Nosso Nome Na Lista.

20 Capítulo 20 - Sorvete "Tudo o Que tem na cozinha".


Notas iniciais
QUEM SENTIU FALTA DO NYAH PAWS UP!! o Cara, imaginem alguém ansiosa escrevendo muito e sem um espaço para postar, era eu... Nem me importei que tenha uma maquete para fazer ou os desenhos -.- Eu só queria o Nyah de volta!! E aqui está ele hauhuahuaha. Muitas pessoas sumiram ToT mas acho que entendo - com esse lance do nyah fora do ar e tudo o mais... - mas espero que elas voltem logo. De toda forma, continuo muito feliz com o número de comentários ^ ^ Obrigada!! AGRADEÇO AOS REVIEWS DE: > RKéthully > Delicate > Ester > Katp > Senhorita Foxface > Allinegmar > RayWinnie > Laladhu > Cleozinha > Patriciamelo > Kika Pichsterzy > GiovannA > Mine > Amada Olimpius Chase > Iderlane Querioz > mrs stilinski Não interpretem mal a minha demora para responder aos reviews. Como são muitos, eu fico com preguiça, mas eu me emociono ao lê-los!! É como receber uma injeção de adrenalina xD. E TAMBÉM AGRADEÇO AS PESSOAS QUE RECOMENDARAM ESSA HISTÓRIA! VOCÊS SÃO DEMAIS!! 6 recomendações!! Sabem o que é isso numa original??? TToTT Bisou

Capítulo 20 – Sorvete “Tudo-O-Que-Tem-Na-Cozinha”.

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– Agora, me diga... O quê que tá rolando entre você o Quentin? – ela pergunta em meu ouvido. – E quero com os detalhes mais sórdidos.

Eu fico vermelha e me afasto dela.

– Não há muito o que contar... Olha para ele! – eu sussurro nervosa, com medo que ele ouça da cozinha. – Ele disse que gosta de mim.

Tudo bem, ele disse que me ama, mas Helena não devia saber disso porque ela perguntaria se eu gosto dele do mesmo jeito e, sinceramente, não sei e tenho medo da minha resposta. Eu saberia lidar com a pergunta “e você gosta dele?”, mas lidar com a pergunta “você ama ele?” era outra coisa.

– Tá, e você gosta dele? – ela pergunta, como eu já previa.

Eu suspiro e a olho com incredulidade.

– Não, Helena, eu só o deixei enfiar a língua na minha boca por “curiosidade mórbida”- respondo com sarcasmo, cruzando os braços. Mesmo assim, continuo corada. – O que você acha?

Helena fica pensativa, mordendo o lábio inferior com nervosismo. Pergunto-me o porquê dessa atitude, quando a vejo sorrir de repente e voltar seu olhar para mim com malícia. Engoli em seco e esperei pela sua constatação perigosa.

– Acho que de Duncan para Quentin você deu uma evoluída que me deixa orgulhosa – ela responde, dando tapinhas delicados nas minhas costas. – Sejamos sinceras, Duncan é legal, tipo, de boa... Mas não combinava com você.

Franzo o cenho e aperto os lábios.

– Digo, ele não ! Sobre o que vocês conversavam, afinal? O tempo?

– Sobre o que a gente conversa Helena? Você não gosta de ler também... – eu comento.

– Mas tenho cultura... Quentin sempre me arrastou para as adaptações toscas de livros e histórias em quadrinhos. Quando vocês começarem a sair, ele vai te arrastar também – ela responde me dando língua. – Não sabe o que eu tenho que aturar... “Não acredito que esse diretor maldito fez essa merda com Percy Jackson!”, “Sério que eles chamam isso de ‘Lanterna Verde’?!”, blá blá blá...

Eu mordo o lábio, mas não consigo e rio.

– Essa é uma ótima imitação... Para uma atriz que nem sabe fingir chorar.

As risadas de Helena cessaram e ela fechou a expressão para Quentin.

