Nossa Química
34 Sentindo...
Notas iniciais
Meu coração acelerava em um ritmo quente e lento. Era como se uma trilha sonora tocasse ao fundo enquanto passava uma retrospectiva de tudo que vivenciamos. Acho que nenhum de nós dois imaginávamos um momento como esse, ainda mais vindo de nós dois que sempre brigamos. A rua escura e úmida não fazia sentido em nossa volta, pois só enxergávamos nos dois. O frio que rodava no ambiente continuava mais entre nós dois não permanecia, pois estávamos colados enquanto seus lábios tocavam o meu.
Acho que nada descreve algo perfeito a não ser a própria palavra. Nunca ouvir dizer que existe algo melhor do que a própria perfeição. E aquele beijo estava sendo perfeito, por isso não é possível descreve-lo.
O beijo que parecia de horas não passaram de curtos segundos, e sinceramente não conseguíamos nos desgrudar. Mas teve que ser assim, e logo que ele me soltou fomos acompanhados de largos sorrisos no rosto.
– Eu te odeio seu abusado – Sussurrei em seu ouvido.
– Eu te amo sua invocadinha – Sussurrou como resposta e demos outro sorriso.
Logo ele me deu outro beijo, mas me lembrei de algo, por isso não durou muito.
– Alex... – Falei o afastando, e senti vontade de dar um sorriso ao constatar que o chamei de Alex em vez de abusado, mas não era possível sorrir naquela hora.
– Oque foi se arrependeu? – Perguntou e vi seus olhos perdidos e preocupados com a resposta.
– Não – Respondi – Eu seria louca se me arrependesse. – Continuei e vi ele sorrir contente – Mas é que você é namorado da Nayara, e eu odeio traição, até porque eu odiaria se fosse comigo, pra mim é a pior coisa que existe.
– Ela não é mais minha namorada, nunca mais vai ser – Respondeu, e tentou se aproximar novamente, mas não deixei.
– Mas você ainda não terminou definitivamente, ela deve pensar que ainda é sua namorada.
– Eu já falei com ela, acredite em mim.
Alguém pigarreou por trás de nós e viramos imediatamente.
– Pode acreditar nele, estamos de prova que a problemática foi embora de vez da vida dele – Lucy falou.
Percebi que todos estavam ali menos Nayara.
– Desde quando vocês estão ai? – Perguntei e ruborizei na hora só de imaginar oque eles poderiam ter visto.
– Desde a hora que você o interrompeu de ter dar um beijão por causa da vaca da Nayara – Pamela respondeu.
– Ai sim, hein Alex – Lucas e Gui falaram em uníssono enquanto davam tapinhas nas costas de Alex.
– Não dá nem pra acreditar que vocês dois... –Pâmela falou.
Ruborizei na hora, e Alex sorriu sem graça.
– É May sua safadinha, na chuva, o maior climão, que nem cena de filme, não é mesmo? – Lucy perguntou rindo.
– Pois é, se desse repetiria tudo de novo – Alex falou colocando seu braço em torno das minhas costas.
Fiquei com mais vergonha ainda.
– Seus loucos, querem ficar doentes? – Pâmela perguntou – Entrem debaixo do guarda chuva – Falou enquanto estendia um para nós.
Fomos para casa abraçados em um único guarda chuva.
**
– Isso são horas de chegar? – Mari perguntou – E ainda mais encharcada desse jeito? May quantas vezes eu falei pra você não ficar na chuva? – Mari dizia tudo enquanto eu apenas estava com um sorriso bobo no rosto.
– E ainda por cima fica rindo? – Perguntou enquanto falava outras coisas, mas eu não prestava atenção.
– Desculpa Mari – Falei – não vai se repetir, eu prometo. Agora eu posso dormir? Estou com enxaqueca – Menti.
– Esta vendo, deve ser por causa da chuva – Falou – Meu Deus deve ser os primeiros sintomas – Falou tentando parecer apavorada.
– Não exagera Mari – Falei rindo e fui tomar um banho quente.
Depois do banho me joguei na cama e deixei meus pensamentos rodarem em torno de um par de olhos verdes reluzentes.
**
Acordei bem tarde, hoje era sábado e usei para descansar. Assim que acordei, estendi um sorriso brilhante no rosto, ao me lembrar dele.
Eu queria saber como foi à reação da Nayara quando ele terminou com ela, e ainda mais de uma hora pra outra tão rápido. Por isso resolvi perguntar para a Lucy, por mensagem.
“Já acordou pensando nisso?” – Perguntou.
“Vai me dizer que você não ficou louca assim que começou a namorar o Gui?” – Respondi.
