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57 Capítulo 57 - Você Sentiu Isso?


Notas iniciais
OIE OIE OIE Sei que tem muita gente querendo me matar e.e então peço logo desculpas pra vocês e vou mandar a real: eu não tava muito em clima de escrever putaria e nem sobre romance, por isso eu tentava escrever e nada saia. Também aconteceu de meu notebook com 2 capitulos prontos queimar, e eu ter que reescrever tudo do 0 pq sou burra e não tenho back up. Isso me desanima muito de começar uma história. Mas então vocês mandaram mensagens, comentários, recomendações perguntando onde eu estava, porque não continuava e tal... E isso me deixou muito feliz e me deu ânimo pra continuar essa história. Obrigada, vocês são fodas. Não vou exigir que vocês comentem nem nada do tipo, porque sinto que não mereço muito essa atenção ou carinho. Mas quero continuar tendo ânimo pra terminar essa história e dar um fim digno, que satisfaça à todo mundo que lê essa história e gosta dela. Obrigada pela atenção, bom capítulo :)

Capítulo 57 – Você sentiu isso?

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Chego cedo no colégio.

Desde que contratamos uma enfermeira para ficar com a minha mãe, ela tem começado a reparar em mim também – o que me deixa desconfortável. “Você só vai comer isso?”, “O café-da-manhã é a refeição mais importante do dia”, “Saco vazio não fica em pé”... Era uma das coisas que ela sempre dizia, o que me fazia ir para a escola antes de ela chegar em casa. Tudo o que eu menos queria era alguém para ficar empurrando comida na minha boca.

Quando Quentin voltar para o colégio (amanhã, graças a Deus) vou ter que lhe dizer sobre meu novo hábito de ir mais cedo, se vamos continuar com as caronas. Se ele aceitar acordar bem mais cedo, vai ser mais do que uma prova de amor.

Geralmente, eu fico sentada num banco entre os armários, esperando os alunos irem chegando até o ponto de ficar insuportável ler um livro ali. E como estou sozinha, me sinto em casa: deito no banco e começo a ler o livro “Por Lugares Incríveis”.

Estou tentando entender o que se passa na maldita cabeça de Theodore quando começo a ouvir barulhos que me desconcentram. São sussurros, misturados com armários sendo amassados. Por um instante, acho até assustador.

— Eu disse que não quero mais fazer parte disso! – Alguém grita no meu corredor.

— Foi você quem começou isso! – Outra pessoa responde.

— Você não pode pular fora assim! – Uma terceira diz.

Geralmente, eu não me meto em assuntos dos outros, mas a curiosidade fala mais forte que eu, e eu deixo o livro de lado para olhar o que está se passando no meu corredor antes mesmo de ter uma quantidade aceitável de alunos no colégio. Há três garotas, a uns três metros de mim. Elas não me viram, acho. No campo de visão delas, um armário está na minha frente.

Uma delas, com uma expressão medrosa e (ao mesmo tempo) resignada está encostada contra o armário, enquanto as outras duas parecem duas predadoras. Não conheço nenhuma delas (devem ser do segundo ano, ou do terceiro), todavia a cena me deixa um pouco inquieta, pois não gosto da situação injusta de duas contra uma. Nunca gostei de injustiças, e muito menos de intimidações.

— Ei! – eu digo, levantando-me do banco. – Tem algum problema aí?

As três me olham, parecendo surpresas. Uma delas se recupera primeiro e mostra uma expressão de desdém ou sarcasmo. Ela não devia me conhecer para vir com “desdém e sarcasmo” para cima de mim.

— Isso não é da sua conta. Vá embora – ela manda.

Eu solto uma risada incrédula.

Ela achava mesmo que mandava em mim?

— Me obrigue – eu respondo, com um sorriso debochado. – Primeiramente, eu estava aqui primeiro de vocês chegarem fazendo barulho; segundamente, o colégio é um espaço público; terceiramente, eu não posso deixar que role um 2x1 aqui. Não é justo e eu odeio injustiças.

A outra garota revira os olhos.

— Vamos embora, Frannie – ela disse puxando o braço da sua outra amiga “bully”. – Essa conversa não é interessante com plateia...

Mesmo à contragosto, a garota, “Frannie”, afastou-se daquela que estava espremida contra os armários e ajeitou seus cabelos castanhos com as pontas tingidas de azuis. Ela me olhou com uma mistura que era incredulidade e ironia.

— Você não faz ideia de quem está defendendo – “Frannie” diz.

Não sei se ela está tentando me assustar, ou simplesmente tem aquele problema de “ter a última palavra”, mas não faço questão de descobrir também. Eu apenas dou de ombros e as assisto caminharem para longe. São duas figuras engraçadas, tipo aquelas garotinhas que querem ser “It Girls”, mas acabam ficando igual a todo mundo.

