Notas iniciais
Pessoal! Finalmente atualizei o meu perfil do Nyah! Desculpa pela demora, foram mais de três meses que eu não posto nenhuma oneshot e eu realmente me senti muito mal por isso. Sempre que eu tinha uma ideia ou não tinha tempo pra escrever ou, quando eu escrevia, eu odiava como ela se desenvolvia e excluía tudo. Mas, FINALMENTE, uma ideia que eu já tinha faz tempo voltou na minha cabeça e, depois que eu li uma oneshot incrível de Time Canary (um shipp de Legends of Tomorrow) no Tumblr, eu tive que escrever. Por isso adiantei todos os trabalhos para que eu pudesse ter um fim de semana livre pra finalmente escrever e dessa vez... ALELUIA, deu certo! Por isso quero agradecer à Iara, famosa Queen Jeller (@jellerspot) no Twitter por me incentivar e me impedir de desistir de escrever e sempre estar me cobrando (porque senão eu ia parar de escrever mesmo). Te amo, Iara! E sobre essa oneshot: se você já viu o season finale da segunda temporada, quando ler essa história, só ignore kkkkk Eu tinha pensado nessa ideia antes de ver o season finale e por isso vai ter uma ou duas coisas nessa oneshot que não vão fazer muito sentido se levar o season finale em conta, mas, mesmo assim, tá bem gostosa de ler. Espero que vocês gostem de mais uma oneshot de TashIan, nosso casal do pop! kkkkkkk

Era algo escondido. Por mais que a necessidade que um tinha pelo outro fosse tanta, de alguma forma, os dois deram um jeito de manter tudo o que estava acontecendo apenas debaixo dos lençóis e em um segredo entre quatro paredes. Mas tamanho segredo se tornava cada vez mais difícil de ser contido: olhares, sorrisos, certas coincidências impossíveis de serem ignoradas fomentavam cada vez mais a suspeita que algo a mais estava acontecendo.

A primeira pessoa a ter suas dúvidas esclarecidas foi Patterson.

Era o fim do expediente e Tasha arrumava seus pertences no locker room pensando nos planos que tinha para a noite que seguia. Sorria para si mesma só de pensar em olhar para aquele par de olhos claros a noite inteira. Achava-se tão boba quando parava para perceber o jeito que ficava só de pensar nele. Era como se fosse uma adolescente de dezesseis anos novamente, perdida em seus devaneios. Porém, Tasha amava aquilo. Amava como se sentia em relação a tudo isso. Amava o que sentia em relação a ele. Não se sentia assim há tanto tempo, sendo que estava tão contente que finalmente chegara à conclusão que, depois de tudo que ela passara, ela merecia aquilo.

Mas, de repente, sentiu alguém a abraçando por trás, tirando-a de seus pensamentos. Mesmo assustada, sorriu de orelha a orelha quando sentiu a sua barba enquanto ele beijava o seu pescoço.

— O que você está fazendo aqui? – Tasha perguntou em meio a risadas, virando-se para ver o rosto de Roman.

— Quis te fazer uma surpresa. – respondeu Roman. – Aliás, eu estava com saudade.

— Mas de manhã eu estava com você! – disse Tasha, abraçando a cintura de Roman. – E nós iríamos nos encontrar de qualquer jeito essa noite...

Tasha sorriu maliciosamente e depois roubou um selinho de Roman.

— Acho que eu não consigo mais ficar tanto tempo longe de você. – ele respondeu.

Não demorou muito para que Roman colasse seus lábios nos de Tasha, dando um beijo rápido e apaixonado entre os dois.

— Qual foi sua desculpa para vir pra cá? – Tasha perguntou, rompendo o beijo, com o rosto a milímetros de distância do rosto de Roman.

— Disse a Jane que estava passando por aqui e só quis subir para dar um “oi”. – respondeu Roman. – Depois inventei que achava que tinha deixado algo aqui no locker room há um tempo e vim pra cá.

— Que estratégias maravilhosas que você tem, hein... – provocou Tasha.

— Eu tenho outras habilidades também... – retrucou Roman, com um sorriso malicioso nos lábios.

