Nothing Can Get You Down

20 Capítulo Dezenove


Notas iniciais
Olá meninas lindas!
Depois de tanto carão dizendo que não deveria fazer uma maldade e só postar no dia 10 desse próximo mês, resolvi adiantar e estoyaqui colocando no ar mais um capítulo dessa estória!
Lembrando que nada disso seria possível se não fosse a disposição de duas meninas lindas que tenho a honra de ter como beta e pre-reader. Rê e Lu, muitíssimo obrigada a vocês duas, viu?
Algumas questões que sempre rolam no meu Formsping (linelinss) serão respondidas ao longo deste capítulo, portanto olhinhos bem abertos, unhas na boca e muita atenção para o que vai rolar por aqui a partir de agora.
Ah, não poderia deixar de agradecer à Bruna S e a Luh_Rk que criaram dois banners lindos durante a promoção relâmpago que rolou para essa fic, em comemoração ao Dia Internacional da Síndrome de Down, no último dia 21/03. Obrigada de verdade meninas! Foi impossível escolher apenas uma de vocês, portanto ambas ganharam esse capítulo antes de todo mundo!
Por falar nessa data, dizer que eu fiquei mais do que feliz com todo mundo me citando lá no twittter! Fiquei extremamente viada com isso! =D
Agora chega de churumelas e vamos ao que interessa!
Boa leitura!

Era incrível o poder que certos calmantes pareciam exercer sobre um corpo extremamente estafado como o meu. Nunca fui adepta a medicamentos desse tipo, porém, depois que minha mãe me reencontrou, após a conversa com Edward, necessitei de algumas doses deles para que pudesse descansar. Sem contar que aquela crise de choro repentina, logo após ele ter ido embora do meu, poderia fazer com que minha pressão arterial voltasse a subir, consequentemente prejudicando de alguma forma a Grace.

Não demorou muito até que o efeito do tranquilizante injetado no soro em meu pulso começasse a fazer efeito e eu fosse outra vez levada para um sono tão pesado que não permitiu sequer que eu tivesse algum sonho. Dormi como há muito não dormia, de uma forma tão intensa que fez com que apenas me acordasse na manhã seguinte, tendo o quarto iluminado pelos primeiros raios de sol que conseguiam se espreitar pela brecha da cortina do leito.

Pisquei devagar e estiquei os músculos de meu corpo com cuidado, estranhando o fato de me sentir descansada, mesmo tendo dormido em uma cama de hospital. Virei meu rosto para o lado e notei Renee encolhida na pequena cadeira ao meu da cama, ressonando baixinho. Imediatamente, me senti péssima pelo fato de somente ter causado inconvenientes desde que voltei para cá, com a intensão de escapar de algo que já não suportava mais.

Escape esse que não deu muito certo para nenhum de nós dois, gerando tantos problemas ao ponto de ter seu ultimato na noite anterior, aqui neste mesmo quarto. O final de um casamento que era tido como mais que perfeito.

Por mais mordaz que isso fosse, a minha decisão foi tomada justamente na véspera da data que para muitos, tinha a ideia de renovação e renascimento; o Natal. Contudo, o dia 25 de Dezembro fosse muito mais lembrado por causa do desejo de se estar próximo aos seus entes mais queridos, demonstrando o amor verdadeiro por cada um deles.

Acho que não poderia ter escolhido um momento mais irônico.

Para completar, aquela era a primeira manhã de Natal em bastante tempo que não fui acordada por gritos empolgados de um menino que acabara de encontrar seus presentes sob a árvore. Na verdade, a culpa me consumiu mais um pouco quando percebi que meu filho acordaria hoje e não acharia absolutamente nada para ele, uma vez que seu presente ainda se encontrava dentro de minha bolsa, jogada em algum lugar de meu antigo quarto.

Ou talvez, ainda houvesse tempo suficiente para que não estragasse a magia natalina para Richard, afinal o dia mal começara. Quem sabe, eu poderia ligar para Charlie e pedir-lhe para que ele fizesse mais esse favor para mim. Se meu pai fosse rápido, ainda haveria a chance de Richie encontrar o pequeno carrinho que comprei dois dias atrás. Seria mais fácil para mim justificar para meu filho o ganho de algo bem simples do que lhe contar os motivos que Papai Noel tinha para ter se esquecido dele

Estiquei meu braço com o intuito de puxar o celular pousado na mesinha do lado, contudo minha natural falta de jeito fez com que acabasse derrubando o aparelho no chão. O barulho da queda fez com que minha mãe se acordasse alerta, olhando imediatamente em minha direção.

- Desculpa. Eu só estava tentando falar com o Charlie – retruquei capengamente.

- Você precisa de alguma coisa, querida? – ela inquiriu a medida que se abaixava e recolhia a bateria e o telefones caídos bem perto da cama.

- É que o presente de Natal do Richie está dentro de minha bolsa. – balbuciei apressadamente. – Eu devia ter avisado sobre isso antes e agora não sei se teremos tempo de coloca-lo debaixo da árvore, antes que o meu filho acorde.

Renee fez um gesto com as mãos, como se isso não fosse tão importante – Não se preocupe. Alice já tinha me avisado sobre seu carrinho e eu já pedi para que seu pai o colocasse no lugar, ao lado das outras coisas que compramos para o nosso neto.

- Como assim, Alice avisou? – Inquiri desconfiada.

As sobrancelhas da minha mãe se franziram enquanto ela respondia – Sim, ontem mesmo quando veio até aqui no final da noite. Você já estava dormindo, por isso não a viu chegar.

Eu me sentia ainda mais confusa como aquilo tudo – E como diabos ela sabia sobre o meu presente? Eu não lhe contei nada!

Ela deu de ombros – Talvez ela tenha visto no dia em que você comprou, ou então ela tenha espiado sua bolsa durante a tarde que vocês passaram juntas. Você conhece sua amiga, Bells; as vezes é como se ela pudesse prever o futuro ou algo assim...

Apesar de intrigada, resolvi deixar isso de lado já que a coisa mais importante para mim tinha sido feita; mesmo que meu menino despertasse na manhã de Natal em uma casa que não fosse a sua, ele encontraria seus merecidos presentes. – Obrigada por isso, mãe. – agradeci verdadeiramente.

Ela apenas sorriu em resposta e olhou de relance para o relógio em seu pulso – Bem, a enfermeira responsável por este turno me pediu para ser avisada assim que você acordasse. Tenho a leve impressão que teremos alta em breve.