– Você sabe que é verdade – ela responde, dando de ombros. – Quando o filme é ruim, você parece aquele garotinho de sete anos na Disney que descobriu que o Buzz Lightyear de Toystory é só um cara tosco fantasiado...

Quentin passa um braço por sobre os meus ombros. Não sei bem porque ele faz isso. Talvez só para me ter perto dele, ou talvez só porque ele quisesse, mas ele o fez e eu nem me preocupo em resistir ou afastar. Eu meio que gosto...

– Sua memória me surpreende, sabia? – ele lhe pergunta com os olhos cerrados.

Helena dá um sorriso sarcástico que acompanha um dar de ombros.

– Seu sorvete “Tudo o que tem na cozinha” – Quentin muda de assunto, apontando para uma tigela enorme que havia sido colocada sobre a mesa de centro verde-água. – Sirvam-se!

Ele tira o braço de mim e se joga num dos sofás roxos. Engulo em seco quando Helena se afasta de mim em direção ao recipiente que mais parecia uma “Taça da Felicidade” de tão grande que era.

– Hum... Será que dá para vocês trocarem o nome? – eu peço, aproximando-me com cautela. – Ele já está me dando arrepios. Juro.

Quentin me olha com o cenho franzido, assim como Helena.

– Você está preocupada com o que “tudo o que tem na cozinha” pode implicar? – Quentin pergunta divertido, mas curioso também.

– Também... – eu respondo, sentando-me no sofá ao lado de Helena.

Quentin me puxa pelo braço antes que eu consiga me sentar de fato e quase caio em cima dele, que estava praticamente deitado no outro sofá.

– Bem, se isso fizer você se sentir melhor, posso listar todos os ingredientes que coloquei aí... Mas você vai ter que pagar por essa informação privilegiada – ele provoca, fitando-me com seus olhos claros e pidões.

Engulo em seco novamente.

– Não. Você não vai contar nada para ela... – Helena briga, servindo-se do sorvete que mais parecia uma gororoba cremosa e tão colorida quanto a bandeira gay. – Se você fizer, ela vai ficar cheia de frescura e não vai mais querer comer... É melhor nem contar...

Olho para ela, começando a ficar corada e ela me passa a sua tigela cheia com aquele sorvete estranho e cheio de elementos coloridos. Ele cheirava a açúcar. Muito, e muito açúcar. Meu estômago começa a ficar embrulhado só de sentir o cheiro e ver aquelas cores dançando diante dos meus olhos... Começo a suar frio.

Ela continua com a tigela estendida para mim, seu olhar é insistente. E sei que ela não vai me deixar em paz até que eu pegue.

Eu a pego, mas ainda não arrisco comer uma colherada.

– Sério que você vai fazer essa desfeita? – ela briga, cruzando os braços. Quase parecendo uma mãe rabugenta. – Quentin fez esse sorvete à quase uma hora da manhã só para te animar. Você ao menos tem que provar, tá?

Olho para ela, começando a sentir raiva por ela estar me forçando a comer aquela coisa, mas entendo o que ela está tentando fazer... E parte de mim está comovida com isso. Uma parte que quase se igualava aquela que queria estrangula-la.

Solto um suspiro e pego uma colher em cima da mesa. Talvez, se eu comer apenas uma colherada ela me deixe em paz... Pouco provável, mas pode dar certo. Sendo assim, enfio-a naquela massa colorida e gelada e levo à boca.

Uma explosão açucarada acontece na minha boca. E é tanto açúcar que parte do meu maxilar fica dormente e dói um pouco. Meu estômago fica mais apertado ainda e tenho que me forçar a comer aquilo. Não que fosse ruim. Era muito bom, e acho que eu podia distinguir o gosto de chocolate, caramelo, pedaços de jujubas e M&Ms... Mesmo fazendo um bom tempo sem comê-los, e tudo isso misturado ao creme gelado do sorvete...

Era coisa de outro mundo.

Mas não aguento, e engulo como se tivesse tomado um remédio ruim.

– Pensei que você tivesse passado por uma reeducação alimentar – Helena comenta.

