Nossa história a ser contada
5 História 5
— Talvez hoje seja feriado. — ela fala bocejando atrás de mim
— Acho que eu saberia se fosse. — "afinal nunca perco a oportunidade de ficar em casa", penso
Resolvo descer deixando a lambreta no lugar de sempre, perto do local das bicicletas, agora vazio, Lana me segue silenciosamente enquanto eu entrava na escola. Corredores vazios e escuros, um silencio ameaçador, parecia uma cena de filme de terror, me perguntei por um segundo se parecia mesmo uma boa ideia ir mais a fundo no local, Lana me dá um empurrãozinho para frente me encorajando a dar mais passos.
Ela parecia estranhamente quieta, tudo era estranhamente quieto, apenas o som dos passos preenchiam o ambiente: um, dois, três passos meus, um, dois, três passos dela como ecos dos meus, um, dois, três, quatro passos.....
Paro no meio do corredor, seus passos e os meus se silenciam, mas eu ainda consigo escutar. Um, dois, três, quatro passos, vinham de frente, a adrenalina percorre meu corpo, falta de ar, a sensação de medo me fazendo quase querer desmaiar ali mesmo.
— Está tudo bem. — Lana fala baixo atrás de mim segurando minha mão — Quando eu contar até três nós trocamos de jogador, ok?
— O que quer dizer?
— 1.... — começa a contar me ignorando completamente — 2,..... 3
Ela puxa meu braço para trás e joga seu corpo para frente, eu me escondo em suas costas, ela estende seu outro braço para frente e eu apenas consigo escutar um pequeno "click" de uma arma antes de vir o disparo. Começo a respirar com dificuldade, não conseguia entender o que estava acontecendo, até que vi um homem caído no chão, roupas pretas, uma mascara de macaco e uma poça de sangue em volta dele.
— O q-que você está.... — ela se vira rapidamente e tapa minha boca com a palma de sua mão
— Ainda há mais deles. — responde
— Quem são eles?
— Eu não sei, mas.... — ela pega minha mão e me puxa lentamente para perto do corpo sem vida, o cheiro do sangue e a imagem do homem caído me dera náusea. — Com certeza não estão aqui para nos dar respostas. — chuta a arma da mão dele e a pega do chão me entregando
— Eu não posso...
— Você deve. — ela parecia mais seria do que qualquer outra vez que me olhou
— O que está acontecendo? — pego a arma com as mão tremulas
— Talvez tenhamos entrado no livro
— Como?
— Eu sou um pouco sonambula. — ela ri desajeitadamente quebrando a tensão
— Eu vou te quebrar ao meio
— Guarde essa raiva para quando for atirar, pode fazer isso?
— Acho que sim
— O que a fez mudar de ideia?
— O que quer dizer?
— Qual a principal diferença entre matar um ser humano e matar o que se parece com um?
Antes que eu pudesse responder, um barulho de uma porta sendo arrombada se espalha pelo ambiente vindo do corredor por onde o homem com a mascara de macaco saíra, Lana vai na frente se encostando na parede e olhando vez ou outra por cima do ombro para dentro do outro corredor, um tiro passa de raspão em seu rosto, bem embaixo de seu olho, ela recua rapidamente enquanto uma fina linha de sangue desce pela bochecha.
— Opa. — ela pressiona seu machucado
— Troca de jogadores. — puxo seu ombro e me coloco a frente do corredor, meu alvo se mantem a poucos segundos a minha frente, mas foi o suficiente para eu disparar 5 tiros, 3 o acertaram e 2 atravessaram a parede
— Muito bom, mas.... — ela segura minha mão com a arma se pressionando em minhas costas — Precisa ser um pouco mais firme. — levanta um pouco nossos braços e mira na nuca do homem caído — Bam — fala suavemente em meu ouvido apertando o gatilho com meu dedo, o homem da um ultimo suspiro e eu noto que ele ainda estava vivo — Não gaste munição tão desnecessariamente
Lana caminha até o homem com a mascara de cavalo e pega a munição que estava com ele e me entrega. Continuamos andando, os corredores pareciam todos iguais agora, não sabia bem nosso objetivo ali, mas matamos um homens com mascaras de coelho, cachorro, tigre e esquilo.
— Como está seu machucado?
— Ardendo, mas podemos cuidar disso depois
— Então..... não vai voltar ao normal quando voltarmos para casa?
Ela fica quieta por alguns instantes.
— Quem sabe?
Lana não me deixou perguntar novamente, me puxou pelo braço e abriu violentamente a porta da sala do diretor. Ali, sentado na cadeira de frente a porta, estava um homem com mascara de leão, ele não falou nada, apenas olhou para nós duas por um tempo.
— E então? — ela pergunta finalmente para o homem
— Todos temos que saber a hora de desistir, não é? — ele retira uma arma da gaveta e aponta para nós, eu tento apontar a arma para ele também, mas Lana segura minha mão e o observa, ele ri sendo abafado pela mascara em seu rosto, aponta a arma para sua testa e dispara
— Ele....... — tento dizer enquanto as palavras fugiam da minha boca
— Você sabia, Summer......... alguns monstros sem rosto só podem ser mortos por eles mesmos, mas no mundo em que vivemos, eles são invisíveis
A luz branca toma o ambiente, não lembro bem quando a luz se dispersou e meus olhos foram envolvidos pela escuridão. Acordei novamente, minha cama, meu quarto, o cheiro das minhas coisas, eu me sentia segura agora, sento-me e olho para o lado, Lana dormia calmamente, suas mãos relaxadamente postas perto de seu rosto e os cabelos bagunçados sob o travesseiro.
Me aproximo um pouco do seu rosto, sem nenhum corte, suspiro aliviada e saio silenciosamente da cama, era cedo, minha mãe estava no banho, resolvo fazer o café dessa vez. Poucos minutos depois, nós 3 já estávamos animadamente sentadas no balcão nos preparando para comer, Lana cortava um pão quando a faca se prende e ela a puxa para cima sem pensar bem.
— Oh Deus. — minha mãe se levanta da cadeira — Eu vou buscar um curativo
Nós a olhamos ir para seu quarto, Lana tinha uma expressão vazia, não parecia realmente se importar com o machucado e eu via novamente aquela fina linha de sangue descer por sua bochecha.
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