Not today

1 Capítulo único


-... Charlotte, acorda.

Abri os olhos e olhei à minha volta. Havia dormido na enfermaria de novo. À minha frente, meu irmão Aaron continuava desacordado, e imóvel por conta das bandagens. Há 3 dias, ele havia sofrido um acidente feio na parede de escalada. Aaron e eu somos irmãos apenas por parte de mãe; sendo ele filho de Dioniso e eu, de Hermes.

Ao meu lado, Malcom, que acabara de me acordar. Ele era filho de Atena, e meu melhor amigo. Malcom era pouco mais alto que eu; tinha cabelos loiros de um tom escuro e olhos cinza particularmente hipnotizantes. Como todo filho de Atena, ele era um crânio, mas de uma forma charmosa, e lindo de uma forma discreta.

- Você passou a noite na enfermaria de novo?

Assenti, ainda sonolenta.

- Entendo que esteja preocupada, mas não precisa ficar aqui integralmente. Os filhos de Apolo já asseguraram que ele está bem.

- Bem?Ele não abre os olhos há 3 dias!Já usaram todo o néctar que podiam e ele continua aí.

- Você ficar aqui não vai fazê-lo acordar.

Olhei pra ele, e ele pareceu ter percebido o erro que cometeu.

- Desculpe. Isso foi grosseiro. Mas, você precisa descer um pouco. Tomar um sol, comer alguma coisa.

- Eu estou bem.

- Tem certeza?... Há quanto tempo você não come?

Eu dei de ombros. Não fazia mesmo ideia.

- Charlotte, se não parar com isso, vão ter que montar uma maca pra você do lado dele.

-... Eu sei que isso não é saudável, mas... – Eu respirei fundo. – Não adiantaria nada eu sair daqui. Eu ia ficar preocupada lá fora de qualquer jeito.

-...

-... Sabe, eu estava aqui pensando... – Hesitei, mas agora era tarde demais. Eu já havia começado. – Há algo mais eficaz que o néctar, que também é usado em ferimentos graves, não é?

Ele demorou um pouco a responder, tentando entender o que eu estava dizendo.

-... Do que você está falando? – Ele sabia exatamente do que eu estava falando, mas não ia dizer “não” antes de eu concluir.

-... Dizem que sangue de górgona é bom pra...

- Charlotte, não. Não é uma boa ideia.

- Por que não?

- Porque não. Não temos aqui no acampamento, e ir buscar “diretamente na fonte” é perigoso.

- Perigoso é deixar ele aqui! – Apontei pro Aaron. – O néctar não está funcionando. E eu não vou ficar aqui de braços cruzados se posso fazer alguma coisa.

- É perigoso demais. São górgonas. Nem sabemos se elas estão vivas. E se estiverem, você sabe que...

- Um lado é veneno e o outro, remédio. É, você disse isso na aula, outro dia. Mas eu preciso tentar.

- Não é uma boa ideia.

- E o que você sugere?

- Esperar. Ele não vai morrer, Charlotte. O quadro dele é estável.

- É?E por quanto mais tempo vocês vão ficar me dizendo isso?Que é estável, eu já sei. Se ele vai acordar alguma hora, isso até agora ninguém me disse.

-... Quíron não vai permitir que você saia. Ele não vai querer que você arrisque a sua vida, se os dois podem ficar bem aqui dentro.

- Quer saber?Deixa pra lá. Esquece.

-... Eu conheço essa cara. Você não vai desistir, não é?

- Não, é sério, deixa. Eu falei com você porque achei que você pudesse me ajudar, mas se você não acha que eu seja capaz, tudo bem. Deixa pra lá.

Ele passou a mão no rosto.

- Onde você acha que vai encontrar uma górgona? – AHÁ!É isso aí, ele estava interessado. Eu só precisava soar convincente o suficiente.

- Nova Jersey. É onde a toca da Medusa fica. – Falei, olhando diretamente pra ele. Eu estava quase lá.

- A toca da Medusa. Isso não significa que as irmãs dela estarão lá, gênia.

- Estão. Tenho fontes seguras.

