Notas iniciais
Demora imensa para este sair, mas só agora a inspiração veio. Desculpem o atraso.

− Vamos Natasha, não deve estar tão ruim...

− Está péssimo!

− Saia daí, deixe-nos ver como ficou – Steve insistiu.

Ela estava procurando alguma roupa que servisse, o que não estava tomando um rumo muito bom. Tudo da década de 40 não servia ou ela não gostava.

− Você já deve ter fingido ser muita gente, não deve ser tão difícil – Tony tentava ajudar, mas também não servia muito.

− Fingi ser gente com roupas mais normais que essas. Estou parecendo minha avó nesse vestido – ela resmungava – eu acho, não conheci a velha.

− Ela provavelmente se orgulharia da neta...

− Sem essa Rogers. Tem alguma calça por aí?

Ele procurou alguma nas coisas que Howard providenciou, por sorte achou uma bem no fundo.

Ouviram o som de pano sendo rasgado e já imaginavam o que ela poderia ter feito.

− Bem melhor – ela saiu do banheiro. Havia subido a barra da calça até sua cintura pois o tamanho era bem maior do que ela costumava usar e também uma blusa branca de mangas, a qual ela rasgou parte do colarinho.

− É... uma mudança e tanto – Tony falou, a olhando – capaz até dessa moda pegar por aqui e você começar uma revolução vestuária.

− Falo o mesmo de você Stark, mas no seu caso uma revolução retrógrada. Está horrível.

− Isso que dá deixar meu querido papai me vestir – ele revirou os olhos – eu pareço mais pai dele do que o contrário.

− Uma vez Stark, sempre Stark – Steve falou, suspirando.

− Conseguiram vestir essa... – Peggy entrou no quarto onde estavam – pelo visto sim.

− Essa o que? Continua – Natasha insistiu.

− Bem, se vão ao RCE comigo então pelo menos tentem falar como alguém daqui. Ainda lembra como fazer isso não é Steve? – ela sorria com um tom de cinismo na voz – e vocês dois... por favor, tentem parecer normais.

− E não mencionem que esse projeto de mendigo é meu filho – Howard ia passando pelo corredor e completou – cara, ninguém te ensinou como se vestir?

− Qual o problema com a roupa?

− Só tudo – Howard suspirou e foi até ele – a começar por estes suspensórios que resolveu usar, são pra ficar assim e não parecendo a corda de uma forca. E vista isso por cima, não andamos como mendigos que não tem um sobretudo ou casaco caso faça frio.

− Por que eu acho que essa é a primeira coisa produtiva que o Tony aprendeu com o pai? – Natasha apoiou o queixo sobre os dedos.

− Porque é – Tony respondeu meio contrariado. Quando terminou de ajeitar o filho sorriu sem mostrar os dentes.

− E você... Natasha, vista algo por cima da roupa também. Não quer que o pessoal de lá tenha um infarto não é?

− Eles teriam se ficassem olhando pra onde não devem.

− Por favor – Steve pegou um sobretudo e entregou a ela.

− Deviam ter trazido Clint aqui e não eu. Ele sim tem paciência para essas palhaçadas – ela resmungou.

− Chegando lá não falem com ninguém e me sigam aonde quer que eu for. Vou tentar fazer com que não chamem atenção indesejada. Lá poderemos localizar... qual é mesmo o nome?

− Rumlow.

− Isso. Espero que tenham entendido tudo. Vamos.

Seguiram Peggy até o carro, Natasha desculpou-se outra vez com Jarvis pelo ocorrido no outro dia. Tony foi na frente, puxando assuntos com Jarvis, falando coisas sobre o mesmo que eram constrangedoras. Jarvis prometia a si mesmo nunca contar aquelas coisas a mais ninguém.

O banco de trás foi dividido para os 4 restantes. Natasha foi na ponta, não queria ficar no meio, ao seu lado estava Steve, que a separava de Peggy e na outra ponta Howard. Estava bem apertado mas conseguiriam aguentar até chegaram na RCE.

Ao saírem do automóvel, a sensação de liberdade era notória em todos os passageiros do banco de trás.

− Chegamos? – Steve interrogou.

− Se não tivéssemos chegado não teríamos parado – Tony respondeu – ai!

− Isso é jeito de falar com uma pessoa mais velha que você? – Howard havia puxado a orelha de Tony.

− Foi mal, é o costume.

− Entrem antes que façam a rua pegar fogo – Peggy pediu.

− Mas aqui é uma companhia de telefone. Aquelas moças que a gente liga e passam meio século enrolando na linha pra depois dizerem que temos que ligar novo – Tony falou, um pouco alto demais.

− Mais respeito – Peggy o repreendeu. Ela seguiu em frente, passando pelas telefonistas. Algumas estranharam o elevado número de pessoas, mas preferiram não perguntar.

