Nosso lugar de refúgio

1 Agosto - 1ª Semana


Notas iniciais
Ol... Espero que gostem...

Agosto

1ª Semana...

Os pingos de chuva caíam sobre mim e toda a cidade de StoryBrooke.

Até um tempo atrás eu não fazia ideia do quanto à chuva poderia ser bela. Eu, na verdade, não costumava apreciá-la tanto assim... Mas agora, olhando para essa chuva que insiste em cair sem parar em momento algum, percebo o quanto é agradável sentir a umidade da água quando respingada sob sua pele exposta ou não exposta, ou então o cheirinho da terra molhada. O ar fresco e a brisa gelada lançada diretamente na extensão do seu rosto...

Muitas pessoas preferem sentir as maravilhas do sol, outras se contentam em apenas sentir o ar gélido de um dia nublado. Já eu, prefiro simplesmente sentir as sensações proporcionadas pela chuva; assim como alguns acham a chuva triste e, outros ficam felizes em apenas saberem que vão cair pequenas gotas molhadas do céu. O bom da chuva é que você ás vezes pode usá-la como desculpa para tais coisas... Da mesma maneira que faço sempre que chove.

Não vou dizer que sempre gostei da chuva, por que não é verdade. Quando eu era apenas uma garotinha indefesa eu costumava dormir com meus pais quando chovia... Por simples medo dos relâmpagos, da ventania, ou dos barulhos molhados que as gotas d’água faziam quando caíam em algum canto lá fora. Naquela época eu era uma criança bobinha. Mas hoje, eu perdi meu medo da chuva. Gosto e necessito da presença dela, pois a chuva não é só um dia acinzentado de nuvens carregadas. Ela é mais que isso — pelo menos para mim é –, ela é tão bela quanto o sol. Acredito que assim como o brilho do sol pode trazer muita felicidade, o frio da chuva também pode.

A chuva é minha maneira de estar sozinha. Gosto de pensar da chuva como uma forma de liberdade...

Nesse exato momento, está chovendo, o que me agradou muito. Enquanto as pessoas pegavam seus caminhos monótonos para trabalharem, ou simplesmente estudarem, eu ia em direção á outro lugar. Eu deveria estar indo para a escola de StoryBrooke como todos os outros adolescentes... Mas não, estou apreciando a chuva. Muitas vezes faço isso durante algumas manhãs chuvosas e, sinceramente, eu não me importava.

Enquanto caminho até o meu lugar de refúgio, vou refletindo sobre minha vinda para essa cidade nomeada de StoryBrooke.

Mudei-me há um mês. Vim da Inglaterra com meus pais por questões financeiras, assim, viemos para cá por que meu pai tinha conseguido um ótimo emprego. No começo não queria sair de um lugar o qual me apeguei muito pra ir para outro que eu mal fazia ideia de que existia. Foi um tanto doloroso ter que deixar várias coisas para trás, incluindo as lembranças dos bons tempos que passei no lugar em que eu cresci. Porém, não tinha como eu protestar contra isso. Não era uma simples questão de querer ou não querer... Era meu dever ter que aceitar isso e fazer da vontade de meus pais também a minha vontade, afinal, eles fizerem e fazem tudo por mim, eu tinha que retribuir mesmo que não seja uma das melhores formas. Quando cheguei á essa cidade, fiquei meio que confusa do que eu deveria ou não fazer e, de que ponto eu deveria ter que começar. Eu não esperava pelas boas vindas e o bom grado das pessoas... Muito menos pelas amizades dos outros, incluindo meus colegas de classe. Acho que se for para ser uma amizade falsa prefiro ficar em meu canto, digamos, solitário; sem me preocupar se aquele tipo de pessoa irá me fazer bem ou mal. A verdade é que eu não me importo com esse tipo de gente. Não me importo se ela vai ou não com a minha cara, se ela faz ou não questão da minha presença. Para que se preocupar com esse tipo de coisa? Meus pais sempre dizem que o melhor é ficar só do que mal acompanhado. Em partes concordo com eles.

Não podemos esperar muita coisa das pessoas, afinal.

Atravessei a ponte do pequeno lago de StoryBrooke e continuei meu percurso até o local em que passei a vir em dias chuvosos como esse.