-... Interceptando mensagens dos deuses de novo?

- Não importa, ok?O que importa é que sei onde elas estão, e que elas têm o que eu preciso... Então, você vem comigo?

-... Charlotte...

- Por favor, Malcom. Pelo meu irmão.

-... Tudo bem. – YAY! -Mas vamos falar com Quíron primeiro. Vamos fazer disso uma missão oficial.

- Você mesmo disse que ele não permitiria.

- Eu não sabia que eu ia junto.

- E que diferença que faz?

- Agora tem alguma chance de dar certo.

...

- E aí estão eles. – Rachel falou, apontando pra nós assim que aparecemos na varanda da Casa Grande.

- Hã... Oi? – Perguntei.

Rachel estava em pé ao lado de Quíron, que jogava pinochle com Sr. D. Parecia uma cena bastante normal até eu ver o terceiro jogador. Aline, de Hipnos. Baixinha, com ondulados cabelos castanho-avermelhados e olhos escuros, e uma pele pálida decorrente da pouquíssima exposição ao sol; ela e os irmãos sempre preferiram passar horas dentro do chalé, dormindo. Ela era minha amiga, nos conhecemos na aula de canoagem que fazíamos juntas, e costumamos nos encontrar durante a semana pra tirar uma soneca ou armar uma pegadinha pra alguém, mas isso de pinochle, pra mim foi novidade.

- Rachel estava nos contando sobre seu plano de ir até as górgonas.

Olhei pra ela. Como...?

Ela deu de ombros.

- O espírito do Oráculo simplesmente me revela esse tipo de coisa. E como Quíron é teoricamente o responsável por vocês, achei que deveria avisá-lo.

- Estávamos vindo fazer isso. – Malcom

- Olha, eu não sei vocês, mas eu acho uma ótima ideia. Medusa, é?Bem, vocês sabem, estátuas e tal. – Dioniso ironizou.

- Estamos indo salvar o seu filho!

Aquilo simplesmente pulou da minha boca, e acabou deixando o ambiente um tanto tenso. Dioniso me olhou de um jeito que me fez pensar se ele me transformaria em golfinho, mas não, não estava arrependida de ter dito.

- Não há necessidade alguma disso. Aaron está bem. Ele vai se levantar a qualquer momento.

- É; é o que dizem desde que o deitaram na enfermaria. – Olhei diretamente pra Quíron. – Por favor, me deixe fazer algo pelo meu irmão. Eu sei que posso fazer isso.

- Charlotte, isso é perigoso...

- É claro que é, como tudo mais na minha vida. Por favor. É uma missão simples; estaremos de volta logo. Você já autorizou missões muito mais arriscadas.

Ele pensou um pouco, depois olhou para Rachel.

- Acredito que possa dar certo. Não vi a missão em si, mas acredito que teria previsto se algo fosse dar errado.

Ah, isso você não prevê, né?

-... Tudo bem. Mas pelo que eu vejo, só tem vocês dois. Não vão levar mais ninguém?

Olhei pra Malcom. Não havia pensado em mais ninguém, apesar de 3 ser sempre melhor que 2.

Quando olhei em volta, vi que Aline observava suas cartas. Eu sabia que ela estava ouvindo; então, por que não?Além do mais, ela já estava sabendo de tudo sobre a missão, mesmo.

- Então, Aline...?Interessada?

Ela me olhou, surpresa.

- Vocês não têm mais ninguém mesmo, né? – Ela riu. – Mas tudo bem, estou dentro.

Ela se levantou da mesa e olhou pra Quíron e Dioniso.

- Vocês são mesmo horríveis nesse jogo. Passem esses dracmas pra cá, eu venci de novo! – Ela disse, jogando as cartas na mesa. Quíron a entregou os dracmas enquanto Dioniso resmungava.

...

Na manhã seguinte, nos encontramos no alto da colina. Depois das instruções gerais de Quíron, Argos nos levou até a cidade, onde pegaríamos um táxi. Até então, ninguém tinha falado muito.

