Nosso xote

1 Me encantei por teu olhar...Capítulo único


Notas iniciais
xHasashi: Oie!
A Dona Equinócio, vulgo a minha yondaime falou de HashiMito pra mim e eu não esqueci. Não apenas não esqueci como acabei tendo o vislumbre dessa música que amo tanto pra esse casal maravilhoso. Foi então que surgiu essa coisa amorzinho demais que é de longe a HashiMito mais gostosa que já fiz. Obrigada por embarcar nessa comigo, miga. E principalmente por esse ter sido uma ótima coisa pra gente se aproximar mais. Ganhei uma companheira de fanfic e uma amiga ♥

Equinocio: Queria dizer que eu tô muito grata pelo convite da ma-ra-vi-lho-sa da @xHasashi pra essa one que é igualmente ma-ra-vi-lho-sa, deixa eu confessar, viu O parto dessa criança foi a coisa mais engraçada da história dos partos de fanfic e a gente deu risada do começo ao fim enquanto escrevia ela HSKSHSJS Fora os arco íris que fomos vomitando enquanto conversava sobre, então não se assustem se vocês acharem um pote de ouro perdido em algum parágrafo aí!
Também queria dizer que Hashirama de chapéu de palha e Hidan sanfoneiro agora são minha religião, é isto SDFGHJKLS boa leitura, bacanos

LEIAM a fic com a música, é sério.
Música usada: Bicho de pé - Nosso Xote
Link: https://www.youtube.com/watch?v=cn9RAUMbtzk

Estará nas notas finais.
Até já ♥

As ruas de Aracajú estavam completamente enfeitadas para as festividades. As bandeirolas coloridas penduradas nos postes por todas as ruas; as barraquinhas de comidas típicas espalhadas pelas calçadas; fogueiras na frente das casas de algumas pessoas, e crianças correndo e sorrindo com todo o barulho dos fogos; o aglomerado de pessoas disputando espaço por metro quadrado era o que marcava o início das festas Juninas! O forró tocava a cada esquina com uma melodia diferente, e pessoas vindas de vários outros lugares chegavam na cidade pra aproveitar o que a capital de Sergipe tinha de melhor a se oferecer; era sempre o mesmo ritual, porém a mágica daquele período conseguia ficar ainda mais sublime, todos os anos.

A sanfona dava seus sinais junto com os demais instrumentos, e a voz doce da vocalista ecoava pelas caixas de som. A Akatsuki do Forró era um grupo conhecidíssimo na cidade, e como manda a tradição, fazia sua apresentação ali. Alguns casais já dançavam em meio ao espaço agora pequeno da orla de Atalaia, aproveitando o clima romântico daquela noite à beira da praia. A lua quase cheia despontando no céu junto à brisa do mar que o vento trazia deixava tudo aquilo ainda mais encantador.

E no meio daquela multidão que já dançava o xote, lá estava ela, encostada na mureta que dividia a orla da praia, olhando pro mar. Era impossível não a reconhecer, principalmente por conta dos cabelos, de um vermelho sangue tão chamativos que se destacava em meio à multidão. O vestido de corpete era florido, mesclado de azul e verde em um fundo branco suave, que ia mais ou menos na altura dos joelhos, e o fato de ser rodado era ideal pra se dançar quando quisesse. Nos pés, uma sandália rasteira, trançada e na cor azul.

Suspirava pensativa, olhando pra lua, e o sorriso que tomou seu rosto só fez com que seu admirador desviasse os olhos pra'quele batom vermelho, que combinava perfeitamente com o tom de seus cabelos, vivos e chamativos assim como a bela mulher que era sua dona. Na testa o pingente lilás de sempre, sua maior característica. Quanto aos olhos, estes buscavam por algo que não sabia definir muito bem, o coração batendo de maneira calma enquanto se perdia em pensamentos pela calmaria do mar daquela noite.

— Feliz São João, minha gente! — disse o sanfoneiro ao microfone. — Olhe, apois não quero ver ninguém aperreado não, viu? A noite hoje 'tá mais do que linda, e a música que vamo tocar agora é um pedido especial pro cabeludo ali do canto. — a sanfona recomeçou, o triângulo deu o ar de sua graça, e a zabumba foi a próxima a se fazer presente. — Essa aqui é pra amolecer o coração apaixonado daquela moça que 'cê tá querendo. E tome xote.

