Nothing Can Get You Down
3 Capítulo Dois
Notas iniciais
Já passavam das dez horas quando finalmente chegamos ao Grant Park, no centro da cidade. E mesmo ficando próximo a vários pontos turístico de Chicago, esse lugar sempre era um pouco mais calmo do que toda aquela agitação típica entre os visitantes da terceira maior cidade do país. Apenas os próprios moradores costumavam vir visitar este local. Eu adorava esse lugar porque tinha uma vista incrível do lago Michigan, e algo como estar perto de uma vastidão de água sempre me remetia a La Push, local onde eu tinha bons amigos e boas lembranças durante a infância.
Richie pedalava devagar, um pouco mais seguro depois dos diversos minutos em que Edward lhe ensinara pacientemente a ter um pouquinho mais de confiança ao estar sobre duas rodas. Enquanto isso, eu e meu marido tínhamos a rara oportunidade de falar um pouco fora do nosso quarto, onde atualmente se resumiam a maioria de todas as conversas sérias entre nós.
– Estou pensando em vender a empresa – Edward começou do nada, mudando completamente o clima leve que estava nossa conversa anterior. – Isso nunca foi o que eu quis para nós e tampouco para o Richie. Por mais que Chicago tenha ótimas escolas e a oportunidade dele crescer em uma metrópole, eu não quero morrer de preocupação com vocês dois e acabar tendo um infarto aos 40 anos. Sem contar que você lembra, certo? Do plano? – ele perguntou, erguendo a minha mão que estava unida à dele para beijá-la.
– É claro que eu lembro. Não mudei de ideia, só acho que não é a hora ainda.
Antes mesmo de Richie nascer, Edward e eu planejávamos não continuarmos em Illinois por muito tempo. Afinal, além do pouco contato que ele tinha com sua mãe Elizabeth, a única coisa que prendia Edward aqui era o término da faculdade. Sem contar que nós dois tínhamos parentes que nos apoiavam em Washington e poderíamos morar em um local próximo às pessoas que amariam nosso filho incondicionalmente.
No entanto, quando a realidade de um bebê entrou em nossas vidas, tudo o que almejávamos teve que ser mudado. Eu acabei trancando a faculdade para cuidar de Richie e gastar o restante do meu fundo estudantil para custear as coisas para o nosso filho. Enquanto isso, Edward batalhou ainda mais no emprego, deixando de ser praticamente um estagiário para se tornar um advogado reconhecido na empresa e poder manter o pão de cada dia em nossa mesa. Isso o levou a horas longe de casa, perdendo as primeiras palavras e primeiros passos de Richard.
Lógico, como todo bom pai, ele sentia remorso por tudo isso; deixar uma recém-esposa sozinha em casa com uma criança para cuidar, sem que ela tivesse a chance de concluir seu ensino superior .
– Baby, nós já temos adiado isso por quase sete anos. Eu cansei de chegar em casa e encontrar meu filho dormindo. Cansei de trabalhar como um louco e no final sentir que não estou sendo recompensado com nada. E, principalmente, estou de saco cheio de no final das contas, acabar fazendo algo que Anthony sempre quis que eu fizesse – Edward retrucou exasperado, segurando um pouco mais forte a minha mão.
Mesmo sendo muito mais fraca que ele, forcei seu corpo a parar e fiquei a sua frente, usando minha mão livre para pousá-la em seu rosto. – Eu sei disso, amor. Eu vejo isso todos os dias em seus olhos quando você volta pra casa. – Eu lhe falei à medida que ele mantinha o olhar fixo sobre Richie.
Tudo começou cinco semanas depois do terceiro aniversário de Richard. Anthony e Elizabeth Masen estavam voltando para casa quando sofreram um trágico acidente de carro e vieram a falecer. E meu marido, mesmo com todo o ressentimento que tinha com o pai, sofreu muito com a súbita morte deles, principalmente porque Anthony estava tentando uma reaproximação com seu único filho. Um mês depois do ocorrido, o advogado de seus pais o convocou para a leitura do testamento e, neste dia, descobrimos que o Sr. e Sra. Masen tinham deixado absolutamente tudo – casas, carros e empresa – para seu único herdeiro, além de terem criado um fundo de investimento exclusivo para Richie e nossos futuros filhos.
Arrependido por não ter feito as pazes com seu pai, Edward resolveu assumir a empresa de advocacia deixada por ele. A partir disso, tudo em nossa vida mudou radicalmente; tínhamos o futuro do nosso filho garantido e nem precisávamos mais "apertar o cinto" ao final de cada mês. E assim, Edward, que já tinha se estabelecido como advogado na Lawers´Leg Inc virou administrador, o que consequentemente lhe afastou um pouco mais de Richard e eu. E com a ausência do pai, eu não quis deixar meu único filho sem a presença da mãe também, então acabei optando por ficar em casa e adiando outra vez meu sonho de concluir meus estudos.
