Nothing Can Get You Down
7 Capítulo Seis
Notas iniciais
Richie dormia em meu colo, enquanto Edward finalizava o tramite para o aluguel do carro junto à pequena locadora que havia no próprio aeroporto de Port Angeles. Apesar das caretas do meu marido por conta do veículo escolhido por mim, de que o mesmo era popular demais, alugamos um Toyota Camry para usarmos durante esses quatro dias que passaríamos em Forks, já que pelo visto, passaríamos este tempo nos locomovendo entre a casa dos meus pais e dos Cullens.
O voo tinha sido bastante tranquilo, apesar das constantes nuvens que pareciam eternamente incrustadas sobre o céu de Washington. Com toda empolgação em ver seus avôs novamente, Richie ficou todo hiperativo durante todo o trecho aéreo sem precisar de um grama sequer de açúcar em seu sistema. No entanto, agora ele dormia profundamente a tal ponto de que nem uma bomba atômica seria capaz de despertá-lo. E, mesmo com todo aquele pesinho extra em meu colo, não podia nem cogitar a ideia de acordar aquela carinha cansada que ressonava baixinho junto ao meu pescoço.
Troquei o peso entre meus pés para ficar mais confortável, ao mesmo tempo em que Edward se aproximava de nós dois. Com o cenho franzido, ele puxou Richie para si, me entregando as chaves do automóvel.
– Baby, você não deveria ficar pegando peso – ele disse, apoiando nosso filho em apenas um dos braços.
– Bem, eu não poderia deixar nosso filho dormindo no chão, certo? – alfinetei de volta, um tanto mal humorada após cinco longas horas no ar.
Ou talvez, fossem os hormônios da gravidez se manifestando de vez em meu organismo.
Apesar de estar com um dos braços ocupados carregando nosso filho, Edward tomou controle do carrinho com nossas malas que eu já havia começado a conduzi-lo, me impedindo de fazer qualquer coisa. Ao notar minha expressão revoltada, ele me lançou seu melhor sorriso torto e comentou. – Você está grávida, amor.
Revirei os olhos, e comecei a segui-lo até o estacionamento da locadora. – Eu não sei por quê todo mundo tem essa ideia fixa na cabeça de que mulheres grávidas são frágeis.
– Eu sei o quanto você é durona, Bella, só que a minha princesinha ainda não é – ele comentou, apontando com o queixo em direção a minha barriga ainda inexistente. – Pode ter certeza de que o pai dela ficaria muito mais contente ao saber que ela ficará segura aí dentro pelos próximos sete meses.
Bufei com raiva, tanto pelo seu comentário injustificado de que o bebê não estaria confortável em meu ventre, quanto pela fixação que meu marido parecia ter de que teríamos uma menina desta vez. Durante esta última semana, escutei diversas vezes Edward se referindo ao bebê como "ela", "nossa filha", "a bonequinha"... Sinceramente, eu não sabia dizer se ficava feliz ou receosa quanto a isso. É claro que, em momento algum, acreditava que Edward pudesse renegar nosso próximo filho por qualquer motivo, contudo, não parava de imaginar a decepção dele, caso nós estivéssemos esperando outro menino.
No dia seguinte após ter lhe contado sobre a gravidez, nós dois resolvemos dizer para Richard o que estava acontecendo. Fiquei apreensiva quanto à reação dele no início, porém ao desenrolar da conversa, nosso filho pareceu aceitar muito bem o fato de que teria um irmãozinho – ou irmãzinha, como Edward fez questão de ressaltar. O único momento constrangedor daquela conversa foi quando ele insistiu em saber de que jeito o papai tinha colocando a sementinha dentro da barriga da mamãe, o que ocasionou em mim uma crise de riso e em Edward uma gagueira incontrolável, absolutamente indigna de um advogado tão bom quanto ele.
Chegamos ao Toyota, e mais uma vez, Edward não permitiu que eu fizesse absolutamente nada que incluísse esforço físico. Sozinho, colocou Richie na cadeira infantil e pôs as poucas malas no bagageiro.
– Quer que eu dirija? – inquiriu ele, assim que terminou de fazer tudo.
– Eu posso fazer isso – respondi simplesmente, nem pensando em me prolongar mais no assunto.
Para minha grande surpresa, ele simplesmente assentiu e entrou no banco de passageiros sem comentar mais nada. Não sei se foi o cansaço que o havia vencido, ou essa era sua maneira silenciosa de admitir que eu fosse melhor motorista do que ele, em se tratando de estradas monótonas. A estrada que ligava Port Angeles até minha cidade natal era conhecida por suas longas retas e diversos sinais de controle de velocidade; duas coisas que juntas, faziam com que Edward simplesmente abominasse a ideia de dirigir nestes termos. Sem contar que exaurido como ele estava, isso tinha um potencial sério de virar acidente, já que ele tendia a acabar cochilando ao volante em situações como estas.
