Not Tomorrow - Oblivion

1 A Sensação do Crepúsculo


Notas iniciais
Minha nova (recente) história, espero que gostem, o cenário não é de total elaboração, mas a trama é.

O crepitar do fogo demonstrava os sons exuberantes se alimentando das pequenas toras lascadas. As árvores já incendiadas pela devastação choravam pelos céus, um conjunto único de água, fogo, cinzas e vapor constante. Admirável e caótico seria breve os passos fundos pressionados pela grama preta.

— Acha mesmo que isso tudo foi necessário? — As rudes palavras ecoavam aos ouvidos perante a região incinerada.

— Foi um preço a pagar — Respondeu o alto homem com passividade — Isto é somente uma situação terceira, ele ainda está vivo.

— Desprezível, tanto ele como você.

...

“Sabe papai, eu sempre disse o que queria quando me tornasse adulto, hoje eu mudei de ideia”.

A ideia infortúnio e o pensamento desvairado e arrependido pode ser uma das causas mais abertas em uma pré-morte. Mas não seria assim, não para ele, não para alguém que teria um bom futuro.

Seus pensamentos ainda em discórdia com corpo não o priorizava quem estava à sua frente: Seu pai. Aquele que o amou tanto, que contou mais e mais histórias sobre os grandes guerreiros de um longo passado — Só havia aqueles olhos, os mesmos olhos negros e cordiais.

“Papai, por favor, eu te amo” Poderia ser que tais palavras viessem à sua mente, por um momento sequer. Mas aquele era seu amado pai? Aquele era a pessoa que sempre o protegeu? Não mais.

O local onde sobrevivera tanto tempo de sua vida era o inferno palpável, toque, sentimentos, tudo transformado em destruição.

— Por favor, pare! — O brando desalentado da pequena criança evidenciava os olhares perdidos nas matas cinzentas.

Se for possível contabilizar quais e quantos eram, aquele momento não era o mais apropriado e nenhum outro seria. Os olhos expiatórios, esperando a carne atacar seu semelhante era denso. Um dois segundos, esta foi à contagem até o estalo rápido acontecer; A marreta chocou-se contra o crânio da criança, os ossos curvaram-se na pele, expostos para fora como uma coroa sangrenta.

O pai seriamente sorriu, lançou-se da pequena montanha onde vivia, ali, destronado ao cair, lapidando sua morte.

O vento ainda estava lá, a pequena casa de madeira, a pequena cerca para proteger a área e a grande visão do céu e da liberdade, liberdade essa que foi conquistada como um pássaro ao voar.

— Pegamos muito pesado? — A voz vinha dos pequenos arbustos flamejados pela cinza e a brasa.

— Não sei, no fundo, me deu um arrependimento — A doce mulher observava a cena massacrante que ocorrera, será que foi realmente necessário?

— Vamos embora... — O tom cansado e compungido do homem era sua única salvação, deu meia volta com sua acompanhante e desapareceram em vultos embaralhados em corvos.

O corpo salpicado da criança contorcia loucamente, a pele, esfolada em carnes se reconstituía aos poucos, sua perspectiva e visão da realidade voltavam como um belo soneto. Era um milagre ou uma maldição?

...

A tristeza de vagar solitariamente pela imundice, pobreza e fome é uma grande parte da maioria, mas se o futuro reservou a sobrevivência a ele, porque sofrer tanto? Seu pequeno corpo passou por épocas, tantos lugares e tantas discórdias.

Se deus ou o diabo não o queriam, porque tentar? Nem mesmo a morte o salvava.

A morte não veio, mas a velhice sim. Ainda lembro o sabor da carne do meu pai. Parecem dias para mim, mas são centenas de anos para outros, aquele homem, eu o vi. Aquelas guerras, tantos sangue, tantos atributos desperdiçados, tantas vidas...

O que eles fizeram a mim? Não... O que eu fiz a eles? Só queria viver e morrer como todo mundo, mas fui privado até disto. Sofrer não existe mais, sobreviver também não. É simplesmente andar.

Foram tantas propostas, tantas pessoas, mas aqueles rostos inesquecíveis eram saudosos. Aprendi bastante com eles, aprendi bastante com principalmente a vida e com a morte.

...

O vento era quente como nunca, as nuvens desapareceram dali. Jorros d’água alimentava o gado obeso, poderia ser uma época de desgraça ou de fome, mas foi transformada em uma relíquia e um bom começo alimentício.