- Tomara que você tenha razão. Tudo o que mais quero agora é abraçar meu pequeno e tomar um bom banho.

Ela sorriu, afagando minha mão – Você está sentindo alguma coisa?

- Só um pouco de fome – e na sugestão, meu estômago fez um ruído audível, me deixando constrangida.

- Isso é ótimo! – Renee comentou, usando sua típica empolgação espontaneamente exagerada – Vou aproveitar e pedir para lhe trazerem seu café da manhã. Se tudo sair como o planejado, Charlie e Richie estarão chegando por aqui muito em breve para nos buscar.

Suspirei profundamente, recostando de volta minha cabeça contra o travesseiro – Tomara que você tenha razão.

- Eu volto logo. – sibilou antes de me entregar meu celular remontado e sair apressadamente daqui do quarto.

Assim que a porta foi fechada por ela, olhei para o aparelho em busca de algo muito além da pequena fissura que havia aparecido no visor devido a queda. Uma parte de mim se sentia triste por notar que Edward não ligara e nem deixara nenhuma mensagem de texto, enquanto a outra se sentia aliviada por ele desta vez está respeitando a minha decisão. Estava agindo como uma estúpida por causa disso, embora não podia evitar a confusão de sentimentos que tinha em relação a ele.

Entretanto, era impossível não ficar tocada depois de vê-lo com lágrimas nos olhos quando eu lhe disse que eu queria o divórcio. A forma como ele me abraçou, como se aquela fosse à última vez que faríamos isso era suficiente para que meu coração se encolhesse dentro do peito e minha mente se enchesse de incertezas. Ora me sentia radical demais, ora achava que tinha motivos mais do que suficientes para ter agido da forma que agi.

E para completar, ele tinha deixado a impressão de que de fato estava preocupado com nossa filha. Mencionando-a pelo nome, colocando suas mãos sobre o meu ventre na hora em que me alterei, pedindo para que eu me acalmasse por conta dela... Seria possível que ele estivesse criando algum sentimento por Grace?

Queria acreditar nesta hipótese, contudo a presença dela em nossas vidas foi o estopim para que as desavenças entre nós dois se iniciassem de vez. A minha parte mais racional, que conhecia Edward há tanto tempo não acreditava que ele tivesse adquirido qualquer espécie de sentimento em relação a ela. Mas ao mesmo tempo, já tinha visto pessoalmente o quanto uma criança especial pode mudar seus conceitos, quando se tem a chance de se passar poucos minutos ao lado delas.

Todas essas questões só me deixavam mais confusas, apenas de nada faria com que eu mudasse de ideia. Não existia mais volta para nós dois.

Claro que ainda existia um sentimento dentro de mim muito forte em relação a Edward. Não tinha dúvidas que ainda o amava, porém nosso casamento tinha chegado ao ponto que não só o amor seria suficiente. Também não queria colocar toda a parcela de culpa para o nosso fim sobre ele, afinal eu também cometi os meus erros. Contudo, as divergências e brigas constantes fizeram com que eu escolhesse esse destino e tudo o que poderia fazer a partir de então era torcer para que não estivesse cometendo um erro.

Não demorou muito para que minha mãe voltasse ao quarto, porém ao invés de trazer a enfermeira à tiracolo, veio acompanhada do velho Dr. Gerandy , médico que me atendeu diversas vezes nessa mesma emergência. Ele brincou comigo ao dizer que certos hábitos nunca mudam ao mesmo tempo em que via meu prontuário.

Depois de muito ler, ele finalmente abaixou a pasta, colocando-a no suporte ao pé da cama e perguntou – Como está se sentido?

- Bem melhor, doutor. – respondi prontamente.

- Alguma visão turva, dificuldade de respirar ou taquicardia?

Limitei-me a balançar a cabeça negativamente e ele me lançou um pequeno sorriso em resposta. – Então não tenho mais motivos para mantê-la aqui neste dia. Vá para casa, descanse um pouco mais e tente não se alterar muito durante as semanas que virão daqui para frente certo, mocinha?

Eu ri, e por um breve momento me senti outra vez aquela garota de dez anos que adorava fazer estripulias. – Sim, Dr Gerandy e muito obrigada por isso.

No momento que ele saiu do quarto, o meu café da manhã chegou. Um copo de leite desnatado, torradas sem sal algum e um pouco de geleia de mirtilo. Apesar de não ser o cardápio digno de um desjejum natalino, minha fome era tamanha que comecei a devorar tudo naquele mesmo instante. Grace pareceu ficar tão satisfeita quanto eu, e com pouquíssimo tempo, começou a se movimentar lentamente, quase como se ela mesma estivesse se alimentando também.

Minha mãe, que já estava observando minha barriga, sorriu ao notar o quanto ela se mexia dentro de mim. Apesar de ter engordado um pouco mais do que minha gravidez anterior, era perceptível para qualquer pessoa notar o quanto minha menina gostava de se mexer.

- Ela deve está feliz por saber que a mãe dela já está melhor. – Renee comentou, esfregando a lateral da barriga, onde notavam-se os seus chutinhos.

- Você já ligou para o papai? – inquiri, antes de mastigar outro pedaço da torrada.

Assentindo, ela completou. – Ele já está vindo até aqui. Acredito que assim que você terminar de comer e trocar de roupa, ele já terá chegado.

Conversamos sobre amenidades até que eu terminasse o desjejum. Depois disto, ela me ajudou a me levantar da cama e me entregou uma muda de roupas limpas e minha nécessaire. Senti-me renovada só com o fato de finalmente poder retirar aquela bata hospitalar terrível e segui até o pequeno banheiro anexo ao quarto. Depois de limpar o rosto e escovar bem os dentes, entrei debaixo do chuveiro e me deixei ser relaxada pela sensação da água quente desfazendo os nódulos de minhas costas. Era uma sensação calmante mas que ao mesmo tempo me revigorava, desencadeando mais entusiasmo para enfrentar a vida de agora em diante.

Quando já estava me enxaguando, escutei a voz animada de Richie perguntando sobre mim. Sorri para a sua impaciência e me apressei em terminar o banho, apenas para que pudesse ver o quanto antes o rostinho dele. Troquei de roupa ao som das perguntas que meus pais faziam, com o intuito de distrair o garoto impaciente do outro lado da porta, e não pude deixar de sorrir com as respostas evasivas que Richard dava para eles. Sua pressa para me ver o quanto antes, só fazia com que meu peito se inchasse ainda de amor por ele.

Mal abri a porta do toalete e minhas pernas já foram agarradas por seus braços – Mamãe!

