Segundo dia das férias de verão. Kojiro serviu o café da manhã para aquela quantidade de gente e disse que precisava sair para fazer compras na cidade. Jun-san, que havia dormido na nossa casa naquela noite, saiu com ele no carro...Haruhi aproveitou para encarnar a chefe da Brigada novamente:

“Vamos aproveitar agora para buscar mistérios. Eu esqueci de perguntar para Kojiro-san sobre o que se esconde por trás dessa paisagem, mas se nos esforçarmos poderemos encontrar algo sozinhos.” – Comecei a sentir saudades de Kojiro... – “Primeiro nos dividiremos em equipes, depois vamos vasculhar o campo. Um time vai pelo lado direito da casa, o outro pela esquerda...” – Sigh. Kojiro morreria de rir se soubesse o que estamos fazendo...Independemente das minhas possíveis reclamações ou protestos, Haruhi fez seu sorteio clássicos de palitos marcados...

Para meu azar maior eu fui sorteado com a pessoa mais empolgada para participar desse evento: a própria Haruhi. Nós tomamos a direção que levava a cascata, enquanto o restante foi em direção à praia...

Eu caminhava desanimadamente atrás de Haruhi, enquanto ela ia com toda uma felicidade desmotivada. Vez ou outra ela me olhava, mas não falava nada. Eu realmente não sei como funciona a cabeça dessa garota. Existe algum plano de ação para essas buscas de mistério? O que eu estou perguntando...é claro que não existia. Nós simplesmente andamos a esmo, e nem mesmo Haruhi, parecia estar concentrada em procurar algo...

Em alguns minutos nós chegamos ao riacho e Haruhi parou de repente. Eu fiquei ouvindo o barulho convidativo da água, até me assustar com o que Haruhi pretendia fazer...Do nada ela começou a levantar sua camisa...

“Ei! O q-que você está fazendo?”

“Eu estou de roupa de banho e vou entrar no riacho. Está muito quente...algum problema com isso?” – Nunca imaginei você cedendo a uma vontade humana como essa...

“Não, mas eu não trouxe roupa de banho...quer dizer que tenho que ficar torrando no sol enquanto você se diverte na água?”

Ela então começou a mexer numa bolsa que tinha trago...

“Toma” – Era uma bermuda de banho e era minha!

“Você planejava isso desde o começo? E por que você pegou minha bermuda sem minha permissão?”

“Estamos no verão e num lugar onde tem água pra todo lado, você deveria ser mais prevenido. Além disso, não seja estraga prazeres, a não ser você queira continuar à ‘ficar torrando no sol’” – Ela me imitou nessa última parte, o que me deixou um pouco irritado. Entretanto, não estávamos fazendo nada mesmo, e estava quente demais para que eu pudesse recusar um banho refrescante...

Ficamos lá escaldados por não sei quanto tempo. Haruhi estava num humor extremamente bom, e resolveu que era hora de brincarmos de saltar no riacho. Logicamente, eu me manifestei contrário a essa ideia sem noção, mas não consegui contrariá-la o suficiente...

“Vamos Kyon, você tem medinho?” – Eu não vou cair nessa tática de criancinhas...

“Ah o pobre Kyon tem medo de altura...” – Tch...você vai ver quem tem medo...

Ensandecido pelas provocações ridículas, me preparei para saltar. Haruhi disse que aquele era um lugar seguro, mas eu não estava totalmente fora do meu juízo, por isso, saltei com os pés para baixo. Assim, qualquer lesão provavelmente não me mataria...

Haruhi fez galhofa, dizendo que eu pulei da forma não divertida, mas eu não estava nem aí pra isso...

Fiquei esperando ela, próximo ao local da onde eu tinha aterrissado. Pra variar, Haruhi não conhece limites e, dessa forma, resolveu saltar de cabeça. Após a explosão de água eu perdi Haruhi de vista. E isso se manteve durante um tempo o que me preocupou um pouco...

“Haruhi!! Cadê você?”

Do nada, algo submergiu pelas minhas costas:

“Boo! Peguei você!” – Era Haruhi com mais uma de suas brincadeiras “infatilóides”. Com o susto eu automaticamente a segurei pelos quadris, o que foi um pouco exagerado eu admito...

