Not A Reason
2 Capítulo 1 - It's time to begin, isn't it?
Notas iniciais
POV Annabeth
Acabei chegando mais cedo que a maioria no colégio (que por sinal se chamava Half Blood High — meio ofensivo, mas pelo jeito todo mundo aqui é louco), então fui à diretoria para pegar as chaves do meu armário e meu horário. Logo depois fui ao banheiro, porque acho que tinha algo no meu cabelo.
Cheguei lá e encontrei duas garotas conversando, e uma delas estava na frente da porta.
–Ahn, com licença?
As duas se viraram pra mim.
–Quem diabos é você? – uma delas perguntou.
–Quem diabos é você? – retruquei.
–Eu perguntei primeiro.
–Eu perguntei depois.
A outra garota fazia força para não rir.
–Ela é Drew Tanaka, duh. Chefe das líderes de torcida, modelo de meio-turno e a garota mais popular do colégio, de longe.
–Quem diabos é você? – Drew repetiu.
–Annabeth Chase. Eu sou nova.
–Quem deixou você entrar aqui?
–Eu estudo aqui. – respondi com cara de “WTF?”
–Ugh, essa escola está perdendo cada vez mais a qualidade – ela pegou a outra menina pelo braço e saíram do banheiro dando risadinhas.
“Ugh”. Como se ela não fosse a nojenta daqui.
Não havia nada no meu cabelo, então saí. As minhas amigas e as pessoas que eu conheci na festa começaram a chegar. Mandy estava encostada no armário dela (que, por sinal, era do lado do meu) lendo um livro preto com algo amarelo na capa e um escrito em cima que eu só sei que começava com “Jogos”. Rachel estava desenhando em um caderno e Thalia ouvindo música. Nós começamos a conversar sobre alguns professores, e parecia que a maioria era sem graça. Mas Thalia critica tudo, então, tá de boa, acho. Leo fez uma piada sobre alguns deles, e nós rimos. Piper se virou para o armário dela e murmurou algo como “Beep-boop, alerta de vadia!”. Por trás de nós, uma voz grudenta começou a cacarejar. Mandy ficou paralisada.
–Oh, vocês continuam os nojentinhos de sempre!
Mandy respirou fundo, soltou um sorriso sarcástico e se virou.
–A resposta para uma pergunta que ninguém fez.
Drew a encarou.
–Eu não preciso de permissão para falar, recalcada.
Alguém ainda fala “recalcada” seriamente? Tipo, sem zoar?
–E acho que aqui não é puteiro pra você ficar aparecendo.
–Você ainda vem me chamar de puta?
–Bem, sim, já que não fui eu que dei pra metade dos meninos do colégio.
–Opa, peraí. – Piper se colocou no meio das duas enquanto os meninos falavam “Que corte!” “Depois dessa eu me matava”, e coisas assim. – Drew, realmente, ninguém te chamou aqui. E Mandy, acalma o fogo na chavasca, porque né.
Drew desviou o olhar e infelizmente ele pousou em mim.
–Annabeth! Oh, soube desde o começo que você iria parar aqui, no bando dos fracassados.
–Vocês já se conhecem? – indaga uma Piper incrédula.
–Ah, sim, infelizmente a conheci no banheiro, mais cedo.
–Certo, Drew, você já causou muita desgraça por aqui. Agora tchau. – Silena disse, a empurrando.
–Que direitos você tem sobre mim?
–Tecnicamente, eu sou mais velha que você.
Surpreendentemente, ela saiu, depois de revirar os olhos.
–Ahn, espera – gaguejei –, o que aconteceu aqui?
–Nós somos irmãs por parte de mãe. Eu nasci em janeiro, 11 meses depois a coisa nasceu. Eu moro com o meu pai, já ela e Mitchell moram com a mãe.
–Que falta de sorte.
–Pois é.
–Eu ainda vou esfolar a cara daquela vadia no asfalto – grunhiu Clarisse.
–Calma, boi de carga. – Percy bateu no ombro dela enquanto passava e ela o perseguiu pelo corredor
O sinal bateu, e verifiquei meu horário. Eu tinha aula de História, e Thalia ia comigo. Antes de irmos, Luke comentou com ela:
– Camiseta legal.
–A sua também – ela sorriu.
Silena murmurou “que bonitinho”, mas acho que foi alto demais, porque Thalia a mandou calar a boca. Então fomos para a sala, que era dois andares acima, e quase morremos. O professor era cadeirante e o nome dele era Quíron. Ele fazia várias piadas.
No meio do período o diretor, que se identificou como sr. D e que parecia um querubim daquelas pinturas renascentistas usando um terno que parecia muito pequeno pra ele e uma gravata roxa entrou na sala para falar algumas regras.
–Então, pequenas criaturinhas amaldiçoadas, vocês estão nesse colégio, estão sobre minhas ordens e terão que seguir algumas regras. É claro que vocês não precisam saber da maioria, então só vou mencionar as que realmente interessam e que eu tenho alguma esperança de que vocês cumpram – ele enfatizou muito a última palavra, pegando um livro de espiral. – Regra número 1: Não é permitido usar drogas ou beber bebida alcoólica na escola. – ele pareceu meio desgostoso ao mencionar essa regra. – Regra número 2: Não é permitido usar nenhum tipo de aparelho eletrônico incluindo fones de ouvido, Srta. Grace. – o diretor fixou o olhar em Thalia, que estava ouvindo música do meu lado. Ela murmurou algo e colocou os fones na altura do pescoço.
