Capítulo um- Raiva;

Raiva: Ódio, aversão, ira; Doença hidrofóbica dos cães. Hidrofobia.

Acordou com a claridade incomodando seus olhos, não se deu ao trabalho de levantar, apenas pressionou o botão do controle remoto e as janelas se fecharam automaticamente, mas agora, ela já não consegue mais dormir. Odeia quando isso acontece, levantou de sua cama flutuante magnética, sim ela tem uma cama flutuante magnética. Calçou suas pantufas fofinhas e foi para seu banheiro e escovaram os dentes encarando seu reflexo no espelho, uma garota tão bonita quanto ela demoraria séculos para nascer. Lavou seu rosto pálido e soltou seus cabelos negros os deixando cair sobre seu ombro e costas. Voltou para seu quarto e pressionou o botão do seu controle remoto ‘Mágico’ e logo Hobson apareceu, Robson é a babá que cuida de Kitt desde que ela nasceu e sua mãe praticamente a abandonou para cuidar de seus contratos.

-Hobson. –Falou Kitt, calmamente com sua voz doce e suave- Penteia meu cabelo?

-Céus Kitt! –Hobson chiou- Ao menos penteei seu cabelo. Você tem dezenove anos.

-Hobson, por favor. –Ela pediu colocando suas mãos pequenas no rosto — Tenho mesmo que ir para aquela festa idiota hoje? Hob... Ai! –Gemeu de dor ao sentir o pente arranhar seu pescoço-

-Desculpe. –falou- E sim, você tem mesmo que ir para a festa hoje. E por favor, não faça aquela cena novamente, Kitt não pode pedir colo ao Justin Timberlake!

-Ele é um cara legal. –Respondeu- E, aliás, ele gostou de mim... Ele quis meu número de celular. –Sorriu-

-Oh claro, em breve o parceiro dele o... Jay Z estará a te pedir seu telefone também. –Hobson falou com seu péssimo senso de humor.-

-Hobson. –Kitt chamou sua babá- Será que devo usar jeans ou um vestido florido?

-Pra onde vais? –Robson perguntou indo até o guarda-roupa branco. — Você ainda não tomou café da manhã nem suas aspirinas. É importante Kitt.

-Bem, eu vou para um café no centro da cidade e depois irei andar de trem por aí, talvez torrar uma grana comprando roupas chiques. –Kitt falou simplesmente-

-Quando pretende crescer? –Hobson colocou uma calça jeans justa encima da cama e juntamente uma camiseta amarela de mangas longas. — Kitt, aceite, você não tem mais sete anos.

Kitt realmente não gosta quando Hobson entra nesse assunto, ela gosta de ser assim. E não deve satisfações a uma velha dondoca como Hobson. Ás vezes Kitt gostaria de morar em um lugar longe da cidade, com apenas ela e seu gato. Mas, isso não será possível, pois sua mãe Amélia Banks uma das pessoas mais ricas do país, nunca deixaria Kitt ir embora.

-Hobson, apenas saia. –Ela pediu secamente-

-Não fale como se eu fosse sua criada, eu sou sua mãe. Não me faça te dar umas tapas. –Hobson disse séria enquanto Kitt se arrependia de tudo que disse-

-Hobson, me desculpe. –Kitt falou baixo. – Eu não queria ter dito aquilo.

-Claro criança. –Hobson deu as costas a Kitt. — Agora se vista você vai tomar suas aspirinas. E não tente me enganar novamente Kitt.

-Sim senhora.

Kitt se vestiu sem pressa, calçou um par de VANS que já tinha usado algumas vezes são seus preferidos. Olhou se no espelho e sorriu encarando seus lindos olhos verdes como esmeralda no espelho, Hobson sabe mesmo pentear cabelos, Kitt olhou a pontas do seu cabelo e brincou com os cachos grossos. Pegou sua bolsa preta com o nome CHANEL escrito e colocou dentro seu talão de cheques e seus fones de ouvido e seu brilho labial. Passou uma maquiagem leve no seu rosto e pegou seu casaco, estava frio, é época natalina. Lembrou de seu último natal quando ela ainda tinha a Ashton como seu namorado. Ashton não foi seu primeiro namorado, mas foi sim, seu primeiro amor. Ele sempre gostou do jeito bebê de Kitt e adorava cuidar dela, mas tudo isso acabou quando ela conheceu Melina Burns uma social light filha de empresários mundiais. Respirou fundo tirando esses pensamentos de sua cabeça ajeitou seu casaco e saiu do quarto indo em direção á cozinha, no caminho alguns bichos de pelúcia chamaram sua atenção a fazendo rir sozinha, Kitt tem um enorme quarto no fim do corredor onde ela costumar brincar sozinha. Hoje não daria tempo nem para ela brincar um pouquinho.

-Kitt! –Hobson me chamou tirando minha atenção. — Vamos, tome sua aspirina.