Atenta às palavras do sanfoneiro, Mito olhou em direção ao palco, e então seus olhos se cruzaram com aqueles castanhos. O tal cabeludo estava com um chapéu de palha, vestindo uma camisa xadrez vermelha e de mangas curtas, e foi se aproximando sorrateiro, com receio de ser enxotado dali rapidamente. Tinha um sorriso tão grande que mal lhe cabia no rosto, e quando se abaixou com um dos joelhos no chão, tirou o chapéu e colocou junto ao peito; e na mão que lhe entendeu, segurava uma maçã do amor.

— Muito boa noite. Será que a moça dos cabelo mais lindo dessa festa me daria o prazer de saber sua graça? — perguntou matreiro, lhe sorrindo sedutor. A mulher abriu um pequeno sorriso sem graça em resposta, e fez um leve aceno com a cabeça, aceitando o presente.

— Eu me chamo Mito.

— Satisfação, Mito. Meu nome é Hashirama. — disse o moreno, lhe beijando o dorso da palma. — E estou a seu inteiro e total dispor. — colocou de volta o chapéu de palha, e ainda sem desviar os olhos dos dela, lhe sorriu ainda mais. — Será que tu me daria a honra de dançar esse xote?

Mito lhe assentiu outra vez, e deu dois passos pra que se posicionassem melhor. As mãos grandes do moreno foram para a cintura dela, delicadamente a fazendo se aproximar um pouco mais do corpo maior; e ela não se perdeu de tempo ao levar os braços aos ombros do rapaz, calculando como seria dançar e comer ao mesmo tempo. Respirou do perfume gostoso que exalava dele, e fez questão de usar a mão livre pra segurar nos cabelos macios que o moço tinha.

Hashirama nunca havia visto ninguém com os cabelos como os dela. Combinavam tanto com a pele branca e os olhos verdes expressivos — que agora o fitavam com mais segurança — que o homem sentia o coração tropeçar a cada piscar de olho da beldade com os cabelos de fogo.

— Tu tem um cabelo tão lindo, mulher. — dissera ele, chegando mais perto e aproveitando do rodeio de cintura que se faz num xote pra lhe beijar o topo da cabeça, voltando a pose inicial depois do descaramento que teve em lhe cheirar o pescoço! — Tu é toda linda.

— Ora, mas vê se me respeite, homi! – ela se afastou, ainda arrepiada pelo contato e ousadia do rapaz. — Vê se sou mulher das tuas iguala, acabei de te conhecer e tu já me vem com esses descaramento todo. Tome rumo. — reclamou, mas sem se separar de vez dos braços dele, que a guiavam pelo ritmo do xote que tocava.

— Mas bem que tu gostou, pois se agarrou nos meus cabelo e se arrepiou todinha, ói só. — passou as mãos pelos braços dela, sentindo a pele ainda ouriçada por causa de seu toque. — Viu?

Vencida pela conversa, revirou os olhos e se aninhou ao peito dele após suspirar pesado. Não podia negar que o homem era bem do charmoso.

Hashirama a acolheu melhor em seu peito, movimentando suas mãos pela curva da cintura da ruiva em um leve balanceio de vai e vem, porém foi parado no mesmo instante em que Mito as colocou em suas costas outra vez, lançando um olhar ameaçador para o homem à sua frente. Ora, ele achava mesmo que só de ir falando baixinho em seu ouvido, apertando aquele corpo quente contra si que ela ficaria completamente rendida? Pois ele estava redondamente certo.

— Se aquiete, cabra. Na próxima é sem aviso, já lhe disse que tu tem que me respeitar.

— Assim tu num facilita minha vida, mulé! – sorriu de canto, e dessa vez manteve-se quieto, obedecendo as ordens dela. — Mas deixe estar, que eu resolvo tudo isso mais tarde, lá em nossa casa.

— Nossa casa? Te conheci hoje e tu já quer morar comigo, é?

— Apois se tu quiser eu quero.

