Not Like The Movies
1 Prologue - The Dance
Notas iniciais
Sabe quando você constrói aquele tipo de castelinho nas areias da praia? De alguma forma, nada na vida se diverge daquilo quando construímos algo. Há sempre um ensaio para tudo, e talvez muitos não percebam o quanto a vida nos joga pequenas peças, ou até mesmo desafios infindos e árduos. Tento me lembrar disso toda às vezes em que as coisas parecem ficar turvas diante dos meus olhos.
E meus braços se ergueram esticados e fiquei na ponta dos pés, dei um giro sequentemente e parei diante de um grande espelho. Aquela sala estava vazia, parecia bastante a sala de ballet a qual eu frequentara desde meu sete anos em Nova York. O piso de madeira envelhecida e as barras laterais espalhadas, obviamente me davam o sinal mais d que preciso para ter certeza desta minha suposição anterior. Tchaikovsky ressoava por pequenos caixas de som laterais. Eu sabia que estava a dançar uma sinfonia, mas parecia que minha mente mais preocupava-se com a imagem refletida no longo vidro à minha frente. As teclas d piano dançavam calmas, da mesma forma que meus pés tentavam fazer, tendo de alternar entre ritmos posteriormente elevados e difíceis.
–Isso, Collin. Agora o próximo passo. Gire, vamos. – A voz da Srtª Roberts vinha de algum lugar escondido. Ela era amestra da Academia central de Ballet.
–Está indo muito desconsertado, Collin. Mais energia. – Ouvi então a voz da minha adorada mãe. Ela era de um tipo autoritária, mas sem nunca ser rude. Ela sempre sabia como falar, ainda que, às vezes fosse um pouco mal interpretada.
Alterei os movimentos e dei mais giros percorrendo a sala, guiando meus passos naquela sinfonia crescente e frenética. Senti meu corpo ser levantado por uma mão invisível e nem por isso deixei o corpo parar. A intriga se apoderava do meu corpo, mas era a perfeição, era isso que deveria ser buscado. Eles não permitiam pausas, nem tampouco falhas.
–Está perdendo o passo, Cullen. Gire, erga o corpo. AGORA! – O grito da Srtª Roberts me fez cair ao chão em meio à sinfonia.
–Ai! – Cai com as duas pernas estiradas e de frente para o espelho.
Minha cabeça permaneceu baixa e zonza, enquanto meu corpo tentava reagir a todo aquela adrenalina agonizante. Tentei equilibrar meu peso cm as mãos espalmadas no piso de madeira e respirei fundo.
–Fracasso. Erro. Desgraça. – A Srtª Roberts gritava desgostosa e autoritária. – Saia da sala.
A imagem chocou minha mente de tal forma, que pude sentir cada pelo do meu corpo se eriçar. Quando minha cabeça levantou-se, eis que no reflexo vi a monstruosidade. Meus olhos ardiam num profundo carmesim e meus lábios agora possuíam um leve sabor metálico. Passei a língua pelos mesmos. O gosto me era estranho, porém foi sua tonalidade que me fez entrar em pânico. Até ali o medo nem parecia ter uma forma, mas eu olhei para frente. Ela estava estirada no chão, e em sua garganta estava a fenda circular. De tal fenda jorrava o líquido vermelho que se estendia pelo chão. Líquido este que era mesmo que adornava meus lábios.
–Srtª Roberts! Acorde, vamos. – Me arrastei até ela e me debrucei sobre seu corpo.
–Você é um monstro, Collin. – Ela disse com a voz fraca e quase inaudível. – Sua família vem dos monstros. Você é um monstro... – E os olhos da mulher paralisaram.
Eu olhei para um lado e para o outro, entretanto nada via. Uma sombra de capuz negro, ou melhor, três sombras de capuz negro apareceram na porta do estúdio. Meu olhar paralisado as contemplou com terror.
–Viemos executar sua sentença, Sr. Cullen. Há uma regra, nunca dê pistas. Tudo é um segredo. Você quebrou. Este é o fim. – O homem do meio revelou sua face altamente alva e seus cabelos enormes. Meus lhos se abriram chocados e uma dor tomou conta do meu corpo, enquanto meus olhos foram obscurecidos. Eu gritei, porém ninguém parecia ouvir.
A dor parecia cosumir meu corpo, e eu pedia a morte. Fiquei de joelhos e minha cabeça tombou, e não demorou até que outras mãos me envolvessem através do pescoço. E não demorou até que estas mãos tirassem a minha cabeça de mim. O som de mármore ecoou e um último e estrondoso gritou abriu a passagem da morte.
Fale com o autor