– E eu passei... – digo, sentindo-me um pouco constrangida sim. Quentin estava ali, só observando. Tudo bem que ele sabia que eu tinha “problemas com comida”, mas era constrangedor assim mesmo. – Só que isso é açúcar até demais...

Coloco a tigela em cima da mesa e, apesar do meu sofrimento para comer uma colherada, sinto que já quero mais... Mas me contenho. Eu não preciso de mais, ou preciso? Além disso, imagine o quão calórico e o quão nocivo deve ser tanto açúcar num único sorvete!

– Bem – a loira diz servindo um pouco para ela própria. – Depois do que aconteceu, não é como se você estivesse desesperada para agradar a sua mãe, certo?

Ela me olha com desafio.

– Eu não... – Seu olhar me interrompe.

Não adianta mentir para Helena e dizer que eu não fiz o que fiz pela minha mãe. Nós duas sabemos a verdade. Ela era alguém observadora, apesar de às vezes deixar algumas coisas passarem batidas; e era óbvio que ela sabia como era o meu relacionamento com a minha mãe, assim com eu sabia como era o relacionamento dela com os pais.

Mas ela está certa.

Não estou desesperada para agradar a Sra. Victora Freeday.

Eu já havia feito até demais por ela... E só acabei sendo humilhada por ela e até mesmo traída. Obrigo-me a sentar mais relaxada no sofá e volto a comer o sorvete. A dor no maxilar passa, meu estômago para de revirar aos poucos e percebo o quanto é gostoso.

– Você acredita que faz mais de cinco anos que eu parei de comer M&Ms? – pergunto quebrando o silêncio. – Cara! Que absurdo! É tipo... A melhor coisa do mundo!

– Depois do caramelo – Quentin declara. – E depois das jujubas...

Olho para ele de modo absurdo e percebo que ele já havia se servido do sorvete e estava comendo também, para a minha completa surpresa. Nem o vi fazer. Foi tão rápido quanto um ninja... Pergunto-me em que outras coisas ele seria rápido também.

– Tá brincando? A única coisa boa na jujuba é o açúcar em volta – eu respondo com deboche. – A textura dela em si é como se fosse... Sei lá, algo nojento do corpo humano como cera de ouvido...

– Eca! – Helena exclama com cara de nojo.

– Ei, não precisa ofender as jujubas se você não gosta delas! Elas ao menos merecem respeito! – Quentin protesta ofendido. – Se você não gosta, não coma. Deixe-as para quem goste...

Ele me estende a sua tigela e eu reviro os olhos, passando-lhe as minhas jujubas.

– Engraçado, a mesma coisa pode se aplicar aos homossexuais – Helena brinca.

– É a lei básica do respeito – Quentin responde com ar inteligente.

Helena revirou os olhos enquanto Quentin iniciava um monólogo sobre o como ele achava ilógicas as pessoas que maltratavam as outras por serem “diferentes”. Sinceramente, até eu teria revirado os olhos se ele não ficasse tão bonitinho falando sobre algo que ele gostava. Com aqueles olhinhos claros agitados em empolgação... E seus gestos animados...

Estávamos acabando com a taça enorme de sorvete e Quentin não havia calado a boca. Agora, ele estava falando algo sobre o como os chineses acreditavam que o eclipse solar era causado por um dragão que tentava devorar o sol... E que o soltava por ele ser quente demais.

– É incrível como todo povo tem a ideia de que se fazer barulho, espanta a coisa maligna que está tentando devorar o seu sol... – ele continua, devorando sua enésima vasilha de sorvete.

– O.K. Neyde... Chega de açúcar – Helena o interrompe num certo momento, puxando a vasilha maior de sorvete para si mesma. – Você tá começando a tagarelar, como sempre...

Olho para ela e rio.

– Ele fica assim por causa do açúcar? – pergunto com diversão.

– Oh, sim... Ele fica – ela responde revirando os olhos. – Nem queira ver como ele fica bêbado... É irritante. É sério.