Dessa vez Mito não se conteve, e o riso que deu foi alto o suficiente pra chamar a atenção das pessoas ao redor. Focou outra vez os olhos no moreno, e mordendo a maçã do amor, lhe ofereceu um pedaço, logo em seguida.

— O personagem, meu dengo.

— Arre égua, então vamo de novo. Sua casa?

— Hashirama…

— Minha casa, então?

— Hashirama!

— Já sei, já sei! Na minha casa ou na sua?

— Mas tu não tem jeito mesmo, né moreno?

— Oxe, apois tu que é difícil por demais. As outras sempre foram mais fáceis. — Mito congelou de pronto quando ouviu essas palavras, e adquiriu no rosto uma coloração tão avermelhada quanto os seus cabelos, se separando do rapaz no mesmo instante.

— As outras? – respondeu ríspida, e foi possível ouvir a gargalhada gostosa que o moreno tinha. A puxou novamente e a beijou demorado no rosto. — Você num me venha com gracejo não, que tu quer dizer com "as outras", Hashirama?

— Era brincadeira, meu amor.

— Brincadeira é o nome da bainha do facão lá de casa. — cruzou os braços, e o encarou com aqueles olhos verdes quase possessos em raiva. — E meu amor coisa alguma, vai com tuas graça pra lá, já falei.

— Ô mulé agressiva. — começou a rir ainda mais alto, do jeito estrondoso de sempre. — Vem aqui, Mito. — ele se agarrou novamente na cintura da ruiva, sem medo algum de ser xingado de novo. — Tu é a única que eu quero nessa vida, deixe de besteira, que tu sabe bem disso. — afundou novamente o rosto no pescoço dela, aspirando o cheiro que tanto lhe agradava.

— Acho bom é tu tomar vergonha nessa cara se quiser continuar forrozeando mais eu, cabra. Tu que não me estrague essa música. — se aprumou novamente ao peito grande e forte que o moreno tinha. Não queria dar o braço a torcer, mas de fato havia achado aquela situação engraçada. Nunca, nunquinha que iria rir para ele e admitir isso assim tão fácil!

— Fazia tempo que a gente não dançava o nosso xote, né meu dengo?

— Meu bem, o personagem...

— Vixe, é mesmo, né? Então... Esse agora pode ser o nosso xote, meu xamego?

— Querido, tu fez de novo.

— Me desculpe, Mito. Sei que tu queria fazer algo divertido, mas eu tô com cabeça é pra outras coisa agora. — Hashirama apertou um pouco mais a cintura da moça, encostando ainda mais os corpos e diminuindo o ritmo do xote. Mito, que já estava completamente arrepiada, só faltou derreter quando o moreno lhe sussurrou no ouvido. — Tu sabe que nesses três anos eu tenho feito o possível pra te conquistar todos os dias, e eu hei de fazer isso até meu último dia vivo nessa terra. Desde que tu me olhou desse jeitinho a primeira vez, nessa mesma festa de São João, eu me apaixonei por tu, Mito, e ficar do teu lado é o melhor presente que eu podia receber. Por isso quero dormir e acordar todos os dias da minha vida contigo do lado, mesmo sabendo que tu vai me roubar a coberta nas madrugada da vida. Então eu não vejo momento melhor que agora, enquanto toca o nosso xote e no mesmo lugar que te conheci, pra te pedir isso. Tu quer casar comigo, meu doce?

— Que foi que tu disse? — perguntou a mulher, sorrindo mais que qualquer outra coisa no mundo.

— Eu tô te pedindo em casamento.

Só podia ser um sonho! O tempo parecia ter parado naquele momento, e se não fossem as mãos de Hashirama na cintura dela, podia jurar que tiraria os pés do chão, flutuando em direção ao luar tão lindo daquela noite festiva. Tinha mesmo ouvido bem?

— Cê não vai me dizer nada, Mito?

Os olhos castanhos brilhavam em espectativa ao encarar os verdes, completamente nublados pelas lágrimas de emoção que ameaçavam cair. Ah diacho, porque a boca não abria? Por que não conseguia dizer nada? Só sentia o sorriso besta se espalhando pelo rosto, refletindo o dele, que brilhava feito os fogos que estouravam no céu. Piscou uma, duas, e então uma terceira vez, abrindo e fechando a boca na esperança de que a resposta saísse dalí. Mas paciente do jeito que era, o homem já havia deduzido a resposta, e quando deu por si, seus pés realmente estavam fora do chão, mas não do jeito que havia pensado; ao invés disso, Hashirama fizera o favor de lhe pegar no colo e lhe jogar com tudo por cima do ombro, começando a caminhar.