“Ok, vou dizer curiosa. Assim que você saiu da pizzaria, o Alex levantou correndo para ir até você, mas Nayara tentou o impedir. Ela começou a choramingar pra ele, dizendo que ele não a amava que preferia correr atrás de uma criança em vez de ficar acompanhado de uma verdadeira mulher”
“Eu vou mostrar pra ela quem é a criança” – Respondi sabendo que não faria isso.
“Até parece May. Ontem você ficou impedindo que o Alex te beijasse por causa dela.”
“Ok, continua – Respondi para mudar de assunto.”
“Então o Alex se soltou dela e falou para ela nunca mais dizer uma coisa dessas sobre você, por que você sim tem mais valor do que ela. A Nayara ficou uma fera e então os dois começaram uma discussão e a ficarem se chingando, o Alex cansou das “Paranoias” dela e terminou indo atrás de você. A briga pareceu de horas, mas não passou de minutos. É que eu dei uma acrescentada pra ficar mais interessante”.
Eu ri com oque ela falou no final e a agradeci por ter contado a “briga” dos dois. Agora eu estava mais tranquila.
Desci para tomar café e todos me perguntaram o por que do sorriso do rosto, e tentei disfarçar, mas não havia como, por isso contei tudo.
– Mas ele te pediu em namoro? – João Pedro perguntou.
– Não – Respondi, eu nem havia pensado nisso.
– May, tem alguns meninos que só usam e depois jogam fora – Ele falou.
– Ele não é disso, eu garanto – Falei – E a Mari conhece muito bem ele.
– É pai deixa ela, é que você não conhece o namoro de hoje em dia. – Malu falou.
– Ah é, e você conhece? – Ele perguntou para a Malu fixamente fazendo que a conversa se prolongasse por horas, por cauda desse simples comentário da Malu.
Terminei de comer, e subi para o meu quarto. Liguei o meu computador e resolvi mecher um pouco. Eu estava um pouco impaciente, será que ele queria só me usar mesmo? Não, ele não faria isso. Acho que é por que não deu noticias até agora. Mais ainda é de manha. Acho que estou ficando paranoica com isso tudo, preciso manter a calma.
Entrei no Facebook e vi que ele estava Online, assim que percebi que estava mesmo gostando dele, fiz questão de adiciona-lo.
“Não vou clicar em seu nome – Pensei”. Mas logo o computador apitou, e vi que era ele me chamando para uma conversa.
Alex: Finalmente você entrou, estava morrendo de saudade. Não parei de pensar em você, desde madrugada. Sim, eu estou acordado ainda e não fechei os olhos. Queria poder te ver, mas achei melhor não, pois você poderia estar dormindo, e eu não queria atrapalhar.
Fiquei até sem graça, eu nunca imaginava que tudo isso iria acontecer.
May: Também quero te ver, pensei que já havia me esquecido.
Alex: Pode vim aqui na minha casa? Só vê se não se perde outra vez, se não o herói aqui vai ter que resgatar outras damas também.
May: Posso sim. E não se preocupe eu já gravei o caminho e pode ter certeza que eu iria fazer questão de mandar essas “damas” irem procurar o próprio herói delas.
Alex: Ficou com ciúmes?
May: E se eu disser que sim?
Alex: Eu diria que você fica linda brava.
**
Eu já estava apertando a campainha da sua casa, quando dei uma ultima olhada em minha roupa. Ok, talvez seja a milésima vez que eu olho.
A Mãe dele atendeu e me cumprimentou com simpatia. Logo ele desceu e ela nos deixou a sós.
Ele em deu um beijo e me abraçou.
– Nunca imaginei nós dois assim – Falei.
– Pois é, é sobre isso que queria falar com você.
Fiquei preocupada que ele tivesse se arrependido de tudo.
– Não fica com essa cara – Falou rindo e me puxando para mais perto me fitando com o olha – Eu só quero te fazer uma pergunta.
– Eu também tenho muita coisa pra perguntar.
– Eu imagino – Falou e me segurou pela cintura – Mas é que essa é importante pra mim e pra você – Falou sorrindo – Quer namorar comigo?
Tentei conter o enorme sorriso.
– Pensei que já estávamos. – Falei.
– Mas acho que não seria certo, eu não pedir definitivamente – Falou sorrindo – Afinal sou um cavalheiro.
– Sei – Falei irônica e rindo – Claro que eu aceito.
Nós beijamos e depois fizemos um esforço para nos soltarmos.
– Que perguntas você tem pra me fazer? – Perguntou.
– Como você gosta de mim se estava com a Nayara? – Perguntei, pois pra mim essa era a pergunta principal.
– Bom é uma longa historia – Falou se sentando – Mas eu faço questão de contar.
Sorri e pedi para que ele contasse.
– Um dia eu estava com muita preguiça, mas algo me fez despertar para ir a uma festa de começo de ano da escola. Então eu pensei em ir, e depois faltar nos outros dias. Quando cheguei lá, vi varias pessoas se agarrando e um som de estourar os ouvidos. A festa estava bombando e tinha varias garotas bonitas.