Foi uma questão de segundos para que Roman já estivesse beijando Tasha de uma forma intensa e puxando o seu corpo ainda mais perto de si – se isso era possível. As mãos de Roman já percorriam o corpo de Tasha, de uma maneira que a estava deixando fora de si.

— E se alguém nos ver aqui? – perguntou Tasha, ofegante, quebrando o beijo.

— Eu não ligo. – Roman retrucou, voltando a beijar Tasha ainda mais intensamente, levando as costas de Tasha ao encontro do armário.

Era incrível a forma como aquele homem a fazia tão satisfeita, porém tão insaciável ao mesmo tempo. Ele explorava a boca de Tasha e ela se entregava ao feitiço do gosto de Roman. De uma maneira tão peculiar, ele a fazia completa. E naquela hora, ela não ligava que os dois estavam no locker room com tanta paixão em seus corpos. A forma como ele a beijava e percorria suas mãos pelo seu corpo não deixava espaço para mais nada em sua mente naquele momento. Ela vivia aquilo tão entregue e tão apaixonada que ela acreditava que nada podia quebrar aquilo naquele momento, mas, eventualmente, algo quebrou.

— Eu sabia! – Tasha ouviu o tom alto daquela voz tão bem conhecida encher a acústica do locker room que antes era preenchida pelo som da respiração ofegante de Tasha e Roman.

Os dois quebraram o beijo de forma assustada, separando-se para olhar para aquela figura de baixa estatura que os olhava com os olhos arregalados.

— Eu sabia que vocês estavam tendo algo! – continuou Patterson, com um misto de comprovação e de perplexidade em seus olhos. – Eu sempre suspeitei! Todas as coincidências, todas as desculpas esfarrapadas, o seu olhar todo meigo quando respondia algumas mensagens no celular... sabia que havia algo diferente com você. Só não esperava uma Tasha Zapata apaixonada! Como eu fui tão burra e não consegui ligar os pontos sendo que eu resolvo casos de tatuagens o tempo inteiro?

Pela primeira vez em sua vida, a grande Tasha Zapata, rainha de todos os cortes e respostas, não encontrava palavras para formar uma resposta. Ela abriu a boca para falar, mas nada saía. Ela só encolheu os ombros e deu um meio sorriso.

— Então... agora você tecnicamente confirmou a sua teoria... – respondeu Tasha, hesitante.

Patterson ainda tinha aquela expressão perplexa enquanto levava as mãos à cintura.

— Há quanto tempo isso vem acontecendo? – perguntou Patterson.

Tasha dirigiu seu olhar ao rosto de Roman e ele retribuiu o olhar da mesma forma pensativa.

— Há uns três meses. – os dois responderam na mesma hora.

— TRÊS MESES? – Patterson repetiu incrédula. – Três meses que isso tem acontecido e você nem pensou em contar pra sua melhor amiga?

— Em minha defesa, tudo foi muito confuso no começo, e eu ia te contar... – começou Tasha.

— E nós íamos contar, mas, aos poucos. – continuou Roman.

Patterson suspirou e cruzou os braços. Ela parecia estar menos surpresa e mais calma naquele momento.

— E vocês estão juntos agora? – perguntou Patterson. – Tipo, pra valer?

Tasha deu um meio sorriso, um pouco corada. Olhou para Roman que demonstrava certo brilho no olhar quando retribuiu o olhar com um meio sorriso.

— Sim. – respondeu Tasha ainda com os olhos vidrados no olhar de Roman, abraçando a sua cintura.

— Pra valer mesmo. – confirmou Roman, envolvendo Tasha com os braços e dando-lhe um beijo rápido.

— Eu só não consigo ficar braba com você porque vocês são tão fofinhos juntos! – Patterson confessou, fazendo que os dois rissem. Ela apontou um dedo para Tasha. – Mas você me deve uma explicação e conto bem detalhado de tudo o que aconteceu.

Tasha assentiu que sim com a cabeça, ainda perdida no olhar de Roman.

— Sim senhora! – ela retrucou.