- Então... Nova Jersey, é?Medusa e suas irmãs... – Aline puxou conversa.

- É.

- Hmm, legal. Mas tipo, Nova Jersey, onde?

-... Em algum lugar perto do rio Hudson. Pelo que eu descobri, mais ou menos 1 km depois. Vamos encontrar uma espécie de estrada rural de duas pistas abandonada e voi la: Empório de Anões de Jardim da Tia Eme.

- Ta sabendo legal, hein, filha do deus das estradas. – Malcom

- Cala a boca!

-... Mas então, ela manteve o antigo endereço?

- É.

- Não foi muito inteligente.

- Melhor pra nós... Táxi!

- Eu quero ver você dando essas coordenadas pro motorista. — Malcom

- Veja e aprenda. – Entramos no táxi. – Oi, bom dia. Precisamos ir à Jersey.

-... Poderia ser mais específica?

-... Conhece uma estrada tipo rural, perto do Hudson, de pista dupla, cercada por antigos armazéns?

Ele pensou um pouco.

- A antiga rodovia?

Eu não fazia ideia.

- É!Pode nos levar até lá?

O motorista olhou pra nós 3. Devia estar se perguntando o que 3 adolescentes estariam indo fazer em uma estrada abandonada.

- Claro, mas não vai ser barato...

- Temos o suficiente.

Ele deu de ombros e o carro começou a se mover.

...

Felizmente (de certa forma), aquele era o lugar certo. Cada vez que reconhecia algum ponto na “paisagem”, eu sentia calafrios. Então, lá estava o velho posto, com a pequena loja, cercada de velhas estátuas quebradas. Havia algumas pichações nas paredes, e a frente estava bem suja, mas eu sabia que ali dentro, eu as encontraria.

- Ahm... Vamos ficando por aqui, obrigada. Descendo, gente. – Tirei o dinheiro da bolsa e o entreguei. Quíron havia nos dado certa quantia, e graças aos deuses ainda sobraria pra volta.

O motorista ainda nos olhava desconfiado, mas acabou indo embora sem falar mais nada. Quando o carro sumiu de vista, eu percebi que as coisas iam ficar sérias. Saímos do meio da estrada e atravessamos as pistas na direção contrária à loja, tentando não ser vistos. Quando tivemos certeza que não podíamos ser vistos ou ouvidos, Aline começou a falar.

- Então?Temos um plano?

- Ahm, claro. — Eu tentei pensar rápido, mas hesitei por tempo demais.

- Não, não temos. – Malcom – Tudo bem; vamos manter a calma e pensar em alguma coisa. O perigo real lá dentro são os olhos da Medusa. Não estamos atrás dela, mas é óbvio que isso vai ser o obstáculo principal.

- Como vamos diferenciar a Medusa das irmãs dela?

- Não sei exatamente a diferença, mas acho que no reflexo, pode ser mais fácil. Na dúvida, cortamos as três cabeças.

- É; mas vamos nos concentrar em ficar vivos primeiro. A missão é: conseguir o sangue do lado certo da górgona e ir embora. Não precisamos complicar mais. Matamos Esteno ou Euríale e vamos embora. — Malcom

- E faremos isso juntos ou...?

- Juntos. Se separar é arriscado demais. Encurralamos uma e pronto, fugimos. — Malcom

- É, mas ainda tem isso: como separar uma das outras duas?Vamos ter que nos separar, não tem como. – Aline – E, se formos nos separar, é melhor decidir logo: quem fica com a Medusa?

- Malcom. – Falei automaticamente.

- Por que eu? A líder da missão é você. – Não havia medo em seu tom de voz, ele genuinamente queria que eu tivesse a “honra”.

- Minha missão é pra salvar meu irmão. Medusa não é tipo inimiga de Atena?Então, faça isso você mesmo.

-... Tudo bem. – Ele assentiu. Eu sabia que ele havia ficado feliz com isso, mas não quis demonstrar.

- Muito bem, já que já decidimos isso, hora de começar.

Mordi o lábio; estava com medo. Podia dar tudo errado. Podia dar tudo certo. Podíamos não voltar os 3 pra casa. Mas era um risco que teríamos de correr.

