Not in That Way
1 i'm so reliant, i'm so dependent, i'm such a fool
Notas iniciais
Por enquanto, aproveitem o capítulo!
A primeira vez em que tentei dizer as palavras para Regina foi há aproximadamente dois anos atrás, em outros tempos, em outras circunstâncias. Fiquei parada no meio do Granny’s tentando fazer com que meu corpo se movesse até a mesa onde Regina tomava seu café sozinha.
Quando todos no restaurante estavam prestando atenção em mim, inclusive ela, meu cérebro finalmente atendeu os meus comandos para que meu corpo se movesse, mas em direção a porta.
A segunda vez em que tentei dizer as palavras para Regina foi seis meses depois daquele fiasco no Granny's. A aquele ponto, nossa relação havia passado de inimigas para ex-inimigas civilizadas, mas parecíamos mais um casal divorciado. Pelo bem de Henry decidimos nos comportar e sermos amigáveis, e por mais que eu já soubesse que Regina era especial, eu pude conhecer um lado mais sensível dela, e isso me fez me apaixonar ainda mais por ela.
A verdade é que eu já sabia que sentia algo forte por ela desde que a conheci. Não vou ser clichê em dizer que a amei no segundo em que a vi, mas não posso dizer que não senti algo ali.
Ela se esforçava tanto, lutava tanto pelas coisas que amava e se protegia com tanta força que tudo o que eu queria fazer era abraça-la e dizer que a entendia. Essa era a maior verdade. Eu a entendia. Eu entendia os motivos dela agir de forma tão fria, individualista, tão cruel... eu entendia que aquela era a forma como ela agia e não como ela era. Eu sempre soube o que a solidão e a dor são capazes de fazer com você, e tudo o que eu queria era que ela entendesse que eu a entendia. Deu pra entender? Outra grande verdade é que eu nunca soube me expressar e dizer como me sinto. É um defeito de nascença, ou uma forma de proteger meus reais pensamentos pra ninguém ter acesso a eles... no fim das contas, isso me prejudica ás vezes. Como me prejudicou naquele dia quando fui até a casa dela, apertei a campainha e quando ela apareceu na porta, todo o discurso que eu tinha ensaiado na frente do espelho desapareceu da minha mente.
O que eu estava pensando, afinal?
Eu estava na porta da mansão de Regina. Regina Mills. O ser humano mais sensacional e maravilhoso que já existiu. Única, incrível, talentosa, forte, linda, engraçada, dedicada... e eu aqui. Em qual momento eu perdi a sanidade e pensei que ela poderia retribuir o que eu sentia? Como a boa covarde que sou, inventei uma desculpa besta de que Henry havia esquecido o tênis na casa dela e isso resultou em vinte minutos dela procurando o bendito sapato, me dando uma bela vista quando abaixou para procurar debaixo do sofá.
Agora seria diferente. A terceira vez não iria falhar. Por que, você deve estar se perguntando. O que torna essa vez diferente das outras?
Hoje, parada na porta da mansão com a sensação de dejavu, eu posso dizer que Regina me ama. Hoje posso dizer que somos amigas e que ela se apoia em mim, confia em mim, acredita em mim. E com o histórico que ela tem, isso é algo muito grande. Portanto, hoje seria o dia que eu diria a ela todas as coisas clichês que eu penso. Diria o quanto eu amo quando ela sorri, e que mesmo sabendo que faço papel de boba, muitas vezes faço palhaçada só pra ouvir a risada dela. Diria que ela me deixa nervosa no melhor dos sentidos. Que quando vou entrar no gabinete da prefeitura ou na cozinha para jantar com ela e com Henry, eu conto até 10 e respiro fundo pra não ter um treco. Diria que eu entendo que ela é a única pessoa que me fez sentir o que eu sinto. A única que me faz querer abrir a porta pra ela passar e a única que me faz ter pensamentos homicidas, principalmente quando Robin Hood está por perto.
