Nosso Nome Na Lista.

3 Capítulo 3 - Seu Corpo Nu... Com Nutela.


Notas iniciais
Essa piada de corpo nu com Nutella é o lance de duas amigas minhas (uma delas é louca por Nutella, eu já não acho tão bom assim xP). ............................. Oi, estou postando um capítulo agora porque me deu saudades dessa história e resolvi continuar escrevendo... Desculpem por ser tão inconstante com as minhas histórias - principalmente com esta aqui - mas é que depois que o Nyah entrou em manutenção eu estou com a cabeça cheia de coisas... Tem muitas coisas que eu quero escrever e não estou conseguindo. Então... Peço pela paciencia de vocês... Beijos, EUQOPÉ-ELLE3 Agradeço aos reviews de: > Leth > MaruShi > Leticia Di Angelo > Stefany_Zanoni > Nair Teddy Bear > allinegmar > aniix

Capítulo Três – Seu corpo nu... Com Nutella!

Eu fingi que estava tudo bem.

Sinceramente, isso se tornava fácil depois de um tempo. A princípio, lembro-me de ser quase impossível. No entanto, eu não fazia isso pela minha mãe (depois que eu fui hospitalizada, decidi não fazer mais nada por ela), fiz isso pelo meu padrasto e por Ellen. Pelo incrível que pareça, os dois eram bons de mais para aquela mulher.

Ela era uma garota doce e gentil, muito simpática, apesar das notas baixas. Enquanto ele era aquele tipo de homem que demonstrava o seu afeto através do dinheiro, todavia, eu sabia que ele se tratava de um bom homem... Apesar da falta de tempo.

– Como foi sua conversa com a psicóloga, Letty? – ele me perguntara durante o jantar, uma das poucas horas em que eu podia vê-lo. – Foi boa?

Eu suspirei e sorri. Seu tom de voz era macio e gentil. Ele não perguntara para me humilhar ou para me deixar desconfortável (ainda mais porque estávamos em um jantar de família), mas porque realmente se importava.

– Foi... Relaxante – eu confessei. – Foi como conversar com uma amiga.

Ele sorriu com satisfação, mas minha mãe ignorou a conversa e falou algo sobre a rejeição dos cartões de crédito que ele lhe dera. Aparentemente, ela estourara os limites... outra vez.

– E como foi o seu primeiro dia de aula? – ele voltou a perguntar, ignorando um pouco a minha mãe. – As pessoas foram legais com você?

Eu concordei com a cabeça e sorri.

Claro que não havia sido nada extraordinário. As pessoas sempre me olhavam com receio porque eu era do tipo que respondia às provocações, mas agora só mudara o motivo pelo qual elas me olhavam e fofocavam. Porém, eu pensei nas minhas amigas e em Quentin... De fato, houve pessoas muito legais.

Creio que o meu segundo dia de aula tenha sido melhor que o primeiro. As pessoas ainda me encaravam e cochichavam (acho que eu sabia o motivo), mas, como eu disse, foi fácil fingir não me importar. Deus abençoe quem inventou os fones de ouvidos. Graças a eles eu não enlouqueci enquanto eu esperava as minhas amigas na escadaria principal.

De repente, uma mão tocou no meu ombro.

Ergui o olhar do meu caderno e encontrei... Duncan.

Sinceramente, naquele momento eu esperava que fosse até o Orlando Bloom, mas não ele.

– Oi... – ele me cumprimentou aparentando desconforto.

– E aí? – eu o cumprimentei com frieza.

Será que o “chega para lá” que eu dei nele ontem não foi o suficiente? Olhei rapidamente sobre o seu ombro e vi seus amiguinhos me encarando. Ou melhor, as garotas me encarando. Geralmente, elas eram mais fofoqueiras quando o assunto era “abalar a hierarquia”. No entanto, não havia nada além de desdém e curiosidade em seus olhares.

Maldosa foi Yvonne que, para me provocar, fez um gesto de quem força o vômito.

Cruzei os braços, aborrecida e olhei para o garoto à minha frente.

– Escuta... Sobre ontem... Você tem razão. Eu não tenho o que me meter na sua vida – ele admitiu, pondo as mãos nos bolsos. – Mas... Sabe Letty... Eu gosto muito de você e não gostei do que andei ouvindo ontem. Então, se você precisar de alguém para ouvir os seus pensamentos suicidas... Procure-me antes.

Mordi o lábio inferior, na tentativa de reprimir uma risada de incredulidade. Eu queria, muito, rir da sua cara, mas eu ao menos pensava nos seus sentimentos. Diferente dele.

– Nossa... Obrigada pela sua preocupação, Sr. Wade – Meu sarcasmo, no entanto, foi inevitável e implacável. – Quando eu precisar de alguém para ouvir os meus “pensamentos suicidas”, você será o primeiro. Afinal, você sempre fez isso, não é?

