Nothing
1 Nada
Notas iniciais
A voz da alma deste mundo sem salvação
não tem manhã nem noite, o anuncio do começo...
Em meus olhos apenas há um vazio. Em meu coração, um buraco profundo. Em minha alma...
Eu tenho alma? Esta alma que em mim existe... É realmente a minha?
Eu tive um sonho, a luz e um arco-íris...
Tudo com minhas mãos, oh...
Pergunto ao meu reflexo que me encara com aquele rosto pálido. Mas como resposta, obtenho um sorriso cínico, como se eu já soubesse a verdade. Caio no chão aos berros e lágrimas infinitas que umedecem minha face rapidamente. Estou encolhido, apertando meu peito com os braços cruzados tentando apartar aquela dor, em vão. Com minhas unhas cravando-se na minha pele por cima do tecido de minhas vestes.
Não há... Não há lembranças. Se eu me jogasse no mar da solidão...
Não há, não há dor... Posso te guiar até a terra ideal, vamos?
Por que eu? Por que sou eu quem tem que carregar este cruel fardo? Todos os meus desejos... Todos os meus sonhos esvaíram-se, assim como minhas esperanças. Fracas e inúteis esperanças...
Eu acreditei em uma música falsa e estúpida
Sempre de manhã, sempre de noite, o anuncio do fim...
Estes olhos azuis... Meus inexpressíveis olhos azuis... Eles não possuem mais nenhum fulgor. Talvez nunca o tiveram de fato. Eu era uma comédia desde o inicio. Sem importância... Sem real sentido de permanecer nessa farsa. Sim uma farsa...
A vida na minha frente desaparece
Naquele momento eu me dei conta, veja, já não mais...
Quem me vê e pensa no quão bondoso e inocente eu sou, se engana. Não passo de um covarde que se esconde atrás desta máscara. Eu sou tão atroz quanto o próprio Imperador do Inferno... Pois somos um só. Irônico, não?
Não há, não há salvação, vamos fazer como as estrelas
Não é, não é falso, eu te trarei alivio
Tão horrendo e vil que trairei meu melhor amigo e jurarei guerra contra minha própria irmã. Que tipo de ser humano eu sou? Nenhum. Eu não sou nada.
Por que agora meu coração palpita por ti?
Nada. Sou um nada. Nada. Nada. Nada. Nada. Nada. Eu não sou nada.
Não há nada, não há nada. A chama da memória que começou a escurecer...
Não há, não há dúvidas, tudo vai perder a cor
Sou oco, minhas lágrimas não possuem significado ou emoção. São secas, são vermelhas, são lágrimas de sangue. Suspiro profundamente, procurando em meu âmago alguma força que não existe ou que se recusa a brotar. Tornei-me um fantoche de meus sentimentos mais obscuros, vulnerável a cada golpe contra meu corpo desferido por um ser idêntico a mim. Estaria eu novamente a beira da loucura?
Não há... Não há lembranças. Se eu me jogasse no mar da solidão...
Não há, não há dor... Posso te guiar até a terra ideal, vamos indo.
A morte é a salvação. É o que decretam estas sombras... O que um “eu” afirma ser a verdade. Então tudo aquilo que vivi e acreditei... Não eram nada? Mesmo com todo aquele sofrimento, ainda havia sorrisos, não é? Esses sorrisos... Não são nada? Esse meu olhar profundo, vago e cristalino demonstram alguma coisa? Esses olhos assustados iguais a de um animal indefeso e abandonado à própria sorte... Não significam nada?
De novo meu coração te faz palpitar... Por que ele te faz palpitar?
Eu ainda... Por que eu...?
Este é o meu castigo. Minha eterna aflição e angustia. Nesta Guerra Santa na qual eu morrerei... E quando enfim morrer, pergunto-me se irei me tornar algo ou continuarei sendo ...
Nada.
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