Not Alone
1 Capítulo 1 - Capitulo Unico
Notas iniciais
O menino e o silêncio
Lá estava ele.
Um garotinho de cinco anos, sentado sozinho no banco da praça.
As pernas balançavam no vazio, os olhos atentos ao vai e vem da vida que passava sem notá-lo.
Naruto observava os outros pequenos brincando com seus pais.
Corridas alegres, abraços apertados, gargalhadas que aqueciam o ar da tarde.
Em meio a tudo isso, uma dúvida surgia mais uma vez:
"Se eu tivesse uma mãe... como ela seria?"
Talvez fosse carinhosa como aquela senhora de cabelos presos que embalava a filha no balanço.
Será que teria os cabelos dourados como os seus? Ou escuros como a noite?
E um pai? Iria buscá-lo na escola?
Comeria lámen com ele depois das aulas, rindo das histórias mal contadas?
Mas a pergunta que mais machucava era outra:
"Se eu tivesse um pai e uma mãe... será que teria amigos?"
Será que deixariam de evitá-lo? De sussurrar coisas quando ele passava?
Naruto era pequeno demais para entender os motivos.
Só sentia o desconforto nos olhares.
E a dor.
Sempre a dor.
O tempo corria devagar. As sombras da tarde avançavam.
A praça foi se esvaziando.
Logo, restavam apenas ele e o som distante do vento entre as folhas.
E a solidão — sua velha conhecida.
Até que—
— Oieee! — chamou uma voz infantil, cheia de vida, rompendo o silêncio como um raio de sol entre nuvens pesadas.
Naruto se virou de súbito, limpando o rosto com as mangas do casaco.
Correndo em sua direção, um menino de cabelos negros e olhos vibrantes o encarava com curiosidade genuína.
— Por que tá sozinho aqui? — perguntou ele, sorrindo.
Naruto hesitou. Olhou em volta, incerto se era mesmo com ele.
Não havia mais ninguém.
— Eu só tava... sentado. — respondeu. — E você?
— Tava treinando com meu nii-san! Já sei lançar kunai!
Naruto arqueou as sobrancelhas, surpreso.
— Sério? Como é...?
— Treinar? É incrível! Mas o meu irmão é exigente…
— Não... — interrompeu, tímido. — Quis dizer... como é ter um irmão?
O garoto parou. Pensou por um momento.
Ia responder, quando PUF!
Uma nuvem de fumaça surgiu e, dela, emergiu um jovem de traços serenos e o símbolo do clã Uchiha estampado nas costas.
— Aiii, nii-san! — reclamou o menino, depois de levar um peteleco na testa.
O mais velho apenas riu e bagunçou os cabelos do irmão.
Então, voltou o olhar para Naruto.
Não viu ameaça, apenas um garoto.
— Sasuke, vai me apresentar seu novo amigo? — disse gentilmente.
Naruto arregalou os olhos.
Amigo...?
Aquela palavra parecia um presente inesperado.
— Qual seu nome mesmo? — perguntou Sasuke.
— U-Uzumaki Naruto! — respondeu, nervoso.
O mais velho se agachou, estendendo a mão.
— Prazer, Naruto. Eu sou Itachi, e este é meu irmão mais novo, Sasuke.
Naruto, hesitante, apertou a mão oferecida com firmeza.
Era algo novo.
Algo bom.
E, naquela noite, sob o céu pontilhado de estrelas, nasceu um laço silencioso.
Naruto não sabia, mas naquele momento… o mundo começou a mudar.
Os anos passaram.
A primavera leve de outrora deu lugar a dias turvos.
O riso de Sasuke, que um dia colorira a solidão de Naruto, havia desaparecido como névoa diante do sol.
A notícia chegou como um sussurro maldito:
O clã Uchiha… havia sido exterminado.
Por Itachi.
O irmão que Naruto conhecera sorrindo ao seu lado naquela praça.
O mesmo que lhe estendeu a mão e chamou-o de amigo.
E, de repente, Sasuke calou.
Fechou-se como uma muralha.
Não olhava mais ninguém.
Não respondia.
Não sorria.
Era como se o menino da folha de cerejeira nunca tivesse existido.
Para Naruto, foi como perder alguém sem sequer poder nomear o luto.
A praça perdeu o brilho.
O banco, o sentido.
E ele… voltou a ser o garoto que observava o mundo pelas margens.
De novo invisível. De novo só, mas o tempo, caprichoso, os colocou juntos.
No mesmo time.
Sob as ordens da sensei Kakashi. Ao lado de uma garota de cabelos cor-de-rosa que vivia entre sorrisos e lágrimas.
Naruto forçava a presença, tropeçava em piadas, desafiava limites…
Tudo para ser visto.
Tudo para que Sasuke olhasse para ele, nem que fosse só uma vez como antes.
E aos poucos, nos gestos velados, nas batalhas divididas, nos silêncios compartilhados… Sasuke começava a ceder.
Não falava muito, mas o laço retornava, tímido, como uma brisa tardia.
Naruto sentia, era como se a amizade, mesmo cambaleando, ainda estivesse viva.
Mas então…
Vieram as batalhas, os sussurros de poder. O nome de Orochimaru e a sede por vingança.
Sasuke não queria nenhum laço, queria força, vingança pelo seu clã e depois pela dor do irmão que sempre achou que fosse um vilão.
E Naruto… só queria ficar e ser aquele banco de novo, aquele abrigo.
Quando soube que Sasuke havia partido, levado pela escuridão de seus próprios fantasmas, algo em Naruto se partiu com ele.
O mundo ficou mais frio, mais vazio.
E, enquanto todos diziam para esquecê-lo, Naruto cravou sua promessa:
— Eu vou trazê-lo de volta.
Não por obrigação.
Mas porque ele era seu laço mais forte.
Seu primeiro amigo.
Seu primeiro lar.
E desde aquele dia, toda batalha travada, toda missão cumprida, toda lágrima contida, era por ele. Por aquele menino de olhos negros e sorriso raro, que um dia o tirou da escuridão sem saber.
Naruto voltava à praça de vez em quando.
O banco ainda estava lá.
Mas vazio.
Ele sentava, pegava seu caderno.
Guardava folhas.
E esperava.
Sempre esperava.
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