Nosso Querido
6 Terceiro- Seus pés tocaram meu chão
Notas iniciais
Era um dia chuvoso. As janelas do palácio estavam embaçadas, eu quase não conseguia ver o lado de fora. Já tentara tantas vezes limpar, mas elas voltavam a ser foscos.
As Selecionadas chegariam a qualquer minuto, nas luxuosas limusines do palácio.Logo elas estariam ali, na minha frente. Não era o melhor dia para a chegada grandiosa das moças, mas era o dia combinado e não havia maneira de ele ser desmarcado.
À noite, haveria um baile de boas vindas. Tudo já estava pronto para o evento, claro. Minha mãe fazia questão de recebê-las bem e de fazê-las se sentirem confortáveis e bem-vindas no palácio. Sensibilidade de America, e eu não queríamos e ainda não quero entender...
Logo a primeira limusine chegou, ou melhor, o primeiro borrão preto, já que eu observada pela janela. Eu esfregava o punho de minha camisa freneticamente na janela, para ver melhor as figuras que saiam do carro.
Não conseguia ver seus rostos, mas via seus cabelos e corpos. E uau! Que corpos! É claro que algumas eram um pouco mais desajeitadas, mas, em geral, as meninas eram esbeltas. Talvez eu não conseguisse ver muito bem de longe e pela janela embaçada, porém esperava que elas fossem assim bonitas de perto também.
Uma atrás da outra, chegavam as limusines, pontualmente. Cada menina que entrava pela grande porta de entrada do palácio era diferente da que passara anteriormente. Todas tinham a sua beleza. Já disse que eu teria muito trabalho em escolher uma entre todas elas?
Ouvi batidas. Relutante, por não querer sair de perto da janela, levantei-me para atender o infeliz que viera me chamar. Eu já era proibido de recepcionar elas, queriam me proibir de espiar aquelas beldades pela janela também?
Diferente do que eu pensava, a pessoa que batera em minha porta, ou melhor as pessoas, não vieram me repreender. Para minha surpresa, me deparei com duas meninas pequenas. Mereço...
–O que vocês estão fazendo aqui?-disse, franzindo a testa.- Anna você não deveria estar recepcionando as Selecionadas?
Ela me olhou, os grandes olhos azuis pedindo piedade. Ela esticou os braços, pedindo um abraço, e eu concebi, sem entender.
–São muitas, Sean.-Ela disse, apoiando a cabeça em meu peito.- Não aguentei! Todas elas me olhavam de maneira estranha, como se eu fosse uma ameaça, sabe? Saí correndo, Emma me encontrou no corredor e nós viemos para cá. Não quero voltar. Você não pode mesmo descer?
–Não.
Afastei-me de Anna, ajoelhando-me para ficar mais ou menos com sua altura. As meninas realmente assustaram a garotinha. Elas eram tão competitivas assim?
–Mamãe ficará muito chateada por você ter fugido. -afirmei, olhando em seus olhos. –Onde está a minha irmã? As Selecionadas já a roubaram?
Meu objetivo era fazer ela rir, para afastar seu nervosismo, e eu obtive sucesso. As duas menininhas riam, na verdade. Suas risadinhas de criança me fizeram rir também. Em alguns minutos nós três estávamos rindo, sem lembrar o porquê.
–Aiai, Sean, você é muito engraçado.- minha irmã disse, ainda rindo, mas com uma seriedade hilária.-Bom, é melhor irmos, Emma!
Anna estendeu a mão para a amiguinha e elas saíram juntas pela porta, me deixando sozinho com meus pensamentos.
Era engraçado pensar que um dia as mães dessas duas crianças adoráveis foram, tecnicamente, concorrentes. Provavelmente na época de meu pai a competição não fosse tão acirrada. Pelo que minha mãe me contava, nenhuma das Selecionadas era realmente má, mesmo parecendo ser.
Por que as minhas Selecionadas, logo de cara, já foram possessivas em relação a mim? Será que eu era tão irresistível assim?
Isso só aumentava minha angústia. Queria muito estar com minha família, dando as boas vindas. Mas eu não estava!
Você é o elemento principal, Sean,é quem elas mais querem conhecer. Queremos deixa-las apreensivas, então você não poderá conhecê-las até o baile.
Realmente, essa foi a maior idiotice que meu pai já disse, provavelmente, em toda sua vida. Qual era o problema de vê-las no momento da chegada? Faria alguma grande diferença?
Havia muitos assuntos que me deixavam indignado naquele palácio!
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