Not Over You

17 Capítulo 16 - Between right and wrong


Notas iniciais
Rélooooou, guys! Ok, não posso demorar aqui, então vamos aos assuntos importantes. Meu Deus, primeiro eu queria pedir mil e uma desculpas por essa demora toda. Às vezes eu sinto vontade de me bater pelo tanto de tempo que demorei, mas eu tenho um motivo... dessa vez, a minha falta de inspiração com NOY atingiu limites assustadores, e eu não vou estar exagerando se admitir que quase fiz uma cagada enorme. Mas passou, e eu tive agora uma ideia para que essas crises e demoras não me afetem mais... então vou só esperar que dê certo. De qualquer maneira, me perdoem mesmo! Em segundo lugar, eu queria dizer um enorme obrigada para a da_ni_ribeiro, uma leitora super fofa que deixou uma recomendação incrível para Not Over You. Muito obrigada mesmo, linda, eu amei demais. Em terceiro, queria agradecer vocês pelos maravilhosos comentários que deixaram no capítulo passado. Foi um mais incrível que o outro e enquanto eu os lia, um por um, meu rosto carregava um sorriso todo bobo. O capítulo ficou um pouco grandinho, mas eu não consegui evitar D: desculpem! Enfim, espero que gostem do capítulo, porque eu gostei... apenas não me matem. Boa leitura!

Afastei minha boca da de Gabriel e respirei fundo ao colar nossas testas.

Apesar desse beijo ter sido mais calmo que o primeiro, minha respiração continuava descompassada e meu coração ainda batia com força dentro do meu peito. Sentia minhas pernas bambas, e de uma vez só minha cabeça foi atacada por milhões de pensamentos, dúvidas, medos, deixando-me tonta.

Afastei-me de Gabriel, minha mente mais confusa do que nunca. E então olhei em seus olhos, que embora estivessem na escuridão, ainda brilhavam fortemente.

Não, o que eu estava fazendo?

As gotas de água que caíam do céu pareciam mais fortes e pesadas, e se chocavam comigo sem piedade, me acordando de um sonho. Com Gabriel ali, tão perto de mim, entre as gostas de água que caíam ferozmente no chão, eu me vi em cima da linha entre o que parecia certo e o que parecia errado.

E, justamente naquele momento, estar com ele parecia tão errado que chegava a doer dentro de mim. Porque eu queria que não parecesse, eu queria não enxergar desse jeito. Queria poder acreditar em tudo o que Gabriel me disse minutos atrás sem questionar. Queria que as palavras dele dançassem em minha cabeça, e não pesassem minha mente. Queria sorrir e me atirar em seus braços sem medo do que estava por vir.

Mas não dava. Eu não conseguia.

Porque, naquele momento eu percebi, eu não confiava nem um pouco em Gabriel.

Não confiava meus sentimentos à ele, não confiava meu coração, não confiava em suas palavras, não confiava em seu olhar, não confiava a minha vida à ele. Porque, de repente, tudo nele parecia duvidoso. Tudo o que ele disse, tudo o que nós fomos, tudo o que nós vivemos, tudo o que ele mostrou naquela noite... tudo pareceu tão distante da realidade que era como se eu estivesse ficando louca.

– Eu não posso fazer isso – sussurrei, minha voz sendo quase inteiramente abafada pelo som da chuva. Vi Gabriel arregalar os olhos e tentar dizer alguma coisa, mas não era como se qualquer ruído saísse de sua garganta.

Virei de costas, abracei meus braços e saí andando sem pressa alguma. Não ouvi os passos de Gabriel atrás de mim e o agradeci mentalmente por isso.

Minha cabeça estava tão cheia e confusa e cansada que a chuva parecia ter desaparecido, embora eu soubesse que ela ainda estava lá, caindo sobre mim. De tudo o que eu imaginei que aconteceria se um dia Gabriel mostrasse que sentia alguma coisa por mim, a última coisa que se passou pela minha cabeça foi que eu lhe daria as costas, certa de que eu não podia nem deveria fazer aquilo, certa de que ficar com ele era errado.

"Você até pode me superar, Emma, mas eu não posso superar você", minha mente se pegou lembrando de cada coisa que ele falou. E, nessa, em especial, eu pude sentir que meu coração ficou perto de explodir. "Eu te pertenço há muito tempo", meu estômago se revirou só com a lembrança de sua voz sussurrando essa frase e sua boca tomando a minha logo em seguida.

E mais do que nunca eu quis voltar para ele. Mas ao mesmo tempo que quis, também não quis. E eu ao menos sabia porquê. Só sabia que parecia tão errado aceitar estar com ele, parecia tão contraditório à tudo o que eu estava sentindo naquele momento voltar com Gabriel. E só com o pensamento disso acontecer, eu podia sentir alguma coisa gritando desesperadamente dentro de mim, implorando para que eu não fizesse aquilo.