- Oi, filhote – respondi, afagando seu cabelo espesso – Como você passou a noite? Se comportou direitinho?

Ele balançou a cabeça afirmativamente ao me fitar – Adivinha, mãe? O Papai Noel conseguiu me achar aqui na casa do vovô! E me trouxe um montão de presentes!

- Sério? – comentei, fingindo surpresa e olhando de relance para os meus pais, que assistiam a cena com expressões complacentes – Então eu acho que você foi mesmo um menino muito bonzinho este ano, não?

- É, mas só que ele se esqueceu de uma coisa. – ele murmurou com a sobrancelha franzida.

No mesmo instante me preocupei, pois tinha certeza de que não conseguiria ter uma explicação plausível pela ausência do videogame que ele tanto queria – O que foi, docinho?

- Eu não vi nenhum presente debaixo da árvore para Grace... Por que ele se esqueceu dela?

Ninguém dentro daquele quarto conseguiu segurar o riso depois desta pergunta de meu filho, para a completa frustração dele. Ele cruzou os braços sobre o peito indignado, o que só me deu mais vontade de rir, tamanho a sua fofura.

Meu pai foi o primeiro a se conter e explicar-lhe – A sua irmãzinha ainda não nasceu, campeão. O bom velhinho só irá trazer presentes para ela quando ela estiver aqui com a gente.

- Ah. – Richard murmurou e depois voltou a me fitar – Mas eu pensei que você tivesse aqui porque ia tirar ela da sua barriga hoje!

- Não, não, Richie. Ela ainda vai ficar mais um tempinho aqui comigo. – comentei alisando a expansão de meu ventre.

Os olhos deles se arregalaram, surpresos – Então a Grace ainda vai ficar mais grande aí dentro de você?

- Sim, filho. E o certo é maior, não mais grande.

- Bem, que tal irmos para casa? – meu pai anunciou, se levantando da cadeira onde Renee dormira e pegando Richard em seu colo. – Agora com sua mãe e vovó em casa, nós vamos poder comer aqueles biscoitos de manteiga de amendoim que elas esconderam.

Meu filho olhou ente nós duas antes de questionar – Verdade?

Meneei a cabeça afirmativamente, contudo o deixei de sobreaviso – Mas nada de comer muito, entendido?

- Eba!

Após assinar toda papelada burocrática, nós fomos até o estacionamento coberto de gelo, onde encontramos o pequeno carro de meu pai. Enfurnamo-nos ali dentro e ligamos o aquecedor no máximo, uma vez que a temperatura nesta manhã era congelante. Durante o trajeto para casa, Richie encheu o silêncio, relatando cara pequeno presente que recebera hoje, assim que acordou. Apenas com a descrição dele, pude perceber que Renee e Charlie haviam exagerado nos mimos, e não pude deixar de me sentir ainda mais em dívida por aquele casal. Por mais que dissessem que isto não era nada, os dois não nadavam em dinheiro para que pudessem gastar tanto com presentes para o meu filho. Poderia ser bobo, mas não me sentia absolutamente confortável com algo desse tipo.

Assim que entramos na rua da casa deles, eu percebi o Mercedes preto estacionado em uma das entradas da garagem. Pensei que pudesse ser Alice, querendo saber se de fato eu me sentia melhor, no entanto, qual foi a minha surpresa ao notar o brilho dos cabelos acobreados refletidos sobre o tímido sol que insistiam em aparecer, apesar de todo o frio.

Meu coração imediatamente ficou acelerado ao mesmo tempo em que Richie aumentava o sorriso em sua face, ao notar que era o seu pai ali sentado nos degraus de acesso da varanda. Antes mesmo que meu pai estacionasse por completo, ele já havia retirado o cinto de segurança e abrido a porta do veiculo, seguindo em disparada em direção a Edward.

Eu não esperava vê-lo ali tão cedo. De certo modo, a parte mais doentia de mim estava feliz por saber que ele tinha vindo até aqui. Por outro lado, eu temia sobre quais eram os motivos que o levaram a vir nos encontrar aqui. Ele teria mudado de ideia? Decidira dizer a Richie sobre nossa separação? Ou talvez estivesse aqui para mais um embate, mesmo sabendo que não poderia me dispor a algo como isso?

- Eu vou matar esse desgraçado – o meu pai sibilou, para meu completo desespero.

- Não, Charlie – Renee disse friamente, como poucas vezes havia visto. – Ele é o pai dos seus netos, portanto trate de ficar exatamente aqui onde está.

Os bigodes deles tremeram quando tentou consternar – Esse filho da p...

-Quieto Charles! – ela disse autoritária, usando o verdadeiro nome dele. – Você não vai fazer mais nada, entendeu?

- Mas..

- Não diga mais nada, Charlie. Bella acabou de sair do hospital e você não precisa ficar falando mais besteira apenas para deixa-la ainda mais nervosa! Sem contar que você gostando ou não, Edward tem direito a ver o Richard. É manhã de Natal, pelo amor de Deus!

Ele bufou, embora não falou mais nada após esse sermão de minha mãe. Após algum tempo de completo silêncio dentro do carro, Renee que parecia ser a pessoa mais sensata ali dentro finalmente respirou fundo e virou-se do banco do carona para me fitar. – Bella, você pode ir lá falar com ele ou prefere que eu lide com isso?

- A-acho que posso resolver isso – balbuciei estupidamente.

- Tem certeza? – inquiriu com insistência – Se você preferir eu mesma posso ir lá e pedi para que ele venha aqui outra hora.

Mordi meu lábio inferior e olhei para a cena que se passava no alpendre de minha casa de infância. Richie agora estava no colo de seu pai, gesticulando entusiasmado a medida que conversa com Edward, que mantinha um leve sorriso em seus lábios. Contudo, mesmo de longe eu podia notar que não existia tanto brilho em seus olhos como das outras vezes que o fira conversando com o nosso filho.

- E então, Bella? Você vai até ou prefere que eu resolva isso do meu jeito? – Charlie insistiu.

- Não precisa, pai. Eu vou até lá – tomei coragem de abrir a porta do carro, mas antes de sair dele, acrescentei – Só esperem aqui um momento. Vou mandar o Richie de volta até aqui e se possível, levem-no até algum lugar onde ele não me possa ver conversando com Edward.

- Isabella, eu não vou deixar você sozinha de novo com esse homem! – Charlie bradou.

Por outro lado, minha mãe contrariou. – Se você prometer que não irá se alterar de novo, nós podemos fazer isso, querida.

