Nostalgia

2 Capítulo II


Notas iniciais
Esse capítulo é uma lembrança do Gustavo! :D

Voltando para quando Guga se encontrava na sexta série do ensino fundamental, no exato ano onde encontrou Mari e Rafael. Este foi o para o qual a mente de Guga foi.

Era uma tarde chuvosa, ele estava andando sozinho pelo campo de futebol molhado quando viu um pássaro, mais especificamente um Quero-Quero, com a pata quebrada e com um pequeno furo na barriga. Com certeza era obra de algum aluno que estava tacando pedra, provavelmente algum do grupo de alunos que sempre estavam causando tumulto. Não eram muitos, mas Guga só tinha conhecimento de um e não estava muito a fim de se encontrar com seus integrantes. Esses grupos não passavam de alunos que acreditavam mandar em algo ou alguém, mas mesmo assim tinham poder físico, o que fazia a maioria dos alunos sucumbirem e acatarem às suas ordens. Não ligara para o pobre Quero-Quero, afinal, quem o mandou sobrevoar justamente aquela área no exato momento em que tais pessoas estavam passando? Foi um azar dele. Ele não se importava com ninguém, só consigo mesmo, enquanto estivesse bem, para ele tudo estava bem.

Estava indo embora quando escutou um grito, não o de um pássaro, mas sim de uma menina. Relutou em ir ver o que estava acontecendo, mas acabou que sua curiosidade falou mais alto, se aproximou e escutou.

— Saiam de perto de mim! — Era uma menina muito bonita, que estava na frente do grupo que o menino mais tentava evitar, formado pelos quatro idiotas da sétima série: Antônio, Yuri, Lucas e Rafael.

Guga se aproximou e percebeu que os idiotas estavam brincando com a mochila da garota, além de provavelmente estarem tentando se aproveitar da visão que tinham dela tentando lugar contra eles. A princípio, decidiu ignorar aquela cena, mas teve que ajudar a menina, algo nela lhe passou certa confiança. Pensando rápido, pegou algumas pedrinhas e arremessou-as no grupo, podiam ser pequenas, mas Gustavo as tacava de uma forma que chegava a machucar quem fosse acertado. O grupo se retirou, mas disseram que não deixariam que ficasse só por aquilo mesmo. Após tudo o que acontecera, Gustavo percebeu que a menina ainda estava desconcertada com a situação. Ele se aproximou dela e disse-lhe que era para parar de drama, que tudo já havia terminado, após isso lhe perguntou o nome.

— Eu me chamo Mariana — Algo nos olhos do menino chamou sua atenção — De qualquer forma — Ela sentiu que não estava mais desconsertada apenas pela situação — Enfim, pode me chamar de Mari.

— Tudo bem então, Mariana — Deu uma última olhada para ver se a menina estava bem, depois começou a andar e continuar seu caminho — Tente não se meter em mais confusões. Até alguma outra hora, quem sabe.

— Ei! — Ela gritou — Alguma chance de me mostrar o colégio? Sou nova, não conheço muito bem! — Ele apenas continuou caminhando. Mariana sabia que encontraria de novo com ele e mesmo que não fosse, faria acontecer. Ela sentiu que deveria permanecer perto dele.

(...)

Três dias depois, enquanto se dirigia ao seu dormitório, Gustavo encontrou com a gangue de idiotas e desta vez eles iriam se vingar dele. Ameaçaram bater nele, mas mesmo assim, ele se manteve firme, afirmou que se tentassem algo tomaria alguma medida para fazer com que arranjassem mais problemas do que já tinham. O grupo tentou arriscar a sorte e partiu para cima do garoto. Guga teve de correr, pois sabia que não era páreo para quatro meninos da sétima serie. Ele correu e conseguiu despistá-los, mas sabia que eles não iriam desistir tão facilmente. Foi direto para a área da piscina, já eram quatro horas da tarde, o colégio já iria fechar, por isso, algum monitor estaria por lá para ter certeza de que os alunos não estivessem mais na área esportiva e fossem encaminhados ou para seus quartos, ou para casa. Gustavo chegou à área da piscina, mas foi encurralado pelos quatro, ele sabia que em algum momento um monitor passaria por ali, mas não sabia o que poderia fazer para enrolar aqueles quatro por mais alguns instantes. Ele pulou a cerquinha que havia e chegou rente a piscina, o grupo fez a mesma coisa e quase caíram nela, não eram tão treinados em saltos certeiros. Ele sabia que não haveria escapatória, foi quando uma voz peculiar ressoou.

