Bella respirou fundo antes de continuar, e pela primeira vez naquela noite, vi um brilho diferente em seus olhos—emoção misturada com um pouco de esperança.

— Eu encontrei um nome, Jacob. Não foi fácil, mas consegui rastrear alguns documentos antigos que mencionam uma adoção feita há vinte anos, sem muitos detalhes. O problema é que a papelada foi lacrada pelo tribunal, o que significa que eu preciso de acesso aos registros oficiais.

Assenti, entendendo a gravidade do que ela estava dizendo.

— E como eu posso te ajudar?

Bella hesitou por um segundo antes de responder.

— O juiz Carter… Ele é seu amigo, não é?

Soltei um suspiro, passando a mão pelo rosto.

— Sim, ele é. Mas você sabe que esse tipo de coisa não é simples, Bella.

— Eu sei — ela disse rapidamente. — Mas se alguém pode convencê-lo a pelo menos nos dar uma direção, esse alguém é você.

Olhei para ela por um momento, sentindo o peso de sua ansiedade. Bella sempre foi forte, determinada, mas naquele instante, era só uma mãe desesperada por respostas.

Estendi minha mão sobre a mesa, segurando a dela com firmeza.

— Eu vou te ajudar, Bella. Você sabe que sim.

Ela apertou minha mão, os olhos brilhando de gratidão.

— Obrigada, Jake. Você não tem ideia do quanto isso significa pra mim.

Antes que eu pudesse responder, o som melódico do piano encheu o ambiente. O primeiro acorde de "Big Girls Don't Cry" ecoou suavemente, e então, a voz dela veio—suave, melancólica, mas poderosa.

Meus olhos automaticamente se voltaram para o palco.

Renesmee.

Ela estava sentada ao piano desta vez, os dedos deslizando delicadamente pelas teclas enquanto cantava. Meu olhar encontrou o dela por um instante, mas, diferente de antes, ela desviou.

Bella seguiu meu olhar e franziu a testa, observando Renesmee com atenção.

— Engraçado… — murmurou.

— O quê?

— Ela me lembra alguém.

Virei para Bella, curioso.

— Quem?

Ela balançou a cabeça, como se tentasse organizar os pensamentos.

— Não sei dizer… Talvez seja só a ansiedade por essa pista sobre minha filha.

O clima ao redor da mesa ficou mais leve. Bella terminou seu drink, e a conversa logo deslizou para assuntos mais descontraídos.

— Bom, eu vou indo — ela disse, pegando sua bolsa. — Tenho uma cirurgia amanhã cedo, e você tem um juiz pra convencer.

Levantei-me junto com ela.

— Te acompanho até o carro.

Saímos do bar, caminhando até onde seu sedã preto estava estacionado. Bella destravou as portas e me abraçou apertado.

— Obrigada por tudo, Jake.

— Sempre, Bells.

Ela entrou no carro e acenou antes de partir, deixando-me sozinho sob as luzes quentes da rua.

Foi quando a vi.

Renesmee saía do Lennox Lounge, os cabelos ruivos soltos balançando levemente com a brisa da noite.

Antes que pudesse pensar duas vezes, meus passos se moveram em sua direção.

— Está tarde — falei ao me aproximar. — Posso te dar uma carona?

Ela parou, surpresa, seus olhos encontrando os meus por um breve momento antes de olhar para o lado.

— Eu… não sei se deveria.

— É só uma carona, Renesmee.

Ela hesitou, mordendo levemente o lábio inferior. Então, finalmente, soltou um suspiro.

— Tudo bem.

Sorri de leve, abrindo a porta do passageiro do meu carro para ela.

A noite, de repente, ficou muito mais interessante.


Abri a porta do passageiro e esperei enquanto Renesmee entrava no carro. Ela ajeitou a alça da bolsa no ombro e olhou para mim, hesitante.

— Para onde te levo? — perguntei, fechando a porta e me acomodando no banco do motorista.

Ela mexeu no anel fino que usava no dedo, parecendo um pouco desconfortável.

— Eu moro no Bushwick.

Assenti e dei partida no carro, pegando a direção do bairro no Brooklyn. Não era exatamente um dos melhores lugares para uma garota como ela morar, e o pensamento me incomodou mais do que deveria.