- Isso é loucura, mulher! Você viu o quanto ele pode atormentar a Bella e..

- Nós já conversamos ontem no hospital, pai. – disse com certa resignação – Agradeço sua preocupação, mas isso é somente entre eu e ele.

Renee assentiu – Nós não iremos muito longe. Assim que terminar, ligue-nos que voltaremos o quanto antes.

Agradeci-lhes e finalmente sai do carro. O vento frio soprava insistentemente em direção a floresta e eu tive que me encolher dentro do agasalho que Renee escolhera para mim. Cruzei os braços sobre o peito e caminhei devagar na direção deles, que ainda estavam alheios a minha aproximação. Aos poucos pude entender o tema da conversa, que se concentrava nos presentes que meu filho havia adquirido nesta manhã. Em certo ponto, escutei-o se queixando de não ter ganhado o que mais queria, contudo isto não o deixava menos agradecido.

Somente quando fiquei a alguns metros de distância dos degraus da entrada, foi que ambos notaram a minha presença. Richie abriu um amplo sorriso, exatamente da forma que gostaria que ele tivesse nessa manhã de Natal.

– Mamãe, o papai veio ver a gente! – ele comentou empolgado, sem sair de seu lugar no colo de Edward.

– Eu estou vendo, filhote. – retruquei em troca e observei Edward. – Como você está?

Edward passou a mão pelo rosto e eu notei que seu rosto estava mais inchado do que o dia anterior. – Estou bem, obrigado. E você?

Dei de ombros – Melhor, eu acho. Bem, se a minha pressão voltou ao normal, acredito que não haja mais problemas.

Ele pareceu querer dizer alguma coisa, contudo Richie o interrompeu – Pai, você vai ficar aqui, né? A vovó Swan fez cookies de chocolate pra gente!

Invés de responder de pronto, ele olhou para mim de forma dúbia e resolvi intervir antes que a situação se complicasse mais ainda. – Richie, baby, Eu preciso falar com o papai agora. Será que você poderia ir com o vovô no mercado enquanto nós conversamos?

- E porque eu não posso ficar? – ele questionou, cruzando os braços sobre o peito.

- E conversa de adultos, carinha. – Edward disse, com a intenção de dissipar a birra, antes que ela se iniciasse – Coisa chata de gente velha.

Nosso filho fez uma careta mal-humorada, mas para meu alivio acabou acatando a nossa decisão. — Mas você vai tá aqui quando eu voltar, né?

De pronto, Edward me fitou com olhos suplicantes e eu quis sufocá-lo por me deixar nessa situação. Por mais que isso machucasse meu menino, precisava-lhe dizer a verdade — O papai precisa ir embora logo, Richie. — disse, apesar de me sentir péssima por isso — Talvez ele não esteja mais por aqui quando você retornar.

A decepção começou a se transformar em raiva. — Por quê?

- Eu tenho que voltar para Chicago, Richard — Edward interviu, tendo de volta a atenção dele — Preciso resolver mais umas coisas no trabalho.

- Mas é Natal! — Richie contestou, como se este motivo fosse mais que suficiente para que fizesse seu pai ficar ao seu lado. E talvez, meu filho tivesse mesmo razão.

Edward suspirou profundamente e acarinhou os cabelos do pequeno — Eu sei, filho. Mas eu prometo que assim que você e a mamãe voltarem para casa, nós ficaremos o tempo todo juntos, está bem?

- Promete?

Edward sorriu, mas estava explícito que o gesto não atingia seu olhar — É claro, filho.

Os dois se abraçaram longamente e eu desviei o olhar da cena ao notar a expressão de dor que Edward tinha na face ao fazer aquilo. Os dois se amavam demais e sentia-me como se tivesse os impedindo propositalmente de permanecerem juntos por mais tempo.

- Eu te amo, Richie — ele murmurou com a voz embargada.

- Eu também te amo, papai — nosso filho retrucou de volta contra o ombro dele.

Depois disso, eles se soltaram e Edward disse, tentando parecer animado mas falhando miseravelmente, — Agora vá, garotão. Aproveite que sua mãe não está com você e compre uns bombons escondido, ok? — sussurrou audivelmente e não consegui esconder um leve sorriso.

Richie assentiu e pulou do colo dele, dando adeus e partindo em direção ao carro de meus pais. Vez ou outra. ele se voltava para nós, olhando por cima de seu ombro enquanto ambos permanecíamos com expressões inalteradas, forçando os lábios a sorrir apesar de tudo. Quando ele por fim entrou no veículo e nos deu um último aceno antes de partir, pude enfim sentir a tensão que rodeava a mim e a meu marido.

O silêncio permaneceu nos rodeando, mesmo quando o velho carro do meu pai já tinha abandonado a rua. Apenas o sibilar do vento frio interrompia a quietude que nos cercava, na medida em que pensava de que maneira iria começar essa conversa.

Contudo, Edward foi o primeiro a falar alguma coisa — Você não quer entrar? Está bastante frio aqui fora.

- Estou bem aqui. — respondi, me sentando ao seu lado no degrau de entrada, porém, com uma distância suficientemente segura de seu corpo — Acho que passei tempo demais em um ambiente fechado e agora estou precisando de um pouco de ar fresco.

- Sobre isso, Bella, eu não pensei que minha reação idiota pudesse te deixar tão mal assim. Sério, se eu soubesse que...

- Tudo bem, Edward, — disse, erguendo minhas mãos, — o pior já passou. A bebê e eu estamos sãs e salvas.

- Porque você não me disse que está com pré-eclâmpsia, Bella? — ele retrucou em um tom severo.

Dei de ombros, indiferente — Bem, não é como se você tivesse o maior interesse do mundo por esse bebê. — murmurei acidamente

Ele balançou a cabeça — Eu sempre me preocupo com você, Bella.

- Mesmo? Porque a Grace é uma parte de mim e você, em momento algum, demonstrou qualquer tipo de sentimento por ela

Depois que disparei esta acusação, ele nem sequer ousou a revidar, pois sabia que de alguma forma eu estava certa. Mais uma vez o silêncio voltou a reinar e aproveitei o momento para respirar fundo, me concentrando na fumaça fria que saia por meus lábios em busca de calma. Precisava manter em mente que a minha tranquilidade estabelecia a segurança de minha bebê, que já havia sofrido demais por conta de nossos erros.

- Ontem a noite, quando eu sai do hospital, a Esme veio falar comigo. — ele comentou de repente.

Aquilo fez com que minha atenção se voltasse para ele outra vez — Ela te contou sobre o Joseph?