O lugar é simplesmente lindo; um pequeno jardim com arvores das folhas mais verdes possíveis, flores coloridas e belíssimas e um lugar de descanso para ‘’desabrigados’’ na chuva como eu, ainda assim, sem mencionar a linda vista que é tudo isso... Eu descobri esse lugar por acaso, e desde então, ele tem se tornado o lugar em que fujo toda vez que chove.

Caminhei pela estrada, e sorri ao ver toda aquela beleza de natureza. Continuei a caminhar até chegar, enfim, ao meu local de refugio.

Paro de caminhar, e meu sorriso se vai, dando lugar á uma expressão de surpresa: Lá, sentada em meu cantinho, há uma pessoa... Especificamente, uma bela mulher.

A mulher se virou para mim, também surpresa.

Ela tinha seus cabelos pretos, um pouco mais acima do ombro. Um corpo, pelo que parecia ser muito esbelto. Usava roupas sociais e um salto alto preto. Até parecia àquelas mulheres que tem o poder em suas mãos... A mulher desconhecida era simplesmente bela em todos os aspectos. Tinha em mãos um copo com algum tipo de líquido dentro, e ao seu lado uma garrafa de bebida. Parecia ser cidra. Quem é que beberia esse tipo de bebida em plena manhã? Provavelmente somente ela. O estranho era que quase nunca vinha pessoas para esse lugar, além de mim. Eu poderia sentar ali e esperar o tempo que for para que alguém viesse e me fizesse companhia, que essa pessoa não iria aparecer. Mas eu acho que era só uma questão de tempo para que isso viesse acontecer.

Ela levantou e sentou-se no outro banco, dando espaço para que eu também me sentasse. Fechei meu guarda-chuva e me sentei, o colocando em pé ao meu lado.

A chuva ainda caía sob mim e a mulher que bebia como se não houvesse problema algum em fazer aquilo em plena manhã. Talvez para ela não tivesse mesmo... Quem sabe ela não esteja passando por alguma situação difícil e levou a bebida em consideração como uma forma de esquecer tal tipo de ‘problema’, não? Mesmo não sendo uma bebida totalmente alcoólica, eu acho que ela – a bebida — não tem tanto efeito assim sobre tudo isso. A bebida é só mais uma forma de fazer com que fiquemos fora de nós mesmos, fazendo com que perdêssemos a noção das coisas que fazemos. Acho que se uma pessoa beber muito para esquecer os problemas de nada vai adiantar... É como um efeito passageiro: quanto mais você bebe, mais você lembrará-se dos seus problemas. Você pode beber hoje, agora, e esquecer-se de praticamente quase tudo, mas amanhã assim que você se der conta, estará lembrando-se de tudo novamente.

Porém, não é só a bebida que está me deixando intrigada. É a mulher em si. Não sei direito, mas sinto que já a vi por aí em algum canto de StoryBrooke. Talvez enquanto eu caminhava pelas ruas... Tenho absoluta certeza de que não foi no colégio, já que ela é um pouco mais velha do que eu pra freqüentar a escola. Isso está me deixando mais curiosa ainda. Quem será essa belíssima mulher, afinal? Eu estava doida pra descobrir.

Enquanto ela se deliciava com a sua bebida, peguei minha mochila, busquei nela meu livro de Astronomia e comecei a lê-lo. Eu simplesmente amava a Astronomia. Meu sonho é poder me tornar uma Astrônoma algum dia e, eu acredito que tenho a capacidade para isso... Daí vem à pergunta: por que justo a Astronomia? Bem, eu sempre gostei de observar as estrelas quanto criança (eu poderia odiar a chuva, mas gostava muito do céu iluminado pelas estrelas a noite). Eu queria saber o porquê delas ficarem ali e tudo mais... Eu queria saber dos planetas, das galáxias, das constelações tudo o que também envolvia as estrelas. Hoje, eu tenho bastante conhecimento sobre tudo isso, e pretendo ter muito mais para que eu possa me tornar uma completa Astrônoma. Isso exige anos de conhecimento e estudo.