Atravessamos a pista separados, tentando não chamar atenção, e nos reunimos nos fundos, que parecia vazio, e onde tinha uma janela suspeitamente aberta.

Nos olhamos, indecisos, e por fim, entramos.

E lá estávamos nós, dentro da loja. A sala estava escura, e torcemos pra também estivesse vazia. Logo na entrada havia uma pequena esfera espelhada caída no chão, meio rachada. Malcom se agachou e a pegou.

- Hm... Reflete. Pode ser útil.

E foi nesse momento que uma voz soou logo atrás de nós.

-Euríale... Essas estátuas... Estão se movendo?

-... Não são estátuas, gênia. Sinta o cheiro. — Uma outra voz falou.

-... Hmm. Visitantes. Medusa...?

- Cale a boca, Esteno! Esses serão só nossos. – Ela sibilou

Algo agarrou meu braço, mas antes que eu pudesse gritar, ouvi a voz de Malcom sussurrando ao meu lado.

- Mantenha a calma. Temos as duas górgonas aqui. Acabamos com elas e vamos embora; ok?

- Ei, o que vocês estão conversando aí, hein? Fiquem quietos pra que isso possa ser rápido! – Esteno se aproximava.

- Quando eu disser já, atacamos. – Malcom continuou.

- Não, não, não. Nem pensem nisso. Fiquem bem quietinhos aí.

- Temos vantagem. Nós somos três, e vocês, duas. – Ele ameaçou.

Euríale sibilou com desgosto e atacou, junto com Esteno. As duas pularam com as garras prontas. Euríale pulou em cima de Malcom e eu e Aline seguramos Esteno. Elas lutavam bem, e se moviam rápido.

- Semideuses! – Uma terceira voz se juntou. Todos evitamos olhá-la, estava óbvio que seria. – Mais estátuas para a minha coleção?

- Aline! – Sinalizei para Esteno, com a intenção de que ela a segurasse, e ela assentiu.

Malcom se aproximava de nós com Euríale.

- Meninas, segurem essas duas. Eu posso cuidar da outra.

Euríale, apesar de estar se esforçando contra os golpes de Malcom, ironizou:

- Boa sorte!

Eu deixei Aline com Esteno e a ataquei. Malcom abaixou o rosto e olhou para a esfera. Ele ia em direção à Medusa, e pelo olhar dele, vi que aquilo era quase pessoal. Medusa era uma das inimigas de sua mãe, Atena.

Eu tentava me defender contra Euríale com uma espada, mas ela me fazia recuar cada vez mais, e eu fui me afundando naquele labirinto de estátuas, e me distanciando dos outros.

- Desista semideusa, você não deveria estar aqui. Deixe-me encerrar isso por você. – Ela era boa demais, eu a tinha subestimado.

Ela era mais rápida que a outra, e mesmo eu sendo filha de Hermes, não conseguia ser tão rápida, por conta das preocupações. Eu tinha medo. Tinha medo de falhar, tinha medo de perder Malcom e Aline, tinha medo de já ser tarde pro Aaron e falhar com a minha missão de irmã mais velha.

De repente, a górgona chuta meu estômago e eu desequilibro, derrubando a espada longe. Ela segurou na minha garganta e aproximou meu rosto do seu. Suas cobras sibilavam alto, e eu me perguntei se ela usaria o veneno pra me finalizar.

- Você falhou, querida. – Ela sorria, como se fosse algo pessoal.

Mas eu... eu não podia falhar, eu não devia falhar. Lembrei de Malcom e Aline, lutando junto a mim pra salvar o meu irmão, arriscando a vida pra salvar alguém que eles mal conheciam por amor à mim. Eu não podia falhar, nem com eles e nem com Aaron.

- Não. – Saquei uma adaga (de emergência) escondida no cinto e a finquei no peito da górgona – Você falhou.