Haruhi mostrava seu sorriso mais divertido, mas parecia não ter notado que eu a segurava. Bem, eu também não percebi que continuava sustentando ela, cada vez mais próxima de mim...

“Desculpa...” – Eu a larguei de vez e não, eu não estava corando...

Ela me observou durante um tempo...

“Kyon?” – Ela praticamente sussurrou...

“Oi...”

“Aquilo que Kojiro-san falou...era verdade?”

“Do que você está falando?”

“D-Deixa pra lá...” – Definitivamente eu não sei quem pode te entender. Uma hora está brincando como se nada mais importasse e agora coloca essa cara irritada...

Após isso, Kojiro surgiu do nada nos chamando para almoçar...

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De tarde, meu primo resolveu que deveríamos ir à praia. Jun-san havia ficado na cidade, pois no dia seguinte iria trabalhar.

Nos instalamos em um ponto bastante tranquilo da praia. Meu primo sempre disse que esse era o melhor lugar. Poucas pessoas conheciam aquele lado. Só quem morava próximo conseguia ter a noção de como chegar lá...Entretanto, ele disse que não seria legal se bancássemos os antissociais e portanto, mais tarde nós iríamos para o lugar mais cheio. Não sei quanto ao restante, mas o pós-almoço me deixou um pouco lento e resolvi descansar no nosso mini acampamento. Kojiro disse que me acompanharia. Koizumi falou que iria fazer uma caminhada...Nagato e Asahina-san foram arrastadas mar a dentro por Haruhi e sua energia inesgotável.

Assim que se sentou, Kojiro começou a me perturbar como um daqueles insetos que amam o calor...

“Primo, você não quer saber por quanto tempo eu estava observando você e Haruhi-chan no riacho?”

“Se eu disser que não, vai adiantar?”

“É claro que não” – Ele falou gargalhando... – “Sabe...no começo eu achei que você estava vivendo um amor solitário...” – Já comecei a ignora-lo e pensar em páginas em branco, quem sabe assim eu pegava no sono logo – “...mas depois de ver vocês naquele riacho...Cara, Haruhi-chan tem uma paixão monstruosa por você...” – Aquelas palavras foram impactantes sem dúvida. As pessoas sempre viviam me dizendo coisas do tipo, mas nada tão direto. Ao olhar pra Kojiro, percebi que ele não estava brincando. Até seu sorriso tradicional tinha mudado um pouco. Sua perspicácia era sem par, mas ele rapidamente trocou sua expressão por algo parecido com a preocupação de um pai que teria uns 45 anos pelo menos... – “Eu não sei exatamente qual o problema das cabeças de vocês, mas deu pra ver um ponto em comum entre os dois: A maturidade do nível da 5ª série...” – Você deve estar falando exclusivamente de Haruhi não é? – “Você mesmo...se acha o cara, mas no fundo não sabe do mínimo...A não ser que Haruhi-chan tenha algum problema realmente complicado escondido, eu não sei por que você se suprime...” – Você não sabe mesmo... – “De qualquer forma, eu vou te aconselhar sobre algumas coisas por isso preste atenção...” – Eu preciso mesmo? Yare Yare, não é como se eu fosse conseguir parar o vômito de palavras de Kojiro... – “Primeiro de tudo, na sua idade é muito comum nós confundirmos algumas coisas. Aquilo que você acha que é amor está errado. Você sabe o que é amor?” – Eu amo Asahina-san, isso é amor não é? – “Vamos pegar nossa amiga Asahina-san, por exemplo...” – Você está lendo meus pensamentos? – “Tão opulenta...qualquer idiota confundiria seus sentimentos reais por ela. Mas veja minha visão sobre ela, sem ofensas: plana, fútil e caricata. Podemos discordar em vários pontos, mas a personalidade de nossa querida Asahina-san é tão construída. Eu pessoalmente acredito que a maior de suas defesas femininas é justamente a falta delas...” – Koizumi em versão amplificada, assustador...Bem...a Asahina-san do futuro não parece nada com essa que está aqui. Mas eu sei que sinto algo por ela... – “Não confunda instinto com o que seu cérebro realmente pensa.” – Como se não bastasse eu ter que pensar sobre Haruhi estar apaixonada por mim ou algo assim, ainda tenho que me confrontar pra saber no que eu estou pensando? Eu preciso de um psicanalista imediatamente. – “Em resumo, eu sei que vocês são pessoas descoladas que sabem de tudo, mas recomendo que você abra os olhos. Haruhi-chan não vai estar disponível pra você pra sempre. É muito cômodo deixar tudo do jeito que está, mas nem tudo termina do modo como à gente quer...”

