Nosso Lugar Especial
4 Reencontro e Gratidão
Notas iniciais
Uma semana se passou, minha amizade com a Katarina se firmava cada vez mais, e o Yan se encontrava cada vez mais distante da minha vida.
Eu sinceramente, nem lembrava mais da existência dele, quer dizer, apenas quando eu voltava a aquele maldito lugar, que alem de belo e reconfortante, agora se tornara a fonte de uma memória bem distante, tão distante ao ponto de eu não conseguir mais a alcançar.
Eu nem mesmo tinha vontade de voltar lá, afinal, não sou um idiota pra ficar me torturando. Mas uma coisa realmente me incomodava, afinal, de onde viera todo esse apego pelo tal de Yan? Eu mal conheci aquele garoto, e mesmo assim, sempre pensava nele... Decidi esquecer e me focar no presente, a final, tudo aquilo acabou ficando no passado.Desde aquele dia, eu não o vi novamente, mas acho que isso já ficou claro.
Chego no colégio animado, Katarina ficou de me apresentar a um grupo de amigas dela, me sinto inspirado escutando Flashlight, da Jessie J.
Logo depois sinto macias mãos retirando os fones de meus ouvidos e, logo em seguida tapando a minha visão.
— Advinha quem é?
— Claro que é você, Kat, Realmente acha que eu não saberia?
— Ah, para de ser sem graça Lucas! – Ela diz tentando fazer uma expressão brava, porém acaba ficando extremamente fofa.
Comecei a rir, e ela logo me acompanhou, substituindo a feição de brava forçada por uma pura e esbelta feição alegre e espontânea.
— Ah, hoje eu vou te apresentar pras pirigas!
— Pirigas? Assim que vocês se chamam?
—Exatamente! Somos todas pirigas, mas pirigas do amor! – Ela disse sorrindo
Eu literalmente, quase gritei no meio da sala de tanto rir, adorava quando ela usava as “frases de efeito” da Inês Brasil, me sentia cada vez mais próximo.
Mas logo o sinal bateu, e o estraga prazeres do professor de matemática entrou na sala, mandando todos sentarem em seus lugares e permanecerem quietos, tivemos duas aulas de matemática, que por sinal pra mim é a pior matéria, foi sufocante, mas tive que aguentar.
Tivemos mais uma aula, mas dessa vez era de inglês, a professora era boazinha, deixava, inclusive nós escutarmos músicas no fone de ouvido. Pra mim, sinceramente, este é o melhor tipo de professor, porém como tudo que é bom dura pouco, a aula dela logo acabou, e nós fomos liberados para o intervalo.
Aquilo não necessariamente me deixou triste, afinal era o intervalo e eu iria comer, além de encontrar com as amigas de Katarina, que pelo o que ela fala, são super legais.
— Heeeeey Lucas – Kat gritou do outro lado da sala
— Vamos?
— V-vamos
Não vou mentir que no inicio fiquei nervoso, mas logo passou, pois fui muito bem recebido por ambas as três, Larissa, Júlia e Rafaela, e logo já estávamos papeando assuntos aleatórios e fofocando sobre a vida das inimigas, e sim, as inimigas já tinham sido definidas em tão pouco tempo, elas realmente não perdem tempo.
Larissa tinha pele negra, cabelo loiro, olhos acastanhados e tinha uma altura média, tinha cara de manda chuva.
Júlia era asiática, tinha cabelos negros e lisos, olhos puxados e escuros, o que a deixava muito fofa, e tinha uma estatura baixa
E Rafaela, por sua vez era alta, com cabelos tingidos de um tom verde esmeralda, que combinavam diretamente com seus olhos, que eram da mesma tonificação.
Papo vai, papo vem e logo o sinal toca, fico desapontado, estava gostando tanto de conversar com as meninas... Despeço-me com um sorriso no rosto e volto pra sala junto com Kat.
— Gostou delas? – Kat me perguntava a pergunta mais óbvia do mundo
—Você ainda tem dúvidas? — Eu disse como se fosse uma coisa obvia.
Kat riu e voltamos para a sala, o resto do dia passou bem rápido alguns professores passaram atividades, outros explicaram assuntos, até aquele ponto eu não estava tendo dificuldade alguma nas matérias.
As aulas acabaram e nós cinco nos encontramos novamente, conversamos um pouco antes de o meu ônibus chegar, quando ele chegou me despedi das meninas, entrei no ônibus e fui embora.
E por incrível que pareça, vejo Yan de relance, enquanto o ônibus começa a se movimentar, ele estava com uma cara triste, com o que pareciam ser... Lágrimas em seus olhos? Durante todo o percurso de volta a minha casa fico pensando naquela cena, e só consegui chegar à conclusão de que estava vendo coisas.
Entro e vejo que meus pais não estavam ali, leio um papel que minha mãe havia deixado em cima da mesa, lá tinha instruções de onde estava a comida, e o dinheiro em caso de emergências.
Subo para meu quarto, tomo um banho e me sinto revigorado, coloco as roupas mais confortáveis possíveis e me sinto livre pra fazer o que eu bem entender em casa.
