Nosso Nome Na Lista.

55 Capítulo 55 – Um Iceberg.


Notas iniciais
Gente, desculpem, sumi de novo -.-' Mas prometo que nunca mais sumo por 3 meses, ta? =D Tentei responder aos reviews de vocês, mas a minha internet ta taaaao lenta (lol quem diga ¬ ¬') que não consegui enviar as respostas .-. Tentei o capitulo também e falhou 2 vezes. Vou tentar deixar agendado e vamos ver se da certo :/ Obrigada: > queen bee > Sheila Rayane > Fisk > LISB > Clausmorgado > Delicate > Elly Kushima > Matry-chan > Haruka Meiko > KK > Slipcom > Elidabfr > QUEEN > Lara > Mente Bugada > allinegmar > Nathy Santana > Mariola (seu computador bugou muito porque apareceu muitas msgs suas! KKKK) > brandi > Karry > Júlia Carstairs > Miss Herondale > Iderlane Querioz > Danny > Cleozinha > Palominha > Stefane Mayana > daphine > Sua mãe > sra. hunter MUITO OBRIGADA POR ME APOIAREM E COMENTAREM. PROMETO QUE VOU RESPONDER!!

Capítulo 55 – Um Iceberg.

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O apartamento para qual nós nos mudamos era tão modesto que não acreditei que meus pais estivessem alugando um lugar tão pequeno. Ainda assim, de algum modo, era aconchegante, mesmo com seus móveis modernos e estranhos... E a falta da minha cama “desde sempre”. Algo que fosse “meu”.

– Walter vai devolvê-la assim que... assinarmos o divórcio – ela disse a última sentença como se doesse alguma coisa.

– Você poderia contar para ele que está doente. Duvido que ele ainda fosse querer o divórcio – eu retruquei, sem conseguir conter.

Minha mãe era mestra em criar dificuldades, e essa característica dela sempre me irritou um pouco. Esse drama de novela mexicana que nem todos (eu sei que eu não) suportam a tornavam difícil de aturar às vezes. Ela não contara a Walter sobre sua doença. Se tivesse contado, duvido que ele quisesse se divorciar.

Ela não queria que ele ficasse com ela por pena ou ela achava que isso não mudaria a imagem que Walter tinha dela: que ela era uma pessoa horrível. Ela mentira para ele (e para todo mundo) sobre o meu pai.

Todavia, ela não respondeu, saiu do meu novo quarto e foi para o seu, descansar. Apesar de mais abatida, minha mãe ainda era minha mãe. A mulher dramática, quase cenográfica; a mulher que não queria que todos soubessem pelo que passava.

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Meu pai voltou pra Alemanha no dia seguinte.

Quando o deixei no Aeroporto, ele me pediu para que eu tivesse paciência. Disse-me que, se ficasse muito difícil para mim, me lembrasse de que ela era minha mãe. Como se o fato dela ser minha progenitora fosse apagar anos de raiva. Seria mentira dizer que ainda não a tenho borbulhando dentro de mim.

Ao voltarmos do aeroporto, minha mãe e eu nos olhamos como dois diplomatas. Duas pessoas estranhas que teriam que estabelecer um tratado de paz, mas sem se confiarem mutuamente, em nome do bem comum. Éramos, de fato, duas estranhas (sem nenhum vínculo forte) que teriam de dividir o mesmo espaço. Dessa vez, limitado.

Antes de ir, Micha contratou uma enfermeira para ficar de olho na minha mãe enquanto ela ficava sozinha em casa... O ruim foi que agora eu era obrigada a frequentar uma escola hostil e sem Quentin por três dias. Eu já havia pensado em pegar uma dispensa das aulas com a desculpa “preciso cuidar da minha mãe doente”, mas meu pai, com suas boas intensões, conseguiu frustrar meu plano.

Seriam os três dias mais longos de toda a minha vida.