Então notei que eu não tinha mais esperança de que Gabriel e eu poderíamos dar certo. Eu não acreditava que poderia existir um amor saudável entre nós dois. Tinha me acostumado com a ideia de viver sem Gabriel e nem tinha percebido. Estava tão ocupada em pensar que seria sozinha que nem havia me dado conta de que já estava acomodada a essa ideia. Eu já não me importava mais.

E era simplesmente frustrante que Gabriel houvesse escolhido esse momento para mostrar que sentia alguma coisa por mim, para mostrar que talvez houvesse um futuro para nós dois. E confundiu totalmente a minha cabeça, mandou embora todas as minhas certezas e confianças e acomodações.

Nem percebi que já havia chegado no hotel até estar em frente à porta da suíte que eu dividia com Gabriel e Ethan. Peguei disfarçadamente a chave que eu tinha escondido na lateral do vestido quando me vesti para sair e abri a porta. Tateei o botãozinho que acendia a luz ao lado da porta, já que estava tudo escuro, e assim que o corredor da suíte foi iluminado, entrei totalmente nela e fechei a porta, trancando-a logo em seguida para poder ir para o meu quarto.

Automaticamente tirei o par de sapatos dos pés, deixando-o em um canto do quarto e abri o zíper do vestido, tento um pouco de dificuldade nessa parte já que o zíper ficava nas costas. Deixei o vestido escorregar pelo meu corpo e o pulei quando ele já estava no chão, logo me encaminhando para o banheiro, como um robô.

Liguei o chuveiro e coloquei na temperatura quente, e me enfiei debaixo da água pelando após retirar minha calcinha e deixa-la num canto do banheiro.

Não sei por quarto tempo fiquei embaixo do água quente, mas foi tempo o suficiente para que as pontas dos meus dedos começassem a enrugar. E deixei que minha mente vagasse por todo esse tempo, me impedindo de pensar nas coisas que eu havia ouvido pouco tempo atrás. Desliguei o chuveiro e me enrolei em uma toalha. Parei em frente ao espelho e observei a bancada do banheiro, vendo algodão e um creme removedor de maquiagens postos ali, apenas esperando para serem usados. E, considerando que eu havia suado e pegado chuva, apenas para depois me colocar embaixo de mais água, a situação da minha maquiagem não estava das melhores. Mas podia estar pior.

Fiquei por uns vinte minutos em frente ao espelho, tirando pacientemente toda a maquiagem borrada e detonada do meu rosto. E depois mais uns cinco para conseguir pentear meu cabelo molhado e embaraçado. E quando acabei, não poderia estar mais cansada.

Vesti um pijama vinho, curto e de um tecido fino, que era o único que eu havia trago. Não sabendo muito bem o que fazer com o vestido molhado, o levei até o banheiro e coloquei em cima da bancada. Coloquei as coisas da Claire, que estava em cima da minha cama, em uma poltrona cor de café que ficava em uma das pontas do quarto.

Saí do quarto e fui até a sala, que era o último cômodo do corredor, onde tinha uma grande televisão, um sofá, mais alguns móveis para decorar, e a minha razão de ter ido até lá, um frigobar. Tomei um pouco de água gelada de uma garrafinha, voltando a guarda-la em seguida, e logo me pus a caminho do meu quarto. Porém, quando apareci na porta da sala, vi Gabriel encostado na parede do corredor, bem ao lado da minha porta. Ele não usava nada mais do que uma calça azul marinho de flanela, deixando assim seu tronco nu e seus pés descalços. Suas mãos estavam dentro dos bolsos largos da calça e ele estava olhando para os pés cruzados, alguns fios do cabelo molhado grudados no rosto.

Comecei a andar devagar em sua direção, e talvez o barulho dos meus passos tenham chegado aos seus ouvidos, porque não demorou muito para que ele levantasse a cabeça e olhasse para o lado, de onde eu estava vindo. Em poucos segundos eu estava parada, de frente para ele, que me seguiu com os olhos até que eu chegasse lá.

Fiquei olhando em seus olhos. E não sei se ele tinha alguma coisa para dizer, mais eu poderia ficar encarando-o no silêncio por um longo tempo e nem perceberia. Mas logo ele resolveu se pronunciar:

– Eu gostaria de te entender – e deu um sorriso de canto.

– O que é tão difícil entender? – Perguntei.

Não só o meu tom de voz, como o dele também, soavam como se estivéssemos tendo uma simples conversa casual.

