Notas iniciais
Agradecendo de coração a Lele Marques, que teve o trabalho de corrigir todo esse meu português de meia tigela! Brigadão, véia!

Nunca fui do tipo romântica. Quando era criança ainda na cinza e lamacenta Forks, Washington, eu preferia ver qualquer filme de luta e algum bons jogos do Superbowl ao lado do meu pai do que passar horas brincando com bonecas e assistindo qualquer clássico de alguma princesa Disney.

Para o pavor de minha mãe e de minha melhor amiga desde sempre, Alice, eu adorava procurar rãs, salamandras e quaisquer outros bichos considerados repugnantes pelos quintais sempre úmidos e verdes de nossos vizinhos.

E assim, quando Alice Cullen, no auge de seus cinco anos e com toda determinação de uma criança que sempre conseguia tudo o que queria, me forçava a "brincar feito mocinha", como fingir casamento, eu batia o pé no chão e determinava. – Só caso se for com seu primo Edward!

Engraçado que quase vinte e cinco anos depois e dividindo a mesma cama por quase dez, ainda mal posso acreditar que tive meu desejo de infância realizado.

Meu marido, Edward Masen, era quatro anos mais velho do que eu e sempre teve a fatídica sorte de passar seus verões na cidade mais chuvosa do mundo, ao lado de seus primos Emmett e Alice Cullen. As mães deles, Elizabeth e Esme, eram irmãs inseparáveis e mesmo com a distância, ambas insistiam em fortalecer os laços, fazendo com que os primos passassem pelo mesmo algumas semanas por ano juntos. Os Masens passavam pelo menos 8 semanas em Forks, assim como os Cullens costumavam ir para Illinois durante as festas de final de ano.

E essa foi a rotina até que os meninos completaram 18 anos e seriam tecnicamente independentes ao entrarem na faculdade no outono daquele mesmo ano. Então, como a paixonite que sentia por Edward desde criança só fazia crescer mais e mais, em plenos 14 anos e movida por uma coragem que nunca soube que tinha, me arrisquei a contar meus sentimentos por ele. E assim, por mais louco que parecesse para mim naquela época, ele se sentia da mesma forma e em um milagre divino, a perfeição que é esse homem quis ficar comigo.

A partir daquela tarde, onde nos beijamos pela primeira vez no alpendre da casa de seus tios, Edward e eu passamos todo o verão juntos. Mesmo Charlie, meu pai, fazendo cara feia para meu relacionamento com um garoto prestes a ir à faculdade enquanto eu ainda estava prestes a iniciar o ensino médio, continuamos firmes durante aquelas 10 semanas de um verão extremamente chuvoso. Até que enfim, chegou a hora de nos despedirmos, fazendo juras de amor eterno.

E assim, passei pelo restante da minha adolescência sem notícia alguma de Edward. Claro, tentamos manter contato durante os primeiros meses, mas não havia amor que suportasse a separação e os encargos de uma faculdade, onde ele lutava para conseguir os créditos para entrar na Escola de Direito em alguns anos.

Já eu por outro lado, para apagar a frustração do meu primeiro amor, cheguei a ir a alguns encontros com colegas de turma, e até mesmo consegui manter um relacionamento sério por alguns meses, no entanto, nada superou aqueles quase três meses ao lado do meu verdadeiro amor.

Até que finalmente, tinha 18 anos e estava pronta para sair de casa, e me candidatei exclusivamente nas faculdades do Estado de Illinois. Minha mãe achou que era estupidez de minha parte e por mais que ela admitisse que Edward era um garoto incrível, ele poderia nem sequer lembrar-se mais de mim, afinal já se tinham passado mais de quatro anos desde que tínhamos ficado juntos. A única que me apoiou nessa situação toda foi Alice, como sempre. Então, não me importando com o receio de meus pais, ou até mesmo saber que Edward poderia até mesmo estar casado aos 22 anos, me inscrevi no North Central College, à 60 quilômetros de distância de Chicago e parti sozinha para o outro lado do país, a contragosto de Charlie e Renée.

