Not my cup of tea

1 Capítulo único


Tece as linhas do teu sonho,

Prende-me o corpo.

Faze de mim o que quiser...

Nobunaga ergueu os olhos. A postura de Machi não se alterara um só milímetro. Observava as pessoas ao redor, apenas parcialmente atenta às conversas fúteis. Permanecia em silêncio desde a chegada das xícaras de café. Braços cruzados, cabelos soltos. Uma das mechas caía por cima de seu ombro.

— Ainda não acredito que o Danchou aceitou enfrentá-lo — disse ele.

Machi virou o rosto.

— Ele sabe ser irritante — prosseguiu Nobunaga no mesmo tom.

O samurai tocou sua xícara, mas não bebericou o café. Sentia o olhar da kunoichi como um exame de raio X. Mas os pensamentos dela eram um mistério.

— Não diga coisas inúteis — retrucou Machi.

Ele moveu os lábios de leve. Sorveu um gole da bebida amarga e acomodou o braço no encosto da cadeira. Era um dia ensolarado. Crianças passeavam pela rua tomando sorvete.

— Eu acho essa luta toda inútil.

Machi encarou-o.

— Está questionando a decisão do Danchou?

Nobunaga ergueu as duas mãos. Terminou o café e fechou os olhos, inclinando a cabeça para trás. Seus cabelos também estavam soltos, e as roupas que vestia eram comuns. Um jovem desinteressante acompanhando a suposta namorada. Não pôde evitar lembrar-se daquela tarde em Yorkshin.

— Ele é persistente. — Machi pousou o queixo sobre a mão. — O Danchou sabe disso melhor do que ninguém.

— Mas isso se encerra hoje — rebateu Nobunaga, fitando-a.

A kunoichi ergueu sua xícara com as duas mãos. Não emitiu ruído ao beber.

— Não me diga que fez um acordo com ele.

— Ele me pagou — respondeu Machi com indiferença.

— O Danchou vai exterminá-lo.

— O valor já foi pago. — Ela afastou a xícara.

O samurai riu sem humor.

— Não importa o resultado da batalha, não é?

Ela se recostou na cadeira. Lançou o olhar sobre as nuvens.

— Não gostou do café.

— Você escolhe lugares horríveis.

— Tinha outra opção em mente?

— Chá.

Nobunaga calou-se. Era o fim do diálogo. Machi levantou-se sem cerimônias. Amarrou os cabelos em seu costumeiro rabo de cavalo. O samurai acompanhou em silêncio.

— Ficarei aqui — disse, por fim.

Machi assentiu.

— Shalnark e Korutopi já estão na Arena — comentou, erguendo os olhos em direção ao enorme prédio.

— Shal não gosta de esperar.

Ela não respondeu. Afastou-se da cafeteria com passos leves. Não deixou moedas para trás. Nobunaga girou a xícara com o café quase intocado.

— Chá...

Mais um riso de humor. Retirou a carteira do bolso da calça para pagar o garçom. Não estava interessado em ver a luta.

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