— Agora! – disse Patterson, pegando o braço de Tasha e a levando para fora do locker room.

Tasha só teve alguns segundos para balbuciar um “me salva” para Roman por cima do ombro antes que Patterson a levasse para fora do locker room. Ouviu de longe Roman se despedindo e ela fez o mesmo, um pouco irritada pelo fato de Patterson provavelmente tomar para si a noite que seria somente dela e de Roman. Mas, fazer o quê? Já estava na hora de Patterson saber de tudo aquilo, e talvez já estivesse na hora de toda a equipe saber do que estava acontecendo. Mas, por enquanto, Tasha queria viver mais alguns segundos daquele romance secreto com Roman. Bom, não mais tão secreto.

E a noite foi longa, porém, Tasha nem sabia o que ainda estava prestes a enfrentar.

***

A segunda pessoa a ser surpreendida foi Jane.

Roman observava Tasha descer as escadas enquanto pensava sobre o quanto aquela mulher era incrível. Os flashes da noite passada – e também de certa parte da manhã – passavam em sua cabeça fazendo-o sorrir para si mesmo. Ela o tirava da zona de conforto, o desafiava, e Roman amava aquilo. Amava o jeito de como ela trazia o melhor dele a tona, amava como ela o fazia se sentir como nunca sentira antes, amava que o corpo, a mente, o coração e alma de Roman sabiam que ela era pessoa que o fazia completo. Simplesmente amava ser amado por ela e amava amá-la.

Naquela manhã, para a infelicidade de Roman, Tasha teve que se despedir mais cedo, pois ele tinha combinado com Jane que os dois iriam tomar um café da manhã no seu apartamento, como os dois irmãos faziam toda a semana. E Jane ainda não sabia do que Tasha e Roman tinham. Não gostava do fato de que Tasha teve que sair do seu apartamento sem tomar café da manhã e do fato que ele teria menos tempo com ela do que queria ter, mas não podia desmarcar o compromisso semanal que tinha com a irmã. Eles precisavam desse tempo juntos, que cada vez se tornava mais precioso e que fortalecia o laço entre os dois. Arrumara todo o seu apartamento e deixara a mesa pronta para quando Jane trouxesse o café. Depois, fora ao seu quarto e arrumara sua cama, mas não deixou de perceber que Tasha havia esquecido o seu celular no bidê ao lado da cama. Pegou-o e apertou o botão de desbloquear, porém, mesmo sabendo a senha, não desbloqueara o telefone, pois não queria invadir a privacidade de Tasha. Ele confiava nela. Atrás de uma notificação de uma nova mensagem de Reade, Roman não deixou de reparar na foto que era o seu papel de parede: uma foto da equipe, todos rindo no apartamento de Weller, com copos de bebida e garrafas de cerveja nas mãos, cada um parecendo mais bêbado do que o outro. Do lado de Tasha, lá estava ele, Roman, o menos louco de todos, por mais que naquela noite ele também tinha exagerado, envolvendo seu braço na cintura de Tasha, segurando uma garrafa de cerveja com um meio sorriso bobo nos lábios. Roman rira para si mesmo: ele parecia ridículo. Mas se lembrara de que aquela noite se passara lá no início que os dois começaram a ter algo a mais e ele se permitiu sorrir depois de se lembrar de tudo que os dois tinham passado para chegar onde estão. Tantas hesitações, brigas, desentendimentos, tantas vezes que pensara que tudo tinha acabado para os dois se encontrarem de novo nos braços um do outro.

A campainha tocou, tirando-o de seus pensamentos e fazendo-o bloquear o celular. Foi até a porta de seu apartamento com o celular na mão, deixando-o na bancada da cozinha para que não se esquecesse dele quando saísse. Cumprimentou Jane com um abraço e deixou-a entrar. Aquele café da manhã se passou como todos os seus cafés da manhã sempre aconteciam: os dois contavam as novidades, sendo que Roman nunca tinha nenhuma por mais que muitas vezes quis contar e falar sobre a Tasha. Mas não era o momento certo ainda. Queria contar juntamente com Tasha. Eles conversavam e Jane falava bastante sobre Weller, se perdendo muitas vezes em devaneios e contando histórias do dia a dia dos dois. Os dois se mereciam muito, até demais, e Roman sempre gostava de ouvir as histórias que Jane gostava tanto de contar. Era incrível a maneira que o rosto de Jane se iluminava quando ela falava sobre Kurt. Talvez essa era a maneira que o rosto de Roman se iluminaria quando o mesmo falasse de Tasha para alguém.

