Not Just A Girl.
16 Capítulo 16 - It's Time to Leave.
Notas iniciais
– Finalmente, ela acordou! – Davina abriu os olhos lentamente, totalmente sem noção de tempo ou espaço. Deu de cara com Klaus, que a encarava de um modo estranhamente animado. – Devo admitir, demorei mais que o esperado para curar das feridas que você me fez. –
– Feridas? – Davina sentou-se de pressa, esfregando um ponto de sua cabeça que doía descaradamente.
– Mas não tem problema. – Klaus continuou, ignorando-a. – Isso é bom, mostra que você realmente pode ser útil para alguma coisa. –
Davina continuou sem saber o que dizer e fazia o máximo de força para se lembrar do que aconteceu. Rebekah entrou no quarto em passos rápidos, porém recuou por um instante ao ver Davina.
– Como ela está? – Rebekah perguntou, diretamente para Klaus.
– Calma, agora. – Klaus respondeu sem perder o sorriso, e Davina se mantinha num ping pong entre os dois, que pareciam pouco se importar com sua presença.
– Espero que você tenha conseguido o que queria Nik. Isso foi maluquice, ela podia ter o matado! – Rebekah comentou elevando a voz.
– Ah sim, tem isso. Pois eu espero que ele se recupere logo. Precisaremos usá-lo caso Davina seja necessária. – Klaus não parecia ligar muito para a pessoa abordada na conversa.
– Espera ai – Davina pronunciou-se. – O que aconteceu? Quem precisa se recuperar? –
– Você não se lembra mesmo, não é? – Rebekah pareceu finalmente notar Davina ali, que fez que não com a cabeça.
Ela pegou Davina pela mão e saiu do quarto, sem avisar nada para Klaus. Finalmente Davina notou que estava de volta a casa dos Mikaelson e ao olhar por uma janela no corredor por onde passava, viu que era mais ou menos fim de tarde. Rebekah a conduziu a um quarto onde tinha um jovem que parecia bem alto e definitivamente bem machucado. Havia talas em suas pernas, curativos por todos os cantos de seu peito nu e braços, uma faixa na cabeça e um machucado no lábio inferior. Ao focar no rosto, Davina deu um passo para trás.
– Eu falei que não era para trazê-la aqui! Mas que droga Rebekah. – Kol disse rispidamente ao vê-las.
– Quem fez isso? – Davina perguntou com uma pitada de desespero virando-se para Rebekah.
– Vou deixar vocês dois conversarem. – Ela disse sem cerimônias e deixou o quarto, batendo a porta de leve ao sair.
Davina se aproximou e seu olhar de tristeza rapidamente se encheu de ódio.
– Foi ele não foi? Klaus? Isso é loucura. Você é irmão dele! – na medida em que ela ia medindo os ferimentos em Kol sua raiva aumentava. Davina encheu o pulmão de ar e se preparava para ir atrás de Klaus, quando Kol segurou sua mão.
– Davina, senta aí. Klaus não fez nada. Ou pelo menos, não diretamente. – Kol a fez sentar na cadeira ao lado da cama onde estava.
– Como assim? – Davina questionou enquanto se sentava, sentindo sua respiração se acalmar a raiva diminuir. – Então quem fez? –
Kol olhou para frente por alguns segundos sem dizer uma palavra, até que achou as que procurava e virou-se para Davina.
– Eu vou te contar quem fez – Ele começou, fazendo longas pausas entre as palavras. – Mas você não pode ficar brava. –
– Brava? Com você? – Davina retrucou depressa, demonstrando a ansiedade em saber quem o fizera.
– Não, não comigo... Mas... Com as circunstancias da coisa. O que foi feito, foi feito comigo, e eu não estou bravo com quem fez então você também não tem que ficar ok? – Kol falava com calma e cautela, o que só deixava Davina mais ansiosa.
– Ok, mas, como você pode defender alguém que tenha feito uma coisa dessas com você? – Davina encarava Kol nos olhos procurando alguma pista sobre a tal pessoa, mas ele apenas a olhava com toda simplicidade e ferocidade que só ele conseguia manter ao mesmo tempo. Era um olhar que para Davina era sempre tentador, o que a distraiu por alguns segundos. Ela apenas notou que o encarava quando percebeu que ele sorria.
– O que? – Ele perguntou em um tom meio tímido, mas era possível ver que não estava nem um pouco sem graça.
