Not that cold anymore
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Boa leitura!
O homem que esbanjava poder com um único olhar glacial estava sentado em sua cama sozinho, mas não parecia se importar com isso. Por entre o lençol amassado e almofadas espalhadas ele estava envolto em uma coberta fina observando pacificamente o céu através da janela no quarto mais alto.
Era uma tarde comum onde a chuva fina e quase sem força caía marcando o vidro, as folhas das árvores e a grama lá embaixo. Podia até ser algo passageiro, mas foi o suficiente para nublar o céu inteiro e transformar aquele momento em algo melancólico.
O quarto estava em uma temperatura agradável mesmo com as sensações em sua mente o confundindo. Ele não tinha nem acendido as luzes e menos ainda se preocupou em desligar a televisão, mas fez questão de silenciar o volume. Estava ocupado demais se perdendo no frio de suas memórias para se importar com coisas triviais ao redor.
Um singelo suspiro fez mais barulho do que a chuva do lado de fora fazia naquele cômodo, mas nem por isso o rapaz mudou sua atenção. Ouviu os cachorros latindo no fundo junto ao vento nas folhas sem conseguir ver nada além da chuva.
No meio desse escuro a porta se abriu revelando a luz fraca do corredor que bateu em seu rosto o fazendo mudar sutilmente seu campo de visão. Encontrou na entrada a figura esguia do ruivo sem camisa secando as pontas do cabelo em uma toalha felpuda.
Não disseram nada apenas trocaram olhares rapidamente antes da luz sumir e os olhos glaciais se voltarem para a janela. O som da porta se fechando não incomodou assim como o som dos passos e o do colchão ao receber o segundo corpo para carregar também não.
O jovem se sentou logo atrás deixando a toalha na cômoda ao lado antes de passar seus longos braços ao redor da cintura do outro. Em silêncio acompanhou o olhar sereno vendo as nuvens se moverem com lentidão mais pesadas e escuras do que deveriam ser naquela estação do ano.
— O que foi, Barão? – A voz estava próxima, mas não era alta nem era uma intrusa no silêncio, mas confortante.
— Nada. – Respondeu sem olhar como se estivesse hipnotizado por algo. O ruivo ergueu as sobrancelhas sem tentar esconder sua surpresa. Ele não tinha sido rude e menos ainda amigável, sua voz na verdade parecia vazia.
— Ah, é? – Se ajeitando questionou tentando ver que tipo de expressão ele fazia diante da luz cinzenta. — Está cansado?
A insistência fez o homem se virar levemente já esperando encarar o olhar sarcástico de sempre, contudo, para sua surpresa, não encontrou aquelas sobrancelhas desafiadoras ou o sorriso de canto irritante. Viu, na verdade, olhos gentis que o fizeram bufar incomodado.
— Parece que não quer conversar. – Uma risada curta ecoou enquanto seus braços relaxaram dando espaço para o outro no abraço.
— Eu não tenho o que conversar. – Retrucou seguindo um suspiro que o contradizia. Assistiu o brilho da televisão sem sinal refletindo nas paredes pensando em algo que não espalhar com palavras. — Só... está frio.
Ren o observou em silêncio vendo o perfil de seu rosto irritado mostrar um pouco de solidão a qual entendia bem. Não sabia o que tinha acontecido, mas se Camus não queria contar ele não iria força-lo.
— Ah... – sorrindo retomou o abraço fechando a distância de antes. — Então – próximo ao pescoço abaixou o tom de voz usando o silêncio ao seu favor para seduzi-lo — eu te faço pegar fogo.
Carinhosamente beijou o espaço entre o ombro e o pescoço antes de ouvir qualquer resposta. O toque rápido pegou o loiro de surpresa não o permitindo absorver nem mesmo a sugestão anterior.
— Gumin! O que- – Enquanto tentava se esquivar falando alto sentiu os lábios subir por seu pescoço lentamente até a parte de trás de sua orelha causando arrepios em suas costas. — fazendo... – com carinho mordeu o lóbulo antes de colocar a língua para tortura-lo.
O coração do homem estava tão acelerado que podia sentir o músculo batendo contra seu tórax na tentativa de abrir espaço para sair. Ele queria discutir, queria manda-lo parar, mas não conseguia controlar a sensação que os toques suaves causavam em seu corpo. Era quase como se conseguisse sentir as ondas de calor superaquecerem sua mente.
— Jinguji... – Por entre suspiros quentes sua voz chamou o nome do outro. Os olhos de Ren abriram se questionando se o homem tinha consciência do quão sensual sua voz soava naquele instante e como isso fazia seu coração saltar.
Ele não desgrudou os lábios da nuca exposta, mas também não se moveu. Queria continuar, mas precisava saber se o outro tinha o mesmo desejo. Camus notou o silencio pensando se somente isso era o suficiente para ele entender o que queria.
— Sim?
A voz estava perto demais e inesperadamente o assustou fazendo engolir a saliva rispidamente. Sua cabeça virou para o lado encontrando o olhar sedutor aguardando por uma resposta. Seu coração disparou ao mesmo instante que suas sobrancelhas se abaixaram furiosas.
Ren queria rir, a expressão séria de sempre não encaixava em nada com aquelas bochechas avermelhadas e a respiração descontrolada, porém se segurou. Sabia que se fizesse isso estaria colocando o resto daquele momento juntos em risco.
Se afastando ele assistiu o homem se virar tomando longos suspiros como se tentasse recuperar todo o ar que havia perdido nesses instantes. Não demorou muito para a postura de ordem voltar se recompondo completamente como esperado de um guarda.
— Por que você é sempre assim? – Sem olhar questionou.
— Heh... Desculpa. – Como um filhote arrependido Ren se aconchegou no abraço juntando mais seus corpos com um sorriso no rosto sentindo a respiração pesada do outro o movimentar. — Está tudo bem ficar assim?
Camus respondeu com um som abafado positivamente sentindo em seguida o rosto do outro se apoiar em seu ombro carinhosamente.
Curioso ele virou a cabeça na direção vendo o ruivo esconder a face atrás mostrando somente os olhos piedosos. O loiro o encarou por alguns instantes antes de soltar um suspiro irritado e, sem sair da posição, levou a mão até o cabelo dele afastando a franja húmida do rosto antes de se aproximar beijando sua testa carinhosamente.
Notas finais
RenCamus deve ser uma das minhas ships favoritas em UtaPri (talvez seja porque eu amo os dois demais o3o) e quando pensei nesse tema de “assistir a chuva” só consegui ver os dois. Eles se dão bem e apesar de achar o Camus um tanto infantil em determinados momentos, quando ele está com o Ren ele se torna bem mais adulto.
Então tá aí né :D Muito obrigada por ler e espero que tenha gostado *3*
Ah, também optei por deixar “Gumin” porque é uma palavra característica do Camus. Pensei que se colocasse a tradução iria acabar soando estranho. Se puderem me dar opiniões sobre isso eu agradeço também ^^
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