“A Astronomia é grandiosa pelo que é e belíssima pelo que sabe fazer:

fazer-nos maravilhar, também, a cada dia, a cada descoberta, com muitos dos seus mistérios…” Essa é uma das frases em que mais me identifico. É tão bom poder maravilhar-se com os mistérios da Astronomia, e é melhor ainda quando são descobertos após tantas teorias.

O que será que aquela mulher, sentada ao meu lado, achava disso tudo? Será que ela me acharia boba por pensar tudo isso? Será que ela sorriria para mim e me apoiaria dizendo para nunca desistir do meu sonho?... Não tem como eu saber se não perguntar e eu não quero parecer uma adolescente boba por estar perguntado uma coisa desse tipo.

Tirei os olhos do livro, e a olhei por alguns instantes: ela continuava com seu copo de bebida nas mãos, olhando para algum canto, distraidamente.

Acho que uma mulher dessas não se importaria com sonhos bobos de uma adolescente qualquer como eu...

Ela olhou-me, e sorriu.

Acho que corei na mesma hora.

Não quero passar uma visão abobalhada de mim para ela.

- É, humm... Já nós vimos antes?

- Não. – ela respondeu apenas.

- Ah, me desculpe, acho que me enganei. – sorri, desconcertada.

‘’Tudo bem... ’’ ela murmurou.

Assenti e voltei a minha atenção para o meu livro novamente, enquanto, lá em cima, os trovões tomavam conta do silêncio.

O que eu esperava? Que ela dissesse que já me vira andando por aí? Eu estou aqui faz apenas um mês... Assim como não conheço todas as pessoas por aqui, elas também não devem me conhecer. Eu deveria não me preocupar muito com isso. Acredito que logo, logo terei me acostumado com essa nova vida em StoryBrooke. Pelo menos eu espero poder contar com isso; não posso prometer muita coisa que talvez eu não venha cumprir.

- Quem sabe... – a mulher desconhecida começou, recolhendo as suas coisas e se levantando. — A chuva não seja nosso horário de encontro... Conspirando para que esse seja nosso lugar de refúgio?

Olhei-a confusa, sem entender absolutamente nada.

Ela sorriu, abriu o seu guarda-chuva, e saiu debaixo dos vários pingos d’água.

Nosso lugar de refúgio?...

~*~

- Ei, Emma!

- Como foi na escola, filha?

Se meus pais soubessem que eu faltava aula quando chovia... Provavelmente me dariam uma bronca enorme... Ou pior. Eu não gostava de mentir para eles, mas também não queria largar meus dias de chuva e ficar sem ir ao único lugar o qual eu me sentia totalmente bem... Isso faz de mim uma péssima filha? Talvez sim... Talvez não... A verdade é que eu nem sei mais o que é certo ou errado.

Cumprimento meus pais e digo o quanto foi ‘’legal’’ o dia de hoje na escola, e vou para o meu quarto, repreendendo-me por mentir dessa forma para eles.

Joguei-me em minha cama e sem me dar conta... Estava pensando nela.

Quem sabe... A chuva não seja nosso horário de encontro... Conspirando para que esse seja nosso lugar de refúgio?

A mesma frase ecoou centenas e centenas de vezes pela minha mente. O que ela quis dizer com aquilo? Ela referiu aquele jardim como nosso lugar de refúgio. Eu pensava que só eu me o chamava daquela forma... Como um lugar para desabrigados na ventania molhada... Agora ela aparece por lá tomando cidra e, dividindo o mesmo espaço que eu. Eu não me importo com isso. De maneira alguma. Estava até começando a achar que ninguém iria aparecer por lá para fazer-me companhia.

Quem sabe quando chover novamente, eu não a encontre?

Liguei a TV, vendo a notícia sobre o clima de amanhã:

Nos dias de sol eu volto para a escola. Invento alguma desculpa pelos motivos das minhas faltas e fica tudo ‘Ok.’

...

Na manhã seguinte fui para o colégio, e assim como dito no noticiário, a manhã estava ensolarada. Os raios de sol faziam com que você desejasse a chuva.

Não é que eu não gosto do sol. Eu apenas prefiro a chuva.

Sinto que mesmo eu estando ali, eu na verdade não estou.

Ali não parece ser o meu lugar.