Por um lado, o pessoal achar que sou lésbica, ou bi, me fez sentir pena das pessoas que realmente têm essa preferência. A quantidade de convites para ménage que eu já recebi era quase indecente – óbvio que eles estavam me zoando... Não estavam?

– Não se importe, Letty – Paloma sugeriu dando um tapinha amigo no meu ombro. – Eles não sabem de nada.

– De fato, eles não sabem de nada. Por isso deviam ficar calados – Olivia disse, parecendo mais irritada do que eu mesma. Perguntei-me se novamente a onda de atenção para algo ruim, tendo como alvo o nosso grupo, a irritava.

Resposta: claro que sim. Ainda era Olívia.

Depois, perguntei-me até quando eu poderia suportar ficar “sem me importar”? Até quando conseguiria fingir que não estou ouvindo toda minha vida ser difamada desse jeito? Meu sangue já estava fervendo em minhas veias, com a vontade de gritar para todos eles se calarem e cuidarem de suas vidas.

Sentarmos na lanchonete do colégio era uma tortura. Eu preferiria ter enfiado agulhas nos meus olhos, a ficar ali, mas, infelizmente, estava chovendo (para melhorar tudo!) e não havia outro lugar. Se eu pudesse ter ao menos uma mensagem de Quentin, talvez eu me sentisse um pouco melhor, mas nem isso eu podia.

O jeito seria visitá-lo mais tarde. Na casa dele.

Um arrepio percorreu o meu corpo só de pensar que, em todas as vezes que eu fui para lá, coisas aconteceram. Coisas boas, coisas constrangedoras... Coisas que talvez pudessem ter animado um pouco mais o meu dia, se um pedaço de papel não tivesse voado para dentro da minha bandeja.

Franzi o cenho e olhei ao redor, antes de pegá-lo. Ia desdobrar quando Paloma segurou a minha mão e puxou o papel. Seus olhos observavam a mesa do lado, que ria e cochichava de nós. Jogando o papel por sobre o ombro, ela disse:

– É só ignorar. Somos melhores que eles.

Apertei os lábios, mesmo assim, a comida fazia meu estômago se revirar.

Fazia um tempo que eu não conseguia comer mais nada. Fico enjoada só de olhar para o meu prato, logo, empurro-o para longe e enterro a cabeça entre os braços cruzados. Respiro fundo. Tento fingir que estou em outro lugar, mas não consigo. Os cochichos parecem muito altos, quase como se ditos em meu ouvido.

Paloma me observou em silêncio, muito preocupada, enquanto Olívia estava perdida na própria raiva. Acho que ela não sabia a quem culpar por tudo isso: a si mesma, a mim ou a nós. Não gostava da situação, mas também não queria nos dar as costas.

– Letty – alguém me chamou.

Ergo a cabeça, apesar de não querer, e encontro Duncan, parecendo tenso e desconfortável, como se não soubesse como me dizer algo desagradável. Eu espero, e penso que nada que ele diga vai piorar ainda mais as coisas.

– Você tá bem? – ele pergunta, franzindo o cenho.

– Pareço bem para você? – respondo com acidez e reviro os olhos.

Duncan se encolhe como se eu tivesse o atacado. Talvez eu tenha.

– Desculpa.... É obvio que não estou bem – peço, um pouco sem graça.

– Óbvio – ele concordou. Ficou um minuto em silêncio e disse: — Fiquei sabendo da... sua mãe... Sinto muito.

Um arrepio desliza pela minha espinha, fazendo-me paralisar e estremecer. Devagar, ergui o olhar até Duncan e me perguntei como ele ficara sabendo. Como se lesse a pergunta em minha expressão ele disse:

– Minha avó vai a mesma clínica. Ela reconheceu vocês.

Luto para respirar normalmente. Luto para parecer normal.

