Nosso Nome Na Lista.

29 Capítulo 29 – Veneno.


Notas iniciais
Oláaaaa Gente, capítulo novo :D Espero que gostem =) Agradeço aos reviews de: > Bruna > Elizabeth > Laladhu > Born to Die > Vamp > Tasha Reis > Sheila Rayane > katp > Lanny Puckett > Gabrielle Chase Jackson > Delicate > Senhorita Foxface > LuuhRocha > Frailty > Mary Jean > Sara Gabriely > Mine Bisou

Capítulo 29 – Veneno.

Pode parecer ridículo, mas uma coisa era mamãe arruinar a minha vida, outra coisa era ela arruinar a vida de uma garota boa e que nem era filha dela, como no caso de Ellen, só por um capricho idiota.

– Então, você vai voltar para casa... – Helena concluiu surpresa, enquanto me observava arrumar minhas coisas temporárias do seu quarto. -... Por Ellen.

Assenti com a cabeça, enfiando minhas roupas na “mala”.

– Bem, você teria que voltar alguma hora... – ela disse, enquanto terminava de se arrumar para o ensaio. – Mas eu esperava que fosse por um motivo mais egoísta do que “voltar para proteger minha meia-irmãzinha”.

Coloquei a mochila nas costas e fitei para a minha amiga. Ela parecia preocupada mesmo, o que era estranho já que logo quando cheguei ali ela dissera que eu deveria saber que não podia ficar para sempre na sua casa. Pensei que ela ficaria feliz ao ver que eu iria sair ou que eu poderia acabar enfrentando minha mãe a qualquer momento.

– Como assim “mais egoísta”? – perguntei.

Helena suspirou e cruzou os braços diante sua silhueta elegante.

– Sua mãe já destruiu a sua vida... E você não fez nada. Só fugiu... Então ela ameaça “destruir” a vida de Ellen... E você se revolta toda? – ela comentou, parecendo incrédula. Então suspirou com indignação. – Deus... Letty! Por que você é assim?!

Ela não perguntou para mim diretamente, mas para alguma entidade divina que deveria estar ouvindo aquela conversa dos céus pelo modo com que ela ergueu as mãos sem paciência. Franzi o cenho para ela... Ela tinha razão.

– Não é a mesma coisa – eu disse. E realmente acreditava nisso.

Helena não respondeu mais, só soltou um suspiro e disse que me acompanhava até o meu carro. Então, não conversamos mais sobre o assunto. Ela conversou mais sobre as investidas discretas de Ginie em cima de Quentin e sobre o começo dos ensaios. Não ouvi muita coisa (só me interessava quando o nome “Quentin” era mencionado), e antes que eu desse por mim estava embicando Beija-Flor na garagem de casa.

Respirei fundo. Rezando não encontrar minha mãe durante meu caminho do hall de entrada até o meu quarto, caso contrário eu iria surtar.

Minhas rezas não adiantaram.

Esperando-me na escada, estava a mulher extremamente magra e de porte elegante... Tudo bem, ela não estava “me esperando” realmente. Ela só estava descendo as escadas antes de sair para o seu treino costumeiro de tênis quando eu entrei. Por alguns minutos, eu poderia não ter me encontrado com ela.

– Eu sabia que isso não ia durar muito – ela debochou quando me viu.

Seus olhos azuis claros eram gélidos sobre mim, e desdenhosos.

– Isso... – eu repeti, sem acreditar.

Estranhando, percebi que nada mais fervia dentro de mim. Nada parecia estar me corroendo por dentro como estivera há alguns dias. Agora só havia o frio. Um frio de indiferença que me fazia acreditar que meu sangue havia virado gelo nas veias.

– Com “isso” você se refere a eu ter saído de casa porque você nunca me contou que todo esse tempo meu pai estava querendo falar comigo? – eu perguntei, olhando para Riot que, novamente, pulava ao redor das minhas pernas.

Eu a irritei. Seu rosto quase sempre sem emoções (claro, porque Victoria Freeday jamais aceitaria uma única marca de expressão ou rugas no rosto) se contorceu levemente numa expressão severa. Por um instante, lembrei-me da mãe de Quentin. Não me lembrei dela, como inteira, mais de pedaços dela. Principalmente dos pés de galinha que ela tinha no canto dos olhos claros. Ela deveria sorrir muito, reparei.