Depois que os dois terminaram de saborear o café da manhã, Jane começou a reparar em algo além de Roman. Ela estava com o olhar fixo em algo e ele acompanhou o seu olhar. Virou-se e olhou para trás, concluindo que ela estava olhando ao celular de Tasha na bancada.

— Aquele não é o seu celular, né? – Jane perguntou, voltando o olhar para Roman e juntando as sobrancelhas.

— O que tem errado com ele? – Roman retrucou.

— Nada, só que não é o seu. – respondeu Jane. – Mas eu já o vi antes.

— Ué, mais de uma pessoa compra o mesmo modelo de celular. – disse Roman, tentando acabar com aquela conversa.

— Mas é o seu? – insistiu Jane, olhando para Roman, séria.

— Não é. – respondeu Roman, secamente.

— É de quem então? – perguntou Jane.

Roman deu de ombros. Jane ficou claramente irritada e ela sabia que ele escondia algo, mas não poderia deixar que ela descobrisse sobre os dois assim. Ela se levantou e foi à direção da bancada, mas Roman se atravessou na frente e foi mais rápido, pegando o celular. Naquela hora, os dois pareciam dois irmãos adolescentes e brigões.

— O que você está escondendo, Roman? – perguntou Jane, cruzando os braços.

— Nada. – respondeu Roman, cruzando os braços também.

— Então me mostra o celular. – disse Jane.

— Não vou. – retrucou Roman. – Não é de direito meu nem seu.

— Vou pegar na força mesmo então. – disse Jane.

— Ah, não vai! – disse Roman, levantando o braço com o celular para que Jane não conseguisse pegá-lo.

— Mas você é teimoso, hein? – provocou Jane.

— Digo o mesmo de você. – retrucou Roman.

De repente, o celular começara a tocar, e, antes que Roman pudesse se dar conta, Jane aplicara um golpe nele, fazendo-o largar o celular, caindo no chão. Felizmente, a tela do celular não quebrara, porém, Roman estava irritado que Jane fizera aquilo somente para pegar o celular. Ela atendera com um sorriso maroto em seu rosto.

— Ah, oi Reade! – disse Jane ao telefone.

Roman colocou as mãos na cintura não acreditando no que acabara de acontecer.

— Não, aqui não é a Tasha, ela se esqueceu do celular dela no locker room, eu estou com ele... – continuou Jane. – É uma história um pouco comprida.

Os dois conversaram mais um pouco antes que Jane se despedisse de Reade e desligasse o telefone. Quando terminara, guardou o celular no bolso de sua calça e começou a ligar os pontos.

— Esse celular é da Tasha. – confirmou Jane. – Da Tasha Zapata!

Roman deu de ombros.

— E? – ele retrucou.

— Só tem uma maneira de esse celular estar aqui... — continuou Jane. – A Tasha esteve aqui...

Jane precisou de alguns segundos para processar tudo antes que pudesse continuar a falar.

— Você está com a Tasha? – disse Jane, incrédula. – Com a Tasha Zapata?

Roman continuou com as mãos na cintura, sem saber o que responder.

— Meu Deus! Você e Tasha?!? Quando você iria me contar? – perguntou Jane. – E dessa vez me responda!

Roman respirou fundo e cruzou os braços.

— Bem, nós iríamos contar quando fosse a hora...

— Sério, você e a Tasha? – Jane repetiu, ainda surpresa. – Agora faz sentido tantas desculpas esfarrapadas e tantas “coincidências”... – ela fez aspas com os dedos. — Eu sabia que tinha alguma coisa estranha quando você disse que tinha deixado algo no locker room semana passada. Foi pra encontrar ela, não foi? Claro que foi! Meu Deus, faz quanto tempo que isso tem acontecido?

