Not Planned.
4 The trip.
Notas iniciais
Eu me senti corar e respirei um pouco mais forte. Ele levou suas mãos a minha nuca e eu levei as minhas para sua cintura. Ele era mais alto que eu e eu acabei não conseguindo levar meus braço são seu ombro como eu queria.
Segundos depois, me lembrei e me afastei do beijo de Adam.
- Eu não... Nós não podemos.
- Por que não? Charlie... É teu último dia aqui. Nós não podemos nos tratar do jeito que realmente tínhamos que nos tratar? Enrolamos três meses e agora já é tarde demais pra eu dizer que estou apaixonado por você.
- Você... – merda, cu, cacete. E não me xingue de boca suja! – não podia ter dito isso... Eu também acho que gosto de você e...
Ele me interrompeu com um selinho demorado e eu me afastei de novo.
- Você não entende, Adam? Eu não posso! Eu vou viajar nesse final de semana e não vou mais te ver!
- E você não entende que eu não quero que você vá? Nós nos conhecemos desde o começo do ano e... – disse ele, quando percebi que uma lágrima escorria pelo seu rosto.
- Adam... – eu o interrompi. – Eu não posso te ter desse jeito, e você não pode me ter desse jeito também. Eu... eu vou embora.
- Não... não. Por favor, ainda são cinco da tarde, não faz nem uma hora que você chegou e eu quero aproveitar, hoje... Eu nunca mais vou te ter, lembra? – ele disse, enxugando seu rosto molhado.
Eu só pensei em correr e o abraçar o mais forte que pudesse. Eu estava com vontade de chorar, mas seu eu chorasse, desabaria.
- Eu te amo, Adam. Amo muito mesmo! Eu vou sentir tanto a sua falta...
Ele encostou sua cabeça na minha, e eu era mais baixa, então.
- Agora chega dessa melação, vamos aproveitar o resto do dia. Você só tem até as nove, não é?
Então nós continuamos jogando Call Of Duty. Ele ganhava todas as partidas. Nós comemos mais um pouco e brincamos com Maggie.
- Eu tenho que parar de comer e de ser gorda.
- Você é linda, cala a boca e joga. Já são sete e meia.
- Já?!
- Sim, então joga.
Nós jogamos um pouco até minha mãe chegar com minha tia e minha priminha.
- Você já vai ter que ir?
- Acho que sim...
- Não pode dormir? É tão improvável que você já vá amanhã...
Eu olhei pra baixo. Fui até ele e o dei um selinho demorado.
- Foi o melhor dia da minha vida. Não me arrependo... daquilo. E nem disso.
Ele me puxou e me beijou. Sua língua pediu passagem e eu a concedi. Senti sua língua explorar cada canto da minha boca lentamente, e eu também não quis acelerar as coisas. Ele levou sua mão a minha cintura e eu levei a minha ao seu rosto. A sua bochecha, pra ser mais exata. Então ele acariciou minha cintura, e nós nos separamos do beijo.
- Eu vou sentir saudades.
- Isso... – ele abaixou a cabeça. — ...Isso significa o fim da nossa ‘amizade’?
- Pra quê será que existe skype e celular, Adam?
- Sei lá, você sabe que não vai ser a mesma coisa, daqui pra frente... Ainda mais depois disso.
- Ei, eu sei que não vai, mas esse beijo não quis dizer o fim da amizade que a gente construiu até aqui. Eu ainda te amo e não vai ser uma viagem de mudança que vai mudar isso. Me promete que também não vai me esquecer?
- O fato de eu não conseguir – ele me deu um selinho – parar de – outro selinho – te beijar – outro – responde – outro – tua – outro – pergunta?
- Responde. – ouvimos minha mãe buzinar, dessa vez, seguido de um grito.
- Eu te ligo quando achar que chegou em casa.
- Tá certo... – peguei minhas roupas e saí de meia no quintal, enquanto Adam me levava até o portão. Ele abriu o mesmo e nós nos olhamos, então ele me deu um selinho e me abraçou. Eu retribuí o mais forte que pude. – Eu te amo.
- Eu também te amo. Muito.
Eu queria chorar, mas ele não ia me ver chorar. Eu não queria que ele ficasse com uma imagem minha, chorando, em sua cabeça. Queria que ele lembrasse de mim com a expressão de sempre: animada. Mas eu não queria deixá-lo.
O soltei e entrei no carro, já recebendo um olhar que parecia me triturar.
- Antes de você perguntar o porquê da roupa, eu escorreguei no xixi da Maggie e Adam me deu essa roupa. Deu, e não emprestou.
- Você sabe que...
- Mãe, eu nunca mais vou ver o Adam, dá pra dar uma brecha só pra isso?
- Bro, deixa quieto. – disse tia Connie.
- Tá, mas eu não quero saber de nada disso quando nós chegarmos em Londres, de você pegando roupas de meninos e todas essas coisas. Não é legal, você não fica com uma boa reputação.
- Mãe, eu não ligo. E outra, eu não sou dessas, só que eu escorreguei em xixi de cachorro, você acha mesmo que eu ia ficar com aquela roupa que, além do cheiro, tava cheia de chocolate? Me desculpa, mas não.
A casa de Adam não era longe da minha, então nós chegamos rápido. Cheguei em casa, a qual estava deserta. A estante já não estava cheia de porta-retratos, os quadros na parede haviam sumido. A louça estava sendo colocado inteiramente dentro de caixas enormes de papelão. Vi malas com roupas, minhas e da minha mãe, mas só em um canto da sala. Olhei pro outro e vi suas malas. Tirei a conclusão de que eram da minha tia Connie e de Katy.
- Você...
- Vamos dormir aqui hoje. Eu e sua mãe conseguimos voos amanhã, as quatro da tarde. Esteja pronta, agora vamos dormir.
- Mas ainda tá muito cedo! Eu vou é pro computador.
- Eu já desliguei a internet. Já está tudo preparado pra amanhã, Katy. As roupas vão conosco e as caixas ficam.
- E meus pôsters? Mãe, e meu DVD e meu CD dos meninos? E as minhas coisas?
- Eu coloquei tudo dentro da sua mala. Suas revistas e posters estão dentro de uma pasta sem perigo nenhum de amaçar, seu CD e DVD estão no bolso da “porta” da mala. Aquela preta? E a sua. Pode ir ver se quiser, sei o quanto se importa com suas coisas. – disse Katy, com um sorriso no rosto. O que tinha dado naquela menina? – Ah, e minha mãe disse que vamos dormir aqui hoje, assim podemos ir já juntas pro aeroporto, amanhã. Posso dormir com você, prima?
- Mas é claro que pode, Katy! Vamos, tenho que te perguntar umas coisas. – eu disse, estendendo minha mãe e levando Katy pro meu quarto.
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