Eu sou um tanto idiota.

~*~

O meu despertador soou exatamente as 7hrs. Eu havia sonhado que estava chovendo... E bem, realmente estava.

- Está chovendo! – sorri animadamente.

Eu até poderia parecer uma criança de tão bobona que eu parecia só por causa da chuva que caía lá fora. Mas isso é incontrolável... Nem mesma eu consigo controlar a minha felicidade quando a chuva á de cair. Tem horas em que eu penso que voltei na minha infância e passei a amar a chuva. Mas daí eu me recordo de que seria impossível eu gostar da chuva quando garotinha... Eu era muito bobona e medrosa. Eu acho que precisei crescer para aprender a gostar das coisas que, na verdade, poderiam ser mais belas do que eu esperava.

Um dia a gente aprende a dar mais valor nas coisas belas.

Me arrumei rapidamente – rápido até de mais –, peguei minha mochila, meu guarda-chuva e corri porta a fora. Minha mãe gritou algo como ‘’Emma volte aqui e tome café!’’ mas eu não dei muito ouvidos para isso.

Peguei meu caminho até o jardim, e caminhei a todo tempo sorrindo bobamente. Será que ela estaria lá? Será que se lembraria de mim? Por que será que ela me disse aquelas palavras da outra vez? Eram tantas perguntas sem respostas...

Atravessei a ponte do lago de StoryBrooke e continuei caminhando, até chegar em meu destino. E lá estava ela nele.

Ela bebia cidra, novamente, e usava roupas do mesmo estilo que as do outro dia... Ela estava ainda mais belíssima.

- Olá. – ela disse.

Dei-lhe um meio sorriso e murmurei um oi.

A chuva estava um pouco mais grossa do que da outra vez...

Por que será que ela estava ali? Será que tinha os mesmos motivos que eu para faltar em seu trabalho e vir para cá em dias de chuva? Será que ela pensava desse lugar como também o seu refúgio? Qual era o real motivo daquela mulher estar ali, sentada de baixo de um ‘telhado’ enquanto a chuva caía sob sua cabeça?

Eu até que gostaria de saber...

Peguei meu livro de Astronomia e comecei a lê-lo. Mas o problema é que eu não conseguia me concentrar na leitura de forma alguma.

- Ei... – ela me chamou, e eu virei para encará-la. – Você faltou á aula de novo?

Arqueei a sobrancelha e sorri de canto.

- E você faltou ao seu trabalho, novamente também?

- É... Eu não fui hoje também... – olhou para baixo.

A primeira conversa que eu estava tendo com a desconhecida...

- E você acha que é bonito tomar cidra de maçã em plena manhã? – falei em divertimento, o que a fez rir alto.

- Acho. – sorriu.

- Você ao menos comeu algo?

Ela negou com a cabeça.

- Mas... Quem é que toma bebida alcoólica de estômago vazio em plena manhã? – eu perguntei.

- Eu...

- Desse jeito vai acabar parando em um hospital.

Ela riu.

- Fique sabendo que eu tenho um estômago forte. – disse. – Você deve me achar uma mulher absolutamente louca, não é mesmo?

- Não...

- Claro que acha, e não tem problema nisso. Acho que cada um tem a sua loucura dentro de si, afinal.

- Verdade... – sorri.

Concordo com o que ela disse. Todos nós temos uma loucura dentro de si. Ás vezes das melhores até as piores.

- Mas a minha é insuperável. – ela disse, e eu ri.

- Tenho certeza que sim...

Voltei minha atenção para o livro e ela para a sua bebida.

Para uma primeira conversa até que foi agradável...

Os minutos foram se passando, dando início há horas. Uma ou duas vezes eu olhava para ela para saber o que estava fazendo. Algumas vezes eu era pega no flagra, e sei que eu corava no mesmo instante...

Vi que já era hora de ir para casa, então guardei meu livro, e me levantei.

- Bom, eu já estou indo.

- Ah, claro tudo bem...

- Eu sempre não vou à escola quando está chovendo, então...

- Nos veremos novamente. Provavelmente assim que chover. – ela disse.

Eu mal poderia esperar para que isso acontecesse.

Notas finais
Devo postar os outros 3 capítulos? u.u