Ele meneou a cabeça em consentimento — Eu sabia que minha tia tinha tido outro filho, mas eu nunca pensei que ele pudesse... você sabe.

- Ter Síndrome de Down? E tão difícil assim para você dizer essas simples palavras?

Ele passou a mão nos cabelos, demonstrando desconforto. — Isso não é fácil para mim, Bella. Eu não tive tanto tempo para me acostumar ainda com essa ideia.

- Não teve tempo? — indaguei sarcástica — Pelo que me lembre, você descobriu que nosso bebê seria diferente no mesmo dia que eu.

- Não é assim, Bella...

- E como é, Edward? — questionei, alterando meu tom de voz — Sinceramente, me dê apenas um motivo que justifique todo esse ódio que você sente por nossa filha!

- Eu não a odeio! — ele revidou, aumentando sua voz.

Eu bufei, cética. — Não? E o que é, então? Desprezo, raiva? Ou seria indiferença talvez?

- Simplesmente não sei, Bella. — ele retrucou, agora cabisbaixo — Tudo o que eu mais desejava era ter uma filha. Você sabe o quanto eu sempre quis isso, baby, só que eu não estava preparado para que ela fosse desse jeito.

Fiz menção a interrompê-lo outra vez, contudo ele não permitiu — Eu sei que você também não estava, Bella. Mas você sempre foi mil vezes mais forte do que eu e soube aceitar a bem situação. Mas para mim, ainda é golpe duro saber que ela será doente e que nada posso fazer contra isso.

- Será que você nunca irá compreender que a Grace não é doente, Edward? — murmurei, sentindo meu coração se apertar com todo o preconceito que vinha através das palavras dele — Ela é apenasdiferente e não tem uma sentença de morte só porque é Down.

Ele não comentou nada do que eu disse e continuou com seu próprio argumento — Acho que o pior de tudo é ter descoberto depois de ontem, que eu mesmo tenho certa culpa?

Meu cenho se franziu — Como assim?

- Bem, o Joseph era me primo, não? Isso só explica que deve haver alguma coisa errada nos genes de minha família.

- Você só pode estar brincando! — declarei, sentindo o sangue ferver sob minhas veias.

Porém, ele não esboçou reação alguma sobre minhas palavras e continuou a encarar a neve acumulada na grama ao redor da casa enquanto falava — Deve ter algo a ver, Bella. Se for algo genético e se já existe um histórico na minha família...

- Como você pode ser tão obtuso, Edward? — vociferei com bastante frustração — É o cúmulo que você pense dessa forma tão estúpida! Ou pior; que esteja se preocupando em saber quem é o culpado de algo que, com certeza absoluta, foi mero acaso!

Ele nada disse. Apenas continuou a fitar o chão, como se pudesse achar alguma resposta para tudo ali.

Tomei uma respiração profunda e murmurei mais baixo — São por conta desses seus pensamentos tão absurdos que não consigo mais ver nós dois juntos.

Essas palavras fizeram imediatamente que ele levantasse os olhos para mim — Sobre isso, Bella, você tem que entender que nós não podemos terminar desse jeito.

- Como não, Edward? — comentei, me sentindo extremamente cansada, mesmo que não tivéssemos sequer iniciado a discutir sobre isso — Você acha sinceramente que eu posso ficar ao lado de um homem que sempre vai achar que nossa filha é um erro? Que não deveria ter existido?

- Bella, eu posso mudar — exprimiu veementemente, tomando minhas mãos nas suas e entrelaçando nossos dedos — Fui um tolo que só se deu conta da merda que estava fazendo depois de ontem a noite. Não posso viver sem a melhor coisa que existe em minha vida, Bella. Não posso viver sem você.

Por mais que quisesse, não consegui desviar meus olhos das orbes aflitas que me encararam de volta. — Você me machucou demais, Edward. — foi tudo o que consegui sibilar.

- Eu sei, e eu vou passar a vida toda me redimindo por isso, se você me permitir. — murmurou, soltando uma das mãos para acariciar o meus rosto — Só que estar em um mundo onde eu não tenha mais você ao meu lado... é inconcebível para mim, baby. Por isso eu faço qualquer coisa, desisto de tudo apenas para não perder você.

Por mais que suas palavras e seus carinhos me afetassem, a mágoa e o rancor por tudo o que ele fez ainda corroía como ácido dentro de mim. Eu havia chegado ao meu limite e que não tinha condição alguma de esquecer tudo o que se passou nos últimos meses. Era uma mistura amarga de teimosia, orgulho e amor-próprio que não me permitiria voltar atrás do que havia dito ontem no início da noite.

Eu nada respondi. Simplesmente levei uma de minhas mãos até o meu rosto e impedi com que ele continuasse com suas caricias sobre a minha face. Com cuidado, retirei meu anel de noivado e a fina aliança que ele havia comprado para nós, na mesma noite em que nos casamos em uma das pequenas capelas drive-thru em Las Vegas. Coloquei-os sobre a palma estendida dele, tentando não aparentar que ali também entregava uma parte de meu coração.

- Por favor, Bella. — ele suplicou com a voz embargada. — Se não por nós, pelo menos faça isso pelo Richie.

- É justamente nele em que penso ao fazer isso, Edward. — murmurei em resposta — Ele não merece viver com pais que já nem se respeitam mais. E quanto antes Richie souber sobre o divórcio, mais fácil será para ele compreender.

Ele passou a mão em sua bochecha, provavelmente querendo esconder que estava chorando apesar de que eu consegui perceber isto — Ele vai sofrer quando souber.

- Eu sei. E é por isso que eu quero que você esteja ao meu lado quando chegar a hora de contar. Para que ele saiba que apesar de estamos separados, ele não vai perder os pais dele.

- Eu estraguei tudo, não foi? — ele perguntou, agora me fitando e mostrando livremente os traços salgados que escorriam livremente pelo seu rosto.

Limpei minha garganta antes de conseguir continuar a falar — Nós dois erramos. Não existe apenas um culpado aqui. Mas agora, invés de ficar nos apegando a isso é melhor pensar em como vamos viver daqui para a frente.

Ele murmurou, com o tom um tanto que amargurado — Parece que pra você tudo é tão simples.

- Mas não é, pelo contrário: será muito mais complicado para mim. Eu estou grávida, sem trabalho e tecnicamente nem mesmo um teto para morar, já que a casa em que eu vivo é sua.

