Notas iniciais
Honestamente, me deixa triste que 'Homossexualidade' seja uma opção de aviso no site. 2016, pelo amor de deus. Mas Okay.
ME DESCULPEM. Essa fic veio do nada, eu to sem computador, mas eu vou voltar a escrever quando puder. Aos que me odeiam pela histórias jamais terminadas, perdão. Mas eu to até sem celular, então é.
Até breve.
PAZ

—To com uma sensação de que vou morrer. – Não era uma frase muito comum, nem a melhor delas pra começar o dia, mas foi o que Regina ouviu de Emma naquela manhã.

—Emma! Que coisa horrível de se dizer! — A prefeita reclamou, levantando a cabeça do peito da loira para encará-la nos olhos. A xerife desculpou-se com os ombros antes de abraça-la mais forte.

—Eu sei. Mas sabe quando você acorda com um sentimento ruim, aquela vontade de se despedir das pessoas e das coisas que ama? — Regina assentiu, antes de plantar um beijo suave nos lábios da noiva.
-Vai ficar tudo bem. – Emma concordou com a cabeça e fechou os olhos, e realmente, naquele momento – e em todos os outros que ela podia passar com Regina – tudo estava bem.

O dia continuou, como todo dia. Só mais cinco minutos na cama, corre pro chuveiro enquanto a outra desce as escadas para acordar Henry e fazer o café. Outro chuveiro ligado, cadê meu distintivo, mãe cadê meu livro de biologia, todo mundo na mesa, uma coisa que todos faziam questão. A família demorou tanto tempo pra ser formada que momentos tão simples eram tão importantes... A calmaria em meio ao caos de todo santo dia, que parecia se intensificar a cada dia mais próximo ao casamento.

Hora de sair de casa. O celular da prefeita (que parecia nunca estar da folga depois das 08:00 da manhã de cada dia) toca com uma reunião urgente, e ela não vai ter tempo de levar o filho para a escola como todo dia, mas não tem problema, Emma leva. Tudo está igual, como toda manhã. A casa tem o mesmo cheiro de pão e café. Não são nem 08:00 pra falar a verdade mas estão todos tão acordados que já parece ser bem mais tarde. E apesar da normalidade, há um ar pesado na casa. O beijo de toda manhã antes de cada uma entrar no seu carro é um pouco mais intenso. O abraço dura alguns vários segundos a mais. O ‘eu te amo’ de cada uma soa mais real, daqueles que são ditos olhando no fundo dos olhos e você sente encostar em cada pedacinho de você. O ‘me avisa quando chegar?’ parece mais sério do que o normal.

E era só um sentimento bobo de Emma. Era só mais um dia normal. Um dia corrido no escritório, provavelmente entediante na delegacia, mas que seria prontamente esquecido no horário de almoço ou a noite ao chegarem em casa para começar a aproveitar os momentos que realmente importava.

Os carros partem em direções contrárias. Apesar de perto, o caminho até a escola de Henry leva uma eternidade e meia, já que devido ao mau tempo aparentemente todo mundo que possuía um carro em Storybrooke resolveu tirá-lo da garagem. Emma despede-se do filho, e apesar de agora o menino ser um rapaz quase da sua altura cada abraço do garoto ainda é capaz de aquecer seu coração do jeito que chocolate quente nenhum fazia.

Um pouco mais de ‘transito’ carregado, um segundo cafezinho obrigatório no Granny’s, e Emma finalmente chega na delegacia. Apesar de reclamar do celular da prefeita o seu mesmo não trabalhava muito menos, então a xerife não estranha quando pouco tempo depois de chegar seu telefone começa a tocar.

Seu coração pula uma ou duas batidas ao reconhecer o número do hospital. Não havia motivo para o hospital local discar seu número pessoal. A loira não tem uma voz quando atende a ligação.

—Srta. Swan? – Uma voz séria que Emma não reconhece a chama e tudo que ela é capaz de emitir é um ‘Hm’ sem muita convicção, o sentimento em seu peito se apertando de uma forma que é quase impossível de respirar. – Srta. Swan, é Rachel, do hospital municipal. Nós... Precisamos de sua presença aqui. Entraremos em maiores detalhes quando chegar aqui.

E ela nunca correu tanto quanto aquele dia para chegar a algum lugar, por vezes pensando com a sua parte mais racional que, se não tomasse cuidado, ela pararia naquele hospital por outros motivos. Ela telefonou para a escola no meio do caminho, Henry estava bem. Ligou a sirene para convencer os habitantes mais lentos a tirarem seus carros de seu caminho e fez caminhos que poderiam fazer com que fosse presa por direção perigosa. Aquele sentimento... Regina não atendia o celular. A reunião, certo. Mas algo em seu coração dizia que era muito mais do que isso. Uma, duas, três caixas postais. Emma estava na porta do hospital, e depois de chegar com o rosto afogueado até a recepção não se lembrava de muito mais.

Havia Snow. Haviam os braços fortes e consoladores de Charming. Havia a dor horrível em seu peito que a impedia de respirar e pensar com clareza. Havia a descrença. E quando tudo se tornou demais para suportar, houve a escuridão.

Emma acordou em uma cama que não era a sua. Uma mão carinhosa e quente tocava seu rosto, mas sua cabeça doía demais e o quarto era muito claro para que ela conseguisse abrir os olhos e identificar a quem ela pertencia. A voz suave de Snow invadiu seus ouvidos assim que a mãe percebeu os primeiros movimentos depois de um sono forçado por remédios, mas Emma não conseguiu realmente identificar o que foi dito. Abriu os olhos lentamente e se deparou com as paredes claras e sem cor demais do hospital.

Lentamente, mas ao mesmo tempo com uma velocidade vertiginosa, as peças foram se encaixando. O hospital. Uma atendente que lhe pedia calma. A cadeira onde a fizeram sentar quando a notícia foi dada. Um pneu que estourou em um carro que estava em alta velocidade e colidiu com outro. Um carro que foi destruído. O carro em que a prefeita Regina Mills se encontrava. O motorista do outro carro também estava em estado grave, mas Emma não se importava. Não tinha como. Não quando o que ela ouviu foi que ‘não houve o que fazer’. Não havia ‘não houve o que fazer’ em uma cidade onde há mágica, por deus. E, no fundo, ela sabia que isso não era bem verdade.

Antes que se desse conta, Snow tinha um braço em seus ombros e sua lagrimas já rolavam descontroladamente. Não podia ser real. Não agora que ela tinha tudo que sempre sonhou, agora que Regina estava tão feliz que dava pra sentir a felicidade em seus olhos, agora que elas iam se casar. Não era esse o plano. Era continuar brigando por ter perdido o marcador de páginas do livro, era passar as noites de sábado com um vinho e um filme qualquer porque o que importava era a companhia. Eram as manhãs preguiçosas na cama. Não era pra ser assim. Mas foi. E Emma nunca se conformou, seu coração nunca se restaurou de verdade. Quem a via sabia que ela ainda estava lá apenas por Henry, como Regina teria feito.

E anos depois, quando a dor ainda não havia se dissipado o suficiente para ser suportável, Emma ainda visita o tumulo de quem mais amava. Às vezes com Henry, mas a maioria das vezes sozinha.

E ela estava certa na manhã daquele dia. Ela, fisicamente, não morrera. Mas a melhor parte dela sim. E Emma jamais seria a mesma.

Notas finais
IS IT TOO LATE NOW TO SAY SOOOORRRYYYY?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!