Ah, tá. Claro que eu ia procurar o meu ex-namorado para falar sobre os “impulsos suicidas” que eu não tenho. O que será que estão dizendo às pessoas sobre mim? Que eu havia tentado me matar? E pior, por que justo ele estava se oferecendo para me ouvir? Até onde eu sabia, ele era bom para falar, mas não em ouvir.

Sempre que era para falar dos seus problemas, eu estava lá, mas quando os assuntos eram os meus ele preferia fingir que não existiam. Ah, ele que fosse para a puta que o pariu! Esse garotinho deveria viver debaixo da saia da mamãe para sempre!

– Não entendi o seu sarcasmo – ele disse franzindo o cenho.

– Bem, então vou tentar simplificar para você... Eu não tentei me matar, mas, claro, você nem se preocupou em perguntar o que aconteceu e foi na onda da fofoca. Segundo... Meus problemas já não são mais da sua conta. Aliás, nunca foram. Mesmo assim, obrigada.

Encerrei a conversa e me levantei da escada. Indo para o meu armário.

Abri a porta para deixar alguns livros enquanto amaldiçoava aquela peste até a sua décima quinta geração com palavrões que talvez nem existissem. Quem ele achava que era para falar daquele jeito comigo? Até mesmo minhas amigas, que não fizeram muita coisa além de me visitar no hospital, fizeram mais do que ele!

– Cretino filho da puta! Ele realmente acha que, se eu não conversar com ele, eu vou acabar me suicidando? Quem ele pensa que é para achar que eu iria me suicidar?! – exclamava para mim mesma, jogando meu material lá dentro.

Quando a fechei, dei um pulo de susto.

Encostado no armário ao lado estava Quentin McCullogh. Ele me observava com curiosidade, com aquele perigoso olhar que, como Olivia Philips dissera, parecia dizer: “quero-te nua na minha cama”. E, o que tornava tudo pior, era que eu achava que ele havia me ouvido reclamar da criatura de iniciais D.W.

Dei um pigarro.

– Oi – o cumprimentei desafiadoramente. – Apreciando o meu monólogo?

Ele mordeu o lábio para reprimir um meio sorriso.

– Acho que você deveria publicar um livro com isso. “Monólogos de uma Suicida” – ele brincou. E então gesticulou para o lugar de onde eu vim. — Os leões estavam te encurralando? Tipo, os populares encurralando a garota “diferente”?

Olhei para onde ele gesticulava e encontrei Wade e o seu grupinho. Ele me lançava um olhar meio ressentido agora. É menino, aprenda que quem fala o que quer, ouve o que não quer. Será que ele já se esqueceu do motivo pelo qual nós terminamos? Lembro-me de ter gritado expressamente durante uma briga: “você não se importa com os meus sentimentos!”.

E agora ele queria voltar atrás...

Mesmo assim eu ri da colocação feita por Quentin. Que visão romântica.

– Não. Aqui nós não temos esse lance de panelinha, sabe? Nosso único meio de segregação é “A Lista”... Mas não se preocupe. Você começou muito bem.

Ele ergueu uma sobrancelha. Juro que tentei ignorar o como ele ficava sexy com aquela expressão inquisitiva, mesmo assim, fiquei com a respiração suspensa. É impressão minha ou ficou quente de repente? Agora eu, sem dúvida, entendia Olivia.

– O que é “A Lista”? – ele perguntou.

Meu queixo quase caiu. Ele não sabia?

– Você não sabe?! Ninguém te contou da lista?! – Ele negou com a cabeça, todavia, estava curioso. – Meu Deus, como você viveu aqui sem saber dela... Olha, “A Lista” trata-se de um papel onde estão listadas “As 5 Pessoas mais Quentes” da escola. Ela fica no banheiro feminino, mas toda a escola sabe quem a aparece nela.

Puxei o meu celular, onde uma foto dela fora me enviada via SMS por Olivia e lhe mostrei. Ele pareceu incrivelmente surpreso, dando uma analisada nela como se não acreditasse naquilo.

– Parabéns, você é um recordista! Apareceu três semanas seguidas em 1º lugar!

Ele abriu levemente os lábios com um sorriso surpreso e, ao mesmo tempo, assustado. Ele me devolveu o meu celular parecendo maravilhado, mas ao mesmo tempo, confuso.

– Nossa... Eu não tinha ideia da minha “seduzência” – ele brincou mexendo as sobrancelhas. – Isso explica o porquê muitas pessoas puxavam assuntos comigo...

Eu concordei com a cabeça.

– Quando alguém aparece no lado “quente” as pessoas ficam curiosas e acabam querendo saber o porquê – eu lhe expliquei. – Imagine como deve ser para alguém com três semanas seguidas.

Ele passou a mão pelos cabelos, bagunçando-os ainda mais. Havia um sorriso divertido e meio constrangido brincando naqueles seus lábios róseos e definidos. Se eu não o houvesse conhecido só ontem, arriscaria dizer que estava fazendo charminho.

– E você se aproximou de mim na aula de “literatura estrangeira” por curiosidade também? – perguntou, aproximando-se um pouco mais de mim.

Eu desviei o olhar. Ele estava flertando comigo ou era impressão minha?