– Por que você não consegue, Emma? – Ele questionou, e parecia haver confusão em seus olhos.

– Porque não confio em você – falei sem rodeios. – E então acabo não confiando no que você diz ou mesmo nos seus sentimentos.

– Você sabe ferir alguém quando quer, Emma – ele falou, e colocou uma das mãos no peito, para depois dar um sorrisinho malicioso. Revirei os olhos. – Eu sei que você não confia em mim – disse, ficando sério. – E isso acaba comigo. Mas eu não vou simplesmente desistir.

Apertei meus lábios e me neguei a falar alguma coisa.

Queria dizer para ele não desistir mesmo, para ele continuar tentando nos transformar em alguma coisa verdadeira e boa. Mas ao mesmo tempo queria implorar para que ele só me deixasse em paz, vivendo confortavelmente no mundo que estava dando certo pra mim até aquele momento.

– Sabe, Emma – ele começou, se desencostando da parede e dando um passo em minha direção, ficando há menos de meio metro de mim –, foi horrível o que você fez.

Pisquei os olhos, confusa.

– Como assim?

Ele esticou os braços, usando uma das mãos para acariciar minha bochecha e pescoço e a outra para me puxar para mais perto pela cintura, grudando nossos corpos e fazendo-me sentir todo o calor do seu peito nu. Tive que levantar a minha cabeça para poder olha-lo, enquanto ele teve que abaixar a dele.

– Deu-me um pouco de você – sussurrou, seu hálito de pasta de dente de menta chegando às minhas narinas – e depois saiu andando, me deixando só com a vontade de te ter.

Engoli em seco. Era difícil raciocinar com Gabriel tão perto, e estava mais do que claro que eu era fraca.

– Desculpa...? – Falei com a voz falha. E quase me bati por falar uma coisa tão estúpida.

Por que eu me desculpei?, pensei.

Ele sorriu abertamente e passou o braço pela minha cintura, me apertando com firmeza e me forçando a ficar na ponta dos pés. Gabriel fechou os olhos e aproximou nossos rostos, roçando seus lábios nos meus levemente. Aquele simples ato me fez sentir uma imensa vontade de beija-lo.

– Ficar com você não parece certo – sussurrei com a voz rouca, tirando forças de não sei onde. Meus olhos se fecharam automaticamente.

– E me beijar? – Ele perguntou, e roçou seus lábios nos meus novamente. – Parece errado me beijar?

Sim, parecia e muito. Era errado beija-lo porque depois disso eu não sabia o que viria. Era sempre assim, e continuaria sendo sempre assim. Estar com Gabriel era isso. Queria dizer que era errado, deveria dizer.

– Acho que não – foi o que eu respondi. E então levei minhas mãos até sua nuca e enrosquei meus dedos em seus cabelos, fazendo força para que Gabriel tocasse de verdade seus lábios nos meus.

Não precisei pensar duas vezes para entreabrir a boca e deixar que a língua de Gabriel a invadisse, exatamente como eu fiz com ele no segundo seguinte. A mão que estava em meu pescoço desceu para a minha cintura e a rodeou também, fazendo Gabriel curvar o corpo e quase tirar meus pés do chão.

Seus lábios eram tão macios e sua língua parecia arder dentro da minha boca. E eu só conseguia pensar que queria mais. Apertei meus dedos em seus cabelos, fazendo Gabriel soltar um gemido contra os meus lábios. Isso apenas o fez me beijar com mais intensidade, começando a caminhar para frente, para me prender na parede. Ele fez força com o meu corpo para cima, tirando meus pés do chão e fazendo-me passar as pernas em volta de sua cintura para que eu tivesse onde me apoiar, o que fez nossas cinturas e intimidades se tocarem. Soltei um gemido ao mesmo tempo que ele quando sentimos a colisão.

Os braços de Gabriel saíram da minha cintura e suas mãos escorregaram por minhas pernas, apertando a parte de baixo das minhas coxas com força. E fez força com a cintura mais para a frente, voltando a me arrancar um gemido baixo, como se aquela proximidade não fosse o suficiente. E não era.

O barulho da porta me fez desgrudar meus lábios dos de Gabriel imediatamente, como se estivéssemos fazendo uma coisa muito errada. E de certa forma estávamos. Desenrosquei minhas pernas de sua cintura e fiquei de pé no chão, embora Gabriel tivesse lutado por alguns segundos para que eu não o fizesse. Ele deixou duas mãos nas minhas costelas.

Ethan entrou na suíte com a cabeça abaixada, e até fechar a porta e se virar para o corredor, parecia não ter nos visto. Mas deu um sorriso fraco quando nos enxergou.

– Desculpa atrapalhar – murmurou sério. E não parecia bêbado.

