Nossas Sombras

1 A morte de uma alma pura


Lembro-me bem como costumava viver aquela alma alegre, cheia de sonhos e fantasias. Eu era apenas mais um inocente, mais uma luz para ser consumida pelas trevas que habitavam o meu eu. Em um pôr do sol, parado em um morro, me via gigante, ao passo que minha alma se encolhia diante de minhas dores, para mim aquelas eram terrificantes. Não demorou muito para que a paisagem a minha frente se tornasse um abismo, e que perdido em admiração, aquele abismo abrisse seus braços para me consolar, e o desejo de ser acolhido me empurrasse para queda.

Já faziam anos desde que aquele a qual amei profundamente partiu para longe com meu coração, e eu tolo, me mantive na esperança das palavras deixas por ele, palavras duras e sofridas de um amor que precisa partir, seguir em frente, sozinho.

A dor que pulsava meu corpo, já fazia parte de meus sistemas, meus sonhos trancaram-se em um quarto escuro no fundo da minha mente, para se protegerem de seu melancólico dono. A única coisa que me mantinha vivo naquele momento, era rotina anestésica que me enfiei, amante da fantasia, apenas a fantasia me confortava, e na fantasia me perdi, entre jogos e series, desejando encontrar minha própria história de amor impossível.