Hoje posso dizer que nossa relação se desenvolveu de brigas constantes pra reuniõezinhas na sala de estar depois do jantar, depois que Henry vai dormir e garrafas de vinho são esvaziadas. Hoje eu posso dizer que ela toca em mim enquanto fala, que ela senta perto de mim no sofá, que ela acaricia meu joelho em forma de conforto quando conto algo triste. Posso dizer que ela confia em mim pelo simples fato de perder a pose de rainha pra conversar comigo. Que nas noites em que fico até tarde demais, ela enrosca as pernas sobre as minhas no sofá e não se vê um pingo de maquiagem em seu rosto, e eu posso dizer que não há nenhum momento no dia em que ela fique tão linda quanto naquele. Posso dizer que quando ela se refere a mim, ela não usa termos como “xerife” ou “miss Swan”. Ela me chama pelo meu nome e isso diz muito, isso diz tanto. Ás vezes ela me chama de “Charming Suportável” e diz que não sabe como eu sou filha dos “idiotas dos meus pais”. Ela me faz rir, e eu me finjo de ofendida, ela ri também. Isso é tudo pra mim. Posso dizer que ela elogia como eu ajudo a criar Henry e me dá uma piscadinha quando eu boto salada no prato.
Eu posso dizer que cada uma dessas coisas me fez ama-la ainda mais, e posso dizer que naquela noite eu diria a ela tudo o que estava guardado desde aquela manhã constrangedora há dois anos atrás. Eu posso dizer com certeza que ela também me ama.
Com confiança eu apertei a campainha, e quando ela me atendeu vestindo seu vestido cinza-escuro e seu sorriso lindo, eu arreguei. Mas eu não estava disposta a deixar para outro dia.
O jantar foi como de rotina. Henry contou sobre o dia na escola enquanto eu devorava o terceiro pedaço de lasanha, minha favorita. Parecia que de alguma forma, parecia que ela sabia que aquela era uma ocasião especial. Quando Henry foi dormir, fui lavar os pratos como de costume e ela ficou ao lado do balcão da cozinha me olhando.
“Vai ficar hoje?”
Uma simples pergunta de três palavras e meu coração se acelerou feito doido. Eu disse que sim, e ela sorriu.
“Ótimo, precisamos conversar.”
Como se não tivesse soltado uma bomba, Regina saiu da cozinha para buscar uma garrafa de vinho enquanto eu agonizava com o prato na mão. As pessoas deveriam ter noção que as palavras ‘precisamos conversar’ nunca devem ser usadas. Nunca! E se ela quisesse me dizer que me amava e queria ficar comigo? E se ela me beijasse ao invés de realmente conversar? E se a conversa fosse sobre ela saber que estou apaixonada por ela? Eu poderia morrer antes de chegar na sala.
Com a pose que ainda me restava fui até a sala e sentei no sofá ao lado dela. Acho que ela percebeu que eu estava nervosa, porque me encheu minha taça um pouco mais do que costuma encher. Ela tirou os sapatos e colocou os pés cobertos pela meia-calça em cima da almofada em meu colo. Ela parecia tão nervosa quanto eu.
“Então, o que você quer me falar?” perguntei, fingindo uma calma que eu não sentia.
“Antes de falarmos disso, me conta como foi seu dia,” ela bebericou a taça e esperou minha resposta, me encarando com seus grandes olhos castanhos.
“Nada demais, o mesmo de sempre... na verdade, eu também preciso contar uma coisa pra você,” pronto, aquele era o momento.
“Então conta,” ela me olhou com expectativa, curiosa para saber o que eu ia contar. Quem iria imaginar que Regina Mills era doida por uma fofoca?
“Não, conta você primeiro,” Emma, a covarde.
“Não, conta você,” ela insistiu.
“Não, conta você,” insisti de volta.
“Eu fiz o jantar, eu tenho direito de escolher,” ela disse birrenta.
“E eu lavei a louça, tenho direito de recusar sua escolha,” dei de ombros.
“Você parece uma criança,” ela disse brava. “Você parece Henry tentando me convencer a não ir pra escola.”
“Sabe como dizem, tal mãe, tal filho,” eu disse, e quando ela revirou os olhos eu vi o quanto Henry se parecia com ela também. “Tenho uma ideia, vamos falar ao mesmo tempo.”
“Quantos anos você tem?”
“O suficiente, vamos lá... vou contar até três.”
“Emma, vamos conversar como adultas,” ela disse séria, mas eu via o brilho em seus olhos de que tinha adorado a ideia.
