Peter:

As portas do salão se abririam em poucas horas, os carros negros dos jornalistas já se acumulavam desleixados pela calçada, a mansão era alvo de luzes frenéticas das câmeras pontiagudas que ultrapassavam parte da grade. Subi as escadas silenciosamente, seguindo o corredor a esquerda, acelerei meus passos passando pelas janelas entre abertas que deixavam o cheiro crepuscular deslizar para dentro da mansão. Senti um sorriso maligno se formar de forma leve e inconsciente sobre meus lábios, subindo mais uma escadaria, fui de encontro com os empregados que davam saltos largos e velozes em direção oposta a minha, ultrapassei mais um salão cujo ainda penduravam uma pequena quantidade de lustres, a maioria pendia sobre nós refletindo de modo quebrado os últimos pedaços de luz, entrei pelo outro corredor, este dava entrada para a piscina, agora esta se incendiavam com luzes mecânica. Por fim chegando ao final do corredor, percebi que minha irmã olhava os carros e as câmeras, a luz artificial e dura chegava a nós, flashes eram atirados contra nossos corpos:

–Ariana- chamei, ela deslizou os olhos de modo rápido até a mim, não dizendo nada voltou a observar a janela, e ali ficamos, deixando nossos corpos sendo alvo de luzes artificiais, luzes que nos fariam queimar.

***

Meia hora após a minha ida a mansão, voltei ao meu quarto, abrindo a tela do computador, que se iluminou em um tom azulado. Meus dedos deslizaram pelo mouse, o Google se abriu, as palavras foram saindo de meus dedos antes que eu pudesse perceber que na tela de pesquisa havia digitado meu sobrenome:

F.Goodenough

Acima de todos os Sites de procura que pareciam ser infinitos, estava a noticia:

“Festa Na Casa dos Goodenough, parece que uma das famílias mais bem sucedidas do mundo, decidiu que era hora de comemorar as vitorias.”

Parei a leitura por aqui, observei o quarto agora enegrecido diante da noite, bati a tela do computador com um estalo violento, e atravessando a porta que logo com meu passar se fechou, desci as escadas que existia diante de mim, a procura de minha irmã.

Diana:

A luz pálida do crepúsculo atravessava a vidraça ricocheteando sobre o vestido branco coberto por brilho, o vestido parecia mais uma segunda pele, meus cabelos negros caiam esparramados sobre meus ombros, logo após voltar-me para o lado oposto a janela, duas empregadas atravessaram a sala vindo ao meu encontro. Elas puxaram meu cabelo e o reuniram em um coque perfeito no topo de minha cabeça, sacudindo o spray que logo após foi jogado sobre meu cabelo, senti o cheiro ácido invadir meus pulmões, minhas mãos se encontravam no fim de minha barriga, por fim virei para a janela, em direção aos brincos que descansavam na ponta de uma pequena mesa de chá, levei-os até minhas orelhas sentindo uma leve e suportável dor:

–Espelho!- minha voz parecia desfalecer, ouvi o leve barulho da madeira tocar o metal e o espelho foi posto em minha frente, meus olhos estavam negros e tempestuosos, não havia uma ruga ou mancha em minha pele, senti os diamantes que pendiam sobre a estrutura triangular abaixo da agulha tocarem meu pescoço, minhas costas eram nuas e atraentes, Robert deveria chegar a qualquer momento, estava resolvendo algumas coisas do trabalho, virei em direção a porta a atravessando e deixando as duas empregadas no quarto.

***

As luzes dos corredores já se acendiam, os repórteres se acumulavam atrás das grades da mansão com câmeras finas e compridas que pareciam agulhas. O céu era negro e ia ganhando cor a medida que chegava mais perto da terra, as montanhas estavam ainda pintadas em um tom rosado que atravessava árvores por conta do por do sol. A mansão se iluminava em branco, observando a casa agora vazia, me perguntei: “onde todos estão?”.

Ariana:
A estufa era úmida, meus saltos estalavam sobre o caminho de pedras estas ainda molhadas. Passando as mãos pelas largas e pontiagudas folhas, percebendo os flashes de luz que eram lançados contra a mansão, o crepúsculo cobria o céu em um tom azul acinzentado, voltei o caminho de pedras, percebendo o silencio apenas sendo interrompido por gritos agudo de pássaros que voavam desajeitados por entre as folhas. Fechando os dois portões largos da estufa em um fino e estridente ranger, observando o que havia atrás de mim, via que o céu enegreceu de modo súbito, me perdi na hora passando meu olhar para a varanda, percebia os carros negros entrando parando e deixando as pessoas com roupas de gala, sem perceber, meus pés ganharam impulso e correram para o além.

***

Caminhei pelo tapete largo e comprido que cobria a escada, até o lado esquerdo de minha mãe. Do outro lado, meu irmão e sua namorada Julie, recebiam as pessoas de modo um pouco frio, meus lábios formaram um sorriso, senti meu batom vermelho esticar como plastico, as pessoas entravam sem agitação, conhecia alguns rosto, Jennifer, Juliar, Gideon, Walden, Leonard,Christian, todos entravam sem muito festival, apenas sorriam de modo constrangedor e iam para o salão principal.

Robert:

A favela era movimentada, subi cada vez mais até que eu pudesse chegar ao topo, a noite já ardia sobre uma grande parte, sai do carro e encostei-me neste, passei meus olhos pelo ambiente tentando visualizar Michael, estava atrasado como na maioria das vezes "Aquele merda!" pensei, então o som do chinelo estalando no asfalto desregulado aumentou no fim da rua, mas não pude ver o rosto, a bala cruzou minha cabeça a preenchendo por fogo e sangue.

Notas finais
Obrigado por ler.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.