– Bem... Seu pai te procurou sim, depois do divórcio – ela admitiu, desviando o olhar. Mamãe não gostava de dar o braço a torcer. -... Mas depois que eu disse que você precisava de um tempo para assimilar isso, ele nunca mais te procurou.

Claro que não. Eu conhecia o meu pai. Quando ele achava que já fizera mais que a sua parte, e realmente era verdade, ele havia feito; ele simplesmente esperava sua recompensa. Para ele, não havia mais porque insistir no assunto, só esperar o resultado, que no caso pareceu o meu “ódio eterno”.

– Essa é a sua desculpa? – eu perguntei sem acreditar. Começando a sentir nojo daquela mulher. – “Ele nunca mais te procurou depois que eu menti”? Como ele ia me procurar se achava que eu o odiava?! E depois... Não atribua à ele, a culpa que a senhora mesma tem!

Ela apertou os lábios.

– Mas ele me procurou sim, não foi? – eu a desmenti, subindo no primeiro degrau da escada. – Todo ano, ele me mandou cartões postais e cartas que eu nunca vi... Algumas vezes ele me ligava, mas as empregadas atendiam e eu não... Ele chegou a me convidar para ir passar as férias com ele na Alemanha, mas eu nunca recebi o convite! Por sua culpa! Por sua culpa eu fiquei jurando que meu pai me desprezava! Que ele achava que eu era pouco! Que ele achava que eu era nada!

Victoria piscou para mim, seus lábios tremiam. O quê? Ela ia chorar? Tarde demais, eu já estava chorando de raiva. Meu corpo todo estava tomado por tremores e queimando novamente. Como se eu houvesse tomado um veneno.

– Não fale nesse tom comigo, Brucena... Sou sua mãe... – ela alertou.

– Minha mãe?! – zombei, rindo sem humor. – Você não é nada! Você é só uma vadia que engravidou e me teve, fora isso, você não passa de uma vagabunda que fica horas e horas na frente do espelho pensando no que deve mudar para ficar mais bonita por fora. Mas quer saber por que você faz isso? Porque você simplesmente odeia esse monstro que tem dentro de si mesma-...

Talvez ela fosse mesmo a minha mãe, pensei. Para fazer o que eu estava pensando... Mais alguns segundos e eu era quem teria dado um tapa na cara dela.

Riot, que ainda pulava ao redor de nós duas, ficou observando a cena de um jeito estarrecido e começou a latir com violência para a minha mãe. Ele sempre ficava agitado quando via alguém brigando (gritando alto) ou se agredindo.

Com o rosto ardendo do tapa, olhei para ela. Olhei com ódio, mágoa e raiva. Era isso que eu estava sentindo... E era como um veneno que descia queimando pelo esôfago.

– Quer saber de uma coisa? Não voltei por você... Por papai ou por Walter... – eu disse, engolindo os soluços. – Eu voltei por Ellen. Sabe por quê? Porque eu sei como é passar anos, sozinha, sofrendo em suas mãos... E não vou deixar que você destrua Ellen, como você me destruiu.

Ajeitei a mochila nos ombros e peguei Riot no colo.

Comecei a subir as escadas quando ela agarrou o meu braço com força.

– Você se acha muito especial, não é Brucena? Se acha esperta, brava... Se acha uma guerreira, não é?! – ela perguntou. Seus olhos azuis chamuscavam com raiva. – A verdade é que você não passa de uma garotinha fraca que vive em busca da aprovação dos outros... Se você falou o que você quis, agora vai me ouvir.

Engoli em seco. Nunca vi minha mãe ficar tão furiosa, e muito menos sair do seu pedestal de frieza e indiferença digna de uma dama de ferro.

– Quer saber por que eu simplesmente te odeio, Brucena? – ela perguntou retoricamente. Quase foi como se ela houvesse me dado um soco no estômago. Então ela realmente me odiava, percebi. – Eu nunca quis ter uma garota... Nunca quis ouvir aquelas conversas de “nossa, ela é a sua cara quando você era jovem!”. Depois... Você cresceu essa aberração que não tem nada de mim!

Ela soltou o meu braço e riu sem humor. Gesticulou para mim como se eu fosse uma obra de arte do dadaísmo e ela fosse uma daquelas críticas que odiavam essa nova maneira de fazer arte. Ela gesticulou para mim como quem faz pouco e continuou:

– Você é igualzinha ao seu pai, com esses cabelos loiros escuros e esses olhos azuis mais escuros ainda... E, como se não bastasse, você ainda tem toda essa carência e necessidade de ser amada que é, simplesmente, nojenta. Ah, e não vou me esquecer também desse idealismo ridículo que uma garota pode ser bem sucedida de acordo com as notas do boletim... Mas, claro, é assim que as garotinhas feias se contentam.