–Me prenda então, Sr.D! – ela exclamou, colocando as mãos para o alto. –Você sempre me pega, não é possível!
–Se a senhorita. cumprisse as regras, talvez isso não acontecesse. – ele voltou a ler. – Regra número 3: Não é permitido vandalizar e/ou depredar de algum modo as dependências da escola, Srs. Stoll. – ele olhou para dois garotos aparentemente gêmeos que riam no fundo da sala. – E, por fim, a última regra que importa: Não é permitido nenhum tipo de agressão física ou verbal conhecida vulgarmente como bullying. – um calafrio desceu pela minha espinha. Isso sempre acontecia na menção dessa palavra. A sala estava silenciosa ao olhar congelante dele. – É isso. Aproveitem o resto da aula. – ele fez um aceno de cabeça para Quíron e saiu.
– Ele é sempre assim? – sussurrei para Thalia.
– Às vezes é... – O professor olhou para ela. Ela pegou a caneta e escreveu em numa folha em branco no caderno “Às vezes é pior” e me passou a folha.
“vish”
As aulas da manhã passaram voando, e na hora do almoço o diretor anunciou as atividades extracurriculares e os clubes dos quais poderíamos participar.
– Desprezados alunos – começou Sr. D. – Vocês sabem que têm que participar de pelo menos uma atividade além de estudar, certo? Eu sei que sabem. – ele pigarreou. – Bem, então as atividades extracurriculares são: Líderes de torcida; Arqueiras; Banda da escola; Esgrima; Basquetebol; Beisebol; Arquitetura; Futebol; Luta; Natação; Futebol Americano; Grêmio Estudantil — aliás, vocês têm que se eleger, pirralhos. E os clubes... clube do computador, clube do — ah, meus deuses -, clube do amor, clube de culinária, clube do livro, clube da arte, clube de teatro e clube de jardinagem. Aproveitem o resto do seu papelão. – o microfone foi desligado com um chiado.
– Bom, pelo menos ele reconhece que a comida é papelão – disse Rachel.
– Vou pra esgrima, deve ser legal aprender a lutar com uma espada – comentou Luke.
– Acho que vou pro clube de natação, sei lá. – continuou Percy.
Todos olharam para ele.
– Se você não for o clube vai estar perdido, cara. – ironizou Leo. – Será que as arqueiras são gatas?
– Você não tem jeito – riu Mandy. – Enfim, vai entrar no clube de quê, Annie?
– Do livro, eu acho. Ah, e de arquitetura.
– Novidade...
– E você com toda a certeza vai pro de Artes, Rachel.
Ela deu de ombros.
– Fazer o quê, né.
As aulas enfim terminaram, e no caminho para casa combinamos alguma coisa para a noite.
– Você precisa conhecer a cidade. – Silena me contava. – Na Quinta Avenida tem uma Givenchy tão maravilhosa, na verdade, a Quinta Avenida inteira é maravilhosa.
– A galeria do SoHo – falou Rachel.
– A biblioteca municipal também – acrescentou Mandy.
– Precisamos levar ela pro Empire State. – lembrou Percy.
– Ah, sim! Você vai amar. O pai da Thalia trabalha lá.
Thalia tentou calar a boca dela, mas já era tarde.
– Thals?
– É a sede da Olympus Corporation e blá-blá-blá. Isso não importa.
Dei uma risada.
– Você tenta ser tão obtusa que dá nojo. Mas vai dar pra ir a todos esses lugares nessa noite?
– Ah, Annie, você sabe, this city never sleeps tonight – Mandy começou a cantar.
– NÃO, NÃO, NÃO, CALA A BOCA – todos tentaram fazê-la parar, o que causou um barulho meio constrangedor.
– Eu fico aqui, pessoas. Tchau.
Subi o elevador, dei um oi rápido pros meus pais e os meninos e troquei de roupa. Peguei um livro que precisava terminar e fui lê-lo na sala.
Eu estava descalça, e pisei num Lego
– AAAH! – berrei – CA... RAMBA – meus pais estavam em casa, fazer o quê né – QUE DROGA!
– Calma, o que foi? – minha madrasta chegou preocupada.
– Pecinhas... de Lego.
– Ah! Mas meninos, pra que tanta bagunça?
Me sentei no sofá.
– Ele que tá desmontando meus robôs!
– Mas você tá pegando os meus!
– Tá, tá, parem de desmontar e de pegar os robôs, ok? E Annabeth, melhor calçar algo.
– Eu... sei.
Abri o livro. O modo como o autor escrevia era fantástico, e a história, de fazer chorar.
“Meus pensamentos são estrelas que não consigo arrumar em constelações” é a primeira frase que me deparei.
Certo, então.
Notas finais
O TRAILER O TRAILER O TRAILERRRRR
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