Naquela região grotescamente grande, exclusivamente em uma das singelas casas que decoravam a região, vive uma criança. Uma criança especial, não uma criança qualquer, na verdade um adulto formado. Seu cabelo longo e liso puxado para ruivo castanho não saía da cabeça de quem habitava a região, seus olhos simples, porém mais que sedutores, o fazia ser admirado ainda mais. Mas sua beleza, nada se comparava a seu bom coração despido e forte.

Admirado, bondoso, todas as qualidades que alguém queria sentir, queria propagar, ele havia todas.

— Shion poderia me ajudar aqui? — A voz era uma sineta para os ouvidos de Shion, seu corpo forte era o reverso de seu amigo, porém as divergências os uniam muito mais.

— Claro — O punhado de lenha foi apanhado como uma folha para seus músculos e lisos braços. Os traços fortes e esbranquiçados de seu corpo fazia-o ter um ar superior porém amistoso.

— Não entendo mamãe, ela sempre inventa de pôr as toras aqui fora para secar, mesmo estando secas.

— Deixe-a, faça pelo menos algo para agradá-la — Respondeu Shion — Mas então, quer ir hoje ao lago?

— Claro que sim, não vejo mais o tempo clarear mais.

— Então, te encontro às quinze horas. Só preciso entregar algumas coisas.

As tralhas foram colocadas dentro de casa como de costume na semana, com um singelo até mais, Shion se retirou.

A região, desértica e com pouca vegetação era o maior destaque da região, ou melhor, de todos confins por ali. Os passos na terra seca eram velozes e espertos, Shion como de costume ia para o seu trabalho; A academia alquímica.

Pode parecer desesperador, mas para alguém que tentara por longas épocas e diversos séculos ser abraçado pela morte era algo comum.

— Bom dia senhor — Com um aceno bondoso, Shion tocou a mão do velho robusto sentando sob uma cadeira velha. A sala ali era apertada, mas confortável.

— Meu pobre Shion, você é bom com poções, mas seu físico...

— Por favor, senhor Haballs, não tente. Ser um aventureiro não é minha vontade.

— Às vezes, acho que você só está sendo solidário, a nossa academia, observe, moramos em um deserto e eu não posso lhe pagar muito, você deveria viajar por aí.

A discussão terminava ali, Shion sabia o quanto admirado e solidário aquele velhote tinha sido na sua vida. Não podia abandoná-lo e nem sua missão. As mais diversas poções, mais diversos calores e projetos. Era um mundo imaginário e perdido estar ali...

O relógio, abençoado que seja, vibrou aos ouvidos de Shion, “quinze-horas” o sabor de saber aquele horário, era para Haballs infelizmente um adeus temporário, como uma criança ao saber que vai ganhar doces ao chegar a sua casa, poderia ser refletido em Shion.

Aos embalos, ia diretamente ao gigantesco caminho para a famosa e milagrosa lagoa era um desejo de ambos os garotos. Shion chegou à região, o calor não existia ali, era um oásis perfeito, a antiga documentação feita de rochas e esculturas ainda encantava aos dois amigos de longa data.

— E aí? Vai entrar ou não? — Shion socou o pequeno braço de seu melhor amigo, a profundidade da água era absurda, mas belíssima.

— Um momento, tudo bem? — Retrucou Alex, impaciente e tremendo tanto de frio quanto de medo.

— Tudo bem então — Com um salto, perfurou a água como uma pequena bala perfura uma folha — Venha, a água está ótima.

O dia poderia ter passado rapidamente, mas a sensação do calor bater na pele dos dois na água animava o ambiente. Shion poderia contar nos dedos quantas vezes brincou assim, quantas vezes não teve que sobreviver para poder se alimentar, mas não. Só deixou o dia fluir.

— Sabe... Você é meu melhor amigo — Alex resmungara com o canto da boca, a água o fazia flutuar, mas era possível ver seu rosto corado.

— Você também — Ao seu lado, Shion flutuava lentamente em conjunto e sintonia ao seu amigo, era agradável estar ali, com alguém que ele considerava bastante.

O sol estava calmo, a areia mal aproximava da lagoa gigantesca, rodeadas de monumentos. O crepúsculo era magnifico.

— Será o que há além deste mundo?

— Um dia poderemos descobrir — Os olhos de ambos acompanharam uma estrela que cruzava o céu ali mesmo, estava perto, sensação de medo correu pelas veias de cada um, mas foi momentâneo — Faça um pedido.