O que eu menos preciso nesse momento é dar mais uma arma para as pessoas desse colégio. Observo ao redor, ninguém parece perceber o assunto, mas está todo mundo observado. O cara popular demonstrando consideração pela mais nova vadialésbica-do-menàge do colégio.

– Não há nada o que sentir – eu respondo, voltando-me para frente. Então acrescento: – Só não espalha, tá?

– Eu... Eu nunca... – ele fica sem graça, talvez ultrajado, por eu achar que ele poderia sair espalhando essas coisas.

Nunca se sabe. Nunca se sabe o que esperar dessas pessoas tão “populares”.

– É melhor você ir antes que falem de você também – é tudo o que eu digo.

Duncan fica perplexo. Consigo ver pelo modo com que ele demora a ir embora, mas quando ele vai, só demonstra que ele tem ideia do lugar dele nesse colégio e que eu sei do meu. Tudo parece estranho. Por um momento me pergunto o que Quentin pensaria se me visse agindo assim... todavia, ele não pensaria nada, pois não estava ali. Por três longos dias, ele não estaria ali.

Era eu contra esse maldito colégio, tudo de novo.

Como era antes das férias. Como era quando eu voltei delas...

– Clinica? – Olivia perguntou, como se não entendesse.

Eu não respondo nada.

De repente o ambiente fica muito pesado. O ar fica rarefeito, as paredes parecem estar se fechando sobre mim como uma jaula medonha que me impede de voar para longe. Preciso de espaço. Preciso de um tempo de todo aquele lugar. Sempre fora assim tão insuportável permanecer ali dentro?

Levanto-me da mesa, observo o meu prato intocado e digo:

– Vou dar uma volta. A gente se vê na aula.

Por trinta minutos, caminhei sem rumo pelos corredores. Procurando o que fazer, com o que me distrair, mas não conseguindo. Até que me sentei num dos degraus da escada e peguei o meu celular. Era certo que Quentin estava de castigo (provavelmente, sem o celular), mas isso não significava que ele não ia – um dia – ver as mensagens que eu mandei pelo Whatsapp.

“As pessoas sempre foram cruéis assim, Q? Não consigo respirar aqui dentro. Sinto como se a pior parte da minha vida estivesse exposta pra essas pessoas e quase penso que mereço esse julgamento. Como sinto sua falta :’( Parece que tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.“.

Paro e penso um pouco antes de apagar.

Que ridículo. Pareço desesperada.

“A escola é uma merda sem você. Sdds ;’(“.

Antes de enviar, penso mais um pouco. E quando decido que parece aceitável, suspiro um pouco mais aliviada, mas não completamente. Abraço minhas pernas e fico ali, sentada, esperando o sinal tocar logo. Mas de uma maneira irritante, o tempo demora a passar. E algo me dizia que iria ser assim por aqueles três dias.

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O único momento que eu tive para falar com o Quentin depois da escola foi enquanto o acompanhava até o teatro. Ele não pareceu ter recebido minha mensagem (devia estar sem celular mesmo), e o caminho foi tenso, pois, apesar de eu querer muito estar com Quentin, eu não estava com muita vontade de conversar. Ele tentou fazer algumas brincadeiras, mas o resultado foi o mesmo: meu silêncio.

Quando enfim desistiu e ficamos quietos, eu queria me bater por ser tão chata. Não entendo essa vontade nova de querer estar com ele e, ao mesmo tempo, ficar sozinha... Então, não era como se a culpa dessa confusão sentimental fosse dele.

– Isso é pela lista? – ele não desiste e pergunta muito preocupado. – Se for, achei que você não estivesse nem aí pra isso. Nem aquilo, ou os outros, importam, certo?

– Se você já teve a escola toda zoando de você, Q., deveria saber que importa sim – eu respondi, tentando calcular quanto tempo faltava até o teatro e como ele poderia ser melhor aproveitado. – Mas essa é só a ponta do iceberg.

E o silêncio novamente.

