Nosso próprio tempo
7 Capítulo 6: Fantasmas
Notas iniciais
–-Como foi ficar aqui?
Annabeth tinha que perguntar, enquanto os dois almoçavam em uma mesa de madeira do lado de fora do prédio do colégio, numa espécie de pátio e campo aberto. Para ela as coisas tinham sido muito ruins. Ela não sabia que era dependente de Percy até o dia em que ele foi embora, quando notou que só tinha ele de amigo. Ela ficou muito, muito solitária, até encontrar abrigo nos livros.
–-Péssimo. Isso resume.
Percy ainda estava tentando se acostumar com as ataduras que Annabeth tinha colocado em seus braços, e ela achava aquilo engraçado. Era como voltar ao tempo em que ela se preocupava com cada passo do Percy, para época em que ele era a coisa mais preciosa que ela tinha.
Mas ele nunca deixou de ser.
–-Senti sua falta, cabeça de alga.
–-E você acha que eu não morri todos os dias esperando por você?—Percy falou, como se fosse a coisa mais normal a se dizer—Foi muito duro ter que viver tão longe.
Comeram calados. Percy mantinha um sorriso de canto de boca, e Annabeth queria poder contar o quanto ela também sofreu, mas isso não parecia ser bom na hora, ela não queria estragar aquele momento.
–-ANNABETH CHASE!!!!
Annabeth quase engasgou quando ouviu a voz de Thalia gritando seu nome e andando pesadamente em direção a mesa. Thalia só notou Percy ali quando quase quebrou a mesa, batendo nela forte e furiosamente.
–-EU IRIA ALMOÇAR COM VOCÊ HOJE, LEMBRA? AH, E VOCÊ AINDA ME TROCA POR ESTE FILHO DE POSEIDON IDIOTA?
–-Para você é Herói do Olimpo, Grace.—resmungou Percy
–-Não importa! Como você conheceu ele?
–-Ah anos, em San Francisco. Na morte dos nossos pais.—disse Percy, sombrio.
Thalia hesitou:
–-Falo sério, Jackson.
–-Ele não esta brincando.—disse Annabeth cabisbaixa.
A anos atrás...
–-Annabeth, este é Percy e Sally.
Annabeth tinha cinco anos, e estava com frio e sono naquele hospital as três da madrugada. O seu pai tinha lhe arrastado da cama para lá sem nem explicar porque, e agora lhe apresentava um garoto e um moça. Nada estava fazendo sentido.
–-Nós achamos que seria melhor se contássemos juntos.—Disse Sally.
Seu pai e Sally sentaram seus filhos em um sofá, e se agacharam na frente deles, com semblantes preocupados.
–-O seu pai Percy, e a sua mãe Annabeth, eram colegas de trabalho.—disse Sally—Estavam voltando da viagem de pesquisa que fizeram no mar, lembram?
–-Sim.—disseram os dois
–-Então...eles estavam no mesmo carro, na estrada, e...—Sally engasgou, e tocou no ombro de Frederick.
–-Houve um acidente.
–-O que?!—as duas crianças gritaram.
–-E como esta a mamãe?!
–-O papai esta muito mal?!
–-Crianças, crianças...—Sally tentou acalmar as crianças, mas ela mesma tinha seus olhos cheios de agua.—Eles se foram.
Percy silenciou e olhou para Annabeth. A garota estava em choque, lagrimas desciam de seus olhos, enquanto ele olhava fixamente para o pai, que não sabia o que fazer.
–-Hey, Anna...—Percy a abraçou—vamos ficar bem.
De volta a hoje...
Uma lagrima escorreu pelo rosto de Annabeth quando Percy terminou de contar a historia. Thalia alternava seu olhar entre um e outro, esperando entender se aquilo era real, até que viu a tristeza no olhar de Annabeth.
–-Percy, ela...—disse Thalia, olhando com pena para Annabeth.
Percy sentou-se ao lado de Annabeth. Ela soluçou, e ele a abraçou, enquanto ela encostava o rosto em seu ombro, e o apertando como se fosse a única coisa em que poderia se agarrar.
–-Todo mundo que eu amo foi embora.
–-Anna, isso não é verdade.—disse Percy, a afastando, e depois segurando o seu rosto na frente do dele, para que ela pudesse ver no fundo de seus olhos que aquilo era a verdade.—Eu estou aqui com você. Nós vamos ficar bem.
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