Liguei o carro e dei partida para sair do estacionamento, seguindo firme entre as ruas tão conhecidas desta cidade para mim. Sendo o local de maior movimento turístico da Península Olímpica, ficando a apenas quatro horas de balsa de Vancouver e três de carro para Seatlle, Port Angeles conseguia a peripécia de agregar o velho e o moderno numa mistura perfeita. Pequenas galerias de comércio e novas livrarias aconchegantes contrastavam perfeitamente com a grade enferrujada de proteção do píer, onde os turistas costumavam passar os finais de tarde. O novo centro médico e a Subway aberta ao lado do cinema harmonizavam surpreendentemente bem com a arquitetura neo-classista das construções próximas ao velho chafariz da praça central.
Não sei por que, mas essa contradição; a junção entre o velho e o novo, o conforto da cidade e o clima bucólico do interior, me fez pensar que aqui seria um bom local para se criar os filhos.
– Posso saber o motivo desse sorriso? – Edward me perguntou enquanto mexia nas funções do rádio no carro.
– Nada demais. Só pensando em quanto Port Angeles cresceu. Quando eu era adolescente, sempre que precisávamos de alguma coisa, tínhamos que enfrentar quatro horas de carro até Seatlle. Hoje tudo é tão mais fácil...
Ele sorriu assentindo e esticou sua mão para massagear minha nuca. – Me parece ser uma cidade boa para se morar – comentou distraidamente.
– Sério?
– É diferente de como cresci em Chicago, mas mesmo assim, acho que conseguiria me acostumar com algo mais tranquilo como aqui.
– E ficar longe das quadras do Chicago Bulls?
– Sempre passam ao vivo os jogos dele na ESPN.
– E a poluição, os arranha-céus, o trânsito caótico?
Edward rolou os olhos. – Sério que você está mesmo colocando isso tudo como vantagens?
– E a escola do Richie? Com certeza, Port Angeles não cresceu o suficiente para se ter um colégio particular.
– Não é você que vive ressaltando as vantagens do ensino público?
Finalmente, tentei meu melhor golpe baixo. – E seu vício nas pizzas do Lou Maltani´s?
Ele nem titubeou ao dar de ombros. – Menos colesterol no meu organismo.
Eu ri e aproveitei para provocá-lo um pouco. – Nossa, Edward Masen, o típico garoto da cidade, disposto a vir morar no meio do nada no interior de Washington? Qual seria a motivação desta mudança tão brusca?
Sorrindo, ele olhou de relance para Richie antes de escorregar sua mão até meu ventre. – Vocês.
Sorri de volta ao fitar suas orbes verdes, incapaz de não pensar no quão sortuda eu era, por ter um homem como ele me amando incondicionalmente.
Depois disto, ficamos em um silêncio confortável, apenas interrompido pela batida calma das melodias do The Cramberries tocando ao fundo. Não demorou muito para que Edward acabasse caindo no sono assim como nosso filho. Aproveitei aquele tempo sozinha para refletir sobre as mudanças em que meu marido estava disposto a fazer pelos próximos meses.
Edward estava disposto a sair de sua zona de conforto, com toda a facilidade de acesso a tudo que uma metrópole podia ter para se mudar para o outro lado do país, vindo morar em um Estado onde praticamente não conheceria ninguém, além de seus tios e seus sogros. Sem contar a venda do escritório de advocacia – nossa fonte de sustento pelos últimos quatro anos. Ele já tinha começado a fazer algumas pesquisas, e imaginava que no próximo outono, toda a papelada necessária para a transferência legal da Masen and Lawyers para as mãos de algum empreendedor interessado em manter o negócio já estaria concluída.
Sinceramente, eu ainda temia que Edward pudesse vir a se arrepender, caso ele viesse mesmo a encerrar suas atividades como herdeiro da empresa criada por seu pai. Por mais que ele e o pai não tivessem a mais estreita das ligações, este empreendimento era algo em que ambos gastaram partes de suas vidas mantendo-a entre uma das líderes do mercado. A maneira em que Edward se propunha a se desapegar da companhia, ainda era incompreensível para mim. Contudo, eu sabia que ele também era conhecido por ser teimoso e nunca voltar atrás em suas decisões.
Só podia esperar e torcer para que sua resolução final resultasse no melhor para a vida profissional dele e para a união da nossa – já não tão pequena – família.
Quarenta e cinco minutos depois, me vi atravessando o portal de boas-vindas da pequena Forks. Como não era novidade, uma chuva torrencial desabava dos céus, fazendo com que as paletas do pára-brisa trabalhassem freneticamente tentando afastar a água que insistia em atrapalhar minha visão. Diminui um pouco a velocidade do carro à medida em que eu pegava as ruas que me levariam até a casa de Charlie e Renée Swan.
Meus pais eram o perfeito exemplo de que os opostos se atraem; ele era o chefe de polícia de Forks e, apesar de sempre dizer todos os anos que no próximo ele se aposentaria, Charlie parecia que nunca iria se afastar do trabalho policial, a tal ponto que eu mesma não conseguia imaginá-lo sem o distintivo guardado no bolso. Já a minha mãe, era uma riponga que tentou dar aulas às crianças da pré-escola, mas foi banida pelo conselho de Pais e Mestres de Forks, por suas ideias avançadas demais para suas turmas de quatro anos. Daí então, Renée passa cada nova estação fixada em alguma atividade, seja ela intelectual ou não. A deste mês era sua fixação em estudar a energia vital do Reiki.