— Uns três meses... — respondeu Roman, hesitante.

— TRÊS MESES? – repetiu Jane, com as sobrancelhas juntas. – Três meses e você não contou nada pra sua irmã?

Roman pensou em responder a mesma coisa que Tasha respondera para Patterson quando ela fez uma pergunta parecida, mas ele ficou quieto.

— Agora estou vendo a semelhança em vocês dois. – confessou Jane. – Incrível como eu não vi isso antes.

Um silêncio tomou conta do ar enquanto Jane ria pra si mesma. Roman pegou suas chaves na bancada da cozinha.

— Por que eu agora eu não te levo até o FBI, pode ser? – disse Roman, quebrando o silêncio.

— Seria uma boa ideia mesmo. Se eu esperar mais, posso chegar atrasada. – respondeu Jane. – Mas essa conversa ainda não terminou. Você tem muita coisa que deve me contar.

Os dois se dirigiram até a porta, mas Jane parou antes que toda aquela conversa pudesse ter uma pausa.

— Só mais uma coisa: — continuou Jane. – vocês são um casal oficial?

— Pode se dizer que somos. – respondeu Roman.

Jane sorriu de orelha a orelha.

— Roman e Tasha... – disse Jane. – Nunca nada foi tão surpreendente e tão coerente ao mesmo tempo.

No caminho do FBI, dentro do carro de Roman, Jane não aguentou ficar se perguntando suas dúvidas a si mesma em silêncio. O silêncio daquele carro a agoniava.

— Só mais uma coisinha... – Jane teve de começar.

Roman revirou os olhos.

— Já combinamos que vamos falar disso mais tarde... — ele retrucou.

— Você a ama? – perguntou Jane, diretamente.

Roman olhou para Jane e depois voltou o olhar para a estrada.

— Sim. – Roman respondeu. – Eu a amo.

Jane não deixou de sorrir. Achava tudo aquilo a coisa mais fofa que já vira em toda a sua vida.

Quando as portas do elevador se abriram, Jane deu de cara com as costas de Tasha. Mal esperava pela hora que ela poderia começar a provocar Tasha chamando-a de “cunhadinha”.

— Bom dia, Tasha! – disse alegremente ao sair do elevador.

— Bom dia, Jane! – respondeu Tasha, olhando por cima do ombro com um meio sorriso. – Escuta, eu preciso falar com o...

— Roman? – interrompeu Jane, fazendo com que Tasha a olhasse de uma forma confusa.

— Ah... – Tasha balbuciou. – Como você...

Tasha parecia tentar encontrar palavras e Jane ria por dentro com toda a situação.

— Toma aqui. – disse Jane, tirando o celular do bolso. – Seu celular.

Tasha pegou o celular da mão de Jane com as sobrancelhas juntas. Pela a primeira vez, Jane via Tasha Zapata não sabendo o que dizer.

— Bom... obrigada Jane. – agradeceu Tasha, provavelmente ligando os pontos de toda aquela conversa.

— De nada... – retribuiu Jane. – Cunhadinha!

Então Jane caminhou em direção ao escritório de Weller, deixando Tasha paralisada na frente do elevador. Ela olhou para o celular e não deixou de rir para si mesma. Agora mais uma pessoa sabia. E ela já sabia qual seria a próxima pessoa a saber.

***

Tasha estava presenciando um silêncio estranho no carro da FBI enquanto Weller dirigia. Provavelmente, ele já sabia de Roman e Tasha, pois Jane provavelmente já teria tido contado para ele. Kurt havia a olhado estranho a manhã inteira e mesmo assim ela era sua dupla naquela missão. Entretanto, ele não trocou uma palavra com Tasha além do tradicional “bom dia” de manhã e além de instruções, informações e comandos do sobre a missão que executariam naquele dia. Tasha não aguentava aquele silêncio ensurdecedor e queria quebrá-lo, mas não achava as palavras certas. Nos últimos dias, Tasha não estava conseguindo achar as palavras corretas para formarem frases com pelo menos um pouco de bom senso. Mas dessa vez ela tinha que tentar. Então, Tasha respirou fundo.