Decido deixar a comida pra mais tarde, estava animado demais com a idéia de ter a casa toda só pra mim, nem que seja só por algumas horas.
Ligo o meu PC, plugo a caixinha de som e coloco Work da Rihanna, mal percebo e já estou coreografando e cantando pela casa toda, espero que meu vizinho não se incomode. Aposto que não, ele tem cara de ter bom gosto.
Canso-me de tanto dançar e decido comer, afinal, tudo aquilo abriu bastante meu apetite, acho que vou começar a fazer isso mais vezes.
Termino a comida, que por sinal estava mais gostosa do que nunca, e me deparo com minha situação, todo suado e sujo, emburrado, decido tomar outro banho.
Perco algumas horas no PC e logo os meus pais chegam em casa. Passa-se um tempo, olho para o relógio, me espanto quando vejo que já eram 1:23hs da manhã!
Decido ir dormir logo, não poderia aparecer no colégio parecendo um zumbi na manhã do dia seguinte.
Acordo atrasado, ativo meu modo ninja e me arrumo em um piscar de olhos, outro piscar de olhos e já estou dentro ônibus e assim logo chegando ao colégio.
Ao chegar lá recebi a péssima noticia de que a Kat não viria hoje, pois tinha pegado uma gripe das brabas. Converso com as meninas, mas não é a mesma coisa sem a Kat, e acho que todas elas concordariam comigo.
Assisto às três primeiras aulas, quer dizer, eu meio que durmo nelas, pois ainda estava cansado por ter dormido tão tarde na noite anterior, chega à hora do intervalo, e eu ainda estava cansado, após uma tentativa falha de me encontrar com as garotas diante de toda aquela multidão de alunos, eu decido ir para o lugar mais quieto possível, para que eu pudesse descansar, e só um lugar veio a minha cabeça.
Subo as escadas e entro na cobertura, me assusto quando vejo Yan lá, tento me aproximar dele e o vejo chorando, sozinho.
— Y-Yan? – Eu dizia em quanto olhava para ele
— A-ah, Lucas tudo bem?
— Comigo até que tá, mas o que aconteceu com você? Você está bem?
— Ah, isso? Não é nada não, apenas ignore
E Então me veio à cabeça a imagem que vi do Yan ontem, quando o ônibus estava de partida, e decido por mim mesmo que havia algo ali.
— Corta essa Yan! – Eu digo me sentando ao seu lado e olhando no fundo de seus olhos
— Você vai me contar ou não?
— Eu já disse Lucas, não é nada demais... – Ele diz desviando seu olhar e encarando o chão.
— Que tal fazermos assim? Você desabafa comigo e eu tento te ajudar, e eu conto pra você o maior segredo da minha vida!
— É que... Não é nem que eu não queira te contar, é só que eu tenho receio de que você nunca mais queira falar comigo, depois de ouvir isso.
— Olha pra mim, Saiba que você pode contar comigo, que eu nunca vou te julgar e vou estar sempre do seu lado, não importa o que seja
— É só que, assim... Eu estava completamente apaixonado por um amigo meu, me declarei pra ele ontem e ele disse que tinha nojo de mim, para eu nunca mais falar com ele ou ele espalharia aquilo para toda a escola, sabe, eu tenho sentido isso a tanto tempo, e isso acaba assim... – Yan me abraçou fortemente e começou a chorar em seus braços.
Me senti muito mal em receber aquela noticia, mais não só em saber que aquilo havia acontecido com meu amigo, havia algo a mais ali, me senti mal por descobrir que Yan esta apaixonado de alguém?
—Sabe, o único que esta perdendo aqui é ele, que vai ficar sem a sua companhia, que não mais poder te ver ou conversar com você… Se olha no espelho, você é tudo de bom! Apenas relaxe e siga com a vida – Eu dizia em quanto alisava o seu cabelo com minhas mãos. — Aposto que ele nem mesmo te merecia.
— Lucas... Muito obrigado por estar aqui, comigo, e mais ainda por não me julgar por eu gostar de um garoto... Saiba que mesmo mal te conhecendo eu te considero muito. Sério, muito obrigado.
— Quanto a não te julgar pela sua sexualidade, acho que seria impossível eu te julgar, afinal o meu segredo é que... Eu sou gay.
Olhamo-nos por um tempo e rimos de nossas situações.
— Isso, você fica bem melhor assim, sorrindo – Eu disse enquanto acariciava seu cabelo.
— Como eu já disse da ultima vez, você é quem deveria sorrir mais.
Nos esquecemos das aulas e simplesmente ficamos ali, mais uma vez olhando a linda paisagem e sentindo a natureza, eu começo a pensar mais sobre Yan, e acho que, eu to meio que gostando dele, na verdade acho que comecei a gostar dele desde a primeira vez que nos vimos, por isso não conseguia tirá-lo da cabeça.
E agora, que descobri que ele não tem problemas com isso, acho que minhas esperanças se renovam, eu não vou o deixar ser um simples coadjuvante em minha vida, quero dividir o papel principal com ele, e agora finalmente posso dizer isso e lutar para que se torne realidade.
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