No entanto, o que admirava a todos eram a dedicação e amor que eles tinham um pelo outro, apesar de suas diferenças. Foi crescendo neste clima, cercada por respeito e afeto que me transformei em quem eu sou hoje, e esperava poder passar todos estes valores aos meus filhos.
Ao entrar na estreita rua que levava à casa dos meus pais, a chuva pareceu piorar ainda mais. As poucas casas que havia no local e a imensa floresta ao fundo pareciam aumentar o clima invernal, tão ilógico para o início do verão. Acho que o fato de ter passado a última década vivendo do outro lado do país, fez com que eu me desacostumasse com o clima sempre cinzento da Península Olímpica. Para mim agora, o mês de Junho significava um clima quente e seco onde eu poderia encontrar pessoas com roupas leves tomando sorvete nos parques, não um temporal que nos obrigasse a ligar o aquecedor e nos encapuzarmos ao máximo para nos proteger da água.
Estacionei o carro rente a calçada, já que as vagas da garagem estavam ocupadas pela viatura do meu pai e pela minha velha Chevy que agora era usada por minha mãe. Na varanda, mesmo que estivesse vendo entre a espessas gotas da tempestade, percebi Charlie e Renée nos aguardando ansiosos, cada um deles segurando um imenso guarda-chuvas preto. Apesar de já se passarem das 11 da noite, eles fizeram questão de nos esperar acordados como sempre.
– Baby – sussurrei baixinho ao tocar a face de Edward –, nós já chegamos. Vem, vamos entrar.
Ele piscou devagar, ainda meio aturdido por conta do cochilo interrompido. Olhou de relance para onde Richie dormia e comentou. – Preciso fazer uma coisa enquanto ainda tenho tempo.
– Fazer o que? – Questionei intrigada
– Isso – ele respondeu, usando uma de suas grandes mãos para puxar meu rosto em sua direção.
Inclinando-se contra a marcha do carro, Edward selou nossos lábios com ânsia, aproveitando-se de meus lábios entreabertos pela surpresa, para invadir minha boca com sua língua sôfrega e quente.
Eu nunca me acostumaria com os beijos dele. Profundos, lânguidos e instigantes. Seus lábios intensos e indóceis, fazendo com que uma corrente elétrica atravessasse meu corpo toda vez que sentia seu hálito doce em minha língua. Mesmo que eu vivesse eternamente, acho nunca encontraria algo que fizesse os pêlos em meu corpo se eriçarem a tal ponto, como acontecia todas as vezes em que ele sugava meu lábio inferior entre os deles, e mordicava-o vigorosamente.
Levei minha mão a sua nuca, enroscando meus dedos com força nos fios que havia ali. Em resposta, Edward gemeu rouco, fazendo com que meu corpo se incendiasse por conta do meu desejo por este homem.
Já me sentia ser ar, tamanho a empolgação daquele instante. Até que felizmente – ou não – fomos interrompidos pelas batidas incessantes da mão de alguém na porta do lado do motorista.
– Me sinto com 18 anos de novo – Edward comentou rindo, assim que nos separamos. – A diferença é que naquela época, você costumava estar em cima do meu colo e não havia uma criança no banco de trás.
Soltei uma risada sufocada, tentando me recompor minimamente. Tocamos um último sorriso para só então sairmos do veículo simultaneamente, cumprimentando meus pais que estavam a nossa espera debaixo da chuva. Entre os abraços desajeitados sob a imensa sombrinha, segui apressada para dentro de casa, abraçada com o meu pai, enquanto Edward e minha mãe ficavam para trás, retirando um Richie que ainda dormia tranquilamente apesar dos trovões que ressoavam pela noite.
Finalmente, entramos na minúscula sala, cuja metade dela era tomada pelo imenso televisor LED, onde Charlie costumava ver seus jogos de baseball. Edward veio carregando nosso filho, ladeado por Renée que não tirava os olhos de cima do neto, que agora estava grogue e um tanto que irritado por ter seu sono interrompido abruptamente.
– O que diabos vocês dois estão dando a esse garoto? Ele deve ter crescido uns 10 centímetros desde o Natal! – Meu pai comentou exageradamente, bagunçando as ondas marrons do meu garoto.
Renée comentou ao apertar as bochechas dele. – Não é para tanto, Charlie. O que realmente aumentou nele foi o grau de esperteza, não é coisa fofa da vovó?
Richie fez um muxoxo, ainda mais chateado ao cruzar os braços sobre o peito e resmungar baixinho. – Argh, que coisa chata, vó! Eu quero ir dormir!
– Richard Andrew, isso é jeito de falar com sua avó? – ralhei encarando-o com minha melhor cara indignada.
Ele apenas franziu o cenho e escondeu o rosto no pescoço do pai, reclamando outra vez que só queria voltar a dormir.
Edward ergueu o rosto do filho e comentou. – Poxa, garotão, a vovó só está com saudade. Você não devia falar assim com ela. Acho que ela merece um pedido de desculpas, certo?
Richie sibilou um pedido mirro de desculpas que eu só perdoei pelo fato de que ele deveria estar mesmo cansado.
