Not Planned.
9 Noises.
Notas iniciais
Eu não liguei e continuei tomando banho... afinal, eu a pedi para que não fizesse nada, não quebrasse nada e etc. Meu banho durou, pelo menos, quinze minutos ou até menos.
Vamos dizer que o tempo em Londres estava meio a meio, e por um segundo, consegui jurar que estávamos na primavera brasileira. Não estava nem frio e nem calor. Eu coloquei uma das minhas trocas de roupa favoritas, e não coloquei na no pé. Eu ia ficar em casa sem fazer nada, qual é a graça de andar de chinelo ou o que quer que alguém possa colocar no pé?
Desci meio que dobrando a toalha ao meio pra colocar no varal quando me deparo com Katy em cima de um banco em frente a pia, com dois pratos na mão e, se meus cálculos estiverem certos, mas uns três quebrados no chão.
- O que você fez, Kathryn? – gritei.
- Eu estava tentando agradar a mamãe e guardar ou lavar a louça.
- Nem eu faço isso, porque você iria fazer? Você tem noção de que, se nossas mães chegarem aqui agora, elas me matam? Elas vão achar que fui eu! – eu disse, tomando cuidado ao pisar no chão até o quintal. Voltei com uma vassoura e uma pá que achei e comecei a varrer tudo. – Eu não acredito, Katy. Eu te pedi pra não fazer nada!
Eu a olhei e a vi chorando.
- Não, não chora! Não era minha intenção te fazer chorar, me desculpa...
- Tudo bem, só não grite assim tão alto comigo, de novo. Eu não gostei nada disso.
- Ok, eu não vou gritar mais com você. Eu devo ter me excedido. Me desculpa? – a olhei com uma certa esperança, aquela menina era difícil de convencer.
- Ok, eu te desculpo. Seu CD tá aí? Eu posso te ajudar a arrumar a casa enquanto nós o escutamos.
Eu peguei o CD e coloquei, afinal, uma ajudinha sempre vai bem.
Terminamos de arrumar a casa lá pras sete de noite, a mesma estava bem desarrumada por conta da mudança. Eu e ela sentamos no chão com uma panela de brigadeiro e dois copos de leite. Imundas, parecendo duas “empreguetes”. Não sei porque, mas essa palavra me irrita.
Meia hora depois, tia Connie e mamãe chegaram.
- Chegamos...
- Percebi. – as respondi.
- Então Charlie, quer saber da sua nova escola? – disse minha mãe.
- Você já me matriculou?!
- Já, eu disse que não iria perder tempo...
- Mãe!
- Ok, posso ver que você está bem animada pra saber da nova escola. É uma escola londrina normal, tem armários, tudo como nos filmes que nós vemos.
- Então não é normal. Não pra mim... as escolas do Brasil não tem nada a ver com as escolas londrinas.
- Ok, então, posso continuar? – eu fiz que sim com a cabeça. – Suas aulas começam na segunda que vem. Você vai conhecer seus professores pessoalmente, e não precisa de uniforme.
-*-
O resto da semana foi mais corrido do que não sei o quê. A compra de materiais, tanto pra mim quanto para Katy. Ela queria tudo rosinha e fofinho, sabe? Eu comprei os cadernos que mais me agradavam, um estojo cinza com duas divisórias e uma mochila. Nada demais, nunca me importei tanto com materiais e todo esse tipo de coisa.
Eu, de fato, não via a hora de saber como eu me sairia naquela escola nova. Tanto nas notas e todas essas coisas – que eu nunca fui das melhores – quanto socialmente.
O final de semana passou rápido, já que eu fiquei o tempo inteiro no computador. Sabia que ia ter que ralar pra conseguir acompanhar a todo mundo, estávamos em Julho e eles estão de férias, lá no Brasil.
Acordei na segunda-feira já não querendo ir pra escola, e era só meu primeiro dia de aula. Eu sabia que algo ia acontecer, estava com um arrepio na espinha, mas não me deixei levar por conta da ansiedade. Afinal, escola nova, reputação (ou vida) nova.
Fiz tudo o que devia, escovei os dentes, penteei o cabelo e me troquei antes que alguém pudesse me chamar, falando que eu estava atrasada. Desci, tomei café e todas nós saímos.
Pode me chamar de doida, mas aquela escola era, com certeza, tudo o que descreviam em filmes. Todos divididos em panelinhas. Eu só consegui achar as vadias, os rappers, e alguns atletas. Por sorte, achei uma mesa vazia com algumas embalagens de suco em cima. As joguei no lixo que havia ali perto e me sentei. Tirei meu iPod do bolso e comecei a escutar One Direction no ultimo volume. Vamos dizer, alto o bastante pra eu não escutar alguém falar comigo.
O sinal bateu, mas eu não ouvi, só percebi porque vi todos entrando. Peguei meus livros em cima da mesa e fui correndo pra a saída da escola, adentrando aquela multidão.
- Ok, vamos lá, né?! – eu sussurrei pra mim mesma, pegando o papel que dizia qual era a minha primeira aula e em que sala eu deveria estar antes que o professor chegasse e eu perdesse a aula. – Sala 8B.
Por sorte, a sala se encontrava em minha frente. Entrei e logo me deparei com alguns meninos brincando com uma bola de basquete. Eu ri, porque um deles caiu e quase bateu a cara no chão, mas eu não deixei que eles notassem. Vi quatro carteiras vazias no fundo e sentei na ultima, longe de todos. Eu não iria falar com ninguém a não ser que tal pessoa venha falar comigo, vou ficar quieta.
Eu aumentei um pouco mais o volume do iPod quando vi todos irem se sentar rapidamente, então percebi que o suposto professor de Geografia já estava na sala. Pausei a musica e guardei o iPod no bolso da casaco que eu vestia.
- Bom dia classe – a qual se encontrava completamente quieta ao ouvir ele falar. – Não vão me responder? Estou sendo simpático com vocês.
- Bom dia, professor. – disse uma voz com um tom azedo ao meu lado. Olhei pra todas as direções e três das quatro cadeiras que antes estavam vazias, estavam preenchidas por um grupo de meninas e um menino. Supostamente gay, ou era isso que suas roupas, gestos e atitudes mostravam.
- Bom dia, Cassidy. – disse ele, sorrindo. Um sorriso um tanto diferente. – Enfim, classe, vocês já notaram os alunos novos ou eu de apresentá-los pra vocês?
O que ele disse? Eu vou ter que levantar e aparecer na frente da sala inteira?
- Charlotte, Louisa, podem vir até aqui. – eu me levantei com mãos e pernas tremendo. Vi um outro alguém levantar um pouco mais na frente.
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