– Tudo bem? – Gabriel perguntou, e suas mãos afrouxaram o aperto.

– Sim, claro – falou e deu alguns passos para frente, em direção ao seu quarto, que ficava logo após o meu. Porém, não chegou nem até Gabriel e eu e cambaleou, só não caindo porque apoiou as mãos na parede.

Gabriel me soltou e foi até Ethan, passando um dos braços pela cintura do amigo e o obrigando a passar o braço ao redor do seu pescoço.

– Você exagerou dessa vez, Ethan – Gabriel falou no que parecia ser uma bronca, e começou a dar passos curtos e lentos, no ritmo de Ethan.

– Eu estou bem – Ethan falou e fechou a cara.

– Sim, estou vendo – Gabriel disse com sarcasmo, olhando para os seus pés para se certificar de que nenhum dos dois cairia.

Tudo o que eu podia fazer era ficar ali olhando enquanto Gabriel tentava levar Ethan até seu quarto, sabendo que minha força não ajudaria em nada e minha altura só pioraria para que Ethan conseguisse andar direito.

– Emma, será que tem alguma coisa pra ajudar no frigobar? – Gabriel perguntou, levantando os olhos para me olhar.

– Vou ver.

Fui em passos rápidos até a mini-sala da suíte e procurei alguma coisa que pudesse ajudar Ethan a melhorar, mas só via água, refrigerante e energético ali, o que não ajudaria em nada, mas peguei uma garrafinha de água mesmo assim.

– Não tem nada que sirva – falei, e abri a garrafinha de água, entregando-a para Ethan assim que me aproximei dele e de Gabriel.

Gabriel parou de andar para esperar Ethan beber a água da garrafinha.

– Por que bebeu tanto? – Gabriel perguntou.

– Sei lá, porque eu estava com vontade – Ethan respondeu após tomar a última gota de água da garrafa de plástico e devolve-la pra mim. – Eu precisava. Sabe aquela coisa de beber pra esquecer? Então.

Gabriel suspirou pesadamente e apenas continuou a andar lentamente com Ethan. Mas alguma coisa fez Ethan parar e Gabriel o olhou. E, para a minha surpresa, vi lágrimas caindo dos olhos do Ethan, que não parecia fazer o menor esforço para contê-las.

– Não dá, Gabriel – ele falou, a voz embargada. – Nem bebendo eu esqueço ela – fungou e mais lágrimas começaram a cair de seus olhos. – Só queria que a Sophia saísse da minha cabeça!

– Eu sei, Ethan – Gabriel falou compreensivo. – Mas beber não vai ajudar, você sabe, não é a primeira vez que você tenta.

– Mas já faz mais de um ano! – Ele exclamou, e eu senti dó de vê-lo daquele jeito, parecia desolado, tão diferente do Ethan que eu estava acostumada. – E ela não sai da minha cabeça... ela 'tá me atormentando.

– Não é como se ela fizesse de propósito – Gabriel disse, finalmente em frente a porta do quarto de Ethan.

Encostei-me no batente da porta e fiquei me perguntando de quem os dois estavam falando, já que esse nome jamais tinha sido citado por nenhum dos dois até aquele dia.

– Ela faz! – Ele disse alto, já dentro do quarto. – Ela carrega veneno e sabe disso – disse emburrado e se desvencilhou dos braços de Gabriel, se jogando em sua cama. – Ela sabe que não pode ser esquecida – murmurou e virou de lado, se aconchegando a um dos travesseiros.

– Certo – Gabriel falou e foi até Ethan, o puxando pelos braços. – Você vai pra debaixo da água gelada antes de pensar em dormir.

Resolvi que era melhor deixar os dois sozinhos, virei-me e fui para o meu quarto.

Deitei na cama, debaixo dos lençóis brancos, e fechei os olhos, tentando não pensar no beijo que Gabriel e eu havíamos dado há poucos minutos. E fiquei me perguntando quem era a garota que havia fisgado o coração de Ethan daquele jeito, quem era a garota capaz de fazê-lo chorar e admitir que não conseguia esquecê-la. Porque em todos os anos que eu fui amiga de Ethan, nunca o vi apaixonado por ninguém.

Não sei por quanto tempo me revirei na cama, mas sei que já estava ficando impaciente. Não queria estar acordada para pensar em Gabriel, não queria ficar revivendo cada segundo daquela noite desde que saí da suíte, não queria começar a me arrepender. Só queria poder deitar e acordar com uma nova solução.

Um barulho me fez virar e sentar na cama, e eu vi Gabriel parado na porta, os ombros encostados no batente, as mãos nos bolsos da calça e os pés cruzados... ele conseguia parecer calmo com tão pouco. Enquanto eu tinha certeza de que sempre parecia em estado de alerta para qualquer um que me olhasse.