Minha mãe ignorou totalmente a atitude grosseira de Richie, e se manteve bagunçando os cabelos dele. – Vocês devem estar mortos de cansaço. – Pegou nosso filho nos braços e começou a subir em direção à estreita escada que levava aos quartos da casa. – Querido, Edward, tragam as malas para cima. Ah, temos uma surpresa para vocês!
Lancei um sorriso cansado em direção a minha mãe e inquiri. – Alguma outra reforma na casa que eu não fiquei sabendo?
Renée sorriu conspiradora ao atingir o patamar do piso superior. – Não é bem uma reforma, apenas uma redecoração.
Assim que cheguei à porta do meu antigo quarto, escutei meu pai resmungando alguma coisa sobre mudança necessária. Curiosa, abri a porta e me deparei com algo completamente diferente do que eu estava acostumada.
Cama de solteiro, a velha escrivaninha onde meu computador pré-histórico ficava e o guarda-roupa desgastado no canto tinham sidos substituídos. Agora no lugar, encontravam-se uma cama de casal e uma cômoda pequena. O único objeto que não foi retirado era a cadeira de balanço perto da janela, onde eu mesma fui ninada, e pude fazer o mesmo com Richie.
– Wow! Estamos mesmo no quarto certo? – Edward disse com um sorriso, pousando a malas no chão e adentrando o pequeno espaço.
– Isso não é nada! – falou Renée alegremente indo até a beirada da cama. – Tãm dãm! – exclamou, para logo em seguida puxar um pequeno colchão embutido na mesma.
– Pai, mãe... Vocês não precisavam fazer isso. É demais.
Charlie imitou o gesto anterior de Edward ao pousar a mochila de Richie no canto da porta, antes de abraçar Renée pelos ombros e comentar. – Talvez sua mãe aqui tenha meio que exagerado, mas acho que agora será mais conveniente para vocês, já que Richie parece maior a cada dia.
– Foi muito gentil da parte de você dois, Charlie – Edward começou –, mas sinceramente, não precisavam ter se preocupado conosco. Nós daríamos um jeito, como sempre.
– Eu só não queria que você arrumasse qualquer desculpa e acabasse os levando para algum hotel barato. Da última vez que eu fui imprudente assim, minha única filha acabou se casando grávida, por algum imitador barato de Elvis.
– Pai!
Minha mãe, que ainda estava com Richie nos braços, deu um nem um pouco discreto pisão no pé de Charlie, cujo bigode remexia devido ao sorriso presunçoso que escondia. Pelo canto do olho, notei que meu marido continha sua raiva para meu pai.
Não era segredo para ninguém que meu pai nunca tolerou muito bem meu relacionamento com Edward. Seja por conta da diferença de idade na adolescência, o fato de que por conta da minha paixão ter decidido morar em Illinois quando entrei na faculdade, ou por ter ele não ter tido a oportunidade de me levar ao altar quando eu me casei. Qualquer que fosse o verdadeiro motivo deste ressentimento de Charlie, era injustificado porque nestes quase 10 anos em que Edward e eu estamos juntos, ele se mostrou um marido perfeito: companheiro, dedicado, apaixonado e leal. Tudo que alguém poderia querer para sua única filha. Tal atitude dele me deixava absurdamente enfurecida.
– Bem, tivemos um dia desgastante ao ficarmos várias horas voando. Acho que minha família está um pouco cansada. Talvez fosse melhor conversarmos amanhã. – Edward sibilou sem tirar seu olhar frio na direção da porta, onde Charlie se encontrava.
Meu pai deu de ombros e grunhiu um "boa noite", antes de se virar e sair. Enquanto isso, Renée colocou Richard no colchão adjunto e caminhou na direção de Edward, que exalou fortemente quando ela deu algumas leves tapinhas em seus ombros.
– Será que ele nunca vai me perdoar por Vegas? – ele perguntou meio que para si mesmo
Renée riu, abraçando-o levemente. – O problema não é esse, querido. Todo pai tem ciúmes de sua filha.
Irritada, bufei baixo para não acabar acordando Richard ao retirar seu tênis. – Não tente justificá-lo, mãe! Todas as vezes que viemos pra cá, meu pai solta algum patada em cima do Edward. Isso é tão injusto!
– Não vamos mais discutir isso hoje, ok? Eu sinto que o clima ao redor de vocês está roxo de tanto stress desnecessário – disse ela, caminhando em minha direção e colocando um beijo na minha testa. – Durmam um pouco. Ambos precisam.
– Ok, mãe. Amo você
– Eu também, filha.
– Obrigado, Renée. Boa noite.
Ela sorriu mais uma vez, fechando a porta do quarto devagar. Em silêncio, Edward foi até a mala do Richie, onde procurou o pijama dele e me entregou, sem dizer mais nada.
– Baby...
Edward exalou fortemente, e seus ombros caíram quando ele se afundou na cama nova. – Eu não entendo seu pai. Será que ele nunca irá aceitar que eu sou louco por você? Que você e nossos filhos são as coisas mais importantes em minha vida?
– Eu não me importo com a opinião de ninguém, amor – disse firmemente, indo me enroscar ao lado dele. – O que Charlie pensa ou deixa de pensar em respeito a nossa relação não me interessa. Eu amo você e isso é tudo que importa.