Agora, enquanto eu o vejo ressonando baixinho em seu sono ao meu lado, não posso deixar de sorrir e me sentir orgulhosa de mim mesma por ter tomado essa decisão. Ele e eu estávamos fadados a ficarmos juntos, como o destino nos mostrou assim que pus meus pés no campus da universidade em Naperville

Ao chegar sozinha no centro de estudos, mal encontrando o número da minha primeira sala de aula, eu me deparo com a saída do auditório, onde um bando de pessoas bem vestidas que pareciam ter acabado de sair de uma palestra. Tentei desviar daquela multidão para continuar a seguir em frente pelo corredor, mas fui impedida por uma mão segurando meu pulso e uma familiar corrente elétrica que atravessou todo o meu corpo. Sem acreditar no tamanho da minha sorte eu me virei e me deparei com alguém vestindo um terno cinza e gravata azul

E revi aqueles olhos verdes e o meu sorriso torto.

Edward não estuda ali, no entanto tinha ido até lá simplesmente para assistir uma palestra de um renomado jurista, o qual considerava um dos melhores. E por conta daquele reencontro, acabei perdendo todas as aulas daquele dia, em compensação, tinha gastado o dia inteiro em uma cafeteria do campus, reconhecendo aquele jovem futuro advogado.

E o resto, como dizem, é história.

– Só por questão de curiosidade, Sra. Masen, tem algo de errado na minha cara? Porque, sinceramente, ter remela no canto dos olhos e barba por fazer é normal pra que quase não dormiu depois te ter transado a noite toda – Edward resmungou sonolento, intensificando seu aperto ao redor da minha cintura.

Eu ri e beijei a ponta do seu nariz. – Se isso lhe faz se sentir melhor, ontem no oftalmologista eu constatei que minha hipermetropia subiu mais meio grau. Então, se você estiver mesmo todo remelento como diz, eu não consigo enxergar absolutamente nada.

Edward finalmente abriu os olhos só para rolá-los segundos depois. – Ok espertinha, já que você não vê um palmo a sua frente... – Ele desviou seu abraço da minha cintura, para pegar meus pulsos e prender acima da minha cabeça, se aproveitando da minha imobilidade para pairar sobre mim. – você não se importaria em ignorar minha aparência e começarmos a fazer algo mais interessante – disse, sussurrando ao meu ouvido e mordendo o lóbulo da minha orelha no final.

Eu suspirei quando suas mãos começaram a ficar mais ávidas, adentrando por debaixo da camiseta dele que eu tinha tomado posse ao usar como meu pijama há anos. – Não, mas ele pode chegar... Você sabe como ele fica aos sábados. Queria que, – tomei uma respiração instável, quando seus dedos alcançaram o cós da minha calcinha e soltei um gemido baixinho logo em seguida. – Se... se... essa disposição pudesse ser durante os outros dias da semana...

Edward levantou seu rosto do meu pescoço, olhou de relance rapidamente para o alarme digital no criado mudo e voltou para sibilar contra meus lábios. – Ainda é cedo. Ele não vai acordar nos próximos 20 minutos. Tempo mais que suficiente.

– Bem, se é assim eu acho que... – não pude nem concluir a frase direito porque seus lábios caíram sobre os meus, urgente e intensamente. Uma das minhas mãos se perdeu entre os frios cobre de seus cabelos na medida em que as dele afastavam a renda que recobria o meu quadril.

Toc, toc, toc.

– Papai, você já acordou? Tá na hora! Lembra que dia é hoje, né? Posso entrar? Levanta logo!

Edward e eu grunhimos em uníssono, apesar de no fundo nós dois sabermos que nada conseguia parar a empolgação de Richie ao passar as manhãs de sábado comendo cereal e se assistindo maratonas de desenhos animados ao lado do pai.

Richard Andrew Masen foi uma surpresa que nenhum de nós esperava. Eu estava no terceiro semestre de Marketing e Edward tinha começado o último ano da Escola de Direito. Na noite em que tínhamos comemorado a aceitação de Edward como novo trainee em uma das maiores empresas de advocacia de Chicago, nós o concebemos. Um mês depois eu era puro nervos, afinal, tinha 20 anos, grávida, não estava nem perto de concluir a faculdade e tinha um namorado extremamente orgulhoso, que queria se firmar como advogado sem contar com o auxílio do pai para tal feito.