— Eu sei que você já sabe. – disse Tasha, quebrando o silêncio.

— Já sei do quê? – retrucou Weller, ainda olhando fixamente para estrada.

— Não se finja de bobo. – provocou Tasha. – Jane já deve ter te contado. E você anda me olhando estranho a manhã inteira.

Weller suspirou e olhou para Tasha.

— Na verdade, eu só te coloquei como minha dupla porque eu queria conversar com você. – confessou Weller, olhando rapidamente para Tasha antes que voltasse seu olhar para a estrada. – Algumas coisas ainda estão confusas pra mim...

— Pode perguntar tudo o que quiser. – disse Tasha.

— Primeiramente... – começou Weller. – Da onde começou tudo isso?

Tasha riu com a pergunta. Weller estava muito confuso e dava para ver em seu rosto. Tasha se divertia com aquilo.

— Pra ser sincera, nem eu sei. – respondeu Tasha. – Foi tudo muito... diferente.

— Posso apostar que foi. – retrucou Weller. – Eu só não consigo acreditar que ele foi quem amoleceu seu coraçãozinho.

Tasha revirou os olhos.

— Mas é, não é? – continuou Weller. – Jane me disse que Roman confessou que te amava. Ela torce muito por vocês. E, aliás, eu não acredito que você conseguiu amolecer o coraçãozinho dele.

Tasha não deixou de dar um meio sorriso um pouco corada, arrancando um riso de Weller.

— Olha só pra você. – provocou Weller. – Toda sentimental. É esquisito ver a Tasha Zapata apaixonada.

Tasha deu um soco de brincadeira no braço de Weller e ele deixou escapar uma risada. Não se lembrava de qual foi a última vez que ele estava tão engraçadinho assim.

— Parece que eu estou roubando o seu lugar. – disse Weller. – Tasha Zapata apaixonada. Não há como ignorar isso.

Tasha revirou os olhos. Não acreditava que estava tendo aquela conversa.

— Só pra esclarecer: agora nós vamos sair juntos para encontros de casais, eu, Jane, você e Roman? – provocou Weller, se divertindo com aquilo.

— Ok, Kurt, eu já entendi! – retrucou Tasha. – Você não vai parar nunca agora!

Weller riu com a situação.

— Mas só pra constar: — continuou Weller. – depois de pensar muito, vocês realmente combinam. É incrível. Não sei como nenhum de nós não percebeu isso antes.

Os dois ficaram quietos por uns instantes antes que Weller quebrasse o silêncio.

— Alguém ainda não sabe? – ele perguntou.

— O Reade é o único da equipe que não faz ideia. – respondeu Tasha.

Weller riu.

— Só imagino quando ele descobrir. – disse Weller.

Tasha começou a rir quando imaginou aquilo também.

— Meu Deus, ele vai ficar muito confuso! – confessou Tasha.

E o resto da viagem foi acompanhada de risadas e de uma conversa agradável entre os dois, sendo que os dois contavam histórias e riam quando imaginavam os futuros encontros de casais que teriam e como aquilo seria um pouco bizarro no começo, porém, muito divertido. Agora, Tasha havia fortalecido ainda mais os laços de amizade com Kurt de uma maneira que nunca pensou que poderia fortalecer. E em sua mente, ela só conseguia agradecer a uma pessoa por tantas coisas maravilhosas que estavam acontecendo na sua vida naquele momento.

“Obrigada, Roman”. Era a única coisa que ecoava em sua cabeça.

***

A última pessoa a saber de tudo foi Reade.

Foi na mesma missão que Tasha conversara com Weller sobre tudo dentro do carro. Junto à Patterson, no laboratório, estava Roman, passando algumas informações e acompanhando a missão pelos comunicadores já que Weller lhe pediu ajuda. Aquela missão tinha como objetivo ir atrás de algumas pessoas que antes tinham envolvimento ou faziam parte da Sandstorm, e, claro, Roman era o cara perfeito para ajudá-los com aquilo. Ele acompanhava as informações enquanto Patterson digitava ferozmente.