Edward me abraçou de volta, respirando contra o meu cabelo. – Talvez, se eu me casasse de verdade com você, Charlie finalmente me aceitaria.
– Nós somos casados, Edward.
Meses depois que Richie tinha nascido, Edward tinha meio que se arrependido por termos agido impulsivamente. Implantou uma ideia fixa na cabeça de que nós deveríamos nos casar "oficialmente" com direito a igreja, véu, vestido, muitos convidados e bolo. Lógico que fui absolutamente contra isso. Nunca fui do tipo de mulher que desejava esse tipo de atenção e nem tínhamos dinheiro suficiente para bancar uma festa estúpida para celebrar algo que eu sabia desde criança: que Edward era meu eternamente.
– Bem, não custa nada tentar, amor. Quem sabe um dia eu acabo te convencendo?
– Só em seus sonhos, baby – falei colando nossos lábios rapidamente, antes de ir até as malas e achar alguma coisa para usar como pijama.
De repente, Edward riu alto e eu me virei tanto para reclamar quanto para saber o motivo de tanta graça. Ele tinha uma expressão presunçosa, o que me deixou ainda mais curiosa.
Edward recostou contra a cabeceira. – O melhor de tudo é saber que seu pai, sendo pão-duro do jeito que é, deve ter gastado uma nota preta ao remodelar esse quarto para nós – ele falou, gesticulando para o espaço ao nosso redor. – Quero só ver qual será a reação dele quando descobrir que será impossível manter quatro Masens nesse mesmo espaço.
Sem querer, acabei rindo com ele. Por ora, parecia mesmo engraçado, porém amanhã, quando tivermos a obrigação de contar a novidade a todos durante o almoço que Esme estava oferecendo pelo aniversário para Edward na casa dos Cullens, só esperava que o clima continuasse sendo de alegria, e não de mais drama como minutos antes.
[...]
Acordei cedo com a intenção de manter a pequena tradição que mantínhamos desde que Edward e eu éramos apenas namorados durante a faculdade; café-da-manhã na cama para o aniversariante do dia. Saí da cama devagar e cutuquei Richie para que se levantasse e me ajudasse com o que fosse preciso na preparação das panquecas.
Ao chegar à cozinha, encontrei minha mãe completamente desperta, comentando alguma besteira sobre o quanto era importante acordar antes de o sol nascer, para que os raios solares não queimassem a energia vital dela. Vai entender...
A parte boa de tê-la ali foi que ela me ajudou muito quando, infelizmente, tive que segurar a respiração um par de vezes, por conta da ânsia de vômito matinal que vinha me maltratando desde as primeiras semanas da gravidez. Eu praticamente contava as horas para que o segundo trimestre chegasse e o bebê pudesse me dar uma folga de tantos enjoos.
Contudo, se havia uma coisa que Renée tinha, apesar de todas as maluquices, era a esperteza. Em momento algum pude convencê-la de que o mal estar que sentia devia-se à algo que eu tivera comido na noite anterior.
Depois que a bandeja estava pronta e que meu estômago tinha se acalmado um pouco, meu filho e eu voltamos para o quarto, onde Edward continuava dormindo de bruços, ressonando baixinho. Richard, com toda a energia de um garoto de seis anos, atirou-se em cima dele e começou a cantarolar desafinado o "parabéns a você" para o pai.
Por mais que todos os anos acontecessem à mesma coisa, Edward foi pego de surpresa. Ou talvez, tenha sido o susto de ter vinte e dois quilos jogados de repente contra seu corpo. No entanto, mesmo com a cara ainda amassada pelo sono, seu sorriso não vacilou ao agradecer à nós dois com um beijo na bochecha de cada um.
– Puta merda, 32 anos. Eu estou ficando velho – ele resmungou depois que Richard havia saído para escovar os dentes. – E para piorar minha situação, encontrei um cabelo branco ontem.
– Um só? Baby, eu já vi bem mais do que isso nessa juba bagunçada.
– Duvido.
– Quer ver só?
Ajoelhei-me na cama e comecei a remexer entre suas mechas acobreadas, em busca dos primeiros fios prateados pelo tempo. Edward abraçou minha cintura e me jogou no colchão, rolando para que ficasse cuidadosamente por cima de mim e levar suas mãos para minhas costelas, fazendo cócegas.
Tentei em vão afastá-lo, usando meus braços e pernas para impedir que ele continuasse com o ataque. – Para Edward – pedi, sufocada pelas risadas. – Eu vou fazer xixi!
Em instantes, a mão que coçava a lateral da minha barriga foi para o meu rosto, afastando o cabelo que tinha ido parar ali. – Obrigado, Bella.
– Pelo quê? – perguntei, ainda sem fôlego.
Ele recostou nossas testas e a outra mão que ainda estava próximo a minha barriga, desceu mais um pouco em direção ao meu ventre. – Por ter me dado o melhor presente de aniversário de todos. Eu te amo.
Antes mesmo que eu pudesse responder, Edward tomou meus lábios nos seus numa carícia lenta. E mesmo que este não fosse tão profundo quanto eu gostaria, demonstrava toda paixão que tínhamos um pelo outro, apesar de tantos anos de relacionamento.