-Hobson eu não estou sentindo dores. –Respondi mexendo no pequeno pingüim de brinquedo encima da mesa. – Eu já não sinto mais nada á tempos.

-Mesmo assim, tome-as! –Ela exigiu- Você não pode ter recaído. Lembra do que aconteceu da última vez?

-Sim claro...

Eu sentia meu peito apertar e meus olhos pesarem, a máquina a meu lado apitava repetidamente o que me deixava ainda mais desesperada. Pude ver o rosto de Hobson assustado se aproximando de mim e pegar minha mão esquerda e dar um leve aperto. Uma grande dor no meu peito novamente me veio, e eu me contorci na cama do hospital sentindo várias crises de dores na parte lateral do meu peito. Hobson foi tirada da sala e eu estremeci não sentindo mais minhas pernas. Repentinamente eu fechei meus olhos não conseguindo mais os abrir sentindo-me agonizada por dentro. Só apenas ouvi um dos médicos dizerem: ‘’Não tem mais o que fazer se fizer o procedimento de novo ela não vai resistir. ‘’

-Hobson. –Chamou manhosa- Faça-me o favor de não me lembrar mais desse dia.

-Sim, claro. –Ela falou secamente- Kitt eu apenas quero seu bem. Mas você não se importa com isso, apenas se importa em gastar dinheiro com coisas fúteis e com garotos que não querem mais que saquear suas coisas.

-Apenas me dá uma dose de uísque — Falou estendendo meu pequeno braço, Hobson me encarou com sua feição séria e continuei com o braço estendido. — Anda lá, Hobson. É só uma dose.

Kitt levantou de sua cadeira aveludada e caminhou até um pequeno bar e pegou um copo de vidro cristalino pequeno e derramou o uísque dentro do copo apenas não ligando para o fato de Hobson estar reclamando. Assim que terminou de colocar sua dose bebeu um gole e voltou á mesa encarando Hobson.

-O que dizia? –Fez-se de desentendida –

-Quer saber? Eu não tenho como obrigação me preocupar com você. –Falou levantando-

-Eu voltarei cedo não se preocupe, ocupe seu vago tempo assistindo seus documentários sobre ursos. –Kitt falou depositando um beijo na bochecha de sua mãe. — Eu te amo.

-Cuidado Kitt. –Ela pediu- Tome muito cuidado.

-Vou tomar! –Gritou no lado de fora do seu apartamento na cobertura. -

Kitt então saiu de seu apartamento sem ter a mínima idéia de para onde ia depois que tomasse seu café da manhã na cafeteria mais legal de toda América. Pegou um Táxi e deu o endereço ao motorista que logo chegou ao local, pagou vinte dólares ao mesmo e saiu. Empurrou a porta de vidro e encarou o pessoal que lhe olhou quando entrou, sentou numa mesa vazia que acabara de ser desocupada e leu o cardápio, um dos atendentes aproximou com seu bloquinho de notas e sorriu espantado.

-Kitt Banks? –Perguntou surpreso. — Oh céus.

-Olá! –Falei simplesmente e sorri o encarando, ele é bonito, mas tenho certeza que não é homem verdadeiramente. – Bem, eu vou querer algumas torradas, uma xícara de café não muito quente e uma xícara grande de chocolate quente... E por favor, traga uma fatia daquele bolo da vitrine.

-Ok... Senhorita. –Ele anotou no seu bloquinho. — Qualquer coisa eu me chamo Jasper.

-Certo Jasper. –Eu sorri-lhe docemente. A casa está cheia a essa hora da manhã, voltei minha atenção para meu telefone que insiste em vibrar por causa das mensagens que chegam do aplicativo. –

-Me desculpe... –Uma voz masculina falou próximo ao meu ouvido. – Posso sentar aqui? Não há mais mesas vagas. –Ele sorriu e eu me perdi no azul de seus olhos. -

-Oh sim, claro. –Falei baixo. Minhas bochechas ardem. O homem trouxe meus pedidos e os colocou na mesa. – Obrigada. –Agradeci. E discretamente olhei para o homem sentado a minha frente, seu cabelo está levemente bagunçado e para esconder tal bagunça ele usa uma touca de frio preta, sua pele está pálida e suas bochechas coradas por conta do frio. O que mais me chama atenção nele são seus olhos. Parecem as águas cristalinas do Caribe.

-A propósito, me chamo Niall. –Ele falou me olhando e sorri, eu não pude evitar um sorriso completamente idiota de minha parte, voltei meu olhar para meu café e bebi um gole.