No final, aos trancos e barrancos tudo acabou dando certo. Na mesma noite em que eu lhe contei sobre o bebê, Edward tinha planejado me pedir em casamento. Três semanas depois viajamos até Forks para contarmos as novidades. Meu pai praticamente ameaçou Edward de morte. Minha mãe estava vibrando com a perspectiva de se tornar uma avó jovem, e quanto aumentaria seu ego, caso fosse confundida sendo a mãe da criança. Alice, que tinha ficado para estudar Fisioterapia em Seattle se auto declarou minha dama-de-honra e madrinha do nosso bebê – como se obviamente ela não fosse às duas coisas.

Então, com tudo relativamente bem resolvido na minha cidade natal, nosso segundo grande passo era contar aos pais dele. Edward amava sua mãe, entretanto ele tinha grandes atritos com seu pai, Anthony Masen. Mesmo amando seu único herdeiro, o Sr. Masen costumava controlar tudo a sua volta, incluindo a vida de seu filho. E assim, quando Edward não aceitou trabalhar Masen and Lawyers no ano anterior, ambos praticamente não se falavam. Mesmo morando na mesma cidade, o contato entre eles baseava-se em telefonemas rápidos ou encontros ocasionais, quando Edward iria antes de ir ao trabalho visitar sua mãe.

Quando cheguei nervosa à mansão dos Masen para dizer que eu carregava um herdeiro, Anthony me acusou de oportunista e Edward de imbecil. Nunca me senti tão humilhada em toda minha vida. Na mesma tarde, Edward cortou relações definitivamente com seu pai e foi deserdado. No final de semana seguinte, fugimos juntos para Las Vegas para a grande decepção de Alice.

Jovens, recém-casados, com pouco dinheiro e com um bebê a caminho, foi extremamente difícil aprender a conviver com as manias um do outro. Mas o amor que tínhamos – e continuamos temos – foi mais forte do que qualquer outra coisa, e lado a lado, vencemos todas as barreiras impostas a nós dois.

– Eu o amo, você sabe. Mas juro que em certos momentos eu queria que ele não fosse tão empata-foda – Edward resmungou, cobrindo o rosto com o antebraço enquanto eu arrumava o pouco da lingerie que ele tinha conseguido desvencilhar.

– Não seja tão dramático, amor. Esse é um dos poucos momentos que Richie pode curtir o herói dele sem ser atrapalhado por um celular – comentei, erguendo-me da cama e indo e indo até a porta do nosso quarto. – Pronto? – perguntei depois que ele se reajustou por baixo dos lençóis.

– Como nunca, agora abra logo isso antes que eu o deixe gritando no corredor pra terminar o que eu comecei com você! – ele disse brincalhão e eu podia ver, tamanho o sorriso que ele tinha ao esperar por seu filho.

Virei à maçaneta devagar enquanto eu soltava um "mais tarde" só com os lábios na direção dele. A porta não estava nem na metade do caminho quando um furacãozinho entrou no nosso quarto e se jogou na cama ao lado do pai.

– Papaaai! – Richie pulou agarrando-se no pescoço de Edward para logo em seguida se soltar e começar a saltitar a cada frase, em cima do colchão. – Porque demorou tanto? Você vai ver Cartoon Netwoorks comigo? E depois a gente vai pro parque pra você me ensinar a andar de bicicleta de novo? Sabia que eu sou o único menino na classe que não sabe? Eu não gosto disso porque o Tyler e o Steve ficam me chamando de burro por causa disso. Eu não sou burro né, papai? Tio Emmett me disse que eles são assim por que o pai deles, o Sr. Newton, é um filho da... – Edward pôs uma de suas mãos em cima dos lábios de Richie, antes que nosso pequeno acabasse aprendendo mais uma pro seu vocabulário já extenso.

– Ok, amigão eu vou passar o dia inteirinho com você, mas antes de qualquer coisa eu acho que você deveria dar bom-dia pra sua mãe. – Richie corou e logo depois veio correndo de volta para mim. Abracei-o forte já não precisando mais curvar tanto meu corpo para poder puxá-lo do chão e tampouco suportando mais o peso de uma criança de quase sete anos no meu colo.

– Bom dia, mamãe – ele disse calmamente enquanto me dava um beijinho de esquimó. Devo admitir que era quase impossível para mim resistir aos encantos de Richie. Além de ser uma cópia fiel do seu pai – exceto pela cor castanha nos cabelos, ele também tinha aprendido a ser tão doce e charmoso quanto Edward. Agir como mãe e educar esse garoto quando ele insistia em fazer biquinho para alguma travessura era uma das tarefas mais árduas do meu dia-a-dia.