– Por favor, Bella, apenas considere isso por um momento – Edward pediu, voltando a fitar meus olhos. – Eu não quero ser igual ao meu pai, baby. Preso, vivendo pelo trabalho e acabar sendo odiado pelo meu único filho. – Edward suspirou profundamente, nos arrastando para um dos bancos que tinham vista pro lago.
Ver que Edward depois de tantos anos, ainda tinha receio de acabar sendo alguém como Anthony, me deixava aturdida. O único fato em comum entre eles era o sangue. Anthony era egoísta e manipulador e nenhuma dessas características pertenciam a Edward. – Você nunca chegou realmente a odiar Anthony, baby. Ficou magoado, mas nunca alimentou ódio contra ele, eu sei. – Eu comentei a medida em que acariciava alguns fios em sua nuca. E tentando aliviar um pouco a tensão que emanava dele, comentei levemente. – E se eu não estiver errada, em nossos planos, Richie nunca seria filho único.
Tive a reação que eu esperava, pois ele abriu um leve sorriso torto. – Às vezes parece que você lê minha mente, Isabella. Eu definitivamente ia chegar nessa parte.
– Sério? – inquiri meio que chocada.
– Bem, comentar a venda da empresa e a mudança para Washington foi só o começo. Eu ia falar sobre o aumento da nossa prole.
Mordi meu lábio inferior, pensando na sorte – ou azar melhor dizendo, sobre ter refletido justamente sobre isso hoje de manhã. Não querendo que Edward soubesse dos meus receios à possibilidade de amar ou não outro filho ou filha dele, optei por não aprofundar o tema. – Eu não sei Edward, você sabe que eu ainda penso em terminar minha faculdade e o Richie é tão pequeno...
– Pequeno Bella? Eu quase não consigo mais carregá-lo em meus braços! Ele irá fazer 7 anos daqui a alguns meses. E pra completar, eu estou ficando velho. Quero continuar sendo pai, não avô – ele resmungou brincalhão, mas sabia que no fundo, ele queria que eu lhe desse razão.
– Trinta e dois anos não é velho.
– E quanto à faculdade Bella – ele continuou como se eu não tivesse dito absolutamente nada – você poderia estudar em Port Angeles ou até mesmo em alguma faculdade comunitária. Caramba, você poderia até mesmo fazer um curso online! – Abri a boca para retrucar, porém ele impediu continuando – Porra, eu sei que estou sendo egoísta aqui, nem sequer escutando o que você tem a dizer, mas sinceramente, você quer mesmo impedir que o Richard tenha algo como isso? – ele comentou, apontando com o queixo à sua frente.
A cena a qual ele me mostrava era de uma garotinha sendo ajudada pela mãe ao tirar um bebê que provavelmente era seu irmão de um carrinho. A menina o carregava com dificuldade, sendo vigiada de perto pela adulta, no entanto, eu quase podia ouvir a risadinha do neném. Aquela cena me encheu de uma sensação de falta que eu não sabia que tinha.
Em certo ponto, a menina se juntou ao Richard, que parou a bicicleta quando ambos se aproximaram. Ela falou alguma coisa para nosso filho, e ele passou sua mão na cabecinha careca do bebê. Em minha mente, cheguei até mesmo imaginar Richard naquela mesma cena; segurando apertado o irmãozinho enquanto eu os levava para um passeio.
Encarei Edward que não tinha parado de assistir a troca entre as crianças com um sorriso fixo o tempo todo em seus lábios perfeitos. Respirei fundo e isso chamou de volta a atenção dele. – Nós vamos pensar nisso, ok? Eu não prometo nada. Afinal de contas, essa não é uma decisão que possamos tomar de ânimo leve.
Ele abriu um sorriso aproximando sua boca da minha. – Isso é tudo o que lhe peço.
Notas finais
Ele ainda curtinhos, eu sei. Porém deu pra dá uma explicada em certas coisas que, no futuro, serão primordiais no decorrer da fic. Confiem em mim; eu garanto que os capítulos hão de aumentar de tamanho, a medida em que a trama for se aprofundando.
Bem, para não criar falsas expectativas, não vou deixar uma data para a próxima atualização, =/ Porém, se posso abusar um tiquinho da chantagem emocional, lhes garanto que quando mais recebo as opiniões de vocês, mas a inspiração flui facilmente.
Beijos
Aline
Acho que é isso. Beijos e até o próximo.
Line
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