– E o Ethan? – Perguntei, e puxei as pernas, cruzando-as debaixo dos lençóis.

– Ele vai ficar bem – respondeu e sorriu.

– Hm, e quem é Sophia? – Perguntei, minha curiosidade indo além, e senti minhas bochechas corarem.

– A ex-namorada do Ethan – Gabriel disse, se desencostando da porta e começando a andar até onde eu estava. Ele parou no pé da cama, mas não se sentou, apenas ficou me olhando.

Pisquei algumas vezes, e segurei meu sorriso.

– Ethan teve uma namorada?

– Bem, sim – respondeu, e se sentou na cama. – Ele teve uma vida nesses três anos que você esteve fora, Emma.

Mordi meu lábio inferior, assentindo com a cabeça. Eu havia me esquecido.

– É, todos vocês tiveram – falei, olhando minhas mãos, que estavam entrelaçadas em cima das minhas pernas.

– Nem todos.

Levantei meus olhos para Gabriel, e ele me olhava com toda aquela intensidade que eu já conhecia, que nunca abandonava seus olhos, que parecia estar sempre lá que eu o encarava.

– Deixa eu dormir com você essa noite, Emma – falou, sua voz saindo mais rouca do que o normal. Arregalei os olhos, pronta para dizer que não, mas ele não deixou que eu lhe respondesse, logo me interrompendo: – Apenas dormir, por favor. Eu... – respirou fundo, passando uma das mãos pelo cabelo ainda úmido. – Eu preciso disso.

Não disse nada, e acho que Gabriel interpretou meu silêncio como um sim, pois logo ele ficou de joelhos na cama e engatinhou até o outro lado, sem desgrudar seus olhos dos meus. Ele se sentou ao meu lado, afastou o lençol com os pés e depois o passou por cima de suas pernas, então escorregou as costas pela cabeceira da cama até ficar deitado, com a cabeça no travesseiro. Estiquei minhas pernas e fiz a mesma coisa que ele. E, durante todo o processo, nossos olhares continuavam presos um no outro.

Deitei de lado, assim como Gabriel, e ficamos frente a frente. Coloquei minhas mãos entre a minha bochecha e o travesseiro, e fiquei apenas encarando-o.

Estávamos bem próximos um do outro, mas isso não pareceu ser o suficiente para Gabriel, que puxou meu corpo para o seu pela minha cintura, voltando a deitar com a barriga para cima, me aconchegando em seu peito nu e entrelaçando nossas pernas por debaixo do lençol.

– É... é exatamente assim – ele murmurou, e passou um braço por debaixo do meu pescoço, começando a acariciar meu cabelo com a mão. Sua outra mão ficou acariciando minhas costas por debaixo da blusa no pijama.

Respirei fundo, e deixei que minha mão repousasse em seu peito. Subi um pouco meu corpo e descansei meu rosto na curva de seu pescoço, inalando seu perfume natural. Isso fez Gabriel se arrepiar. Como se seu cheiro e seus carinhos me deixassem meio grogue, senti meus olhos pesando e o sono chegando, me fazendo perceber que eu estava realmente muito cansada.

– Gabriel? – Murmurei, meus olhos já fechados.

– Sim?

– O que você quer fazendo isso? – Perguntei, não tendo certeza se ele podia entender o que eu estava dizendo. – Falar tudo aquilo, fazer tudo isso... o que você quer?

Gabriel não respondeu nada, e eu apenas me senti afundando na escuridão conforme os segundos passavam.

– Você – foi a última coisa que eu ouvi antes de cair no sono.

# # #

Abri os olhos devagar, sentindo meus olhos arderem quando a claridade da manhã me atingiu, fazendo-me voltar a fecha-los quase que instantaneamente. Eu havia esquecido de fechar as cortinas do quarto. Tentei virar para o lado, mas meu corpo estava preso em alguma coisa, e eu não precisava olhar para saber Gabriel, já que em menos de segundos as memórias daquela noite atingiram minha mente em cheio.

Oh, eu estava tão...confusa. Porque queria estar arrependida de cada coisa que me deixei fazer na noite anterior, mas não estava.

Deixar Gabriel dormir comigo definitivamente não combinava com os pensamentos que eu havia tido e que eu, logo que acordei, continuei tendo.

Afastei meu corpo o máximo que consegui, o que não era mais do que alguns centímetros, ficando apoiada pelo meu cotovelo, e vendo Gabriel dormindo serenamente. A luz do dia não parecia incomoda-lo nem um pouco. Seus cabelos estavam bagunçados desastrosamente, e eu mordi o lábio para contar uma risada. Sua mão ainda estava envolta de mim, embora não me tocassem mais, e ele estava minimamente virado para mim.

