Nossos Vizinhos: Os Addams
12 Assassinato Escolar
Notas iniciais
Segunda-feira, o pior dia de todos. Joey esfregava os olhos, tentando espantar o sono. O ônibus passaria em poucos minutos e ele ainda estava de pijama.
— Joseph Anderson! Desce logo aqui, moleque! Se você perder o ônibus, vai dormir no quintal hoje! – gritava a mãe, da cozinha.
— Já vai, mãe.
Estava para sair do quarto quando uma flecha quase atravessou sua cabeça.
“Wandinha...”, ele pensou, arrancando a flecha da parede e retirando o bilhete.
Mamãe acabou de receber uma encomenda enorme, e a caixa está se mexendo. Eu quero abrir, vem logo!
Não posso. Tenho aula.
Aula?
É, Wandinha, escola. O ônibus acabou de chegar, te vejo depois.
- Escola? – ela disse para si mesma, pensativa.
Wandinha desceu as escadas e foi para a cozinha, onde estava sua mãe.
— Mãe, o que as pessoas fazem na escola?
— Aprendem a fazer coisas inúteis, filha. Por quê?
— Nada. Acho que eu vou amanhã.
Mortícia estranhou o comportamento da filha, mas não a contrariou.
No dia seguinte, Joey acordou muito tarde e quase perdeu o ônibus. Entrou quando o motorista já estava fechando a porta.
Ainda respirando pesado por ter corrido pela casa a manhã inteira, se sentou bruscamente no último banco.
Quando sua respiração se acalmou, ele olhou pro lado e levou um susto.
— Wandinha? O que você tá fazendo aqui?
— O que será que eu estou fazendo no ônibus da escola? Meu Deus, Joseph, às vezes sua burrice me surpreende – ela disse, fria, fazendo-o se sentir idiota.
— Mas a Mortícia tinha falado que era uma coisa inútil, lembra?
— Claro, mas eu estou tentando experimentar. Pode ser... Legal. – ela disse, com um olhar perverso, e Joey sabia exatamente o que ela queria dizer. Sua escola perderia alguns alunos, e ele não estava a fim de ser um deles.
— E parece que temos uma aluna nova hoje. Senhorita Addams, seja bem-vinda. Classe, sejam legais, ok?
Assim que o professor virou de costas para escrever no quadro, começaram os sussurros sobre Wandinha.
Ela já estava acostumada com aquilo, não se irritava. Mas havia alguém na sala que a estava tirando do sério.
A garota loira sorridente sentada perto da janela, toda vestida de rosa e laranja, que conversava alegremente com as amigas.
— E aquela, Joseph, quem é?
— Amanda Buckman. A “garota mais bonita da sala” – ele disse.
Wandinha imediatamente começou a fuzilá-la com o olhar.
— Eu não acho – ela disse
— Nem eu – ele respondeu, fazendo Wandinha relaxar levemente, sem que ele notasse.
A cada palavra que o professor dizia, Wandinha compreendia mais o que sua mãe dizia. Escola era mesmo inútil.
O sinal tocou e todos começaram a se levantar.
— E agora, o que foi, Joseph? Me diz que esse é o alarme de incêndio – ela disse, com um brilho nos olhos.
— Não, esse é o sinal do lanche.
Ela pareceu confusa.
— Sabe, quando a gente vai para o pátio... come... conversa... – ele tentava explicar – Brinca – assim que essa palavra foi dita, ele se arrependeu, percebendo que Wandinha tinha um estranho sorriso nos lábios.
Lá embaixo, Joey estava para morder a maçã que havia trazido.
— Vai comer isso? – Wandinha perguntou.
— O que você acha?
— Acho que não. Me dá, tenho um jogo – ela disse, deixando-o preocupado – Põe na cabeça e encosta na árvore – Wandinha sacou o arco.
— E se eu não encostar?
— Aí eu te acerto aqui mesmo.
Joey não pensou duas vezes e encostou no tronco.