– Ewwww, isso é tãaaao nojento! Eca! – Richard comentou ao entrar no quarto e interromper a pequena sessão de amassos entre seu pai e eu.
Edward não vacilou e levantou-se da cama, indo na direção de nosso garoto. – Nojento, huh? Vamos ver se você vai continuar achando isso quando eu fizer você vomitar suas tripinhas!
No mesmo instante, Richie percebeu quais eram as intenções do pai e tentou fugir, correndo pelo mínimo espaço que havia no quarto. Com muita facilidade, Edward o agarrou, jogando-o sobre cama onde atacou suas axilas, fazendo com que o som da risadinha gostosa dele enchesse o ambiente.
Antes que meu filho acabasse tendo algum troço de tanto rir, decidi intervir a favor dele. Comecei a coçar a parte interna do joelho de Edward, o ponto fraco em se tratando de cócegas.
– Porra, Bella! Assim não vale! – ele resmungou, ao sentir que o feitiço virava contra o feiticeiro.
– Papai falou palavrão! – Richie resfolegou, aproveitando o momento de distração do pai para se afastar dele, ficando de pé em cima da cama.
– E se você for esperto, nunca irá repetir isso. Principalmente aqui na casa do vovô, entendido? – avisei ao me afastar de meu marido e ir sentar próxima a cabeceira.
Não demorou muito para que Edward se recuperasse e puxasse novamente o filho para o colo. – Ei amigão, você lembra que hoje é um dia muito importante para todos nós, certo? – ele perguntou a Richie, mesmo que seus olhos permanecessem sobre mim.
– Claro né, pai! Hoje é seu aniversário!
– Eu sei disso, filho. Mas não é só por conta disso, Richie. Lembra da semana passada, quando mamãe e eu te contamos sobre o novo bebê?
Sua face se franziu minimamente, para logo em seguida a expressão de reconhecimento iluminar seu rosto. – Ah é! Que vocês vão contar pra todo mundo que eu vou ganhar um irmãozinho, né? Viram que eu não falei nadinha até agora? Vou poder ganhar o Xbox novo por causa disso?
Respondi antes que Edward pudesse abrir a boca e confirmar aquele pedido absurdo. – Vamos pensar nisso, Richie. Se você continuar se comportando em casa e na escola, talvez iremos conversar sobre isso quando estivermos perto do seu aniversário.
Claro que como toda criança contrariada, ele birrou um pouco. Contudo, não se delongou muito já que Edward, sendo mais infantil do que nosso filho, trocou logo de assunto ao afirmar que o vovô Charlie ficaria roxo de raiva na hora em que disséssemos a todos que eu estava grávida de novo. E assim, ao longo das horas que em tivemos que esperar que fossemos até a casa Carlisle e Esme Cullen, Richard olhava a cada cinco minutos para o avô e sorria especulador, ansiando pelo momento em que a novidade fosse revelada.
Finalmente, a hora do almoço chegou e tivemos que nos dirigir à mansão que ficava do outro lado da cidade, escondida em um pequeno bosque entre as árvores centenárias. Apesar de já ser o início da tarde, eu não sentia nenhum pouco de fome, por conta do estômago cheio de nós.
Richie insistiu ao ir com os avôs na viatura, deixando com que Edward e eu pegássemos o carro alugado. Desta vez, ele não pensou duas vezes ao pegar as chaves e ir direto para a porta do motorista. Nem sequer me atrevi a questionar. Afinal de contas, cada quilômetro mais próximo do local, mais nervosa ficava, sem saber como revelar minha gravidez a todos.
Não que estivesse em dúvida quanto à chegada do bebê; no fundo, eu sabia que Charlie e Renée – até mesmo Carlisle e Esme, pessoas as quais meu marido considerava como pais – esperavam que nós encomendássemos no mínimo mais uma cria. Porém, não podia parar de me perguntar se eles iriam questionar minha decisão assim como Alice tinha feito. De que seria melhor que eu me dedicasse a mim mesma, antes de partir para uma nova gravidez. E se eles não entendessem que eu queria ser mãe de novo? Que meus estudos, ou seja lá o que eu precisasse fizer, poderiam esperar mais um pouco? Será que eles achariam loucura que eu estivesse me abdicando outra vez?
Meus devaneios foram interrompidos pelo riso baixo de Edward, que tirou uma das mãos no volante para dar um aperto reconfortante em minha coxa. – Vai ficar tudo bem, amor. São situações diferentes agora; nós temos mais de vinte e cinco anos, somos casados, eu tenho dinheiro suficiente para manter minha família. Não estamos fazendo nada de errado.
– Eu sei, Edward – respondi calmamente, sem virar meu rosto que olhava para a floresta úmida que nos levaria até nosso destino. – Mas eu não posso deixar de me perguntar se Charlie e Renée ficarão decepcionados porque irei adiar meus estudos de novo.
– Decepcionar? Bella, amor, eles nunca falaram nada em sete anos. Sinceramente, acho que eles nem esperam mais que você volte a estudar ou algo assim.