Ao abrir a porta secreta que dava ao escritório da RCE, Tony compreendeu que aquilo era somente uma fachada.

− Mais uma coisa, todos aqui conhecem o Capitão América...

− Posso dar um jeito nisso – Natasha a interrompeu – Tony, ainda carrega contigo aquele tubo de graxa?

− Uhum, você não ta pensando em...

− Estou – ele entregou o tubo à Natasha – é a maneira mais fácil.

Eles entraram na primeira sala vazia que tinha, para que não fossem vistos fazendo aquilo. Natasha passou um pouco de graxa nas bochechas e testa de Steve, o fazendo ficar com feições diferentes. Serviu como maquiagem.

Ao saírem, Howard levou um susto por ver o amigo daquela forma.

− Isso sim um disfarce decente. Aonde aprendeu a fazer isso?

− KGB – Peggy arregalou os olhos – calma, já faz tempo.

− Como alguém como você conseguiu entrar pra uma agência exatamente contrária a KGB com tanta coisa ruim na sua conta?

− Pessoas mudam. Mas não estou com vontade e nem temos tempo de entrar nesse assunto agora – Natasha falou, percebendo que alguém vinha na direção do grupo.

− Agente Carter, quem são essas pessoas? – um loiro perguntou – não me diga que são seus primos, pois isso não vai funcionar com a ruivinha e o loiro aí.

− São amigos, agente Thompson. Eles trouxeram até mim uma informação valiosa e que devemos nos preocupar. Queira nos acompanhar.

− Não sem antes ver a ficha deles...

− Não existe ficha. Depois explico, agora só peço que confie em mim.

Ele concordou com a cabeça. Confiava em Peggy, mas não nos desconhecidos que a acompanhavam. Ainda mais estando na companhia de um Stark.

− Thompson, pode pegar os papeis dos casos dos últimos 3 dias? Estão na mesa do Sousa – ela pediu ao chegaram à sala. Ele foi.

− Ele parece mais um cachorrinho domado, que fofo – Tony comentou.

− É só uma distração. Ele vai pedir o nome de vocês e tenho plena certeza de que não poderão dizer, pelo menos não completo – Peggy explicou.

− Faz sentido. Eu “estou morto”, Tony tem idade pra ser o pai de Howard, ou irmão mais velho, e Natasha tem o mesmo nome do czar russo que está morto desde 1917 – Steve complementou.

− Só dizermos o nome de alguém que conhecemos, simples – Natasha falou com naturalidade.

− Concordo – Peggy falou – ele está voltando.

− Então, o que está ocorrendo? – Thompson perguntou.

− Há um homicida solto por aí e que planeja matar os dois aqui – Tony apontou para Peggy e Howard – soubemos disso e viemos informar, para que com a ajuda de vocês possamos prender e dar um fim a esse maluco.

− E como souberam disso? – Thompson estava desconfiado.

− Ele meio que falou. Ele nos ajudava com alguns assuntos, até que mostrou quem realmente era e falou dos planos que tinha. Acho que a exaltação e a raiva o fizeram falar – Steve tentava contar tudo sem dar detalhes.

− Plausível, mas não acho que consiga dar fim a nenhum dos dois. Peggy e Howard sabem se virar mais do que imaginam...

− Ele é da HIDRA – Natasha falou – ou era. Depois que o Caveira foi morto a organização se desfez e ele seguiu com outro ramo. Lá fizeram experimentos nele do mesmo jeito que fizeram com... outras pessoas. Por isso sabemos que ele pode a vir conseguir apagar eles dois do mapa.

− E o que o faz querer matar logo eles? Digo, tanta gente no mundo... – Tony estava ficando impaciente com as perguntas de Thompson.

− Você acha que eu tenho cara de vidente? O cara é doido, como iríamos saber?

− Tudo bem. Seus nomes por favor?

− Steve Odinson, Anthony Banner e Natasha Barton – Tony respondeu.

− E como é mais ou menos nosso fugitivo?

− Queimaduras pelo rosto e pelo resto do corpo, usa uma máscara e armadura preta com traços brancos. Carrega algumas armas consigo – Steve disse.

− Passarei as informações para o resto dos agentes. Aliás, parabéns adiantado agente Carter. Amanhã é minha folga então não terei como dizer isso na data certa – ele deu um meio sorriso e se retirou.

− Espera, amanhã é seu aniversário?

− Sim. Acho que nem eu mesma lembrava disso.

− Bom, agora vamos voltar para casa antes que minha nova invenção, que está sem minha supervisão, exploda – Howard disse.

Eles desceram até o carro, mas Steve disse que tinha que ir a outro lugar antes.

− Aonde vai picolé?

− Tenho que comprar um presente.