— Obrigada por me defender – a garota encostada ao armário diz.

Eu me sinto um pouco feliz por poder ajudar alguém que estava realmente precisando de ajuda. Mas apenas dou de ombros, e me pergunto se é assim que Quentin se sente quando ajuda as outras pessoas (sei lá, ele gosta muito de fazer isso).

— Tudo bem? – eu pergunto. – Me assustei quando ouvi o som de alguém batendo no armário... Elas te machucaram?

A garota negou com a cabeça.

Ela se vestia como as outras, com roupas descoladas, mas havia algo em seu rosto (algo bem patético) que me dava a impressão de estar falando com uma garota completamente perdida. Talvez fossem os olhos caídos.

— Tenho que ir para a biblioteca... Obrigada de novo – ela diz.

Eu confirmo com a cabeça e assisto caminhar pelo corredor vazio, de ombros recolhidos e cabeça baixa. Como se ainda estivesse muito tensa.

— Ei! – eu a chamo. Ela para e me olha. – Se você não quer fazer alguma coisa... Simplesmente não faça. Ninguém devia ser obrigado a nada.

Ela mostra um sorriso mínimo.

— Obrigada — Ela diz. – Você é legal.

Então se vira e continua seu caminho até a biblioteca.

Volto ao meu banco e volto a ler o meu livro, mas continuo me perguntando o que diabos aquelas garotas queriam que ela fizesse. Não parecia ser coisa que tinha a ver com a escola, tipo um trabalho. Quando dou por mim, já estou pensando nas piores coisas possíveis: vender drogas, por exemplo.

...

Como não tenho a última aula (algo a ver com uma pequena explosão no laboratório de Química) resolvo aparecer de surpresa na casa de Quentin.

A mãe dele parece feliz de me ver e me cumprimenta como se eu não houvesse feito o Quentin entrar numa briga. Mesmo ele dizendo que não era (exatamente) só culpa minha, e sim do Josh ser um completo babaca, ainda me sentia como Helena de Tróia – só que de um jeito menos romântico e menos bonita... E por um motivo mais estúpido (não que brigar por uma mulher bonita não seja estúpido o suficiente).

— Quentin está lá no quarto dele – ela avisa gentilmente.

Eu agradeço e subo as escadas até o quarto de Quentin.

Quando eu chego, ele está com seus óculos no melhor estilo “olha como eu sou um nerd quatro-olhos gostoso”, jogado na sua cama, lendo o que parecia ser uma bíblia. Por um instante me pergunto se ele está para virar pastor quando eu percebo que, na verdade, se trata do roteiro da peça de teatro.

Nunca vi ninguém que se doe tanto a alguma coisa, quanto Quentin.

Ele era tão focado, que eu ficava admirada. E me sentia uma inútil. Talvez eu devesse começar a aprender alguma coisa. Só para ficar um pouco mais no nível dele.

— Letty! – ele diz, muito feliz, sentando-se na cama no instante em que eu abro a porta. – O que você está fazendo aqui?

Eu pisco, aturdida.

— Ué... – Eu digo, tentando parecer confusa e olhando ao redor do seu quarto. – Eu estava no colégio, me perdi e acho que acabei vindo parar no seu quarto. Que estranho! Será um sinal?!

Quentin acha graça e faz aquele lance com os lábios que apenas o deixa ainda mais sexy. Sei lá, é um lance de morder o lábio inferior como se para controlar o próprio riso. É incrivelmente tentador se ele ainda está na sua cama e com os óculos. Eu quase fico sem ar e tenho que me lembrar de fechar a porta.

— Estou atrapalhando? – eu pergunto.

— Você nunca atrapalha – ele responde, levantando-se e me dando um beijo demorado e delicado. Se afastando, ele pergunta: – Como você está? Como está a escola? Nossa, como eu estava com saudades... Acho que vou enlouquecer se não sair daqui.

Sua agitação é fofa. Como uma criança com abstinência de doce.

— Eu estou bem, na medida do possível, a escola é um lixo e nossa, eu estava com saudades também – eu respondo, o abraçando e enterrando meu rosto em seu peito.

O perfume que Quentin usa, seja lá qual for, é sexy e forte. Daqueles que nublam seus pensamentos. Ele me abraça de volta e passamos um bom tempo abraçados. Até que ele me carrega, de repente, e me joga na cama dele. Fico sem ar por um momento, e por mais outro, quando sua boca cobre a minha em um beijo sedento.

Sinto sua mão em minha cintura, enquanto seus lábios escorregam pelo meu rosto, em direção à minha orelha.

— Sabe o que mais eu senti saudades? – Ele murmura em meu ouvido, mordiscando o lóbulo de minha orelha.

