Nosso Querido
4 Segundo- Finalmente posso ver seu rosto - Parte 2
Notas iniciais
As luzes foram apagadas. O nervosismo já passara, porém eu ainda estava inquieto. Agora que já vira seus rostos, não conseguia imaginar todas elas querendo chamar minha atenção. Era tudo tão surreal, até para um príncipe que vivera sua vida inteira em um palácio.
Elas eram tantas. Eram tão diferentes, mas bonitas de modos distintos. Algumas eram Dois, logo mais ricas. Outras eram Seis, a casta mais baixa depois da abolição dos Sete e Oito, alguns anos antes, então as mais pobres.
Na minha confusão de pensamentos, eu não esquecia o que meu pai me dissera sobre as Selecionadas “E você pode ter certeza de que elas estarão mais nervosas que você.” Era difícil imaginar uma garota nervosa, pois todas aparentavam ser decididas e fortes. Mas será que esta situação modificaria a ideia que seu sexo defendeu desde sempre?
Pensar que essas lindas moças estariam andando pelos corredores em tão pouco tempo me deixava arrepiado. Meu pai me contara do som dos sapatos, que o irritavam. Será que eu irritaria também? E o mais importante: será que eu me apaixonaria também?
Seria difícil escolher. Seria difícil até lembrar todos os nomes, pois depois da primeira visão que tive delas, só conseguia me lembrar de um nome:
Antonella Lully.
Sua beleza era deslumbrante. Seus olhos cor de âmbar cintilavam, mas o brilho contido nele era diferente de todas as outras. Ela parecia determinada. Na verdade, todo seu rosto tinha uma expressão decidida. Ela era tão linda, talvez esse fosse o porquê de eu lembrar seu nome. Até seu nome era belo, um tanto peculiar. Será que eu me apaixonara apenas pela beleza da garota, sem nem mesmo ter dado uma chance às outras? Será que eu era tão superficial assim?
–Sean!- disse minha irmã, tirando-me de meus devaneios. — Oi? Sean?
Chacoalho a cabeça, afastando os pensamentos anteriores e focando em minha irmã. Seus grandes olhos claros me encaravam. Eles eram inocentes, tão diferentes dos de Antonella...
Eu estava pensando em Antonella outra vez! Eu estava mesmo apaixonado por ela sem ter a conhecido?
–Sean!- disse minha irmã, mais uma vez.- Vejo que você gostou das Selecionadas.
Pela primeira vez, minha irmã deu um sorriso malicioso. O mundo estava mesmo louco! Uma menina de onze anos sendo maliciosa? Ou pior, minha irmã inocente sendo maliciosa? Ou era eu quem estava ficando louco?
–Claro que gostei, Anna. –eu disse, dirigindo-lhe um olhar de repreensão. — Você gostou de alguma?
–Gostei de uma chamada Arianna ou Arianne. — ela disse alegre como sempre. — Ela é bonita e parece legal, acho que ela irá ser minha cunhada.
–E você vai escolher por mim?- perguntei, divertido. — Digo, não estou reclamando, pois isso facilitaria muito.
–Se você quiser, posso escolher. — ela confirmou, rindo, logo vendo nosso irmão aproximar-se de nós. — Fredie, você gostou de alguma?
–Elas são muito bonitas... — disse ele, colocando as mãos nos ombros de Anna.- Mas elas são de Sean.
Frederick me dissera que estava muito ansioso para a Seleção e que mal via a hora de ser sua vez. Queria ser otimista como ele. Meu irmão, talvez, nem teria uma Seleção e poderia escolher uma esposa sozinho. Como eu queria ser ele nesse momento.
A Seleção deveria ser meu grande momento. O momento de mostrar para o povo o meu potencial. O momento para achar meu amor. Porém eu o via como a pior fase da minha vida, a fase mais confusa.
–E então, Sean, está mais animado agora?-perguntou minha mãe, aproximando-se de nós.
Minha mãe era uma Rainha tão boa. De nenhuma maneira ela era perfeita, mas seu jeito inovador encantava a todos, menos ao meu avô, mas eu nunca o conheci. Meu pai escolhera bem. Quem me dera escolher tão bem quanto ele... Quem me dera escolher uma delas.
Eu simplesmente não sabia fazer escolhas. Sempre encontrei uma maneira de me esquivar de decisões, deixando-as à mercê de meus pais. Porém, pela primeira vez, eu não poderia contar com eles, mesmo que precisasse muito.
Nós sempre iremos lhe apoiar filho.
Pelo menos eu poderia ter a certeza de que eles me apoiariam. Se eu escolhesse Antonella apenas por sua aparência ou alguma outra por sua personalidade não importava, eles estariam ao meu lado.
–Estou um pouco menos nervoso.
Ela sorriu, pegando minha mão. Seu toque materno me acalmou. Eu, com meus dezenove anos, não deveria ter necessidade do carinho de minha mãe, mas, neste momento, eu realmente precisava. Ela entendia o nervosismo pré-seleção, pois já havia passado por isso, mesmo que do outro lado, do lado das Selecionadas. Ela sabia o porquê de eu estar nervoso. E, acima de tudo, ela era minha mãe, então confiar minhas aflições à ela era seguro.
–Eu já disse que você não precisa ficar nervoso.-ela assegurou, olhando diretamente para os meus olhos.- Fique tranquilo, tenho certeza que você será capaz de escolher.
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