Tento imaginá-lo bêbado, mas não consigo. Apesar de ele já ter me visto “bêbada” (e de eu não achar que eu estava porre), percebo que eu nunca o vi muito alterado. Ou, se ele estivesse, eu sequer havia notado. Ele não mudava muita coisa...

– Depois que ele pegou um porre terrível, ele parou de se embebedar, graças a Deus – Helena explica como se lesse a minha mete. – Devo contar à ela sobre Brien, Quentin?

Ele fica pálido de repente.

– Brien? – pergunto com receio.

– Er... Está tarde... Acho melhor eu ir andando... – ele desconversa, levantando-se. Ele olha para Helena. – Você sabe como é a minha mãe, não sabe? Ainda mais quando meus irmãos estão na cidade...

Eu o puxo pela camisa vermelha.

– Quem diabos é Brien, pelo amor de Deus?! – questiono.

– Ninguém... – ele responde tentando parecer relaxado de novo. Mas só parecendo. Seus músculos estão tensos. – É só um... colega... Parceiro de farra, sabe?

– Bem... Eu vou arrumar... Uma cama para você dormir – Helena se pronuncia, levantando-se do outro sofá e indo para o seu quarto.

Acho injusto. Ela jogou fogo e nem vai ficar para ver a fogueira queimar?

O solto e cruzo os braços, estreito meus olhos para ele e o encaro.

– Por favor, diga-me que eu não tenho que me preocupar em acordar num belo dia e descobrir que você me trocou por um homem – eu digo, muito nervosa e com muita rapidez. – Quem é Brien?

Quentin revirou os olhos e riu como se eu tivesse dito um absurdo.

– Relaxa, isso não vai acontecer – ele responde, jogando-se ao meu lado. Ainda está tenso. – Brien é um colega da minha ex-escola e só isso. Eu juro, tá? Helena é quem fica inventando histórias! – Ele gritou a última frase para que ela ouvisse.

Ele se senta com o tronco virado para mim e seus olhos claros me analisam.

Eu poderia ter insistido naquele momento... E o pressionado para que ele me contasse tudo, mas acho que sou idiota. Eu estava cansada, essa era a verdade. Descobri que minha mãe me enganou por dez anos, e acabei de me acabar num sorvete que provavelmente iria me deixar culpada assim que eu encostasse a cabeça no travesseiro... Não quero comprar briga com Quentin agora.

Não ele que estava começando a se tornar uma das pessoas em quem eu mais confio... De um jeito que eu não confiei nem em Paloma ou Olivia...

Respiro fundo.

– Então... Só para eu saber, você não é bi? – pergunto cansada.

Quentin nega com a cabeça e um sorriso se esgueira pelo seu rosto lentamente. É um sorriso sedutor, como todos os sorrisos que ele lança. Um de seus braços se apoia no encosto do sofá e acaricia meus cabelos. Novamente, quero fechar os olhos e ronronar feito um gatinho.

– Juro que sou cem por cento hétero – ele murmura. – Posso provar quando você quiser.

Eu coro quando um arrepio percorre a minha espinha.

Percebo neste momento que vai ser muito difícil eu namorar Quentin. Muito difícil.

Ele se inclina muito perto. Seu hálito me embriaga mais do que o “um copo e meio” de vodca que eu havia tomado naquela festa e me vejo inclinando para ele também.

– Opa! Desculpem, desculpem! – Helena entra gritando na sala. Quebrando o clima em vários pedaços, tanto quanto o silêncio que se instalara. – Desculpem! Mas, Letty, você não trouxe nada da sua casa?!

A loira pergunta, sem se importar com o palavrão que Quentin soltou.

– Hm... Trouxe... Trouxe o dinheiro para o aluguel... – Eu brinco. Helena me dá um sorriso irônico, sabendo que eu falei brincando. – E uma mala que esqueci no meu carro.

Helena suspira aliviada.