- E quem disse que você sairá de lá? — ele perguntou, agora verdadeiramente irritado — O que é meu ainda é seu. Se alguém sairá daquela casa, essa pessoa sou eu! Posso ser estúpido, idiota mas de forma alguma seria canalha a ponto de deixar meus filhos e a mãe deles sem um teto sobre suas cabeças.

Balancei minha cabeça veementemente — Era a casa dos seus pais, Edward. Sem contar que ainda temos o apartamento que morávamos antes de seus pais falecerem, no Riverside. Eu me sintiria melhor se... –

- Sem chances, Bella. — ele me cortou brutamente — Não vou deixar que você, no final da gestação se mude para um lugar longe de tudo além de ser extremamente violento. E se acontecer alguma coisa? Se no meio da noite você ou o Richie precisarem sair? Esqueça essa ideia.

- Bem, você fala como se nosso bairro fosse perto de tudo em Chicago. — retruquei mal-humorada.

- Pelo menos não há perigo de que você o Richie levem uma bala perdida!

Bufei em frustração, levando minhas mãos até as têmporas, massageando-as em cansaço — Nós poderíamos discutir isso quando voltarmos para Illinois? Eu não quero pensar nisso por enquanto; está me dando dor de cabeça.

Escutei-o suspirar profundamente antes de dizer — Tudo bem — percebi seu movimentos, se levantando e vindo se agachar aqui na minha frente. Senti seus dedos sobre o meu queixo, forçando-o delicadamente que eu o encarasse. — Mas antes de qualquer coisa, quero que você saiba que eu não vou desistir assim tão fácil de você. Eu vou te reconquistar, Bella. Nem que seja a última coisa que eu faça na vida.

Tremi involuntariamente diante de suas palavras, sem saber ao certo como agir diante de sua promessa. parte de mim criava esperanças de que talvez pudesse existir alguma chance em nosso casamento. Por outro lado, temia em acabar apenas me iludindo ainda mais, ansiando por falsas expectativas que só me magoariam ainda mais no final.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisas sobre isso, ele se levantou com agilidade e me ofereceu sua mão para que eu fizesse o mesmo. — Eu preciso ir.

- Não quer ficar e esperar que o Richie volte? Acho que ele não deve demorar muito — comentei, enquanto me erguia com certa dificuldade, mesmo com o apoio dele.

- É melhor não. Acho que já criei conflitos demais para um mesmo feriado. — ele murmurou e forçou um sorriso. — Sem contar que a última coisa que eu quero é acabar apanhando do Charlie de novo.

- Tudo bem, mas lembre-se de ligar mais tarde para ele, ok?

Ele assentiu e retirou algo do bolso interno do sobretudo que usava e estendeu para mim. Era o meu porta-cartões de crédito, que havia deixado propositalmente em cima da escrivaninha de seu escritório em casa.

Minha primeira reação foi empurrar de volta aquilo na direção dele — Eu não preciso disso!

- Bella, — ele suspirou cansado. — não seja tão orgulhosa. Sem contar que parte de isso aqui é seu também, afinal, se não fosse por você eu nunca estaria onde estou hoje.

Bufei, cruzando os braços infantilmente sobre o peito — Ah é? E porque então você fez tanta questão de dizer que eu estava gastando seu precioso dinheiro com a minha filha?

Edward trocou o peso dos pés, e eu percebi um breve sinal de embaraço sobre ele — Porque até aquele dia, eu ainda acreditava de que você poderia desistir dessa menina. Só que então, quando eu voltei para casa e não encontrei você, foi que percebi o quanto você já a ama. Que nada mais faria com que você desistisse dela.

- Pois é. O fato da Grace ter Down ou não é um mero detalhe para mim. — comentei, sentindo me vitoriosa diante dele, que permanecia amuado — Isso não faz com que meus sentimentos por ela sejam diferentes de como seriam por uma menina que fosse completamente normal. É uma pena que você já tenha dado a entender que não consegue mudar de opinião.

- Vou me redimir de todos os meus erros, inclusive aos que eu fiz a essa criança. — ele afirmou com convicção — Só não posso prometer que um dia eu chegarei a ama-la, como eu amo o Richie.

Lógico que estas palavras me machucavam, contudo agindo de forma tão fria quando o ar que nos cercava e disparei. — Se esta é a sua forma de pensar sobre ela, também devo te dizer que não sei se posso amar alguém que não aceite a própria filha.

- Desculpe por isso, Bella, mas está é a maneira como eu me sinto agora. E por favor, fique com isso. — pediu, empurrando meus cartões de volta em minhas mãos — Perdoe-me por ter falado aquilo no outro dia, afinal eu tenho que reconhecer que você é muito mais centrada em reação as nossas economias do que eu mesmo.

Encarei o couro claro da carteira fazendo uma careta, não achando correto aceitar outra vez um dinheiro que não tenha sido devido aos meus próprios esforços — Talvez seja melhor não, Edward.

- Então mantenha isso só por precaução, para se acaso ocorrer algum imprevisto. Lembre-se que você está em outro estado com uma criança. Quanto mais precavida você estiver, mas tranquilo eu ficarei lá em Chicago.

Com um suspiro resignado, aceitei de volta os cartões mesmo que a contragosto. — Tudo bem, satisfeito agora?

- Muito. — Edward disse com um leve sorriso.

Outra vez ficamos sem nada a dizer, sabendo que havia chegado o momento de ele ir embora. Mordi meu lábio, tentando pensar em alguma coisa para falar, contudo sabia que se permanecêssemos por mais tempo por ali, acabaríamos congelando tamanho o frio desta manhã.

Entretanto, antes que pudesse falar qualquer coisa e para minha completa surpresa, ele se inclinou, deixando que seus lábios gélidos se recostassem sobre a minha testa. — E espero que você consiga ter um feliz Natal, Bella. — sibilou, fazendo com que sua respiração formigasse por toda a minha face.

- E-eu... te desejo o mesmo. — disse em voz baixa, fechando minhas mãos em punhos ao tentar reter em mim a súbita vontade de toca-lo, apesar de ao mesmo tempo querer sufoca-lo por conta de seu preconceito.

Ao se afastar, ele esboçou um pequeno sorriso e afastou algumas mechas de minha franja crescida, pondo-a atrás da orelha. — É melhor você entrar. Está frio demais aqui fora para vocês duas. — murmurou ao fitar minha barriga.

Assenti, fechando a parte desabotoada do agasalho que vestia. — Tudo bem. Vou esperar todos voltarem lá dentro.

Vacilante, ele deu um passo para trás, mas sem deixar de me olhar — Cuide-se, Bella.

- Você também, Edward.

