Not so different, After all
22 Don't Let Me Alone.
Notas iniciais
Talvez um dia eu entenda o por quê, de que tudo que toco seguramente, morre.
Senti isso na areia se desfazendo e descendo ao chão.
Senti o peso da culpa, nos meus ombros. Senti a solidão.
Senti a morte se esvair por entre meus dedos, por entre minha face e por entre meu eu.
Não encontrei Jamie em lugar algum da casa.
Não o encontrei em meio aos seus sorrisos.
Nenhum outro desenho foi feito.
Nenhuma outra brincadeira foi tirada.
E percebi que ele foi tirado de mim. Percebi da pior forma possível.
Fui tola em achar que sairia impune do esconderijo de Pitch.
Fui tola por pensar que ele não me faria mal.
Fui tola por vir até aqui. Fui persuadida.
E Jack...
–Ah não... — estou em estado de choque e grito enquanto corro pela casa e vou ate a janela a procura de alguém que me ajude, mesmo sabendo que não há nada, não há esperança. — Não, não, não — murmuro saindo da janela e voltando para a sala. -.... JACK! — grito.
Há dor em minhas palavras e sinto meu coração pesar.
A neve que se forma em redemoinhos envolta de mim agora tem uma tonalidade vermelha, eu estava com medo.
Preciso do Jack.
Preciso, que idiota fui. Ele também foi mas... Eu ia repetir o mesmo que ele fez, e ele me viu da janela, antes do ocorrido... Com Jamie.
– Jack... — me deixo cair de joelhos no tapete frio, a lareira apagada e o clima cinza e pesado, capaz de quebrar pensamentos bons, se juntava com a neve ao meu redor.
Ninguém me ouvia, nem me via.
Eu estava envolta em meus próprios pensamentos, em minha própria neve.
Deixei chorar.
–Jack... — eu soluçava e sentia a culpa pulsando em mim e me empurrando pra baixo, pro escuro. — Não — enterrei meu rosto em minhas mãos — Eu estava errada, — grito — eu preciso de um guardião, — sussurro — eu preciso de você, Jack.
Desabafei, engoli meu orgulho, mesmo sabendo que ele não me ouviria, ou que não viria me salvar.
Chorei.
Percebi que só sentimos falta da luz quando a escuridão aparece, percebi que só sentimos falta do sol quando a neve aparece.
E ela apareceu.
Senti um dedo gelado percorrer meu pescoço e ir em direção aos meus olhos, enxugando minhas lágrimas.
Senti ele ali, agachado na minha frente pra poder me alcançar em meio a meu próprio medo, e me tirar dali.
Nada falei porque sabia que podia confiar, mesmo depois de tudo. Com Jamie, ou no caso, com Pitch, havia persuasão, havia medo, não havia mais nada.
Mas deixei que aquele, que agora segurava minha mão me levando de modo rápido para o que imaginei ser uma coisa vermelha e grande, me levasse.
Eu estou olhando distante e eu sinto tudo passar por mim.
–Elsa! — eu escutava ao fundo. — Elsa, por favor fale comigo! — essa voz gritava.
Eu apenas mantia meu olhar pra qualquer lugar entre a vida e a morte.
Eu procurava um nada. Um ninguém.
Eu vi a morte com meus próprios olhos. De novo.
Eu vi a alma de uma pessoa querida se esvaindo em areia negra. E eu era a culpada.
Eu me vi na escuridão, no frio ruim.
–Jack, precisamos levá-la para... — outra voz ficava cada vez mais distante, assim como a minha força.
Então tudo ficou preto e cai na imensidão das minhas próprias mágoas.
Alguém me segurou. Jack.
Senti meu coração pesar ainda mais, coloquei uma de minhas mãos em seu rosto frio deslizando-as logo em seguida por não ter forças, e tive tempo de sussurrar apenas algo antes de afundar por completo em meu próprio coração congelado.
–Jack... Socorro.
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