– Que bom... Odeio dividir as minhas coisas – ela disse, jogando seus cabelos para trás. Ela estala os dedos para Quentin e ordena: – Alfred! Desça até a garagem e vá pegar a mala da Srta. Letterman!

Quentin olha para a loira como se realmente quisesse estrangulá-la.

– Hell... Estávamos no meio de uma conversa séria aqui – ele diz gesticulando para nós dois. – Você vive dizendo que sou mais fraco do que você e que meu soco é de mulherzinha... Eu subi com essa garota nas minhas costas, então acho que descer e subir uns lances de escada vai ser moleza para você, Supergirl.

Helena deixa o queixo cair em surpresa e indignação.

Ela me olha, esperando que eu convença Quentin a voltar atrás.

Eu dou de ombros e ergo as mãos, num gesto indefeso. Eu seria a Suíça entre esses dois. Tomar partido de um lado poderia ser perigoso... Eu é quem não iria querer ganhar a antipatia de Helena. Eu já havia ouvido histórias como ela era com os seus inimigos, obrigada.

– Certo! – ela diz erguendo o queixo. – Eu vou lá. Mas se eu voltar e vocês estiverem se comendo no meu sofá, juro que mato os dois e faço um forro novo para ele com o couro de vocês!

Ela pega a chave do meu carro sobre a mesa de centro e caminha para fora. Seus gestos são irritados, mas sei que ela vai estar mais calma quando voltar.

– Cara... Eu senti um calor agora... – Quentin estremece.

– É porque nós acabamos de ir e voltar do Inferno... – eu digo nervosa também.

Ficamos um tempo em silêncio... Sem saber como retomar à boa atmosfera de antes e saber que estávamos perdendo um tempo que poderia ser precioso me fez ficar agitada. Tenho certeza que Helena voltaria correndo só para ser má conosco (ou melhor, com Quentin).

– Posso fazer uma pergunta? – ele pede, deitando-se no sofá com as pernas no chão.

Confirmo com a cabeça e espero.

– O que Helena disse... Sobre você tentar agradar a sua mãe, não comendo... É sério? – ele pergunta. – Você... Só entrou nessa... para agradá-la?

Eu solto um suspiro cansado, e me deito do lado oposto. Nossas pernas se encostam, e ele coloca as minhas por sobre as dele. Estamos nos encarando, mas a conotação romântica da atmosfera foi embora por completo, imagino. Obrigada, Helena.

– Desde que eu me entendo por gente... Sei lá, eu venho decepcionando a minha mãe... E nem entendo como – eu começo, brincando com um desfiado dos meus shorts. – Começou com esse lance de que ela queria um filho homem, porque filho homem é mais fácil de lidar e essas coisas... Por isso meu nome é Brucena. Porque deveria ter sido Bruce.

Quentin ergue uma sobrancelha e sei que ele quer rir. Eu também quero.

– Eu sei... É ridículo esse nome. Por isso me apresento como Letty para as pessoas.

– Eu prefiro Letty – ele apoia.

Eu rio e concordo com a cabeça.

– Eu também... Foi meu pai quem me deu esse apelido. Ele sabia que eu odiava ser chamada de Bruce ou Brucena, então ele passou a me chamar de Letty por ser uma Letterman – eu explico. – Bem, mas voltando a sua pergunta... Mamãe sempre tentou encontrar defeitos em mim, mas papai sempre conseguia atenuá-los ao ridicularizá-la. Ele me fazia achar que aquilo era uma brincadeira e que ela era ridícula. Eu era só uma criança afinal. Não via muita maldade no que ela falava...

“Até que aos cinco anos eu perdi o primeiro maldito concurso de beleza em que ela me inscreveu – eu digo com repulsa. – Sério. Deveria ser maldade você fazer garotinhas de cinco anos competirem entre si e se arrumarem como se fossem gente grande”.

Quentin faz uma careta.

– Um concurso tipo “Pequena Miss Sunshine”? – ele pergunta divertido.