Aquele comentário me magoou mais do que esperava; a forma desdenhosa com que Edward tratou algo que ainda era tão importante para mim foi revoltante. – Bem, eu ainda quero isso, Edward. Nunca quis ser o tipo de mulher que vive às custas do marido.
– Essa é minha função, baby. Tudo bem que você tenha uma formação e tudo mais. Eu apoio de verdade tudo isso. Mas a obrigação é minha de sustentar vocês.
– Ah tá. E eu devo ficar em casa cuidando dos filhos, certo? Estamos no século dezoito, agora? – bufei de forma sarcástica, finalmente voltando minha face em sua direção.
No breve momento em que ele desviou o olhar da estrada, seu cenho se franziu. – Você está chorando? Merda, Bella, me desculpe.
Lógico que as lágrimas traidoras tinham que estar ali para estragar o momento. Odiava o fato de minhas emoções serem ligadas diretamente aos meus canais lacrimais. Tentei parecer indiferente quando Edward usou a mão que estava em meu colo para enxugar meu rosto, no entanto, era difícil resistir e não me inclinar sobre seu toque.
– Eu já tinha me esquecido o quanto você fica emotiva quando está grávida – ele comentou com uma risada sem humor. – Tenho que me lembrar que pelos próximos meses, a palavra final sempre será sua.
– Edward, eu estou falando sério.
– Sei que está, meu bem. Mas podemos falar sobre isso mais tarde? Já estamos quase chegando à casa dos meus tios e eu não quero que pense que estávamos brigando, ok?
Respirei fundo porque eu tinha que concordar com ele naquele ponto. Chegar com os olhos vermelhos em um almoço onde só teríamos motivos para comemorar poderia ser estranho ao extremo. Abaixei o quebra-sol do carro para averiguar os estragos que tinha feito na minha maquiagem por conta do choro.
– Tudo bem, Edward. Só que essa conversa não terminou por aqui – falei, enquanto procurava na bolsa o pó facial para consertar a bagunça que tinha feito em meu rosto.
Ele puxou levemente a ponta dos meus cabelos antes de voltar suas duas mãos para o volante. – É claro que não, linda.
O clima no carro ficou tenso. Edward ligou rádio e procurou alguma estação no intuito de preencher o silêncio estranho que havia tomado conta do carro logo após nossa discussão. Eu estava irritada não só por conta da atitude machista dele, mas também com o fato de ele menosprezar meus sentimentos, achando que minha "reação exagerada" devia-se ao fato de estar grávida.
Não demorou muito para que chegássemos à clareira onde a casa dos Cullens ficava. A fachada era a mesma de sempre; o imenso alpendre pintado de branco que tomava toda a frente do térreo e as imensas janelas no andar superior. Todas as vezes em que olhava para aquela mansão, não podia deixar de relembrar que fora ali que Edward e eu começamos nossa história; que foi ali nós nos beijamos pela primeira vez há tantos anos.
Edward parou o carro próximo à entrada e desligou motor. Ao invés de fazer algum movimento para sair do veículo, ele permaneceu no mesmo lugar. – Bella?
Virei-me para encará-lo e encontrei seus olhos verdes brilhando com arrependimento. – Eu não quis te machucar –, continuou ele, estendendo sua mão para colocar uma mecha de cabelo atrás de minha orelha. – Você é a mulher mais importante de minha vida. Então o que você faz ou deixa de fazer é de total interesse meu. Sinto muito.
Fiquei desarmada com suas palavras e tudo o que consegui fazer foi menear a cabeça em concordância. Edward me puxou para seus braços e beijou minha testa antes de me abraçar mais apertado.
– Me perdoe, amor.
– Só não faça isso de novo, ok. Me machucou, de verdade – murmurei contra seu peito.
– Eu sei. Fui um idiota. Desculpe.
Não pudemos falar mais nada porque escutei o som da viatura de Charlie parando ao nosso lado. Edward beijou meus lábios levemente antes de nos afastar e sair do carro, vindo abrir a porta do carona. Assim que saí, escutei Richie dizendo empolgado que agora queria ser policial igual ao avô. Aquilo me fez sorrir, porque aquela tinha sido a quinta vez, só nessa semana, que ele mudava de profissão.
Seguimos os cinco até a porta, onde Esme e Carlisle já nos esperavam, provavelmente tendo percebido nossa chegada logo após as exclamações empolgadas de nosso filho. Depois de todas as saudações e milhares de abraços apertados especialmente em Richie, os tios de Edward, sendo os bons anfitriões que eram, nos levaram para dentro.
Alice já estava na sala, enroscada no sofá ao lado de Jasper que tinha um amontoado de papeis sobre o colo, enquanto escrevia furiosamente algumas notas sobre eles. Quando percebeu nossa chegada, ela deu um pulo e provavelmente desorganizou todo o trabalho dele.
– Pensei que vocês não chegariam nunca! – Alice comentou, vindo me abraçar para logo depois envolver seus braços finos em volta do pescoço de Edward e pousar um beijo em sua bochecha. – Feliz aniversário, imbecil.
– Obrigada, pirralha – meu marido saudou de volta, usando o apelido de infância que ela tanto odiava.