Ela fez uma careta de dor e explodiu em poeira dourada. Eca. No chão, sobraram apenas dois pequenos frascos. Idênticos. Peguei-os (e a espada também) e corri de volta. Quando cheguei, Aline já havia derrotado Esteno e agora estava com Malcom, tentando lutar contra Medusa. A esfera havia caído no chão e quebrado, agora ela os empurrava contra a parede, com eles de olhos fechados e ainda empunhando as espadas.

- Medusa!- Gritei por ela, olhando na direção contrária.

Ela se virou -eu acho-, e Malcom aproveitou o momento pra cortar a sua cabeça com um único golpe.

Plop.

Seu corpo sumiu e a cabeça caiu no chão. Antes mesmo que pudessem guardá-la, corri em direção a eles e os abracei.

- Ai, meus deuses, vocês estão bem?

- Sim, sim, tudo bem por aqui. Você? – Malcom

Assenti.

- Pegou os frascos? – Aline

Abri a mão.

- Só não faço ideia de qual é qual.

-... Podemos resolver isso no acampamento, onde é seguro. Por ora, vamos só sair daqui. – Malcom sugeriu, e pareceu uma ótima ideia.

Depois de algum tempo andando pra chegar ao outro lado da rodovia (onde era movimentado), e conseguir uma carona num ônibus de viagem (usando a inteligência do Malcom, minha persuasão e a melhor cara de João-sem-braço da Aline), chegamos a NY, onde pudemos pegar um táxi até o acampamento. Ufa!

Quando o táxi parou, na base da colina, eu nem esperei o cara dizer o preço. Simplesmente joguei o resto que tinha na carteira e me lancei pra fora do carro, e comecei a subir a colina, com Malcom e Aline logo atrás. Enquanto as pessoas nos olhavam, com especial interesse no embrulho que Malcom carregava, eu só pensava em chegar logo na Casa Grande.

- Quíron...! – O encontrei na varanda. Minha voz saiu estranha porque eu ainda não havia recuperado o fôlego – Nós conseguimos os frascos...!

- Ah!

- Só tem... Um problema... Qual é qual...?

Ele pegou os frascos da minha mão e os examinou minuciosamente.

- Você não sabe? – Ele respondeu

- Não... Pensei que ia saber qual era, quando conseguisse os frascos, mas ela simplesmente evaporou e só o que sobrou foram eles.

-...

- Por favor, me diga que sabe qual é qual.

Mas ele apenas balançou a cabeça negativamente.

Eu não ia ter passado tudo aquilo só pra chegar aqui e dar o frasco errado pro meu irmão. Minha visão começou a embaçar, e minha garganta a se fechar. Antes que eu pudesse perceber, eu rezava silenciosamente a todos os deuses que eu conhecia. Em especial a Atena, Tique, Apolo, Hermes e Dioniso.

Então, enxuguei as lágrimas e tentei me controlar. Segurei os 2 frascos com firmeza e fui em direção à enfermaria. Malcom e Aline vieram comigo. Quíron também viria se pudesse subir às escadas. Lá em cima, encontrei meu irmão. Ele continuava deitado, não havia mudado nada desde de manhã. Olhei de novo pros frascos. Um o salvaria, e o outro me faria sentir culpada pra sempre. Cheirei as duas substâncias. Idênticas. Sem paciência, muito nervosa, tampei um e o outro, despejei em sua boca, rezando desesperadamente pra que fosse o certo.

Por um instante de pavor, todo o corpo do Aaron se contraiu. Sua expressão mudou de serena pra dolorosa, e suas mãos se fecharam com força. As lágrimas voltaram a borrar minha visão, e o nó em minha garganta era doloroso. Minha mão procurou instintivamente as de Malcom e Aline.

E então, seus olhos se abriram e ele tomou fôlego, relaxando todo o corpo. Eu podia jurar que naquele momento meu coração ia fazer um buraco no meu peito. Eu nem vi como fiz isso, mas em um segundo eu segurava as mãos de Aline e Malcom, e no outro, eu apertava Aaron num abraço.

- Ai... Você... Ta me sufocando!

Eu apenas ri. Eu nunca tinha sentido um alívio e uma alegria tão grande em toda a minha vida.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!