Senti uma ponta de ciúmes ao ouvir isso.
– Mas nem uma me atraiu – Falou assim que viu minha expressão – Apenas uma. Ela estava sentada em um banco branco enquanto lia um livro atenciosamente. Não consegui deixar de reparar nela em nenhum segundo. Só que em um momento ela pressentiu que alguém a observava e me viu a encarando. Sorri para não deixar o momento constrangedor, mas logo ela se levantou e foi para o salão às pressas. Acho que com vergonha.
Sorri ao me lembrar desse dia. Então quer dizer que ele me achava atraente?
– Eu não desisti dela e fui atrás. Quando entrei no salão vi a movimentação, mas não desisti eu precisava encontra-la. Avistei-a de costas junto de uma amiga minha, namorada do meu melhor amigo e que vivem brigando, uma hora ou outra eles se separariam.
Lembrei que nesse mesmo dia, havia ouvido uma discussão dos dois.
– Então fui atrás dela e a esperei que virasse para poder puxar assunto. Mas oque eu não esperava era que ela iria se virar e por minha culpa manchar o vestido de um suco que iria tomar. Ela ficou toda “Invocadinha” e acho que ela achou que eu fosse um “Abusado”. Então ela começou a ir embora e eu fui atrás, não seria legal da minha parte tentar ajudar e pedir desculpa. Mas ela estava muito estressada e então começamos a brigar. E foi a partir desse dia que eu não a esqueci apesar da briga. Ela aparecia de repente em minha mente, como se quisesse permanecer lá e foi isso que ela fez. Só que em certo ponto eu precisava retornar a escola. E eu tive que encontra-la.
Relembrei o dia em que o vi virado no pátio da escola pronto para ser apresentado como melhor amigo do Lucas.
– Mas o problema é que ela reapareceu como a namorada do meu melhor amigo, e aquilo me deixou revoltado, era pra ela ser minha namorada. Mas me mantive calmo por causa da conhecidencia e não deixei de ser amigo dele. E percebi que ela ainda guardava magoas de mim, e por isso passei a perturbá-la, para que não deixasse de ficar próxima de mim, e não ficar uma coisa muito constrangedora entre nós, eu a conquistaria aos poucos. Mas em um momento tive que dizer ao melhor amigo que gostava dela, e da tal conhecidencia eu não aguentaria vê-los juntos. E então meu amigo me contou que não tinha mas certeza do que sentia por ela e falou que já pensava em terminar. E foi isso que ele me fez e começou a me ajudar a conquista-la. Fazendo vários planos...
Fiquei surpresa em ouvir aquilo.
– May eu sempre gostei de você desde o inicio. Não tem as aulas de violão? O Lucas me contou que você queria fazer e eu combinei com ele de te dar e na hora em que você visse quem era o tal professor eu iria fingir que também não sabia de nada. Não tem aquela sua sinopse do concurso? Pois é você estava no pátio com ela e então deixou cair eu peguei e levei pra professora, e falei que achava que você tinha muito potencial e consegui que você entrasse para o concurso. Por que eu acreditava que você era capaz May, e ainda acredito. Quando você veio me perguntar o porquê de eu ter entregado pra professora e não pra você eu fingi que não sabia que era seu. Não tem o Nescau? Fui eu que te dei. Não tem quando você fingiu que estava se afogando? Eu quase tive um colapso nervoso ao imaginar oque poderia acontecer com você. May em todo esse tempo eu estava a sua volta, te imaginando enquanto você pensava que eu só servia pra te perturbar. Mas em todo o momento eu só amei você.
Eu não sabia nem oque dizer, em todo esse tempo ele era apaixonado por mim e eu não percebia só depois de muito tempo que eu fui enxergar que os nossos sentimentos eram os mesmos. Mas eu percebi que nem tudo tinha se esclarecido ainda, ele não respondeu a minha pergunta sobre a Nayara.
Aproximei-me dele e dei como resposta um beijo. Ficamos abraçados por um tempo e resolvi falar.
– Você ainda não me explicou sobre a Nayara.
– Eu percebi que você nunca me dava bola, por isso resolvi namorar a Nayara que sempre estava indo atrás de mim. Ela seria o único jeito de eu te esquecer, talvez eu conseguisse gostar dela. Mas não adiantava, você penetrava em minha mente a todo meio segundo. A Nayara sempre me irritava e sempre demostrava ser uma menina mimada e que só se preocupa com o cabelo e as unhas e falar mal das outras meninas. Foi por isso que resolvi parar de acompanhar os seus caprichos e terminar de uma vez. Nada iria substituir você.
O abracei novamente e vi que eu o amava mais do que nunca. Ele estava me fazendo sentir coisas que nem eu mesma sabia...
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