era nossa pequena promessa; a garantia de que não importa o que acontecesse daqui para a frente, nós enfrentaríamos juntos o que nos foi destinado.

Notas finais
Purpurina pelo ar... Ou será que não? Para saberem mais, basta ir lá no meu formspring e tentar catar algum spoiler de minha parte! =D
Próximo post antes do meu aniversário! Para saberem a data, vocês terão que me stalker um tico! Kkkkkkkkk
Beijos e até a próxima
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