— Já fiz há muito tempo — Alex sorriu carinhosamente, voltando há observar o dia escurecer.

— E qual seria seu pedido?

— Não posso dizer, é proibido — Alex retrucava.

— Vamos, diga logo — Shion olhou para seu amigo, tentou apertá-lo com seus braços grandes, entrelaçando-o — Diga ou eu te afogo.

— Não.

Os olhos de ambos se encontraram por um momento, irônico seria o destino e a beleza da natureza comtemplar a situação, as árvores agitadas com o vento que percorriam pelas mechas banhadas dos garotos. Aos poucos, eles se aproximavam, seus lábios aproximaram um do outro, a conexão foi brava e quente, a sensação em meio ao oásis se tornou agradável e impulsiva. Os lábios rastejavam pela boca de um e de outro até serem cobertos pela jovem noite.

— O que foi isso? — Alex sorriu ligeiramente.

— Eu não sei — Shion relembrara de algo triste, algo profundo, mas porque magoá-lo neste momento? — Já escureceu, temos que ir.

Ambos partiram pelo deserto, a entrada do pequeno vilarejo agricultor deu presença a uma criatura robótica, gigantesca e com a aparência de um lagarto amedrontador.

— O que é aquilo? — Alex perguntou apavorado, seus olhos fugiam de onde estava perseguindo sua casa — Shion temos que ir!

— Não, você vai! — Shion apalpou o braço de seu amigo, com um leve sorriso o empurrou para distante. — Corra!

— E você? — Alex parou momentaneamente, sentiu um fundo pesar nos ombros.

— Eu vou tentar afastar as pessoas próximas ali, veja se sua família está bem, vai! — Com um grito ensurdecedor, Alex correu a direção oposta da criatura.

Seu rabo chicoteava as pequenas estruturam já abaladas pelo tempo, com uma pequena barra de ferro que achara próximo ali, tentou aproximar-se da criatura, porém infelizmente, não lhe dando atenção ela seguia unicamente para um local; A academia alquimista.

A corrida era preocupante, o réptil metálico era três vezes mais rápido que o garoto castanho, seus pés não podiam sequer acompanhar a presença da criatura.

O grito uivante foi o chamado único para quem residia na academia, à criatura abocanhou a pequena estrutura metálica, piedade ali não houve o pobre velho foi engolido em um abocanhar da criatura, desaparecendo em meio às mecânicas bronzeadas da mandíbula.

Poderia ser somente isto, porém, o destino não havia sido completado, a tortura de perder alguém que lhe ajudou tanto tempo subiu do estômago, as lágrimas encoparam nos olhos pretos do jovem adulto castanho, que não sucumbira ao desespero. Ainda corria em suicídio na direção do lagarto, no entanto foi falho. Com um breve sacolejo, uma enrabada fatal o lançou perante destroços de uma casa, juntamente com corpo que ali já jaziam mortos.

Para a tristeza de seu coração, a criatura não partira ali, atormentara continuamente o local, até que um indivíduo surgiu ali: Alex. Pobre Alex, pena não ter sido avisado, o receio de querer ajuda-lo só piorou o tormento em seu coração, já não sentia as pernas.

O garoto, surpreendido pelo lagarto foi abocanhado fatalmente, Shion antes que pudesse gritar em pesar de seu amigo, foi ao desmaio — Ou uma de suas mortes.

Num acordar simplório e humilhante, sentia seu corpo reavivar novamente, porém sua mente não. A desgraça que acontecera ali era definitiva, não havia nada mais, só destroço.

Seus passos lentos e desacordados afastavam os destroços em desarmoniosa sintonia, nada ali fazia mais diferença. Seus pés o levaram onde menos queria estar, na academia. Não havia mais nada ali, arrasamentos eram como pregos em sua mente.

Poções extinguidas sob o chão, utensílios que tanto aproveitara em sua pequena existência ali, tudo atirado aos ares como nada. Sentado ao lado do lixo de guerra, pensativo e choroso, muitos diziam que crianças não podem chorar, mas ele desta vez, chorou profundamente, mais do que seu corpo podia suportar.

O amanhecer era salgado, não havia mais movimento, não havia mais ninguém. O que restava a ele neste momento? Suicídio não é opção, é totalmente inviável...

A última lembrança era o sabor dos lábios de alguém que realmente ele amava, por muito tempo, quem poderia dizer que a tristeza voltaria em um pesar maior? Pai, amigos e agora ele.