– Agora já chega, crianças – Esme ralhou como se todos ali tivessem menos de 10 anos. – Bella, por acaso você ou seus pais aceitam um pouco de licor como aperitivo?
Neguei levemente enquanto meus pais assentiam ao pedido. Jasper, que sorria cansado com os óculos pousados na ponta do nariz fino, veio até nós e abraçou o amigo firmemente, congratulando-o por mais um ano de vida.
Sentamo-nos todos em volta da sala, enquanto Richie brincava aos nossos pés com algum novo brinquedo que o tio-avô havia lhe dado. A conversa fluiu tranquilamente até que, em certo ponto, Esme a Alice se retiraram da sala com o intuito de concluírem o almoço. Tanto Renée quanto eu as seguimos para oferecer ajuda, mas nenhuma delas deixou que fizéssemos qualquer coisa.
Por volta das 14h, o almoço foi finalmente servido. Esme havia preparado todos os pratos favoritos do sobrinho, bajulando-o ao encher seu prato a cada cinco segundos. Acho que ela fazia isso porque o via como próprio filho, já que Edward não tinha sequer os próprios pais. E era impossível não notar as semelhanças entre eles; o mesmo tom de bronze nos cabelos e o sorriso torto de lado, algo que meu marido havia herdado da mãe, Elizabeth, irmã mais nova de Esme.
Na hora da sobremesa, Carlisle foi até a cozinha e trouxe uma imensa torta de morangos com algumas velas pousadas no topo. Edward se inclinou e cochichou alguma coisa no ouvido que Richard, que sorriu e ficou de pé, pegando a faca para bater no copo, chamando a atenção de todos que estavam na mesa.
– Papai e mamãe tem uma coisa muito importante para dizer. Agora todo mundo tem que calar a boca!
– Richie! – Edward e eu ralhamos em uníssono.
– Tá desculpe, desculpe. Agora vocês já podem dizer, né?
– Dizer o quê? – Charlie perguntou, arqueando a sobrancelha
Edward limpou a garganta e seguiu o exemplo de Richie, levantando-se da mesa também. – Bem, apesar de somente hoje ser meu aniversário, meu maior presente recebi alguns dias atrás, certo, Bella?
O restante de água que eu tomava ficou preso na garganta depois que Edward citou meu nome. Comecei a tossir copiosamente, pelo fato de ser sido pega de surpresa. Ele simplesmente deu alguns tapinhas em minhas costas, deixando o momento mais constrangedor do que antes.
Alice, que assistiu tudo com um sorriso divertido, acrescentou. – Que presente foi esse, Bella ao ponto de te deixar tão vermelha desse jeito?
E eu pensando que as coisas não podiam ficar piores...
– Será que dá pra todo mundo escutar? O papai quer dizer que eu vou ganhar um irmãozinho!
Sinceramente, eu teria que agradecer muito ao meu filho depois que saíssemos daqui. O fato de ele ter deixado escapar que eu estava grávida me poupou de ter que explicar algo que eu nem saberia por onde começar. Carlisle revolveu abrir Chandon guardado em sua adega, enquanto minha mãe me enchia de perguntas relativas a minha gravidez. Alice e Jasper pareciam ter se juntado ao time de Edward, e entrado na torcida por uma menina. Enfim, todos compartilharam da mesma felicidade que meu marido e eu, ao saber que a família iria aumentar em breve.
Bem, quase todos.
Meu pai permaneceu mais quieto do que o costume. Ele respondia quando era inquirido, e abria um sorriso discreto nos momentos necessários. Em certo ponto da conversa, foi para a varanda com a desculpa de fumar um cigarro e não voltou mais. Quando questionei isso discretamente com Renee, ela simplesmente deu de ombros, dizendo que eu deveria conhecer melhor meu pai e as atitudes indiferentes dele.
Já era tarde da noite quando finalmente voltamos da casa dos Cullens. Renée resolveu acompanhar Edward na tarefa de colocar Richie na cama, enquanto Charlie murmurou algo sobre ver as semifinais do campeonato. E assim, com um tempo livre que não esperava, fui até a varanda para respirar e pensar um pouco. Sentei-me no velho balanço e comecei a admirar o céu pesado pelas nuvens roxas, que em breve, transformar-se-iam em um pesado dilúvio.
Nunca fui muito religiosa; meu pai se dizia anglicano mas nunca havia pousado os pés em uma igreja desde sempre. Já minha mãe trocava de doutrina como quem trocava de roupa. Porém, acreditava firmemente que havia um Ser Supremo, e que eu devia ser mesmo bem vista por Ele. Afinal de contas, quão poucas pessoas neste mundo tem a sorte que eu tenho? De ter uma família, esposo e filhos perfeitos e um lar seguro sob as cabeças?
Acariciei minha barriga inexistente, sabendo que ali dentro estava crescendo alguém que viria para aumentar ainda mais minha felicidade. E ali, na quietude daquela noite fria, fiz algo que a tempo não fazia; agradeci a Deus por tudo o que Ele me proporcionava.
Ainda com as mãos sobre meu ventre, terminei minha oração sussurrando baixinho, acrescentando um pedido. – A única coisa que Lhe peço, é que permita que essa criança seja tão amada quanto eu.
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