Letty, você é uma puta rabugenta, digo pra mim mesma.

– Você não quer me apresentar ao iceberg todo de uma vez? – ele perguntou suavemente. – Tudo o que eu menos quero é te ver afundar como o Titanic.

Quando me atrevo a olhar para ele, me arrependo disso.

A realidade de que Quentin é bonito e perfeito demais para mim me atinge como um soco e quase chega a doer. Ele me observa com o cenho franzido, esperando eu responder ao pedido, todavia, não consigo. Não consigo falar para ninguém sobre o que está acontecendo com a minha família. Parece errado, muito sério... Para ser exposto.

– Essa foi uma ótima analogia – eu disse forçando um sorriso.

De fato, eu me sentia afundando.

– Foi né? – ele retrucou com um sorriso de canto.

Dou de ombros, pensando o como o seu sorriso é tão bonito que chega a machucar. Como minha reação é fria, ele envolve meus ombros com um de seus braços e me beija a testa. Um arrepio percorre minha espinha e, de repente gostaria de poder fugir com ele naquele instante. Para qualquer lugar longe dali.

– Você precisa mesmo ir para o seu ensaio, né? – eu pergunto sem nem perceber.

Parece que ficou só na minha cabeça, mas percebo que não quando Quentin para e me observa como se quisesse entender o sentido da minha pergunta.

De repente, a ideia me parece idiota e egoísta. Nós dois temos uma vida tumultuada para lidar. Ele tem que lidar com o pakour, o teatro e agora a mãe que está puta com ele... Enquanto eu tenho que cuidar da minha progenitora estranha e carente... sozinha. Por que meu pai voltou pra família dele.

– Por quê? – ele pergunta cheio de curiosidade.

Obviamente, recuo.

– Nada. Só estava pensando... Que você ia acabar subindo pelas paredes se não tivesse nada para fazer – eu respondo tentando forçar um riso.

Um brilho de safadeza reluz em seus olhos claros e ele sussurra no meu ouvido:

– Se eu não tivesse que ir pro ensaio, eu teria mais tempo para ficar contigo... Ai eu teria outro motivo para subir pelas paredes.

Novamente, um arrepio percorre a minha espinha, mas, então, chegamos ao teatro... E tivemos que nos separar. Antes de me soltar, ele me beija nos lábios. Novamente sinto a necessidade de fugir com ele para qualquer outro lugar. Outro lugar onde possamos ficar nos beijando e juntos para sempre.

Quando ele se afasta depois do beijo, continuo com os olhos fechados, tentando bem aproveitar a magia dos beijos dele. Sinto-me flutuando, só um pouco.

– Bora – ele diz do nada, fazendo-me abrir os olhos.

Quentin sorri antes de agarrar o meu braço e começar a andar pela rua. Arrastando-me com ele.

– Mas e o teatro? – pergunto confusa.

– Pode ficar pra depois.

– E o seu castigo?

– Dona Christine não precisa saber – ele responde, dando uma piscadela cúmplice.

– Bem... – Eu respiro fundo. Isso parecia errado e certo. – Para onde vamos?

– Vamos dar uma volta – ele responde com simplicidade.

Franzo o cenho, tentando desvendar sua resposta como se fosse um enigma. Sei que, com Quentin, nada é simples. Mesmo assim, eu o sigo.

Estou com Quentin afinal.

Notas finais
PREVIEW: "Eu acabo rindo e isso é mais fácil do que deveria ser. Quase me sinto culpada. - Agora sim! Um progresso! – Quentin exclama, jogando as mãos para o céu. Dramático. Eu reviro os olhos e lhe dou um tapa no peito, quase quebrando minha mão no processo. Ele ri e me beija, apertando-me tanto contra si, que parece querer me fundir ao corpo dele. A ideia não é má. Agrada-me lembrar das vezes em que isso quase pareceu fisicamente possível. - Obrigada – eu digo em seu ouvido."