O silêncio entre nós durou alguns minutos, até que Renesmee soltou uma risada curta e mexeu no rádio sem realmente trocar a estação.

— Sua namorada não vai ficar com ciúmes se souber que você deu carona para outra mulher?

Soltei uma gargalhada sincera com a suposição.

— Bella? Deus, não!

Ela arregalou os olhos e corou levemente.

— Ah… desculpa. Eu vi vocês juntos e pensei que…

— Não, relaxa — interrompi, ainda sorrindo. — Bella é minha melhor amiga desde sempre. Eu sou divorciado.

Ela desviou o olhar para a janela, mordendo o lábio inferior, claramente envergonhada.

— De qualquer forma, não foi legal da minha parte assumir coisas.

— Não tem problema — garanti. — E você?

Ela voltou a me encarar.

— Eu o quê?

— Tem namorado?

Ela riu, sacudindo a cabeça.

— Não. Eu passo tanto tempo no bar e no trabalho que nem teria tempo pra isso.

— Além do bar, o que você faz?

Ela entrelaçou os dedos no colo, relaxando um pouco mais na conversa.

— Eu sou garçonete em um café de manhã e dou algumas aulas de música pra crianças. Cantar no bar é o que eu realmente gosto de fazer, mas, por enquanto, não paga todas as minhas contas.

Assenti, admirado.

— Você realmente gosta de música.

— É o que eu respiro — ela sorriu, um brilho diferente nos olhos.

Eu já a ouvia cantar há meses, mas era a primeira vez que realmente conversávamos. Eu queria saber mais.

— E você, Jacob? O que faz quando não está sentado no Lennox Lounge me observando cantar?

Eu ri, surpreso com a forma como ela disse aquilo.

— Você percebeu?

— É impossível não perceber — ela brincou.

Gostei da maneira como ela ficou um pouco mais à vontade.

— Tenho uma empresa automotiva — contei. — Black Enterprises.

— Uau. Então você é um homem importante?

— Nem tanto. Mas gosto do que faço.

Ela assentiu, olhando pela janela enquanto dirigíamos pelas ruas iluminadas da cidade.

— Você frequenta o bar há quatro meses, certo?

Fiquei surpreso que ela tinha notado isso.

— Sim.

— E só agora decidiu falar comigo?

Sorri, sem tirar os olhos da estrada.

— Acho que estava esperando o momento certo.

Ela não respondeu de imediato, mas pude sentir seu olhar sobre mim.

E, pela primeira vez desde que a vi naquele palco, percebi que talvez ela também estivesse curiosa sobre mim.


Estacionei o carro em frente a um prédio de fachada simples, com tijolos desgastados e uma iluminação fraca na entrada. Bushwick não era exatamente o melhor lugar para uma jovem como Renesmee morar, mas ela parecia tranquila enquanto pegava a bolsa e soltava o cinto de segurança.

— Então… — ela disse, virando-se para mim.

A hesitação dela me fez sorrir.

— Eu estava pensando… — comecei, observando sua reação. — O que acha de sair comigo no sábado?

Ela piscou, surpresa, mas sua expressão logo se suavizou com um sorriso divertido.

— Depende… É um encontro?

Inclinei a cabeça, segurando o riso.

— Se você quiser que seja.

Renesmee mordeu o lábio inferior, brincando com a alça da bolsa.

— Então, acho que posso considerar.

— Isso soa como um "sim".

— Talvez — ela provocou, abrindo a porta do carro.

Antes que ela saísse, me inclinei ligeiramente e toquei seu rosto, dando um beijo em sua bochecha. No entanto, a proximidade fez meus lábios roçarem o canto da sua boca, e senti o corpo dela enrijecer por um breve momento.

Ela respirou fundo, e quando nossos olhares se cruzaram, percebi que ela estava corada.

— Boa noite, Jacob — disse em um tom mais baixo, saindo do carro apressadamente.

Observei enquanto ela caminhava até a entrada do prédio e só dei partida no carro depois que a vi entrar com segurança.

No caminho de volta para casa, um sorriso persistente teimava em permanecer em meu rosto. Algo me dizia que Renesmee Sullivan era muito mais do que apenas uma jovem cantora em um bar. E, pela primeira vez em muito tempo, eu queria descobrir tudo sobre ela.

Sábado não demoraria a chegar.