Depois disso, ele começou a caminhar lentamente para o Mercedes estacionado mais a frente. Permaneci ali o olhando até que ele acenasse uma ultima vez e entrasse no veículo, ligando o motor e partindo. Continuei ali fora até não conseguir mais avistar o carro preto, sentindo-me ao mesmo tempo aliviada e triste com aquilo e me perguntando quando enfim, essa montanha-russa de emoções que era minha vida teria um fim.

[...]

O resto da ultima semana do ano se passou como um borrão. Entre os passeios com Renee e Alice e as conversas com Esme sobre os cuidados de se ter um bebê especial, logo estávamos na antevéspera do Ano-Novo e com minhas passagens de voltas compradas para daqui a três dias.

Durante esse período, arrisquei-me a ir outras vezes até à Nothing Can Get You Down e aproveitei para interagir mais com as crianças dali do que fiz naquele primeiro momento. Senti um prazer revigorante ao entrar em uma loja de brinquedos com o meu filho e comprarmos uma boa quantia de dinheiro em presentes para todas aquelas crianças especiais usando um dos cartões de crédito que eram compartilhados entre Edward e eu. Era um ato extremamente infantil, embora não podia negar a satisfação de minha atitude quando vi o quanto os meninos e meninas em êxtase com a surpresa inesperada.

Quantos mais horas eu passava ali com eles, menos temores me assombravam sobre o futuro de minha filha. Ver que muitas aquelas crianças — algumas delas que não tinham sequer a idade escolar ainda — lendo, aprendendo e interagindo normalmente, me dava uma sensação de alívio. Se estimuladas desde cedo, o desenvolvimento delas poderia ser tão bom quanto o de qualquer outro garoto ou garota considerada normal. Tudo era uma questão de tempo, dedicação e esforço, trabalhados em conjunto com pais e especialistas em pedagogia excepcional.

Eu sugava o máximo de informação que podia de Emily e Leah e pesquisei na Internet locais um pouco parecidos com esta instituição nas redondezas de Chicago. Era meu objetivo assim que voltasse para lá, visitar um desses locais, já visando a frequência de Grace em algum deles. Tinha que admitir que fui relapsa quanto a isto, embora tinha a vontade de reverter a situação uma vez que tinha possibilidade para isto.

Nesse meio tempo, Edward não deixou de nos ligar, algumas vezes chegando a fazer telefonemas duas vezes no mesmo dia. Apesar do maior tempo das conversas serem com o nosso filho — que a cada dia que se passava, parecia mais decepcionado por ele não estar ali conosco. Eu tentava lhe explicar, prevendo o que teríamos que lhe dizer em breve, porém nada parecia fazer com que seu humor melhorasse em relação ao pai.

Meus pais tentaram me convencer a ficar aqui em Forks até o final da gravidez, alegando até mesmo a possibilidade de não viajar de volta, devido a minha mais recente crise. Porém, uma última visita a Dra Lucy e ficou constatado que um voo de três horas não me afetaria o suficiente para que deixasse de voltar aos compromissos programado na Cidade dos Ventos. Sem contar que a última coisa que queria era voltar para casa com dois filhos e ficar dependente de meus pais com quase trinta anos de idade.

Por ora, queria apenas curtir mais alguns dias ao lado deles. Já havia programado por alto com Renee, uma visita sua quando estivesse nos últimos dias da gravidez, já que não seria nada bom ficar em casa sozinha apenas com o Richie estando prestes a dar a luz a qualquer momento. Era estranho me ver fazendo planos futuros sem a presença de Edward, contudo era algo que infelizmente eu deveria começar a me acostumar, para a sanidade de meu coração.

Era quase noite e meu pai e eu estávamos assistindo sem realmente prestar atenção a algum episódio de The Big Bang Theory quando houveram as batidas na porta. No momento, pensei que pudesse ser Jasper ou a própria Alice, que tinha esquecido seu IPad em meu quarto, quando veio me ver no início desta tarde. Porém, qual foi a minha surpresa ao abrir a porta e me deparar com Rosalie e Emmett, que tinham amplos sorrisos fixados em suas faces.

- Feliz Natal atrasado! — A loira curvilínea me cumprimentou com um abraço apertado

- Rose, Emmett! Que surpresa! Eu pensei que vocês só chegariam aqui amanhã! — falei, abrindo espaço para que eles entrassem em casa, uma vez que a neve estava bastante intensa lá fora.

Emmett sorriu, sacolejando seus cachos para retirar o excesso de neve acumulado — Mudança de planos. Eu não aguentava mais ter que ouvir minha sogra falando sobre o seu namoro com o professor de Pilates.

Rose rolou os olhos — Você fala como se ela estivesse cometendo um crime ou algo assim. Esqueceu que eu sou mais velha do que você?

- Apenas por três anos, não trinta como é o caso da sua mãe!

Eu ri da interação de ambos, ajudando-os a guardarem seus casacos no closet e os levando até a sala, onde meu pai já tinha feito questão de trocar o canal para a ESPN. Emmett abraçou fortemente o meu pai, já que foi o próprio Charlie seu primeiro treinador de baseball, quando ele ainda era apenas uma criança aqui em Forks.

Em poucos instantes, os dois já estavam comentando a reprise de algum jogo importante da temporada e eu aproveitei o momento para arrastar Rosalie até a cozinha, onde poderíamos conversar um pouco mais a vontade. Renee tinha levado Richie para uma renião do Clube do Livro do município, e eu já até previa o quanto ele voltaria irritado, por tantos apertos nas bochechas que receberia.

- Bem, as noticias correm e eu sei que muitas coisas aconteceram por aqui enquanto eu estava em Baltimore.

E aquela foi a brecha que eu tive para coloca-la a par de tudo que ocorreu, desde que sai de Chicago, a mais de uma semana atrás. Falei dos telefonemas, da visita inesperada de Edward, o dia que passei no hospital até finalmente lhe contar sobre o divórcio. Mesmo que ela não comentasse absolutamente nada, era óbvio notar quais eram suas reações a cada fato dito por mim. As íris de azul profundo dela transmitiam uma gama de sentimentos que variavam entre raiva, desprezo, ressentimento e compaixão.

Nunca pensei que acabaria encontrando em Rosalie mais uma amiga, com que eu pudesse dividir meus receios. Alice sempre teria um lugar especial em meu coração, no entanto, tinha que admitir que se não fosse por todo o suporte que Rose me deu desde que descobri que meu bebê não seria como os outros, provavelmente teria falhado em algum ponto dessa minha jornada.