— Vê se faz o favor de não se mexer muito, ou esses pé pode acabar acertando a fuça de um no meio dessa multidão.

— Hashirama, tu me põe no chão agora! Que diabos tu pensa que tá fazendo?

— Levando você pra igreja, Mito. De hoje não passa e tu vai ter meu sobrenome, sim senhora.

Passados dois segundos de confusão a mulher gargalhou. As pessoas abriam caminho para que passassem, e quando sentiu algo se mexer próximo a sua cintura, deduziu que Hashirama mexeu no chapéu. Saíram da orla em direção à capela mais próxima, a tempo de ver o sanfoneiro lhes cumprimentar.

— Por tua culpa eu deixei cair minha maçã do amor.

O moreno empurrou um pouco o braço pra cima e ajeitou o peso de Mito nos ombros, rindo com o grito de surpresa que a mulher soltou.

— Apois se tu quiser eu lhe dou uma macieira inteira depois, Mito. — passou uma das mãos pela perna da ruiva e a sentiu se arrepiar por completo, aproveitando do ouriçar da pele pra depositar um beijo na lateral de sua coxa. — E quanto ao amor, fique tranquila, que esse nunca vai lhe faltar.

[…]

Na orla de Atalaia, a pausa do xote fez com que o povo se espalhasse em busca das iguarias que cada barraca tinha a lhes oferecer. Os fogos continuaram, alguns sanfoneiros na multidão arriscavam o xaxado, e no palco, a Akatsuki do forró prozeava a vitória da noite.

— Parece que o cabeludo fisgou mesmo a mulher, cês viram? — comentou Konan, a vocalista.

— Ô se vi. — dissera Itachi, sorrindo com seu triângulo na mão.

— E tudo isso por conta do nosso xote. — foi a vez de Hidan, o sanfoneiro. — Será que vão contratar a gente pro festejo do casório?

— Deixe de fuleragi e ajeite logo essa sanfona, Hidan. — interrompeu Yahiko na zabumba. — A noite não para e nois temo muito coração ainda pra juntá essa noite.

Dito isso a Akatsuki se aprontou pra próxima música, e Hidan já colocava de volta sua sanfona quando um homem parrudo lhe chamou a atenção.

— Ei vocês, muito boa noite. — era um outro moreno, alto, usava uma jaqueta jeans e tinha um cigarro de palha pendendo dos lábios. — Vi que essa música fez muito sucesso pro homi que saiu agora a pouco. Queria saber se vocês podiam repetir ela depois, a minha noiva adora esse xote. — e apontando pra não muito longe dali, tanto Hidan quanto Konan avistaram uma mulher morena com um vestido vermelho, estranhamente, a mesma cor de seus olhos.

Quando os olhos dos Akatsuki se cruzaram de novo, trocaram um sorriso cúmplice, e muito gentil Konan assentiu pro rapaz, que entendendo o recado já tomou seu caminho de volta pra junto da noiva. Hidan anunciou a repetição da música e o aglomerado se fez presente outra vez na frente do palco, cada um já escolhendo seu par pra repetir a dança ao som do maior sucesso da banda de forró.

Itachi tilintou com seu triângulo, Yahiko já deixou à postos sua zabumba, e Hidan pôs a sanfona pra cantar. Os fogos estouraram uma vez mais, as crianças corriam novamente de um lado a outro, alheios ao clima romântico que tomava mais uma vez o local, e os sanfoneiros que se arriscavam no xaxado agora faziam coro junto à banda do palco; e Konan era toda sorrisos enquanto, olhando pra todos à sua frente, dava início mais uma vez à sua canção, tendo a consciência de que em algum lugar naquela orla, um moreno levaria seu dengo pra casa.

— Moreno, me convidou para dançar um xote…

Notas finais
Esperamos que tenham gostado dessa coisa mais linda ♥

Beijo e xero!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!