O mais delicadamente que pude, saí da cama, evitando fazer qualquer barulho. Gabriel pareceu sentir falta de alguma coisa e agarrou o outro travesseiro. Peguei um short e um biquíni dentro da mala e parti para o banheiro. Ainda tentando ser silenciosa, fiz minha higiene matinal e me troquei no banheiro. Voltei para o quarto e Gabriel continuava dormindo.

Inclinei-me sobre a mesinha de cabeceira para pegar meu celular e me vi paralisada de repente, apenas observando Gabriel enquanto dormia. Os raios de sol entravam pela janela e pegavam seu rosto, fazendo seu cabelo chocolate ficar com um leve tom avermelhado e seus cílios ficarem tão claros a ponto de nem serem vistos. Gabriel tinha uma expressão tão calma que me deu vontade de voltar a deitar em seus braços, embora eu houvesse sido rapidamente substituída por um travesseiro, apenas para ficar olhando-o enquanto dormia. Mas tão rápido quanto veio, logo essa ideia foi embora, quando senti o celular vibrar em baixo da minha mão.

Peguei o aparelho e olhei a tela do celular. Era Claire.

– Oi, Claire – falei baixinho, pegando minha bolsa perto da mala e a jogando no ombro.

– Já está acordada, que bom – ela falou, e parecia animada, o que era estranho, já que Claire havia bebido mais do que deveria ser permitido para alguém como ela beber.

– Pois é, e você está animada, que estranho – andei até perto da porta e calcei meu par de chinelos azuis escuros.

– Por que está falando baixo? – Perguntou.

– Porque... hm, acho que os meninos ainda estão dormindo – respondi, e de certa forma, era verdade mesmo.

– Sei – pareceu desconfiada, mas eu fingi nem notar. – Eu estou saindo do quarto agora, Matt ainda está dormindo e eu estou com fome... te espero no corredor.

– Tudo bem.

Finalizei a chamada e guardei o celular na bolsa. Andei devagar até a janela, que ficava do lado contrário da cama, e fechei as cortinas, fazendo o quarto ficar mais escuro, e a luz do sol não pegar mais em Gabriel.

Saí do quarto sem olhar para trás e fechei a porta devagar.

– Saindo de fininho? – A voz de Ethan me fez quase pular, e eu afaguei com o susto.

– Não, só não queria acordar você e o Gabriel – respondi, me virando para encontrar Ethan vestido com uma bermuda e segurando uma xícara de café. – Estou indo comer com a Claire.

– Mesmo? Eu prefiro serviço de quarto – levantou a xícara e eu sorri.

– É, bem, depois do tanto que você bebeu ontem, é bom evitar o sol por algumas horas mesmo.

Ele sorriu com sarcasmo.

– Bom café da manhã pra você – disse e eu sorri outra vez.

Saí da suíte e encontrei Claire no corredor. Ela estava encostada na parede, batendo um dos pés no chão impacientemente e quando me viu, exclamou um "finalmente!", me puxando pelo braço e me arrastando para o elevador.
Não demorou mais do que dez minutos para que Claire e eu já estivéssemos sentadas em uma mesa no restaurante do hotel, que ficava no térreo, apreciando um café da manhã muito bom. Frutas, torradas, pãezinhos diversos e sucos naturais estavam no cardápio. E Claire e eu pegamos um pouquinho de tudo.

– Você e Gabriel saíram cedo da festa ontem – ela falou depois de dar um gole em seu suco de acerola, colocou o copo em cima da mesa e me olhou. – Eu vi você saindo...

– É... ele disse bastante coisa pra mim, sabe – falei, tentando mostrar que eu não estava dando a mínima, quando na verdade aquilo estava me corroendo por dentro há cada segundo que se passava.

Claire semicerrou os olhos e eu respirei fundo, soltando a respiração que eu nem percebi que estava prendendo de uma vez só. Tudo bem, eu não podia fingir que não me importava com nada daquilo para Claire. Simplesmente não dava. Essa era minha melhor amiga há muitos, muitos anos, e fingir alguma coisa para ela não era possível. E eu, sinceramente, ainda não sabia porque continuava tentando.

Sem rodeios comecei a contar tudo para Claire. Desde Gabriel indo atrás de mim na chuva até eu acordando aquela manhã em seus braços. E parecia que a cada palavra que saía da minha boca, mais meu coração se alegrava, mais minha mente se energizava, como se aquela simples noite fosse motivo o suficiente para que eu saísse dançando pelo hotel. Esgotada, sentindo minhas pernas tremerem só de contar para Claire como toda aquela longe noite havia sido, fiquei esperando que a loira dissesse alguma coisa.