Um arrepio agradável percorre a minha espinha enquanto sinto sua respiração pesada em meu pescoço e sua boca quente em minha pele. Tento provocar negando com a cabeça, apesar de ter uma ideia do que seria. Consigo sentir sua tensão enquanto seu corpo está colado ao meu. Uma parede quente e rija, acolhedora e aconchegante.

Sua mão sobe por debaixo da minha blusa, enquanto ele beija meu pescoço.

Entre as pernas, estou quente e latejando. O que me deixa, ao mesmo tempo, um tanto constrangida e surpresa. Parece errado sentir tanta vontade.

— Vou precisar mostrar? – Ele pergunta, provocando-me.

Esqueço como se respira.

Minha respiração fica tão pesada e meu coração está batendo com tanta força, que penso que vou ter um ataque bem ali. Não consigo pensar numa resposta, enquanto sinto suas mãos nos meus seios. Apertando-os sobre o sutiã e seus lábios em minha clavícula, mordiscando, beijando, provocando.

Subo minhas mãos por seus braços, enquanto mordo o lábio para não gemer como eu quero. Parece cedo demais para gemido e suspiros, não quero que ele pense que eu sou uma desesperada. Mas talvez eu seja um pouco desesperada por ele.

Ele tira a minha roupa e eu tiro a sua, enquanto nos beijamos, nos tocamos e nos conhecemos. Ainda fico um pouco constrangida. Querendo ou não, é estranho ficar nua na frente de alguém. Mas há algo no olhar de Quentin (naqueles belos olhos claros, tão fixos em mim) que fazem com que me sinta um pouco bonita, algo no modo como me toca e me beija, que aos poucos diminui esse constrangimento. Quase como se ele me aceitasse como sou.

É uma sensação estranha. Uma sensação que nunca senti. É libertadora.

Entrego-me ao momento, beijando-o também, instigando, mordiscando seus lábios. Levo uma de minhas mãos ao seu membro e acaricio-o, fazendo-o soltar um gemido contra os meus lábios e sorrir, aprovando o contato. Por um momento sinto-me poderosa por causar aquela excitação, aquela vontade em alguém como Quentin.

— Você vê o que faz comigo? – ele murmurou no meu ouvido, soltando um suspiro.

Mordo o lábio inferior, sem saber o que responder.

Ele me beija, suavemente, enquanto pega uma camisinha no criado-mudo ao lado da sua cama, mas antes que ele a coloque, eu pego da sua mão e coloco eu mesma. Olhando nos seus olhos com um sorriso que espero (de verdade) ser bem excitante. Quero que ele sinta a mesma coisa que estou sentido. Uma espécie de cumplicidade, misturada com muito desejo.

Acho que dá certo porque ele mal consegue respirar.

Ele se senta na cama e então me puxa para o seu colo. Para que eu me encaixe nele e ele me penetra lentamente. Fecho os olhos enquanto sinto uma sensação maravilhosa dele me preenchendo, não percebo que estou segurando a respiração até soltar um suspiro e enfiar as unhas em seus ombros quando aquele arrepio sobe pela minha espinha.

Consigo sentir seu olhar no meu rosto, enquanto ele respira pesadamente em meu rosto. E ele faz questão de me olhar enquanto me toca, enquanto me penetra encontrando um ritmo agradável para ambos, enquanto seus lábios estão perto do meu ouvido e ele geme e sussurra dizendo o quanto me acha bonita.

Suas mãos estão por todo o meu corpo, me tocando, apertando, acariciando.

Sentir seus braços ao redor de mim é confortante, quente e excitante. Nós vamos tomando um ritmo mais agitado quanto mais perto chegamos do clímax. E quando gozamos, simplesmente não queremos parar. Continuamos nos tocando, e nos comunicando por meio de suspiros e gemidos. Sem precisarmos, necessariamente, de palavras. Parecia que bastava olhar nos olhos um do outro, para nos entendermos.

Foi a experiência mais estranha de toda a minha vida.

E talvez a melhor delas.

— Você sentiu isso também? – Eu murmuro em seu ouvido, enquanto o sinto passar a mão pelas minhas costas, traçando a linha da coluna até a nuca e então descendo.

Ele ergue uma sobrancelha, com aquele olhar tentador. E deu um meio sorriso.

— Senti – ele murmura de volta.

— Tem nome para isso? – pergunto esfregando o rosto em seu peito.

Não quero que ele veja o meu rosto, por algum motivo.

— Algumas coisas não precisam de nomes – ele responde divertido. – Há coisas que não precisam de um rótulo. Só precisam ser sentidas.

Eu solto uma risada contra a minha vontade.

— Nossa, você não seria você sem suas frases de efeito – comento divertida.

Quentin e ri também porque ele sabe que é verdade.

— Ok, talvez eu goste de ser exibido – ele responde, derrotado, enquanto me aperta com um pouco mais de força contra si.