— Ei! Tem alguém ai? — era a voz de um dos monitores, Thiago, um adulto esbelto, chamava a atenção da maioria das meninas, mas nunca se importara, era muito sério no que fazia.

Ao ouvirem a voz do monitor, o grupo culpou Guga, acreditando que fosse algum tipo de emboscada, mas quando iam tentar fazer algo, Rafael disse-lhes que não daria tempo de tentar algo naquele momento, que teriam que se apressar. Cada um foi para uma direção oposto antes que a voz se aproximasse e o monitor pudesse reconhecer algum deles. Apenas Rafael permaneceu por alguns instantes.

— Não ache que irei te ajudar em uma próxima vez.

— Quem disse que precisei da sua ajuda dessa? Eu sabia exatamente o que estava fazendo.

Antes que pudessem falar algo, Gustavo percebeu que o monitor iria cruzar a esquina do corredor que levava à piscina. Estavam sem tempo, ele teve que pensar rápido para arranjar uma boa desculpa. Ele arremessou seu relógio na água e depois empurrou Rafael, se atirando na água logo em seguida.

— Mas o que está acontecendo aqui?! — O monitor falou de forma exaltada. Enquanto ele observava, Rafael e Gustavo saíram da água.

— O Rafael deixou o relógio cair na água, ele foi tentar pegar, mas acabou tendo câimbras então tive que ajuda-lo. Não acontecerá novamente.

— Entendo... — O monitor pareceu não acreditar na história, mas liberou. Enquanto seguiam rumo ao corredor principal, tiveram uma pequena conversa.

— Mas o que foi aquilo? Não poderia ter me avisado? — Rafael não estava nenhum pouco contente de estar todo molhado, seu cabelo caia um pouco em seu rosto, o que fez com que o monitor percebesse o quão fora do padrão estava.

— De nada. Evitei problema para nós dois. Sem falar que já estava na hora de você cortar esse cabelo.

Por alguns instantes Rafael pensou no quanto estava entediado e de como sempre arranjava problemas pra ter algo para fazer. Percebeu que Gustavo era um problema enorme, mas ainda assim, um problema que de certa forma não o irritava.

— Vey, eu já tava cansado daqueles idiotas. Por mim nem faz diferença voltar a ver eles, de qualquer jeito, minhas notas estão péssimas, pode ser que nos vejamos ano que vem — Disse despreocupado com sua situação.

— Que sorte a minha – Guga respondeu sarcasticamente — Não me chame de “vey”, eu odeio — Rafael apenas deu um sorriso de lado.

Naquele ano, Gustavo ficou na sala de Mariana e por circunstâncias do dia a dia normal de aula, foram criando uma amizade, principalmente depois de tanto fazerem trabalhos em grupo. Mariana sempre se mantinha perto dele, mesmo nos intervalos, ele acabou se acostumando e passando a valorizar aqueles momentos em que ela o fazia sorrir.

No ano seguinte, Rafael ficou na mesma sala que os dois. Mariana não ficou nenhum pouco contente com a situação, ainda mais depois de perceber que por algum motivo Gustavo e Rafael se davam bem. Não conversavam muito, mas na educação física estavam sempre disputando. Eventualmente, os horários de intervalo ganharam a presença de mais uma pessoa, que com o tempo conseguiu ganhar um pouco da confiança de Mariana. Rafael, do seu jeito particular e excêntrico, acabou se aproximando de Gustavo por de certa forma ser parecidos, cada um com a sua forma de mostrar o tédio que tinham e de preenchê-lo.

Os dois começaram a fazer parte de sua vida e Gustavo não podia ignorar mais este fato.

Notas finais
Espero que tenham gostado ^^