– Eu nem sabia quem era você na minha sala de aula – eu respondi. – Não sei se você percebeu, mas eram poucas as pessoas que tiraram a sua mochila do lugar ao seu lado. A maioria colocou-as para não me ter como parceira.

Ele sorriu.

– É eu percebi. Meio idiotas elas, sabe? Perderam uma parceira muito legal.

Eu dei de ombros. Sim, eu sabia. Três beijos para o recalque.

– Na verdade... Ontem eu queria te pedir uma coisa... Mas não soube como – ele confessou.

Ah, querido... Não precisa dizer nada! Seus olhos já dizem tudo: “quero-te nua na minha cama” e eu pergunto: onde e quando? De repente, dei-me conta do que eu pensei e briguei comigo mesma. O que estou fazendo? Conheci o garoto ontem e já ignoro o meu medo de intimidade e já quero o seu (belo) corpo nu?

Que carência é essa?

Eu limpei a garganta.

– Pode pedir... Desde que não seja nada absurdo... Prometo pensar com carinho.

Ele me lançou um sorriso tenso, mas antes que ele dissesse algo... As minhas amigas chegaram e se meteram na nossa conversa. Ambas estavam muito agitadas e animadas. Nem parecendo que era manhã e que gostaríamos de dormir até um pouco mais tarde. Merda. Tinham que chegar justo agora?

– Oi, Letty. Oi, McCullogh – elas nos cumprimentaram.

O sorriso dele sumiu um pouco e ele as cumprimentou com um aceno com a cabeça. Pareceu meio frio, mas acho que ele ficou sentido por ser interrompido também. Mordi o lábio e fingi não perceber.

– Oi garotas... Vocês demoraram – eu acusei.

Olivia deu um suspiro cansado.

– Um carro maldito quase me bateu – ela comentou com drama.

– Ela trocou de pista sem acionar o pisca-pisca! – Paloma acusou.

– Você quer passar a vir a pé para o colégio? – a motorista ameaçou.

Eu ri, mas Quentin permaneceu meio quieto. Acho que vi o seu olhar em mim, o que me fez ficar um pouco vermelha. Ele não devia estar me olhando... O que eu teria de interessante?

– Eu... Acho melhor eu ir – ele desconversou. – Fiquei de falar com algumas pessoas antes da aula começar. Sabe como é esse lance de popularidade...

Eu ri, percebendo que ele entendera o lance da lista.

Eu concordei com a cabeça e ele começou a se afastar, mas... Espera! Ele tinha algo para me dizer! Não tinha?

– Quentin o que você tinha para me dizer? – perguntei, antes que ele fosse de fato.

Ele deu de ombros e disse:

– Você pode almoçar comigo hoje?

Sua pergunta me pegou desprevenida, fazendo o meu coração dar um pulo olímpico no peito. Sem que eu percebesse, estava ficando um pouco vermelha. Ai sua lesa! Ele pediu para almoçar com você, não te pediu em casamento! Responda alguma coisa!

– Er... Claro! – concordei. Merda. Estava animada demais. Tentei corrigir, dizendo com indiferença: — Vemo-nos no horário de almoço, então.

Ele deu um mínimo sorriso de satisfação e se virou para ir. Sem perceber, eu estava sorrindo também. De repente, eu havia até me esquecido das duas garotas ao meu lado. Porém, os seus gemidos maliciosos chamaram a minha atenção:

– Hmmmmm...

Virei-me para ambas e as encontrei com malícia e curiosidade. Novamente, meu rosto ficou vermelho. Será que estava tão na cara que eu o achava muito bonito e diferente de todos os garotos que já conversaram comigo?

– O que foi? – perguntei com inocência.

– Você voltou ontem... E ele já quer o seu corpo nu – Olivia disse com malícia.

–... E com Nutella – completou Paloma.

Eu ri sem graça. Só essas duas doidas para inventarem esse tipo de coisa. Passei meus braços pelos seus ombros e disse para desviar o foco do assunto:

– Vamos para a nossa aula? Até onde eu sei, ninguém quer o corpo de ninguém ainda – pedi.

Quer dizer, mentira. Eu queria o corpo dele... Ah, mas quem não queria? O cara era tão bonito que eu esperava que ele realmente desse em cima de mim, mas creio que isso não fosse acontecer. O que ele veria em alguém como... Bem... Como eu, quando ele tinha coisa muito melhor dando sopa?

Ele tinha, pelo menos, todas as garotas do colégio em seu pé. Não tem porque me escolher, não é? Não que era a “garota bulimica” ou, aparentemente de acordo com algumas pessoas, “suicida”. Agora eu me lembrava de o porquê um garoto que aparecia no lado verde da lista (o lado das pessoas mais quentes do colégio), não deveria se misturar com alguém do outro lado.

Não era como se eu aparecesse do “outro lado” da lista com frequência, mas, às vezes, quando eu acertava um filho da mãe no nariz ou mandava as pessoas “quentes” irem tomar naquele lugar, era um destino inevitável.