Not Planned.
14 Here we go.
Notas iniciais
Eu estava em um lugar diferente do que eu sentei nesses últimos três dias. Nada demais, o ponto de vista de todos os lugares daquele pátio eram iguais. A vista das panelinhas, a do balcão onde ficavam as comidas que nós poderíamos pegar com os cozinheiros atrás.
Vi uma sombra de aproximando, mais ou menos em minha direção, mas eu não liguei. Afinal, eu não conhecia ninguém ali, ninguém viria falar comigo.
- Oi... – disse uma voz inesperada vir de uma altura um pouco mais elevada que a minha, afinal, eu estava sentada. Olhei pro indivíduo e adivinha quem era? O garoto com quem trombei certo dia.
- Que foi? – eu disse, sendo direta e seca.
- Você é sempre tão grossa assim? – ele disse, com um certo charme que não surtiu efeito algum em mim.
- Só com quem eu acho que merece. – eu disse, o observando se sentar em minha frente. – O que você quer?
- Me apresentar, ué... Eu vi que você ainda não falou com ninguém, e nem tem amigos. – ele disse.
- Não, obrigada. Eu prefiro ficar assim do que fazer amizade com... – eu não quis completar aquela frase. Senti que ia começar a rir da cara dele se continuasse.
- Com pessoas como eu? – ele perguntou, em um tom óbvio.
- Sim, como adivinhou?
- Já era de se esperar, do jeito que te tratei aquele dia. Ah, sou Tom. – ele disse, estendendo a mão. Talvez para um aperto, mas eu só a observei e voltei meu olhar pra ele outra vez.
- Não, obrigada. – ouvimos o sinal bater, tínhamos que ir pra sala. – Tchau. – eu disse, pegando meu iPod da mesa indo até o lance de escadas com uma expressão triunfante, mas alguém interrompeu minha saída me puxando pelo braço. Sim, era “Tom”.
- Você não acha que vai mesmo sair sem me dizer teu nome, certo? – eu olhei em volta e haviam pessoas nos olhando. Acho que ele era o típico boyzinho que ficava com todas as calouras e novatas da escola, mas eu não ia ser uma delas.
- Me solta. – eu disse, o fitando com os olhos um tanto cerrados e um tom de voz mandão. – Agora.
- Não vou te soltar até me dizer teu nome.
- Me solta, caralho! – eu gritei, fazendo o inspetor nos olhar e logo em seguida vir falar conosco:
- Ei, solte a garota. – o careca de bigodes disse, fazendo Tom largar meu braço e olhar o homem com uma cara de desprezo. Parecia que eles não se davam muito bem, mas eu dei graças a Deus que alguma “autoridade” escolar estava por perto. Com “autoridade escolar” eu quero dizer “funcionário da escola que tem certa autoridade sobre os alunos”.
Fui correndo pro lance de escadas, agradecendo o inspetor apenas com um balanço de cabeça e um sorriso. Minha sala ficava no segundo andar, então calculo que devo ter subido uns dois lances de escada até chegar a minha sala, que já se encontrava cheia de ruídos e sussurros, com pessoas me olhando no olhos, ou me medindo dos pés a cabeça. Fui para o meu lugar com uma expressão normal, mas duvidosa.
O fim das aulas não demorou a chegar, já que o professor de laboratório não veio, eu não liguei. Afinal, um “começo” de ano letivo em uma nova escola e já estou ficando com aulas vagas? Não podia ser melhor.
Meu estômago roncou, supus que estava com fome, então fui pra casa correndo e tratei de almoçar um bom, belo, gostoso e delicioso... Miojo. Mas é claro! Eu sempre amei miojo.
Eu subi para o meu quarto e vi Katy pulando na cama enquanto assistia iCarly na tv minúscula que havia ali.
- Ei! – eu disse pra ela.
- Ok, eu já to saindo. – disse ela, parando de pular imediatamente, colocando seu par de chinelos e saindo do quarto. Eu sorri, fechei a porta logo depois que ela saiu e me joguei na cama com a intenção de dormir como se não houvesse amanhã, mas meu celular vibrou em minha barriga e me tirou todo o sono.
“Você vai vir hoje? X – Niall”
Meus olhos se abriram mais do que conseguiam, eu estava paralisada. Minha mãe e minha tia estavam em casa e eu não as avisei de nada, eu havia esquecido.
Re:.
“Não sei, Niall... Não avisei ninguém que iria, e minha mãe ainda não sabe de nada!”
Re:. Harry?!
“E daí? Ela não precisa saber! Fale que você vai na casa de alguma colega de escola – Harry”
Re:.
“Aí é que tá, Harry, eu ainda não tenho colegas de escola.”
Re:. Harry?!
“Por favor, Charlie, dê um jeito, tente vir! Eu e os meninos queremos muito te ver outra vez... ):”
Eu sorri estranhamente ao ler aquilo. Sabe o que significava aquele sorriso? Um dia inteiro completamente feito.
Me arrumei rapidamente, dei um jeito no cabelo e coloquei uma roupa legal. Sim, eu amava minhas roupas. Fiz a maquiagem mais leve possível enquanto cantarolava One Thing baixinho.
- Mãe? – eu gritei, alegre, descendo as escadas. – Vou sair, beijinhos e eu amo você.
- Onde vai? – ela disse, gritando.
- Pra casa de uma amiga fazer trabalhos.
- Mas já?
- Mãe...
- Ok, não volte muito tarde.
Eu dei as costas e fui embora, mal podia esperar pra chegar na casa de Harry. Parecia ser longe, mas eu não liguei, eu tinha pegado o dinheiro que estava guardando e podia muito bem pegar um táxi. E foi exatamente isso que fiz.
A ida foi longa, era um tanto longe sim, mas nem tanto. Eu poderia andar até ali e perder algumas calorias, mas ser preguiçosa era muito mais legal e acessível.
- Número duzentos e vinte e seis... – eu disse, olhando as casas. Me deparei com o número duzentos e vinte e poucos e até esqueci do número por causa do tamanho da casa. Eu achei que seria, de fato, grande, mas era só um pouco maior que a minha.
Só depois que o tamanho da casa saiu de meus pensamentos que eu pensei em meu estado. Eu estava trêmula, suando frio e não conseguiria apoiar meu tronco em cima das minhas pernas se não precisasse deles para ir até a porta e tocar a campainha.
- Oi. – disse Louis, abrindo a porta e pulando. – Garotos, ela chegou! Ela veio!
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