— Vamos, Joseph. Vai ser divertido! – ela disse, mirando – Não se mexe.
As mãos de Joey suavam. Então ele olhou em volta. Era só ele e Wandinha, sem Feioso dessa vez. Qual é, podia ser divertido. Ele resolveu só relaxar e aproveitar o momento.
Assim que Wandinha soltou a flecha, ela acertou com precisão o centro da maçã.
— É, foi legal – ele disse, saindo debaixo da maçã, que estava presa na árvore – Faz de novo, faz de novo!
— Joseph, é assim que se fala. Disse que seria divertido.
De longe, Amanda e as amigas os observavam.
— Aquela garota nova é muito estranha, amigas. Olha lá, ela e o Joseph. Ela vai acabar matando ele.
O comentário gerou risadinhas.
— Mas, até que eles formam um casal bonitinho. Joseph, o esquisitão, e Wandinha, a morta-viva.
Amanda se levantou e foi provoca-los. Cada palavra que ela dizia fazia Wandinha querer tortura-la mais.
— O casamento já está marcado?
Foi a gota d’água. Wandinha estava indo para cima de Amanda, mas Joey conseguiu segura-la, envolvendo-a com os braços.
— Que bonitinho, vocês dois. – ela disse, e se retirou.
Wandinha olhou furiosa para Joey, que ainda não a havia soltado.
— Me larga, Joseph! – ele obedeceu – Por eu não me deixou acabar com ela?
— Hã... Sei lá! Impulso?
Ela revirou os olhos e voltou a mirar na maçã.
Já no quinto período, Joey havia dormido na aula.
— Posso ir ao banheiro, professor?
— Vá.
“Minha chance”, ela pensou, e pediu para ir junto.
Perseguiu Amanda pelos corredores até chegar ao banheiro, sem que ela visse.
A loira foi direto para o espelho, retocar o batom, e logo após entrou em uma das cabines.
Wandinha se escondeu atrás da porta do banheiro. Quando Amanda saiu para lavar as mãos, ela trancou a porta do banheiro.
— Ah, não vi que você estava ai, Addams – Amanda disse, distraidamente.
Wandinha sacou uma faca de lâmina prateada, e Amanda recuou um passo.
— O-o que você vai fazer com isso?
Wandinha apenas sorriu. Seus olhos foram tomados por um brilho assassino, enquanto levantava a faca e caminhava lentamente na direção da garota.
— Porque, se um dia eu e o Joseph formos nos casar, o assunto é só entre mim e ele – ela disse, lentamente, enquanto começava a brincar com Amanda.
Chegando na sala, o professor perguntou sobre Amanda, e ela disse apenas que ela tinha ido para casa porque não se sentiu bem, e lançou um sorriso para Joey, eu havia acordado e sabia exatamente o que havia acontecido.
Quando o ônibus deixou Joey e Wandinha na rua de casa, ele foi junto com ela para a casa dos Addams.
Wandinha foi direto para o quarto, ia trabalhar em alguma geringonça nova.
Joey encontrou Feioso na sala, dentro de uma dama-de-ferro.
— Joey, é você ai? – ele perguntou, enquanto saía do instrumento de tortura, levemente perfurado e ensanguentado – Caramba, achei que vocês nunca iam voltar daquela tal da escola! Sabe como é difícil se divertir sozinho? É bom que a Wandinha nunca mais peça para ir para lá.
— É, foi essa parte que eu não entendi. Porque de repente ela quis ir para a escola?
— Sei lá, foi ontem de manhã, ela desceu lá no quarto e pediu para ir. Acho que ela deve ter bebido alguma coisa.
— Espera aí. De manhã?
— É, um pouco depois do ônibus sair.
Então, as peças começaram a se juntar na cabeça de Joey.
Os bilhetes que haviam trocado na manhã passada, as coisas que Amanda dissera, e foi aí que se lembrou: o beijo.
— A Wandinha gosta de mim – ele disse para si mesmo.
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