Seus lábios estavam pressionados um no outro, e ela os separou em um estalo, para depois dizer, eufórica:

– E você? Como você está se sentindo? Feliz, eu posso ver. Mas tem mais alguma coisa...

– Feliz? Eu não estou... – minha frase foi morrendo aos poucos, conforme inclinava seu rosto para frente, com aquela expressão de "pare de tentar me enganar ou eu arranco seus dentes com uma faca seca de restaurante". – Eu estou e não estou feliz. Estou porque ainda amo Gabriel, e ouvir isso dele é... é inexplicável. Mas me deixa calma de uma maneira insana!

– E por que não está? – Perguntou, e do jeito que ela falou, soou tão estranho como era. Tinha como uma pessoa estar e não estar feliz ao mesmo tempo? Bem, parecia que sim.

– Porque eu estava bem, Claire – respondi exasperada. – Tinha aceitado o fato de que Gabriel e eu não teríamos mais nada. E porque eu não confio nele. E me odeio agora por estar aqui falando com você enquanto quero voltar para o quarto e dizer que quero tudo o que ele quer me dar, que quero tudo o que ele tem e tudo o que ele sente. Mas ao menos consigo acreditar que ele tem, que ele sente alguma coisa.

Claire levantou as sobrancelhas casualmente, mas logo as abaixou novamente. Ela não disse nada, apenas pegou uma das torradinhas que tinha em seu prato, e começou a passar nela a manteiga que vinha em um potinho pequeno, com uma faca que não servia para cortar merda nenhuma. Abri um pouco a boca, surpresa, porque estava esperando que minha melhor amiga dissesse alguma coisa que me confortasse. Mas, bem, ela queria comer.

Fiquei esperando, mas Claire começou a comer a torrada, e então terminou, e logo pegou mais uma. E continuava sem dizer nada. Respirei fundo e comecei a comer as uvas do pequeno cachinho que eu havia pegado, uma por uma.

– Sabe, eu sinto um pouco de saudade da Emma – Claire falou e eu levantei os olhos das minhas uvas verdes para olha-la, arqueando uma sobrancelha pelo que tinha acabado de ouvir, visivelmente confusa. – Aquela Emma que era toda cheia de si, que adorava dançar e tinha como hobby provocar o Gabriel até a loucura.

Abri a boca para dizer alguma coisa, mas voltei a fecha-la ao perceber que não tinha nada para dizer.

– Quem te conhecesse agora não conseguiria acreditar que você era como era.

– Bem – engoli a uva que tinha acabado de colocar na boca –, você também mudou.

– Claro – ela respondeu como se fosse óbvio. – Você roubou o papel de preocupada de mim, Emma, eu tinha que arrumar um jeito de te animar.

Soltei uma risada e Claire me acompanhou. Era verdade, em parte. Claire e eu éramos bem parecidas antes, mas ela sempre fora mais preocupada com as coisas do que eu. O que, como minha melhor amiga disse, seria difícil para qualquer um acreditar se nos conhecesse naquele momento. Mas eu sabia que não tinha mudado por vontade própria, só havia passado por uma coisa que mulher nenhuma gostaria de passar, e havia me afundado perdidamente em uma coisa tão dolorosa... e isso era triste. E doía muito mesmo. E mudaria qualquer um.

– Mas por que você resolveu falar isso de repente? – Perguntei, colocando mais uma uma na boca.

– Porque você tem que acreditar que os sentimentos do Gabriel por você são verdadeiros – ela disse, e eu continuava sem entender. – Eu acredito neles, Emma, porque eu os vi. Mas não adianta se você não acredita.

– Continuo sem entender.

Claire abriu a boca, mas quando ia falar, foi interrompida por uma voz:

– Bom dia, garotas – Matt falou e eu virei o rosto, vendo-o ao lado da nossa mesa.

– Bom dia, amor – Claire respondeu, e escorregou para o lado, deixando espaço para o noivo sentar e lhe dando um selinho quando ele já estava ao seu lado.

Sorri para ele, que devolveu o sorriso.

– Estava pensando em caminhar, o que você acha? – Matthew perguntou, virando para olhar Claire. – A recepcionista falou que tem um lago enorme aqui no hotel, e que nós podemos pedalar em um daqueles barcos de pedal.

– Eu topo – ela sorriu e logo o casal se virou para me olhar. – Você topa?

Pisquei algumas vezes.

– Oh, não – soltei uma risada. – Deixa esse programa pro casal, mas me liguem se vocês quiserem nadar em uma piscina aquecida.