Arrastei-nos de volta para Edward que já nos esperava de braços abertos na ponta da cama. – Ok, então família, eu tenho uma sugestão a fazer – Edward disse solenemente enquanto eu e nosso filho aguardávamos por sua idéia. – Que tal se nós fossemos tomar café no IPOH hoje e, de lá, vamos direto pro parque? Podemos levar sua bicicleta no bagageiro do Volvo e aproveitar um pouquinho o sol, huh? Aposto que sua mãe adoraria deixar de parecer a prima do Gasparzinho. – Edward disse, piscando para o Richie enquanto batia levemente sobre a parte exposta da minha coxa.

Richie gargalhou alto enquanto eu batia de leve no ombro do meu marido estúpido. – Ha, ha, ha. Que engraçado. Como se eu não estivesse conversando com os dois homens mais bronzeados do planeta – murmurei sarcasticamente enquanto rolava os olhos. Meus meninos continuaram a rir de mim. Preferi ignorá-los e começar a agir antes que acabássemos no trânsito sempre infernal de Chicago, mesmo durante os finais de semana. – Agora mocinho, se você quer mesmo comer panquecas de chocolate é bom ir logo tomar um banho e escovar esse dentes!

– Mas hoje é sábado – Richie comentou, como se o dia da semana fosse fazer alguma diferença.

– Não importa, Richard, você vai sim tomar banho! Seu pai e eu não vamos sair por aí com um garoto que parece mais um porquinho de tão sujo!

Richie voltou seus olhos verdes para o seu pai, fazendo aquele maldito biquinho como se isso fosse lhe safar de algum modo do chuveiro. Edward suspirou saindo da cama e ergueu seu filho, deitando-o contra seu ombro. – Você ouviu a mamãe, amigão. Eu sei que é chato pra caramba, mas tomar banho é uma coisa que precisamos fazer todos os dias. Vamos lá, eu te ajudo – Edward disse enquanto partia em direção ao quarto. Meu garotinho agora tinha um sorriso satisfeito nos lábios por saber que tinha conseguido a atenção de seu pai por mais alguns minutos.

Antes que eu fosse para o closet começar a me preparar para o dia, eu resmunguei exasperada – Você o mima demais, Edward!

Já no vão da porta, Edward girou e disse – Ele é o único que eu tenho. Bem, pelo menos por enquanto. – Me sorriu torto e piscou enquanto rearrumava Richie em seus braços. – Urgh, carinha! Você está ficando pesado.

Eu ri enquanto seguia até o armário. Richie era amado demais por nós dois de forma completa e absoluta. Acho que nada poderia superar aquilo que sentia pelo meu filho, nem mesmo a presença de outra criança minha e de Edward. No entanto, às vezes tinha a leve impressão que nossa família ainda era incompleta. Como se mais alguém, uma garotinha ou mais um menino travesso estivesse na vanguarda, só esperando uma decisão nossa para aparecer e nos encher de alegria.

Respirei fundo e decidi começar logo meu dia. Refletir sobre isso nessas horas da manhã não adianta. Sem contar que esse tema, Edward e eu teríamos que discutir com mais profundidade nos próximos capítulos de nosso conto-de-fadas.

Notas finais
Vi que o P´rologo tava pequininho demais. Sendo assim, o primeiro capítulo veio junto também.

Apesar da fic se tratar de um drama,o assunto de irei abordar não é o fim do mundo, sabe? Não sei se é porque convivo com isso desde muito pequena, acho totalmente normal. O lado da angst aqui fica por conta da reação tanto do Edward quanto da Bella, e como eles irão encarar essa nova realidade. Enfim, não vou falar muito porque se não acabo revelando demais, né?

Por enquanto os capítulos estão ainda curtinhos, mas a medida em que a estória vai se aprofundando, mais páginas do Word vão sendo usadas. Outra coisinha que quero aproveitar pra dizer é que não terei um dia específico pra postagem, afinal, a doidinha aqui não vive só para escrever (infelizmente). Porém, sempre tô pelo twitter avisando quando e onde posto, qualquer coisinha basta follow me.

É isso, espero que curtam.

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