– Nada. – Davina respondeu rindo, se esquecendo do por que de estar ali. Agora Kol a encarava da mesma forma. – O que? –
– Tudo. – Ele respondeu e Davina corou.
– Tudo? –
– Sim, tudo. Seus olhos, seus lábios, seu cabelo, seu sorriso... Tudo. – Kol sabia exatamente o que dizer para desconcertar Davina. Ele falava como se houvesse uma espécie de roteiro onde tudo fora pensado e escrito milhares de vezes. Eram sempre as coisas certas, sempre tudo que Davina não esperava, mas amava ouvir. Quando ela levou sua mão ao rosto de Kol sentiu uma de suas feridas, e logo se lembrou de sua questão inicial.
– Kol, eu não vou ficar com raiva. Ou pelo menos, vou tentar. Quem fez isso? –
– Você precisa mesmo saber? – Kol tentou por uma ultima vez, mas Davina fez que sim. – Você fez isso Davina. –
Com essas palavras, Davina levou um susto consigo mesma. Era como se algo dentro dela desmoronasse com um estrondo, mas por fora ela continuava exatamente do mesmo jeito que estava quando o viu. Ela engoliu um turbilhão de sentimentos que tentavam sair e ela queria mais que tudo por para fora, mas não conseguia. Seu olho ameaçou encher d’agua, mas não o fez.
Ela finalmente se virou para Kol depois do que pareceu um século de reflexões, que não durou mais que 10 segundos. Ele a olhava como se esperasse uma explosão, e se surpreendeu ao ver a calma de Davina. Ela abaixou para chegar bem perto do rosto de Kol, e o acariciava com a maior calma, para não arder nas feridas.
– Kol, eu sinto muito... – Davina estava pronta para um testamento de desculpas, mas Kol a interrompeu apressadamente.
– Eu sei que você não quis! Eu sei Davina, esta tudo bem, de verdade. – Ao ouvir as palavras de Kol, seus olhos finalmente começaram a demonstrar toda agua que ameaçava sair. Kol enxugou uma pequena gotinha que descia pelo rosto de Davina, e ela sorriu. Com delicadeza, trouxe o rosto de Kol para mais perto de si e o beijou. O beijou com vontade, com intensidade, com pensamentos e sentimentos, como se fosse a ultima vez.
Ao se separarem para tomar ar, Kol sorria assim como Davina. Num movimento rápido, ela pôs a mão na testa de Kol, que apagou instantaneamente.
Levantou-se pesarosamente e andou até a porta, segurando as lágrimas que ainda não desceram. Deu uma ultima olhada para Kol e saiu do quarto. Do corredor, saiu da casa. De fora da casa, pegou um taxi e foi para casa.
Chegando a casa, abriu a porta sem emitir som algum, tentando não chamar atenção. Ao subir as escadas viu Freya à porta de seu quarto, quem, antes de ver Davina, estava pronta para dar uma enorme bronca na jovem. O rosto de Davina se encontrava vermelho e inchado, seus olhos encharcados, seu pescoço pingando com as lágrimas que caíam. Freya apenas deu um passo para o lado permitindo que Davina entrasse, e assim que o fez, trancou a porta e se jogou ao chão, ali mesmo, sem saber o quanto podia chorar.
Depois de uma ou duas horas, Freya foi até o quarto ver como ela estava. A porta ainda estava trancada, mas já não se ouvia mais o choro.
– Davina? O que aconteceu? – Freya perguntou através da porta, e ouviu os passos de Davina se aproximarem.
– Eu estou bem. – Davina respondeu, e pela sua voz parecia que realmente estava, como se nada tivesse acontecido. – Eu preciso ficar aqui, ok? –
– Ok, mas, por quê? – Freya agora estava muito mais tranquila, a voz de Davina estava totalmente normal.
– Estou cansada, preciso dormir. – Davina ouviu um “Ok, boa noite” vindo de Freya antes de ouvir seus passos escada abaixo. Numa distância já segura, Davina deixou uma ultima lagrima guardada escorrer rosto abaixo. – Porque não posso te proteger de mim. Não posso proteger ninguém de mim. –
Num ultimo murmuro bem baixo, Davina pôs isso para fora sabendo que ninguém a ouvira. Voltou para sua cama e se deitou, pensando na desculpa que arranjaria para voltar para casa o mais rápido possível, ou na pior das hipóteses, ficar trancafiada no quarto até as férias acabarem.
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