— Eu tenho olhos no alvo. – Roman ouviu a voz de Tasha pelo comunicador.

Lá no fundo, Roman estava preocupado com Tasha. Por mais que ele sabia que ela já havia enfrentado coisas piores e gente pior ainda, ele sabia com que tipo de pessoas eles estavam lidando e tinha pavor que Tasha se machucasse gravemente. Não conseguia pensar o que faria sem ela. Pediu a Tasha que descrevesse quem ela estava vendo, e Roman sabia exatamente do sujeito. Passou algumas informações sobre ele e sobre suas táticas. Ouviu a voz de Weller ordenando para que ela não atacasse ainda.

Entretanto, de repente, um barulho tão conhecido por Roman soou nos comunicadores e o seu coração começou a bater mais rápido. Era o barulho de um tiro.

— Estou na escuta. – disse Reade. – Quem mais?

— Eu também estou na escuta. – respondeu Jane. – Kurt?

Nenhuma resposta.

— Tasha? – perguntou Patterson. – Weller?

Roman só conseguia se concentrar nos dedos de Patterson digitando. Começara a ficar nervoso com o fato que nenhum dos dois respondia.

— Tasha? – Roman dessa vez repetiu. – Tasha, você está na escuta? Tasha!?

Era possível também ouvir Jane chamando por Weller no outro lado da escuta.

— A escuta dos dois foi cortada. – avisou Patterson. – Estou trabalhando pra conseguir recuperar o sinal.

Roman levou as mãos à cintura. Não podia começar a ficar nervoso agora. Precisava ser forte. Tentava focar na ideia que nada tinha acontecido com os dois, mas, depois de tanto sofrimento que passara, a ideia que algo havia acontecido com os dois assombrava a sua mente. Respirava fundo. Não sabia mais o que fazer.

— Se acalma, Roman! – Patterson disse. – Eu também estou nervosa, mas com você nervoso vai ficar difícil!

Roman se afastou de Patterson para que não a atrapalhasse e começou a trabalhar em sua respiração. Mas a ideia que algo ruim tinha acontecido com Tasha ainda estava lá. Tentou se concentrar e acreditar que tudo ia acabar bem. Começou a se lembrar de todos os momentos felizes. Das vezes que teve ela em seus braços. Em como ficara feliz em confessar para Jane que amava Tasha. De como era bom tê-la por perto. Pensou em tudo que tivera que acontecer para ele estar tão preocupado naquele instante, pensou em tudo o que faria quando a tivesse de novo perto de si e assim afastava a ideia de tudo dar errado. Mas aquela ideia ainda o assombrava. Precisava escutar a sua voz. Precisava que aquele momento de silêncio ensurdecedor terminasse de uma vez por todas.

Depois de alguns minutos torturantes e sem sinal de Tasha e de Weller, Roman sentiu seu celular vibrando dentro de seu bolso. Pegou-o rápido e sorriu como nunca ao ver o nome de quem estava ligando para ele: Tasha.

— Tasha!? – ele disse ao telefone. Patterson o encarou e balbuciou para que ele colocasse no alto falante.

— Roman!? – ela disse do outro lado da linha enquanto Roman e Patterson ouviam pelo alto falante. – Eu e Weller estamos bem!

— Graças a Deus! – Roman disse e Patterson suspirou aliviada. Ele conseguia ouvir Jane agradecendo do outro lado da escuta também.

— Nós conseguimos prender os envolvidos com a Sandstorm. – confirmou Tasha. – Estamos voltando para a base agora.

Roman, suspirando aliviado, tirou o celular do alto falante e o levou novamente a orelha, desligando sua escuta.

— Eu te amo muito, sabia? – Roman confessou ao telefone.

— Eu sei. – Tasha respondeu. – Eu também te amo muito.

E Roman se despediu com um sorriso aliviado de orelha a orelha.

