Nossa Química
1 O prólogo de quando tudo começa.
Notas iniciais
O vento atravessou a janela do meu quarto, enquanto eu enchia mais uma vez a colher de brigadeiro de panela. Lucy, por sua vez, continuava a falar insistentemente.
— A festa de novatos é a festa do ano! – disse.
Apenas a olhei ironicamente e revirei outra página do livro que eu estava lendo.
— Mayane, qual o problema? Se o problema é seu pai...
—Lucy, você acha mesmo que meu pai é o problema? – interrompi – Ele não está nem aí para o que eu faço ou deixo de fazer.
— Não vai me dizer que é por causa da sua babá?
— Mari não é minha babá.
— Se ela não é sua baba, é o que então? – Perguntou levantando uma sobrancelha.
— Não importa! – resmunguei.
— Então diz logo por quê não quer ir – cruzou os braços ao revirar os olhos.
Olhei para a minha cama toda bagunçada, o brigadeiro de panela e o livro. Ao perceber que eu estava analisando tudo aquilo, falou:
—Olha lá na festa tem um jardim do lado de fora, você fica lendo seu livro como uma antisocial, eu só não quero aparecer sem companhia.
— Interesseira – brinquei.
Ela começou a implorar insistentemente de novo.
—O que eu não faço por você – reclamei, levantando da cama.
Ela começou a comemorar dando pulinhos. Nunca havia conhecido alguém mais eufórica que a Lucy.
—Vamos escolher sua roupa – falou, já abrindo meu guarda-roupa e percebi que não era um bom sinal. Com certeza iria me fazer ir toda enfeitada. Surpreendi-me quando ela abriu meu guarda-roupa e começou a se queixar que eu estava por fora da moda atual. Quando abri a boca para reclamar notei que ela pegou o vestido que era da minha mãe, que estava guardado a anos no meu guarda-roupa.
—May, ele é lindo – disse, estendendo ele na minha frente.
—Era da minha mãe, mas eu nunca usei e garanto que meu pai não iria gostar nenhum pouco.
—Esquece seu pai, você vai com ele!
Entregou-me o vestido e se despediu falando que as oito viria me buscar. Olhei para minha cama e era como se ela pedisse: ''volta''. E foi exatamente o que eu fiz. Peguei no sono e quando acordei era sete e trinta e cinco da noite. Tomei um banho rápido, vesti o vestido às pressas e calçei um salto pequeno. Para finalizar passei uma maquiagem básica, até por quê não sou experiente quanto a isso. Olhei-me no espelho, reparando em cada detalhe meu. Os cabelos castanhos estavam mais definidos em suas ondulações das pontas. O castanho esverdeado dos olhos entregava que eu havia dormido o restante da tarde. Meus pensamentos foram interrompidos com a buzina do carro. Lucy havia pedido para que eu não me atrasasse, mas ela mesma se atrasou. Quando aproximei-me dela entendi o motivo do atraso: Ela estava linda e eufórica para a noite.
O pai dela me cumprimentou sorrindo e acelerou o carro. Lucy em seguida começou a falar entusiasmada:
—May, se prepara, você vai adorar todo mundo!
Mergulhei em meus pensamentos. Realmente eu precisava me preparar, afinal uma nova fase da minha vida estava só começando.
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