Eu não quis entrar no debate. Preferi pensar comigo mesmo. A convicção de Kojiro era a mesma de sempre. Se ele tivesse que apostar sua vida no que estava falando, o faria sem pestanejar. Mas mesmo assim, eu não fiquei convencido. Eu não queria nada com Haruhi. Sim ela é bonita, inteligente, até engraçada às vezes, mas eu não diria que tinha paixão por Haruhi. Talvez uma amizade grande. Tipo coisa de irmãos...

“Eu vou te contar uma pequena história...” – Tem mais? – “Cale a boca e ouça...”

“É sobre como Junko e eu acabamos juntos...” – Pelo menos não tem a ver comigo, isso já é um grande alívio...

“Tudo começou a 3 anos...Naquela época nós estávamos na faculdade. Junko era a garota que você conhece hoje: extremamente linda e completamente ciente disso. Meus colegas e amigos eram fascinados por ela. Eu? Não dava a mínima. Todos viviam em suas coleiras, mas eu, como o cara que você conhece bem, não consegui ser adestrado e isso a intrigava...De todo modo, por eu ser a única pessoa que a tratava sem babar no seu capacho, criamos uma espécie de amizade. Se eu tinha interesse nela? Nenhum. Pouco a pouco, nós começamos a andar cada vez mais juntos. Eu mantinha meu desinteresse, mas as pessoas começavam a confundir a nossa relação. Eu apenas ignorava...” – Ele deu uma pausa para um gole de água e continuou. – “Junko até mesmo me falou de alguns garotos por quem ela se interessava e, eu continuei minha sina da amizade. O problema, é que em algum ponto, aquilo não estava mais funcionando. Já não era tão fácil falar com Junko sem ficar incomodado, mas mantive as aparências. Certo dia, um amigo meu, Okano-chan, resolveu me fazer uma ligação. Após os assuntos de sempre, Okano-chan me questionou sobre o “por que” de eu não tentar nada com Junko.” – Ele começou a rir nesse momento... – “Eu comecei a, seguidamente, repetir que nós éramos amigos. Amigos? Amigos? Quem eu estava enganando? A cada vez que eu pronunciava essa palavra era como se eu me esfaqueasse. Chegou a um ponto em que eu simplesmente larguei o telefone e deixei Okano-chan falando sozinho. No dia seguinte, fui até a Junko e a convidei para sair. Hoo Hoo, você tinha que ver a cara dela. Se eu tivesse uma máquina na hora, eu teria filmado.” – No fim ele deu de ombros – “Bem, essa história foi só um reforço. Pense no que eu falei...”

Fui para o mar refrescar minha mente daquela montanha de informações. Depois de algum tempo, Kojiro resolveu que era hora de para a parte “social” da praia...

Passamos momentos realmente bons. Eu até mesmo me esqueci do sermão que havia tomado. Infelizmente coisas inesperadas acontecem até quando estamos na maré boa...

Era o fim da tarde já. Nós estávamos arrumando as coisas pra ir embora, quando um carro, daqueles 4x4, apareceu por perto do nosso grupo. Um carinha surgiu de dentro do veículo e começou a caminhar na nossa direção...

“Você” – Ele apontou em direção a Haruhi... – “Que tal um passeio comigo?” – Eu analisei o perfil da pessoa, dona da voz confiante, e posso confirmar que beleza não era um problema. – “Sem compromisso, apenas uma volta...”

Todos, incluindo a própria Haruhi me olharam. Kojiro parecia querer me agredir com os olhos. O que vocês querem? Apenas dei de ombros e fingi despreocupação...

Haruhi se virou na direção da pessoa que fez o convite exagerado e com uma expressão que lembrava a irritação de sempre...

“Eu...

Notas finais
Kojiro é um mala, kkkkk. Por esse capítulo da pra ver que Asahina-san é minha personagem "despredileta". De qualquer forma, muito da culpa disso é do Kyon e seus discursos redundantes sobre ela...Mas eu não gosto do tipo de personalidade dela...