-Me chamo Kitt. –Falei com medo de ele me reconhecer pelos meus atos de criança e minha conta no banco multimilionário. Mas espera. Por que eu estou me importando com isso? Não era para eu me sentir intimidada com a presença de Niall, os papéis deveriam ser trocados. Peguei o garfo e o passei encima da cobertura do bolo de chocolate. Mas eu acabei distraída pela capa da agenda de Louis, são os Simpsons. –Gosta deles? –Perguntei me referindo à capa da agenda. -

-Sim gosto muito. –Respondeu simples. — Costumo assistir com minha mulher. –Ah sim, estava bom demais pra ser verdade. -

-Eu assisto no cinema da minha casa, junto com Hobson. –Falei, provando meu bolo de chocolate. –Niall me olhou confuso e um sorrido de lado surgiu em seus lábios rosados, Niall, pare de sorrir assim pelo amor do meu gato. – O que foi?

-Tem um cinema em casa? –Perguntou incrédulo e eu ri. – Sério mesmo?

-Sim sério. –Respondi, sorrindo me derretendo toda. – Não costumo mentir. –Falei e fiquei em silencio esperando que Niall falasse algo mais ele não disse nada apenas pegou seu cardápio e rolou seus olhos encarando os nomes. Meu telefone vibrou pela milésima vez e eu resmunguei irritada. Droga Hobson me mandoueu ir para casa. Não, eu não vou. Terminei de tomar meu café e comecei a tomar meu chocolate quente. –Bem, acho que é hora de ir. –Falei e acenei para Jasper que veio até mim com seu bloco de notas. — Quanto deu tudo?

-Uh... –Ele olhou em seu bloco. – Dezessete e noventa e cinco.

-Okay... –Falei mexendo na minha carteira e tirei 100 dólares da mesma. — Pode ficar com o troco.

-O que? 82,05 de gorjeta? –Jasper perguntou assustado, e eu ri sozinha encarando sua feição. -

-Sim, pode ficar. –Falei. Coloquei minha bolsa nos meus ombros e passei a mão no meu cabelo. -Até amanhã Jasper. E por favor, peça para o Chef daqui para fazer Brownies para mim, com cobertura abundante. –Falei sorrindo, adoro Brownies. — Só isso mesmo.

-Cobertura de chocolate, certo? –Jasper me olhou sorridente e eu concordei com a cabeça olhando para Niall que observa a cena calada, tomando seu chá. -

-Sim, certo. –Falei- Então... Foi bom te conhecer Niall. –Falei e andei um pouco saindo de perto da mesa, ainda esperando que ele falasse algo. – Pessoas educadas agradecem! – Me aproximei de seu ouvido e falei. – Ou você não é educado? –Niall riu baixo e me encarou fazendo-me prender a respiração, estamos tão perto. -

-Não me vejo na obrigação de te agradecer, Kitt. –Ele falou com sua voz sensual, ew eu achei a voz dele sensual? Credo. – E, aliás, você não tem fama de ser muito simpática com pessoas como eu. –Ele pegou sua agenda e colocou dentro de sua mochila. -

-O que disse? Eu não entendi direito. –Perguntei, por que realmente não entendi direito. Ele está sendo irônico comigo, não gosto de ironia. –

-Vejamos. –Ele começou e deu pausa. — Kitt Banks, uma garota de apenas dezenove anos rica... Que tem um comportamento muito estranho, a mãe de Kitt não a aceita por que na verdade queria que a mesma fosse um menino muito bem educado para que assim, assumisse os negócios da família. Kitt perdeu seu pai aos sete anos desde então vem se mostrando uma garota mal crescida. –Ele parou e me encarou. É como se eu tivesse caído minha garganta travou e meus olhos começaram a arder. – Quer que eu continue?

-C-Como sabe de tudo? –Perguntei já chorando silenciosamente para não chamar atenção. — Por acaso é da agente secreto?

-Eu sei de tudo. –Falou- Trabalho na área da publicidade. –Sorriu e eu já não gosto mais de ver esse sorriso, a única vontade que tenho é de arrancar todos esses dentes. -

-Cretino. –Falei indo embora. — Foda-se você e toda agencia em que você trabalha, eu vou processá-los. Seus filhos da puta. Vá pra puta que te pariu.

Saio da cafeteria com certeza deixando as pessoas que estão lá dentro horrorizadas com meu comportamento, eu estava realmente me interessando por ele e ele vem e me faz chorar falando tudo da pior maneira possível. Odeio esse pessoal da publicidade parecem uns urubus onde tem carne eles vão atrás e destroem tudo. Mas isso não irá acontecer mais, na próxima vez que um deles se meter comigo, não vai dar muito certo pra eles. Respirei fundo tentado me manter calma e tentando matar a vontade de voltar na cafeteria e bater na cara daquele idiota sem vergonha. Mas eu consegui controlar a vontade e peguei um táxi e pedi para ele me levar ao shopping mais próximo. Após uma longa estada no transito de Nova York eu cheguei ao shopping, paguei ao senhor e entrei-me sentida aliviada por causa do aquecedor do local.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.