Com os ombros recolhidos e os fios de cabelo soltos pelo rosto, ele chorava escondido, escondido de si mesmo. Entretanto, a sua atenção foi tomada pelo assoalho de madeira que cobrira o antigo recanto, agora esfolado aos montes, algo curioso brilhava em sua atenção.

Sem motivos para hesitar, retirou as peças restantes da madeira já mais que aniquilada, o traço dourado e bem delineado do objeto era ostentar em cores bronzeadas. Uma espada de cobre detalhada até onde não podia mais encontrar detalhes, sua estrutura rodeada por formas de aço puro encantaria até mesmo os mais ricos.

Quando a tocou, sentiu uma energia que nada mais poderia sentir, o calor percorria dos dedos até o limite de seu corpo, todos os poros excitados com tamanha presença que no final, só deixava mais dúvidas.

Alcançou a espada e a ergueu, a energia que era intensa, agora brilhava fracamente, mas internamente se mantilha ao nível anterior. Na lateral grossa da lâmina, havia dois hieróglifos em especiais usados no deserto, que formulava a frase;

“O seu brilho se intensifica em mãos únicas.” Enigmático ele diria, mas, comtemplar a espada era mais especial. Não soubera o que fazer, seu criador estava morto, porém a memória única estaria gravada nela. Embainhou em panos e a guardou em suas costas, resistir naquele inferno desértico não era mais vantajoso, agora, seus olhos seria atolados de vingança ou resgate.

...

— Ora, ora, sinto que alguém trouxe minha recompensa — O homem sentado sob um trono de ferro, erguido sob o ar em apoio a diversas joias roxeadas, saudava sua belíssima acompanhante que arrastava juntamente com dois guardas, alguns prisioneiros.

— Acredito que se surpreenderá amor — A mulher de corpo exuberante usava e seduzia os demais com seus peitos fardos, presos a uma veste colada ao corpo onde exaltava suas longas pernas rodeadas em botas elásticas com enormes saltos — Esses chegaram exclusivamente daquela região chula, foram necessários somente alguns lagartos metálicos, nada demais.

— Ótimo — Respondeu o homem sob o trono, saciava-se com uma taça de vinho, suspeitamente sangue, seus lábios encorparam em sangue assimilando aos seus lábios e encharcando as brechas profundas da carne — Não me importo com eles, me importo o que eles poderão oferecer a mim.

— Ouçam prisioneiros — A mulher andou para próximo da região onde seu senhor e amante estava, observava silenciosamente, reparando continuamente as mechas roxeadas do cabelo.

— Vocês estão aqui hoje porque servirão a mim, de boa ou má vontade — O homem lançou ao chão, próximo de sua amante a taça de vinho onde com a explosão do cristal, ele voltou a dizer. — Veja meu exército é insuperável e logo ultrapassará limites planetários, sejam bondosos e façam o que lhes foi ordenado, assim poderão estar ao meu lado.

— Não iremos servi-lo — Um dos prisioneiros rugiu instintivamente, logo foi surrado por uns dos guardas que ouvira tais blasfêmias.

— Tudo bem então — O homem se enrijeceu — Levem todos para a fornalha.

— Não, por favor — Haballs se pôr-se a frente da situação — Senhor, espere, deixe-nos vivo e eu criarei as mais diversas poções para vossa majestade.

— Irônico, o mais fraco é o mais sábio — O homem voltou-se a frente, interessado na proposta — Levem todos para o trabalho, e criem uma sala para o velho, vamos ver do que ele é capaz.

Os sons uníssonos dos passos deram margem à escuridão restabelecida novamente na gigantesca sala, o silêncio tomou conta e o homem no seu trono voltou a raciocinar como sempre.

A uma distância em que os deuses não contam, estava ele, observando o seu reflexo na água não tão bela como antes, ali, onde um beijo sincero ocorreu, agora não era mais acentuada como antes.

A água, agora borrava em lagrimas enxutas “vamos lá, faça por eles, você já vivenciou muito mais” as palavras reforçaram sua vigor, levantou dali e observou a imensidão desértica, por onde começar? A resposta veio da espada, com um brilho singelo, ela ofuscara as árvores rodeadas no oásis.

Tateou-a e segurou-a firmemente, seu brilho iluminava sua face cansada e para sua surpresa, ele sentia o corpo de alguém distante, somente sentia nada mais...

— Acho que está na hora — Parecer um louco ou não, conversava com a espada, independente do que acontecesse iria fazer algo além de fugir e não tentar.

Notas finais
O que acharam? Comentem. :D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.