Falei pelo que pareciam horas, sentindo-me bem mais leve depois que havia lhe contanto tudo. O chá que eu havia nos servido já tinha se acabado e a única coisa que se escutavam agora eram os ruidos das teve e as ocasionais risadas de Emmett e Charlie vindos da sala.

- Então, você vai mesmo se divorciar dele? — ela perguntou, brincando com a borda da xícara com uma de suas longas unhas bem cuidada.

Dei de ombros, como se eu não tivesse mais nenhuma alternativa — É o melhor, Rose. Ficamos de contar pro Richie no próximo final de semana, quando voltarmos para casa.

- Eu nem sei o que dizer, Bella. — ela murmurou, dando um aperto reconfortante sobre a minha mão que estava sobre a mesa. — É óbvio que vocês dois ainda se amam, no entanto não vou negar que faria o mesmo se estivesse em sua situação.

Lancei lhe um pequeno sorriso em agradecimento. — Mas para mim, o pior de tudo e me separar e continuar de certa forma dependente dele. Em certo ponto, eu não me arrependo de ter deixado minha carreira de lado para me dedicar ao Richie, afinal eu pude aproveitar bastante da infância dele. Mas tenho que admitir que terei que passar um bom tempo sendo sustentada por Edward.

- Mas ele não questionou isso, não foi? — ela inquiriu, seus olhos se pinçando em fendas — Depois de tudo o que você abdicou para que ele fosse bem sucedido na carreira...

Balancei a cabeça em negação. — Ele não comentou nada relacionado a isso. Mas onde é que fica meu orgulho nisso tudo? Pedir a separação, mas deixar com que ele tenha total controle de minha vida financeira? — perguntei retoricamente.

Rose assentiu. — De fato, isso é bastante complicado.

- Acho que só vou ter o controle de volta de minha vida quando começar a ganhar meu próprio dinheiro, entende? — disse com um suspiro cansado — Vou me sentir bem melhor se a partir de agora, não use mais um centavo do dinheiro dele com coisas para Grace. Mas quem é o empregador em sã consciência que contrataria uma gestante no final da gravidez?

Naquele mesmo instante, os olhos de Rosalie se iluminaram — Eu acho que posso te ajudar com isso!

- Como?

Ela sorriu, quase como se desculpasse — Não é muito, mas acho que vai poder te ajudar de alguma maneira.

- Rose, por favor! Quem parar de mistério e dizer logo qual é a sua ideia? — supliquei curiosa.

- Uh, você conhece um autor chamado Mark J. Morgan?

- Aquele que só escreve estórias trágicas?

Ela concordou, dando me um sorriso — Ele mesmo! Bem, a editora que trabalho irá publicar o novo livro dele. Só que o desgraçado tem um hábito horrível de ainda escrever todos os seus manuscritos em cadernos e isso deixa qualquer editor maluco da vida.

Senti meu cenho se franzir. — E onde é que eu entro nisso tudo?

- Você ficaria responsável por transcrever tudo o que ele tem até então para o computador. — senti meus olhos se arregalarem de surpresa e ela mordeu o lábio, antes de voltar a falar — Sim, é bastante coisa, 39 capítulos inteiros e você teria que entregar tudo pronto em no máximo em quatro semanas.

- Isso parece ser algo de bastante responsabilidade — retruquei, me sentindo nervosa de repente.

- E é mesmo. Além de assinar alguns documentos, garantindo o seu total sigilo, eu preciso te alertar que a letra dele é pior do que a de alguns médicos. No entanto, digo-lhe que o valor que eles pagam por esse serviço é bem razoável. Nada que irá te deixar milionária, mas será o suficiente para te ajudar um pouco.

Sem nem titubear, respondi de pronto — Eu aceito.

- Tem certeza? Isso vai tomar bastante de seu tempo no próximo mês.

- Então é exatamente disso o que eu preciso! — falei animada e não resisti em me levantar e dar-lhe outra abraço em agradecimento. — Obrigada, Rose, por tudo. Eu nunca conseguirei retribuiu tudo o que você fez por mim durante esses meses.

Senti seu afago retribuindo o meu enquanto ela sibilava com uma voz chorosa próximo ao meu ouvido. — Não foi nada, Bella. E a melhor forma de você me mostrar gratidão é deixando que eu mime bastante essa bonequinha linda dentro de você.

- É claro que sim, afinal você é a madrinha dela.

Rose pareceu agradavelmente surpresa ao se afastar um pouco apenas para me fitar — Sério?

- É claro. Quem mais poderia ser perfeita para fazer isso?

Ela me abraçou de volta com ainda mais ímpeto — Obrigada, Bella. É uma honra para mim fazer isso.

Ficamos então entretidas naquele abraço fratenal que nem sequer percebemos a aproximação de Charlie. — Está tudo bem por aqui? — ele perguntou preocupado.

- Tudo bem, pai. São só meus hormônios da gravidez que devem estar em alta. — retruquei, fungando enquanto sorria de volta para Rosalie.

Ele rolou os olhos, indo até a geladeira para pegar mais cerveja a medida que nós duas tentávamos nos recompor um pouco. Ele nos olhou uma última vez para garantir que estávamos bem e após ver o tamanho do sorriso fixo, pareceu muito mais tranquilo, dando um beijo na minha testa antes de voltar até onde Emmett estava.

Aquela chance que Rosalie estava me oferecendo, por menor que fosse era um novo fio de esperança que se acendia dentro de mim naquela última semana de 2011. Próximo ano viria trazendo além de minha filha, a chance de recomeçar a trabalhar e ser remunerada por isso. Lógico que isso não me traria total liberdade para não precisar mais do dinheiro de Edward, no entanto, era um inicio. Talvez o pontapé inicial que me daria incentivo para retomar com minha vida profissional.

E quem sabe até, a oportunidade de começar a aprender a viver sem mais Edward ao meu lado.

Notas finais
Eu sei que vocês já não aguentam mais tanta angst, mas eu juro juradinho que as coisas irão melhorar daqui para a frente!
Também não tô esquecida que ainda tô devendo o POV do Edward! Esse será postado antes do dia 15 de Abril, ok? E sim, os POVs deles serão em uma fic a parte, por isso, aconselho que me coloquem no alerta de autora, para que vocês não percam quando eu postar, belezinha?
Críticas, sugestões, comentários sobre o que vocês acharam sobre o capítulo ou da estória em si sempre serão muito bem-vindos!
Torcendo para que passemos das 400 reviews com esse capítulo, será que conseguimos?
Beijos e até a próxima!
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