– Tipo isso – respondo fazendo uma careta de desgosto, mas ele ri. – Depois disso, ela começou a ver defeitos na minha aparência. Eu era gorda, meus olhos eram muito caídos... Às vezes ela dizia que meu rosto lhe dava vontade de chorar. Sério.

– Que maldade – Quentin protesta triste.

– É... Mas, sempre que isso acontecia e eu chorava, eu ia correndo para o colo do meu pai. Invadia reuniões, invadia seu escritório... Seus sócios ficavam putos comigo... Mas depois que eles se acostumavam, os caras passavam a gostar de mim. Estranho... Enfim, ele era a única coisa que fazia aquela mulher fica “suportável” – eu digo e cruzo os braços. – Mas... Quando ele foi embora... Eu obviamente fiquei sem chão.

Eu soltei um suspiro cansado

– Foi quando meu pai a deixou que piorou tudo... Eu tinha oito anos, e sem papai por perto para “adoçar o veneno”, mamãe parecia assustadora... E como ele nunca mais falou comigo, senti que eu havia falhado com ele e tivesse que fazer algo para compensar com a minha mãe... Então comecei a tentar agradá-la... Tentando me tornar a garotinha perfeita que ela queria.

Quentin ergueu as sobrancelhas numa expressão de incredulidade.

– É... Não deu certo – respondo dando de ombros. – Ela sempre vinha com comentários maldosos... E o pior era quando ela fazia isso na frente de suas amigas cabeças-de-vento. Como se me humilhar fizesse parte de um espetáculo ridículo...

Ele ficou calado, me esperando continuar.

– E então, ela se casou... E Ellen Freeday virou a filha que ela não teve... Quer dizer, ela só faltava colocá-la num pedestal! Então, com medo de perder a minha mãe... Eu fiz muitas coisas para emagrecer... Coisas das quais eu me arrependo, sem dúvida... Mas eu não queria perdê-la porque...

– Seu pai foi embora e sua mãe era a sua única família – ele completa pensativo.

Confirmo com a cabeça e sorrio, feliz por ele ter entendido. Ele sorri de volta, sem tirar os olhos de mim. Meus olhos estão ardendo e sinto que vou chorar, mas não choro. Apesar do aperto no peito, como se meu coração estivesse querendo se esconder entre os pulmões, fico feliz por ser capaz de conter as lágrimas. Já chorei demais por hoje.

– Desculpa a história longa e deprimente... Mas algumas pessoas simplesmente não entendem quando só sabem da metade – eu brinco.

– Significa muito, para mim, você contar essa história “longa e deprimente” – Quentin responde com um sorriso de canto. – Você não é de se abrir muito... Então isso significa que você confia em mim?

Eu olho para ele com incredulidade.

– Você acha que teria me beijado se eu não confiasse em você? – questiono.

Quentin dá de ombros, mas está sorrindo. Não sei por quê.

– Sei lá... Você é estranha... Mas um bom tipo de “estranha”.

Eu cruzo os braços.

– E qual é o bom tipo de “estranha”? – eu questiono.

Ele dá um sorriso enigmático, mas não responde. Quentin se levanta, se inclina sobre mim e me dá um beijo que novamente eu acho que era para ser rápido... Mas não é.

Notas finais
Conto com vocês nos comentários ^.~ Como minha amiga pediu, vou colocar um preview do próximo capítulo só para vcs não ficarem me acusando de ser malvada - allinegmar, estou de olho em você fia >_> PREVIEW: "- Amanhã nós vamos sair num encontro – ele avisa ofegante. Olho para ele aturdida, e ele encosta seus lábios nos meus novamente. - Encontro? – pergunto confusa, quando ele se afasta. Ele não estava me deixando pensar. - É... Vamos ao cinema ver um filme... – ele sugere. – É o que casais fazem, certo? Eu sinto um sorriso quase rasgar a minha face. Ele havia dito “casais”. Ótimo, eu e Quentin éramos oficialmente um “casal”. Contra tudo que Paloma e Olivia disseram, e talvez até mesmo Yvonne e mais da metade do colégio... Eu estava namorando Quentin McCullogh."