Respirei fundo, sentindo logo em seguida uma vontade enorme de vomitar. Eu estava respirando o veneno e as palavras dela. Palavras que reviravam o meu estômago e que me deixavam estarrecida.

– Bem, enquanto você está indo, Bruce. Eu já fui e já voltei – ela zombou. – Quer saber como é o mundo, de verdade, para uma mulher? Se ela não for bonita, não há homem que abra uma porta para ela. Sabe por que eu nunca enchi sua cabeça com essas historinhas de que “o importante é o que temos por dentro”? – Ela pausou e riu sem humor novamente. – Porque ela simplesmente é mentira.

Recuei sentindo uma vontade enorme de sair correndo. Ela estava louca.

– O que eu fiz por você... E que você não deu a mínima bola, eu estou fazendo pela sua irmã... Ela goste ou não, eu só estou fazendo o melhor para ela. Então pare de falar como se eu fosse a Madrasta da Branca de Neve – ela concluiu. – Só quero que ela tenha o mesmo sucesso que eu.

Franzi o cenho e neguei com a cabeça. Recusando-me a aceitar suas palavras. Ela riu e desceu as escadas, em direção a porta principal. Debrucei-me sobre o corrimão.

– Que sucesso?! – perguntei, incrédula. Lágrimas escorriam pelo meu rosto. Lágrimas de incredulidade. – Você se casou três vezes! Não para com homem nenhum porque eles se cansam de você... Talvez Walter só te suporte porque ele quase nunca está em casa... E você chama isso de sucesso?! Você é feliz assim?!

Ela se virou para mim e riu.

– Bruce... Eu tenho tudo o que quero... Tenho vida de rainha! E agora eu tenho uma aula de tênis no clube para frequentar.

Victoria Freeday acenou para mim da porta e foi embora. Mas que típico dela fugir quando estamos tendo uma conversa de verdade. Uma conversa que nunca tivemos em anos. Era assim que ela pensava então? Que uma garota precisa ser considerada uma beldade incomparável para ter tudo o que ela precisa?

Minha mãe é mais louca do que eu pensava.

Ela é quem precisa de ajuda, não eu.

Riot havia ficado quieto no meu colo, desde que ela descera a escada, soltou um ganido. Lamentei silenciosamente por não ter tido presença de espírito e tempo suficiente para gritar que eu não precisava do “sucesso” dela. Que eu estava mais do que satisfeita do como as coisas estavam mudando para mim.

– Mamãe é meio louca... Né? – Ellen perguntou, aparecendo da cozinha.

Seu rosto estava muito inchado, mas ela havia parado de chorar e soluçar, apesar de sua voz estar bem rouca. Ela parecia muito cansada, mas além disso, parecia incrédula. Como se não acreditasse também no que havia ouvido. Seus cabelos claros estavam bagunçados de um jeito que mamãe odiaria.

– Sempre foi – respondi cansada. – Ela só está parecendo assim para você porque você parou de ser a Barbie em tamanho real dela...

Limpei meu rosto. Ellen já estava suficientemente mal para me ver chorando.

– Vou para o meu quarto... Tenho um trabalho para começar. – Soltei um suspiro cansado enquanto Ellen forçava um sorriso. Então brinquei: — E não se preocupe, “Vou trazer seu amado de volta em cinco dias” é assim que a irmã Letty trabalha.

Minha meia-irmã deu uma risada e correu para o abraço. Literalmente. Ela correu escada acima e se jogou em cima de mim com os braços abertos. Por muito pouco, não saímos rolando escada abaixo as duas.

Notas finais
PREVIEW: CAPÍTULO 30 - DESCONTAR A RAIVA. - Não seja sarcástica comigo – ele pediu pacientemente, como se eu fosse só uma criança fazendo tolice. – Só falei isso porque, como eu disse, me preocupo contigo... E Helena também... - Então diga para ela também: eu já falei com a minha mãe e minha conclusão é de que ela é superficial, vazia, materialista e uma cretina pirada – Eu me levantei com raiva. – Vou para a minha próxima aula, tá? Falamo-nos depois.