Not Die
1 Capítulo 1 - Morra por mim - capítulo único
Notas iniciais
Não sei o que pensar... Depois de 30 anos me encontro sozinho, sem amigos e sem o amor da minha vida e o pior é que não consegui reconstruir minha vida, sabe quando você conhece uma pessoa e se apaixona por ela e depois disso você não consegue se apaixonar por mais ninguém? Se você não é feliz com ela, você não é com mais ninguém? É assim que me sinto até hoje e tudo por causa daquele maldito jogo.
Há 30 anos quando eu tinha 17 anos, era o meu aniversário e do Midori, nós somos irmãos gêmeos. Midori resolveu que seria legal juntarmos os amigos para jogar um pouco, mal sabia ele que estava nos arrastando para a própria morte.
– Iai cara, vamos ligar pra galera? – Midori disse enquanto ligava nosso vídeo game.
– Ah eu não sei, Midori. E se todos não puderem vir? – Eu disse meio receoso.
– Misari, todos vão vir não se preocupe, até porque eu já tinha os convidado. – Midori ligou o resto dos cabos e foi andando até a cozinha. – Vai cara liga e aproveita e chama a Aiko também, quem sabe você não consegue algo com ela?
– É pode ser... – Bufei. – Bom, mas você comprou algum jogo novo?
– Sim, está ai na mesinha!
Eu então peguei o jogo em cima da mesinha e o titulo era “Not die”, pelo visto era algum jogo de terror. Eu ficava imaginando o que havia naquele jogo macabro e estava ancioso para jogar, mal sabia eu que iria provocar a morte dos meus amigos com isso. Na capa do jogo havia varias almas pedindo socorro e eu olhei tão fixamente que pensei ter visto alguém realmente se mexer na capa, eu cai sentado no sofá e joguei o jogo longe.
– Seu retardado, o que está fazendo?! Vai quebrar o jogo. – Midori disse irritado.
– Eu tomei um susto. – Eu disse ainda assustado.
– Você é muito medroso mesmo, vem vamos chamar o resto do pessoal. – Midori pegou o telefone.
Não é que sou um cara medroso, é que sou muito desconfiado das coisas. Nossa mente às vezes nos engana, eu devia estar imaginando coisas mesmo.
Midori ligou para nossos amigos, Naoko, Chang e Daiki. Logo depois chegou a Ayumi e a Aiko.
– Cara, liga logo isso que tô a fim de matar vocês. – Naoko disse animado, ele tinha o mesmo espírito do Midori, sem preocupações. Queria ser assim também.
– “Not Die.” Nunca ouvi falar desse jogo, aonde você comprou Midori? – Chang perguntou curioso.
– Eu estava indo comprar pão, ai um senhor me parou e perguntou se eu gostava de jogos assustadores, eu disse que sim e ele me deu esse jogo e disse que seria bom jogar entre amigos e também tentar não morrer ou as conseqüências seriam horríveis. – Midori disse tranquilamente enquanto comia.
– Não sei não viu, eu acho que é melhor não jogarmos isso... – Daiki disse enquanto olhava para o jogo. O Daiki era como eu, quando via algo de ruim ficava meio que na dúvida.
– Ah liga logo isso que eu quero jogar, vamooos! – Ayumi disse empolgada, também sendo irmã do Naoko não duvido nada. – Né Aiko-chan?
– Vamos nos divertir muito. – Aiko sorriu para mim e eu fiquei feliz, se a Aiko vai se divertir quero me divertir com ela.
Ligamos então o jogo. Todos com seus joysticks na mão e eu estava um pouco tremulo. Apertamos start e logo algo apareceu na tela.
– Aperta pra pular isso logo. – Naoko disse.
– Tô tentando, mas não dá. – Eu disse. – Será que não temos que ler.
– Ok, então todos nós lemos em voz alta. – Ayumi disse.
“Eu prometo que darei o Maximo de mim, peço a todos que estão jogando que tomem cuidado com que aparecer. Eu prometo que ajudarei e libertarei quantas almas puder, mas se eu não conseguir, minha alma queimará no inferno por ter jogado. Não morra.”
Apertamos start e começamos a jogar. Era meio que assustador, pessoas possuídas e tínhamos que libertar a alma delas destroçando seus corpos, assim a alma delas ia pro céu. Realmente, eu ficava mais nervoso a cada vez que jogava.
– CARA ME AJUDA AQUI! – Gritou Chang nervoso. – ESSA VADIA TÁ ME MORDENDO!
Midori então mirou nele e matou a mulher que o mordia, Chang estava com os olhos arregalados e o pescoço vermelho. Como se tivesse sofrido aquilo de verdade.
– Eu... Eu, não quero mais jogar. – Chang largou o joystick e foi embora.
– O Chang é um medroso mesmo! – Disse Naoko enquanto matava os corpos das pessoas.
– Misari, eu posso sentar perto de você? Eu estou com medo... – Perguntou Aiko, eu balancei a cabeça afirmando e ela se sentou perto de mim. – Será que o Chang ficará bem?
– Vai ficar sim, não se preocupe! – Eu disse para confortá-la.
