Nossos Vizinhos: Os Addams
7 Max, o outro cara
Notas iniciais
Novamente, Wandinha estava nos sonhos de Joey. Mas não era um pesadelo. Era mais como se ela fosse um sonho, um que nunca aconteceria.
— Joseph, Joseph! – chamava a mãe – Quer fazer o favor de acordar? Você já está atrasado, o ônibus chega em três minutos!
A mãe sempre o acordava na melhor parte do sonho. A apenas alguns milímetros do rosto de Wandinha, ela sorria para ele, enquanto os dois se aproximavam mais e mais.
Joey foi para a escola, mas a única coisa que podia pensar era na hora da saída, quando finalmente poderia voltar para casa. Para casa não, para a dos vizinhos. Joey passava tanto tempo com os Addams que parecia mais que ele morava com eles.
— Ótimo, que bom que chegou, garoto dos biscoitos, preciso de uma mãozinha aqui, e a Coisa não quer me ajudar. Segura essa corda e não solta até eu mandar, okay?
— Claro. – disse ele, pegando a corda – E se eu soltar?
— Sua cabeça vai ser dividida em duas partes. Por um machado. E aí eu vou ficar suja de sangue, então é melhor você segurar isso, Joseph.
Ele já estava acostumado com aquilo. Já tinha reflexos o suficiente para se abaixar. O máximo que poderia acontecer era a lâmina cortar milímetros de seu cabelo.
Wandinha pegou um martelo e se preparou para dar um golpe na geringonça quando a campainha tocou.
— Ah, então vocês têm uma campainha. – disse Joey.
Ignorando o comentário do garoto, Wandinha foi até a janela, ainda segurando o martelo, para ver quem era.
— Ah, meu Deus – ela derrubou o martelo, fazendo um buraco no chão. Ela olhou dentro do buraco, que levava ao andar de baixo, e viu Feioso.
— Que foi, mana? Parece até que viu um unicórnio. Tô até achando que você está mais pálida que o normal. – ele disse, olhando pela cratera.
— É o Max. Ele voltou.
— O Max? – perguntou Joey, confuso.
— O Max! Posso brincar com ele de novo? – perguntou Feioso animado.
— Nunca. Joseph, eu tô bonita?
— Hã... Tá? Mas...
Wandinha o ignorou completamente e desceu correndo as escadas. Joey não pensou duas vezes, soltou a corda, mas conseguiu escapar do machado, mesmo que por um triz. Foi até a cratera.
— Feioso, quem é Max?
— O ex da Wandinha.
Um nó se formou na garganta de Joey e ele congelou.
- Da última vez que ele apareceu, eu fiz ele fugir. Brinquei só um pouquinho, poxa.
- Isso faz quanto tempo?
- Hã, desde aquele ano em que a gente teve que ir para um acampamento. Ugh! – disse Feioso, enojado – Faz alguns meses.
“Está tudo bem, pff!”, Joey pensou, “Ele não deve querer nada com ela. Senão, ele não teria ficado tanto tempo longe! Pff!”, ele tentava se convencer. Mas sabia que alguns meses não era muito tempo. E se o tal do Max quisesse voltar? E se ela aceitasse? Não. Primeiro, isso não ia acontecer. Segundo, que se acontecesse, ele daria um jeito de impedir.
Joey voltou a olhar pela janela. “Eles só estão conversando... Pff! E se abraçando... Como bons amigos, pff!”, ele tentava se convencer,“Melhor descer logo antes que a coisa fique séria”, e desceu correndo as escadas.
— Oi, Wan, quem é esse? – Joey perguntou
“Eu disse mesmo Wan?”
— Joseph, esse é o Max – disse ela, se aconchegando nos braços do ex.
— Joey tentou fazer cara de mau, mas foi inútil perto do rapaz. Max devia ter uns vinte centímetros a mais que ele, e os cabelos e roupas pretas em contraste com seus olhos verdes só o deixavam mais assustador.
— Prazer. – disse Max, estendendo a mão.
“Caraça! Ele deve ter a voz mais grossa do mundo!”, pensou Joey, perplexo.
— Mãe, pai! Adivinhem, o Max voltou! – gritou Wandinha.
Mortícia e Gomez rapidamente vieram até o jardim.
— Maxwel, como é ilustre sua visita! Anda fazendo coisas novas? – perguntou o homem.
— Nada, sogrinho – essa palavra deixou Joey ainda mais irritado – Só passei para avisar que eu voltei!
Eles continuaram conversando ali, e Joey ficou parado no jardim, cada vez mais pasmo com as ações de Wandinha. Ele nunca a tinha visto tão... Alegre? Essa não era a Wandinha que ele conhecia. Mas uma coisa era certa. Aquele Max tinha que partir. Um estranho sorriso se formou nos lábios de Joey, e o estranho brilho que geralmente Wandinha tinha nos olhos hoje era dele.
Voltando para a casa dos Addams, Joey encontrou Feioso no corredor.
— Ei, Feioso, vêm cá. Preciso de um favor – disse ele, com um sorriso maligno.
Eles subiram para o andar mais alto da casa. Wandinha e Max ainda estavam no quintal com os adultos e não ouviriam.
— Me conte o que aconteceu quando Max foi embora.
— Você não gosta muito dele, não é?
— Nem um pouco.
— Porque?
— Hã... Porque... Porque... Ué, porque não! Agora me conta.
— Tudo bem. Foi assim: a Wandinha achou que tinha achado o cara perfeito, e estava começando a ficar toda frufru.
— Frufru?
— É, ela me preocupou. Só usava... Ugh, rosa! E quase tingiu o cabelo de loira! – ele disse, enojado. – Enfim. Eu decidi que estava na hora de fazer alguma coisa. Foi quando percebi que toda vez que ele vinha, era só para levar Wandinha aos encontros, ele nunca entrava em casa. Tinha medo dela. Então, uma noite, antes de Wandinha vê-lo, eu o levei para um “tour” pela casa. No fim da noite, ele já tinha sumido. Coitado, fugiu correndo!
— Brilhante, Feioso!
Joey olhou pela janela e viu que Max e os Addams ainda estavam no quintal. Com ajuda do telescópio de Feioso, ele pôde ver que de vez em quando, Max olhava para a casa, um tanto desconfiado, como se a vigiasse.
Feioso tinha feito mesmo um ótimo trabalho. Agora, era só lembrar Max do que tinha acontecido.
Novamente, o brilho tomou conta dos olhos de Joey.
— Acho que já tenho um plano.
Fale com o autor