“Um...”
“Emma eu não vou falar nada.”
“Dois...”
“Você é tão irritante,” ignorei.
“Três! EU ESTOU APAIXONAD-“
“Estou namorando com o Robin.”
“O que?” Espera... o que?
“Se tivesse conversado feito gente, teria entendido o que eu disse,” ela disse desviando o olhar, sorrindo constrangida. “Decidi aceitar o pedido dele.”
Eu não estava respirando direito. Parecia que o mundo todo tinha caído na minha cabeça naquele momento. Eu tenho certeza que não deixei o choque transparecer em meu rosto, mas por dentro eu havia acabado de morrer.
“O que?” foi tudo o que consegui dizer.
“O que deu em você?”
Não respondi. Continuei encarando um ponto fixo no mesclado de cores na mesa de centro. Eu precisava sair dali.
“Enfim, lembra que eu te contei da história com a Tinkerbell? Se ele é minha alma-gêmea, essa é uma garantia que eu tenho de ser feliz. Não que eu não seja, eu tenho o Henry e tenho você, mas eu preciso mais do que isso.”
É claro que ela precisa mais do que isso. Em qual estado de demência eu estava quando pensei que eu poderia ser o suficiente?
“O pedido dele foi bem amável, e ele é um cara bem legal. Ele não me julga pelas coisas que eu fiz no passado, entende?”
Entendo, entendo muito bem. Afinal, eu também nunca te julguei.
“E ele tem um filho lindo, um pouco mais novo que Henry, eles podem se dar bem...”
Naquele momento, pior do que qualquer outro momento desde que eu havia chegado naquela cidade há 3 anos atrás, eu senti que eu não pertencia a lugar nenhum. Regina ficar com Robin implicava em uma família de dois filhos que em breve se dariam bem, e ali não havia lugar pra mim. Como eu pude ser tão idiota?
“É isso,” ela disse sorrindo. “O que você acha?”
Apesar de querer gritar, chorar, me deitar e nunca mais levantar, aquela era minha amiga e ela esperava uma reação, uma resposta. Eu me recompus como pude e sorri pra ela.
“Eu acho maravilhoso, Regina, meus parabéns. Estou muito feliz por você.”
“Eu também estou muito feliz,” ela disse com um brilho nos olhos o qual eu jamais queria que se apagasse. Se ela estava feliz, eu ia estar também. “Ele chamou eu e Henry pra sairmos com ele e Roland amanhã. Sei que nós duas combinamos de levar Henry no píer mas podemos marcar para outro dia?”
“Claro, sem problemas,” sorri.
“Enfim, o que você queria me dizer?”
“Não era nada demais, sua notícia é muito mais importante,” eu disse empolgada. Eu precisava sair dali.
“Não seja tola, me fala,” ela insistiu.
“Não era nada demais mesmo,” disfarcei. “Inclusive, acho que está na hora de eu ir embora.”
“Mas já? Você não ficou nem uma hora,” ela disse tirando as pernas do meu colo, e ali eu soube que nada nunca mais seria o mesmo.
“Eu não estou me sentindo muito bem, mas muito obrigada pelo jantar,” eu disse me levantando e calçando minhas botas o mais rápido que eu pude. Eu precisava sair dali.
“Quer que eu te leve em casa?”
“Não precisa, já está tarde e você precisa descansar para seu encontro amanhã,” eu disse sorrindo, abrindo a porta da sala.
O sorriso que ela deu com a menção do encontro com aquele homem desprezível me fez ver que eu nunca, jamais me colocaria entre os dois. Aquela era a felicidade que ela merecia e finalmente estava recebendo. Eu não me colocaria no meio do amor verdadeiro que eles estavam destinados a sentir, mesmo que isso custasse meu próprio coração.
Nos despedimos e ela, como de costume, ficou parada na porta para ficar me até que eu sumisse de vista. Alguns passos a frente olhei pra trás mas ela não estava ali. Ela entrou e aquela era minha deixa para perceber que Regina nunca fora, não é e nunca seria minha.
Quando eu finalmente saí de lá, saí decidida e nunca mais interferir na vida da mulher que eu amava. Aquele era o fim de algo que nunca iria começar.
Notas finais
bjsssss
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