Ficamos um tempo jogando lá, tomamos até café para poder ficar mais tempo acordados. Eu já estava com meu sangue pela metade, provavelmente morreria em breve. Aiko estava mais fraca que eu, então jogamos juntos para mim poder fazer ela sobreviver. Naquela noite Naoko e Ayumi acabaram morrendo no jogo...
– Essa bosta não tem continue ou uma nova vida? Eu quero continuar destroçando essas pessoas! – Naoko disse irritado. – E ainda morri com o corpo cheio de vidro... que ódio.
– E eu que morri com uma facada no peito? – Ayumi reclamou.
– Ok, galera vamos nos ajeitar para dormir e amanhã jogamos mais. – Midori saiu do jogo. E ajeitamos a cama no chão, Aiko veio dormir perto de mim e aquilo me deixava meio nervoso.
– Misari, é verdade que gosta de mim? – Eu me engasguei com a pergunta.
– A-AH? Quem te disse isso? – Eu perguntei.
– É que o Misari me trata tão bem e eu me sinto tão segura. – Ela sorriu corada. – Toda vez que fico perto de você, sinto meu coração acelerar e ficar quente... eu gosto de você.
– Eu também me sinto da mesma forma... – Disse corajoso e esperançoso. – Eu gosto de você a tanto tempo, Aiko. Você é a garota mais doce e linda que já conheci. – Cheguei um pouco mais perto de seu rosto e lhe dei um selinho rápido enquanto a acariciava seu rosto, me afastei um pouco para olhar em seus olhos e eles estavam diferentes, vermelhos.
– ME AMA TANTO QUE ME JOGOU NO INFERNO! – Disse com a voz distorcida e macabra.
Acordei assustado, olhei para o lado e Aiko dormia tranquilamente, tudo não passou de um sonho. Um pesadelo, olhei e todos estavam dormindo. Olhei então em direção a cozinha e vi um vulto preto passar rapidamente, deve ser coisa da minha cabeça.
Acordei no dia seguinte revigorado e sem sono algum. Olhei para o lado e Aiko não estava deitada, deve ter ido na cozinha. Me sentei e olhei ao redor, Ayumi e Naoko não estavam ali devem ter ido para casa. Logo um “toc-toc”, me levantei para atender a porta.
– Olá jovem, eu sou agente da policia Japonesa, gostaríamos de fazer algumas perguntas sobre o Chang. – Eu dei passagem para ele entrar.
– Mas o que houve com ele? – Eu perguntei.
– Você não está sabendo? Aparentemente o Chang foi encontrado morto ontem com metade do pescoço destroçado. E como aqui foi o ultimo lugar que ele esteve, o que estavam fazendo?
– Nós estamos jogando ontem à noite, senhor. – Apontei para o vídeo-game.
– Entendi, bom se souberem de algo, por favor me liguem! – Entregou um cartão em minhas mãos.
– Ok, pode deixar. – Acompanhei o senhor até a porta, depois corri até o Midori e o sacudi. – CARA! Acorda! O Chang está morto.
– O que? – Midori se levantou meio sonolento.
– Ele morreu como no jogo. – Eu lamentei.
– Cadê o Naoko e a Ayumi? – Nos entreolhamos, eles também haviam morrido ontem. Começamos a chamar seus nomes pela casa. Quando eu cheguei ao banheiro, vi a cena mais horrível de minha vida. Naoko estava coberto de vidros, era como se alguém tivesse perfurado ele varias vezes e depois colocado vidro onde estava furado, era agonizante.
– MISARI!!!!!! – Ouvi o grito de Midori lá da cozinha e corri até lá, chegando lá vi Ayumi no chão com o corpo coberto de sangue e seu peito estava perfurado, ela estava morta.
– Cara, como isso tudo foi acontecer? – Eu empurrei Midori. – EU DISSE PARA NÃO JOGARMOS AQUELE MALDITO JOGO! – Eu gritei irritado. – Aiko? Cadê a Aiko?
– Ei Misari-kun! – Olhei para ela e ela estava como no meu sonho, com os olhos vermelhos. – Não podia parar de jogar... – Corremos até a sala e chegando lá, estava escrito na tela “Game Over”. – Vocês não cumpriram a promessa, então vim até aqui arrastar a alma de vocês para o inferno! – Ela então acertou as costas de Midori e ele caiu no chão gemendo e eu corri.
– Aiko você não é assim!
– E quem disse que Aiko está entre nós idiota? Eu estou estrupando ela no inferno. – Deu uma risada. – E você vai queimar o resto da sua vida comigo.
Aiko então se aproximou e eu me movimentei rápido, corri até a cozinha e peguei uma faca. Novamente, ela veio atrás de mim e eu cravei a faca em seu pescoço e depois no coração. Seus olhos voltaram a cor normal.
– Misari-kun, pensei que você me amava...
– Eu amei, mas você não é a minha Aiko!
Ela caiu então no chão morta, qual é o preço pela diversão? Perdi meu irmão, meus amigos e a garota que eu amava. Depois de 30 anos, me arrependo de tudo. Tome cuidado com que jogam, afinal sua vida pode estar em jogo sem você saber.
Teria coragem? Será que você conseguiria “não morrer”?
Fale com o autor