Nosso próprio tempo
12 Capitulo 11: "A tempestade que chega é da cor dos seus olhos"
Notas iniciais
Tinha chegado o tempo do recesso, e Percy estava na frente da casa de Annabeth, tocando a campainha. A mãe dele tinha insistido para que ele a levasse no carro dela para a casa de praia de Piper, no estreito de Long Island.
–-Annie?
Annabeth abriu a porta. Ela estava com uma bermuda jeans e uma camiseta vermelha lisa, e no pescoço tinha um colar com uma aliança que ele conhecia bem. Fazia bem a Percy notar aquilo, parecia como se realmente tivessem um elo que ele não conseguia explicar, algo bem profundo, que fazia Percy pensar até onde aquela cerimonia de criança tinha sido brincadeira. Tanto ele como Annabeth pareciam não levar como se fosse, mesmo que não admitissem.
–-Olá Percy!—Disse Annabeth, com um sorriso, ajeitando a alça da mochila em seus ombros.—Vamos só eu e você?
–-Minha mãe me emprestou o carro para nós irmos juntos. Os outros vão com Piper e com o Jason.
–-A Piper já esta lá?
–-Nós podemos chegar antes, ela me deu uma copia da chave. Ela pediu para irmos na frente para você se instalar logo, além de que ela vai ter que resolver uns problemas antes. A galera que vai com o Jason já deve estar lá.
Percy levou Annabeth para o carro e colocou a mochila dela no maleiro junto com a dele. Ambos começaram a viagem para lá. Colocavam músicas no radio, conversavam. Percy se sentia especialmente alegre por estar indo para lá com Annabeth sozinho. Por algum motivo sentia certo ciúmes de todos os amigos que ele mesmo tinha apresentado para ela, ele queria poder estar sempre junto, sempre ao seu lado, mas toda aquela galera meio louca estava lhe atrapalhando bastante.
No meio do caminho o celular de Percy toca encima do painel do carro.
–-Annabeth, você atende e coloca no viva voz, por favor?
Annabeth pegou o celular e olhou o visor, Percy deu uma olhada para ela e viu suas sobrancelhas franzidas.
–-É Jason.
–-Atende.
Annabeth atendeu mais não colocou no viva voz. Percy estava louco para entender o porquê de Annabeth ter ficado tão preocupada, mas então olhou para o céu da tarde e viu a tempestade. Era triste isso, já que eles já estavam quase no fim do caminho.
–-Percy, ele esta perguntando aonde estamos.—disse Annabeth, segurando o celular para perguntar a ele.
–-Quase chegando.
Annabeth respondeu a Jason, ouviu mais algumas coisas e depois desligou.
–-O que ele queria?—Disse Percy. Agora só faltava menos de duzentos metros para chegar na casa de praia.
–-Ele disse que a Piper não conseguiu resolver os problemas, e não vai poder ir por uma semana.
–-Mas é metade do nosso recesso!—Exclamou Percy, chateado.
–-Ele também disse que não veio ao notar que iria ter uma grande tempestade. Ele olhou na TV e viu que a previsão também era a chuva para a semana. Quando eu disse que já estávamos quase chegando, ele disse que era melhor ficar por aqui mesmo, e que a casa esta toda preparada para a temporada, então não precisaremos sair da casa.—Terminou de dizer Annabeth, assim que eles chegaram.
Percy abriu o porta-malas e pegou as mochilas dos dois, já sentindo pingos de chuva. Ele e Annabeth entraram correndo na casa, para fugir da chuva que já caia forte. Quando ele e ela fecharam a porta atrás deles, Percy observou os olhos cinzentos de Annabeth e pensou nos seus olhos como aquela tempestade. Mostra-se sempre mansa de inicio, mas só depois que ela começa a cair é que você nota o quanto pode ser forte.
–--É...—comentou Annabeth, saindo da porta e indo observar uma das janelas da casa de praia. O céu trovejava e relampejava, como se “Zeus” estivesse furioso com algum mortal.—Acho que foi bom ter trazido um protetor solar aprova de agua.
Annabeth esfregou as mãos nos braços, com frio.
–-Annie, vem comigo.
A casa de praia tinha um andar além do térreo, onde ficam os quartos. Eram doze no total, mas todos os amigos da Piper tinham um quarto separado. Isso não significa que a noite todos estejam cheios...
Percy levou Annabeth em seu quarto primeiro. Ela ficou na porta, apenas olhando enquanto ele procurava dois casacos que tinha deixado lá, por via das duvidas, em uma das viagens que a galera tinha feito para lá. Encontrou dois casacos, um cinza e um azul.
–-Toma este, aqui vai fazer muito frio.—Percy jogou o casaco cinza para ela.
–-O que vamos fazer neste tempo todo?—Perguntou Annabeth, vestindo o casaco.
–-Você vai arrumar as coisas no seu quarto.—Disse ele, puxando Annabeth para o quarto ao lado do seu e abrindo a porta—e eu vou lá embaixo escolher uns filmes para a gente assistir. Ok?
–-Ok.
Annabeth desceu com Percy e pegou sua mochila, depois subiu rapidamente. Percy foi na cozinha e colocou um saco de pipocas de micro-ondas para pipocar, enquanto escolhia um filme no menu da TV. Percy só descobriu que ela tinha voltado quando sentiu um calor muito intenso no cassaco.
–-Hey!
Annabeth ria enquanto Percy tirava o saco de pipoca fumegante das costas do casaco.
–-Vai ter volta, Sabidinha.
Annabeth se sentou no sofá espaçoso da sala e se enrolou num edredom que ela tinha trazido do quarto. Percy sentou ao seu lado, e ela pegou o saco de pipoca, atirando um edredom nele.
–-Então, o que vamos assistir?
–-Que tal... O hobbit?
–-Boa.
Assistiram o filme, e depois outro, e outro, e outro...Até que Percy notou: Annabeth tinha dormido com a cabeça encostada em seu ombro. Estava um bom clima para dormir, aquele friozinho e o barulho de chuva, mesmo ainda estando cedo. Percy desligou a TV e se levantou devagar para não acordar Annabeth, e depois tirou o edredom de cima dela e a pegou no colo, subindo as escadas devagar.
–-Nã-Não precisa...fazer isso.—Annabeth murmurou quando Percy ainda estava no quarto degrau.
–-Shiu. Eu quero fazer isso, volte a dormir.
Annabeth pareceu concordar, e Percy continuou até o quarto dela. Percy colocou ela na cama bem devagar, depois foi buscar o edredom dela. Quando ele colocou o edredom encima dela, apagou a luz e já estava fechando a porta, Annabeth o chamou:
–-Percy.
–-O que foi?
–-Você esqueceu uma coisa.
–-O que?
–-Fez tudo isso e não vai me dar um beijo de boa noite?
Percy abriu um sorriso. Annabeth se sentou um pouco sonolenta na cama, provavelmente não tinha conseguido se concentrar no sono depois que acordou na escada. Ele foi até a cama e deu um beijo na testa dela, e ela deitou-se na cama de novo, com um sorriso.
–-Boa noite, Sabidinha.
–-Boa noite.
Ele a cobriu de novo com o edredom, fechou a porta e saiu. Do lado de fora, ainda olhando para a porta sussurrou, como que para não acorda-la:
–-Eu já disse que você parece um anjo dormindo?
E foi para o seu quarto.
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