Weller e Tasha chegaram à base com os ex-integrantes da Sandstorm, sendo que no momento que Weller largara o que ele segurava e dera para outro agente leva-lo até a cela provisória, Jane correu para abraça-lo. Roman observou a cena com o canto do olho porque só tinha olhos para Tasha. Ele sorriu, e, no momento que Tasha fizera o mesmo o que Weller fez com quem ele antes segurava com o outro ex-integrante que ela segurava, Roman se aproximou rapidamente de Tasha enquanto ela saía do elevador. Reade e Patterson conversavam ali perto, e, por mais que todos podiam ver, Roman não se preocupou com outros olhares a não ser o de Tasha.

— Por um momento achei que ia te perder. – confessou Roman, olhando fixamente nos grandes olhos castanhos de Tasha.

— Você não vai me perder. – disse Tasha. – Eu prometo.

E então Roman segurou o rosto de Tasha com as duas mãos e aproximou os seus rostos. Foi uma questão de segundos para que ele colasse seus lábios nos lábios de Tasha, selando um beijo apaixonado entre os dois. Roman sentiu que nada poderia quebrar aquele momento. A conexão entre os dois era tão linda, tão peculiar, e Roman sentia isso com cada parte de seu corpo, de seu coração, de sua mente e de sua alma. Eles estavam ali, selando mais uma promessa entre os dois.

— Mas o quê?!? – uma voz que os dois, principalmente Tasha, conheciam muito bem fez com que eles quebrassem o beijo, mas continuassem abraçados.

Tasha começou a rir a ver a expressão confusa de Reade na frente dos dois.

— O quê?!? Como... isso... – continuava Reade. – Mas... Como isso aconteceu? Eu não estou entendendo nada!

— Você é o único que não sabia, Reade. – disse Weller, rindo também.

Foi uma questão de segundos para que toda a equipe risse da cara confusa que Reade revelava em seu rosto. Ele começara a ligar os pontos da mesma forma que Jane ligara depois que atendera o celular.

— Você e Roman? – disse Reade. – Sério?

Tasha assentiu com a cabeça.

— Como eu não percebi isso antes? – Reade disse.

Os risos cessaram mas Reade ainda estava confuso.

— Cara, eu nem sei o que dizer. – Reade disse. – Eu... eu preciso esfriar a minha cabeça por um tempo. Mas essa conversa ainda não terminou, ok Tasha?

— Sim senhor! – confirmou Tasha, com um meio sorriso.

— Meu Deus, olha a cara dele! – Patterson provocou, fazendo que Reade revirasse os olhos e se retirasse dali. – Bom, eu preciso rever algumas coisas no laboratório. Te vejo depois, Tasha?

Tasha confirmou com a cabeça.

— E eu preciso falar com a minha noiva. – disse Weller, pegando a mão de Jane e se dirigindo ao seu escritório.

— Agora todos sabem. – Roman disse, ainda abraçando Tasha pela cintura.

— Já estava na hora. – retrucou Tasha. – Agora você pode me visitar no locker room sem precisar dar desculpas esfarrapadas.

Os dois riram e Roman deu um beijo rápido em Tasha.

— Que tal eu te levar pra casa? – sugeriu Roman.

— Eu acho perfeito. – respondeu Tasha, com aquele sorriso que Roman tanto amava apreciar.

E aquele romance deixou de ser escondido, porém, passou a ser muito melhor. Agora, sorrisos e olhares não precisavam ser ocultados e desculpas esfarrapadas não precisavam ser inventadas. Os dois agora poderiam gritar para o mundo que se amavam e poderiam viver com a certeza de que o amor e a conexão que tinham valiam a pena serem vistos pelo mundo.

Tasha e Roman amavam um ao outro e agora as pessoas que os dois mais se importavam no mundo sabiam disso também.

Notas finais
E aí, gostaram? Peço que continuem me incentivando pra que eu não desista de escrever que a coisa tá apertada com o terceiro ano aqui! E, ah, pretendo começar uma fanfiction desse casal maravilhoso em breve, espero que dê tudo certo! Comentários são bem vindos! Qualquer coisa, pode ir lá no meu Twitter @shexhulk! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!