Matt riu e assentiu, começando a se levantar.

Claire se levantou junto com o noivo e parou ao lado da mesa, já de mãos dadas com ele, se inclinou para ficar com o rosto da mesma altura que o meu e disse, olhando bem no fundo dos meus olhos:

– Você precisa fazer Gabriel provar que os sentimentos que ele diz ter por você são verdadeiros – ela falou baixo, mas Matt com certeza estava ouvindo e nos olhava com curiosidade, mas um certo tipo de aprovação nos olhos pelas palavras da noiva. – E você precisa voltar a ser a Emma de antes pra isso... você era mais corajosa.

Claire endireitou o corpo e piscou antes de sair andando com Matthew, que assentiu a cabeça levemente e sorriu, mostrando que ele concordava com minha melhor amiga.

# # #

Andei pelos arredores do hotel por um bom tempo. O sol não era tão forte pela manhã, e a brisa fresca que corria por ali era uma coisa realmente boa... me fazia pensar com mais calma. Eu rodei tanto, que notei lugares escondidos depois de uns bons metros de trilha, atrás de pequenos jardins com árvores enormes. E não vi nenhum hóspede do hotel em nenhum desses lugares, coisa que, em meu interior, eu achei fascinante. Sempre quis descobrir um cantinho desconhecido em algum lugar... desde criança.

Talvez Claire estivesse certa, pensei. Eu era mais corajosa antes, não ficava me escondendo atrás do meu medo, não vivia somente pela minha segurança sentimental. Eu sabia me divertir. Sentia falta daquilo, embora eu não tivesse mudado porque queria. Mas olha só onde toda a coragem que eu tinha havia me levado, olha só o que eu havia ganhado... não parecia bom passar por tudo isso outra vez, não parecia seguro. Entretanto, depois de um tempo andando, não ouvindo nada mais do que o vento ricocheteando entre os galhos e folhas das árvores; percebi que não tinha nada a perder. Se toda aquela coragem voltasse... eu poderia ter certeza.

Quando olhei a hora no celular, já passava das dez e meia da manhã. Eu tinha andando por quase duas horas. Dei meia volta e resolvi voltar para o hotel. Não estava certa do que faria, mas tentaria convencer Gabriel e Ethan a saírem um pouco do quarto.

Não demorou muito para chegar ao hotel, já que eu não estava mais muito longe, e logo subi para a suíte tripla que dividia com os meninos. A suíte estava silenciosa, mas eu podia ouvir, como se fosse um coro de fundo, as vozes cochichadas de Gabriel e Ethan vindas do meu quarto. Tirei os chinelos e os deixei perto da porta, andando em passos leves e lentos até a minha porta, pensei em entrar de uma vez e chamar os meninos para um passeio de barco de pedal, como Claire e Matthew haviam feito naquela manhã, mas minha curiosidade me fez escorar do lado esquerdo da porta, para não ser vista pela frestinha que tinha entre ela e o batente.

– Você já pensou em ligar para ela? – Gabriel perguntou, sua voz emanando uma preocupação quase nunca ouvida nele. – Pode ser que conversando vocês-

– Não adianta, Gabriel – Ethan o interrompeu. – O número foi trocado, não tenho mais como falar com ela.

Ouvi um suspiro alto ecoar pelo cômodo, mas não sabia ao certo de qual dos dois era, embora desconfiasse ser do dono dos olhos verdes. Eles ficaram em silêncio por alguns segundos, mas logo Ethan voltou a falar:

– Parece que nada melhora – confessou, e parecia, só por seu tom de voz, estar realmente lutando contra seu orgulho para falar uma coisa como aquela. – E parece que nenhuma garota mais é interessante, sabe? É frustrante não conseguir pensar em algo mais com outra pessoa.

– Ei, eu entendo, ok? – Foi a vez de Gabriel falar, e ele parecia realmente compreensivo, porém pude sentir uma certa amargura em sua voz. – Não se esqueça dos seis meses que passei na reabilitação.

Senti meus olhos se arregalarem instantaneamente, e minha boca se escancarou logo depois. O que eu ouvi causou espasmos horríveis em meu corpo, e um fio gelado de medo subiu pela minha espinha. E, graças àquelas sensações, eu só percebi que tinha deixado o celular cair no chão quando a porta foi escancarada e um Gabriel espantado apareceu na minha frente.

Notas finais
E aí, gostaram? Favoritem, deixem comentários falando o que gostaram, o que odiaram, se querem me matar, o que eu preciso melhorar, e afins. Eu vou fazer até o impossível para postar um capítulo daqui há uma semana, juro que vou. E se meu pequeno plano der certo, eu consigo, ok? Beijos e até o próximo, lovers :*